Injeção – Mercado de múltiplos componentes esbarra na falta de escala, mas ratifica potencial de crescimento

Plástico Moderno, Injeção - Mercado de múltiplos componentes esbarra na falta de escala, mas ratifica potencial de crescimento
Máquina da Wittmann Battenfeld pode ser feita sob encomenda
Plástico Moderno, Injeção - Mercado de múltiplos componentes esbarra na falta de escala, mas ratifica potencial de crescimento
Forças de fechamento dos modelos da Arburg vão de 40 t a 500 t

Ele não está enganado. Segundo a consultoria Euromonitor, esse setor, no ano passado, era o terceiro maior do mundo, mas seu histórico revela que em pouco tempo alcançará a vice-liderança. Em dez anos, seu faturamento cresceu de R$ 7,5 bilhões para R$ 27,5 bilhões (valor Ex-Factory, que representa o montante saído de fábrica, sem adição de impostos sobre vendas), como diagnostica a Associação Brasileira da Indústria da Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). “De uns três ou quatro anos para cá, esse mercado se tornou forte para a injeção multicomponente”, observa Cardenal. As perspectivas são boas: o faturamento neste ano deverá ser de R$ 31,12 bilhões, o equivalente a um crescimento de 13,2% comparado a 2010.

Outro trampolim para os multicomponentes são os elastômeros termoplásticos (TPEs), considerados hoje responsáveis por boa parte da expansão da demanda. O material favorece o acabamento superficial e a vedação do transformado.

Cenário – “O mercado está crescendo, mas vejo que hoje ainda se usa muito o processo tupiniquim”, comenta Hugo Korkes, da KraussMaffei do Brasil, referindo-se à utilização de duas ou mais máquinas, em vez de uma injetora integrada. A falta de escala, os profissionais do ramo concordam, é o principal empecilho para sua ampla aceitação entre os transformadores nacionais. Trata-se de um investimento, considerado alto, pois, por enquanto, a demanda não é sólida nem tão pouco estável. “Se o empresário investe e perde o pedido, fica com um elefante branco”, reconhece Korkes. O volume precisa justificar a compra, ou seja, a máquina deve operar full time. Isto é, quanto maior for a quantidade de peças, mais econômico e otimizado o processo se torna.

Em linhas gerais, um modelo para bicomponentes custa cerca de 50% a mais do que uma injetora convencional. A máquina em si não é determinante para o encarecimento da tecnologia. O molde sim, pois este chega a custar o dobro do preço de uma ferramenta convencional.

As ferramentarias nacionais, aliás, caracterizam outro nó do setor. Há poucas fábricas especializadas na produção de moldes para múltiplos componentes. Korkes, no entanto, as defende. “Existem, sim, algumas boas, como a Belga, do Rio Grande do Sul”, enfatiza. Apesar de admitir os avanços dessas empresas, os fabricantes de máquinas consideram esse um forte empecilho para o aumento das vendas. “Esse segmento ainda é muito deficiente”, comenta Guerra. Ele não é o único a pensar assim. Segundo Löhken, o processo poderia se tornar mais viável se as ferramentarias incorporassem o know-how das diversas tecnologias em moldes bicomponentes.

Os fabricantes, no entanto, não ficam prostrados entre lamentações. Para atenuar esse entrave, a Wittmann Battenfeld, por exemplo, buscou parcerias. A fim de se tornar mais competitiva e consequentemente engordar seu faturamento, a companhia está desenvolvendo projetos em conjunto com a Btomec, ferramentaria de Joinville, em Santa Catarina. “Ainda não concretizamos nenhum negócio, mas estamos no caminho”, avisa Cardenal. De maneira geral, os fornecedores de máquinas também investem em mais divulgação e no constante aprimoramento de seus desenvolvimentos, e ainda buscam rotas para tornar essa tecnologia mais acessível ao transformador. Os exemplos são diversos, um deles é a incorporação pela Sumitomo Demag de recursos capazes de baratear o modelo; no caso, oferece a injetora com mesa rotativa, para reduzir o custo do investimento com o molde.

Plástico Moderno, Marcos Cardenal, Engenheiro de vendas da Wittmann Battenfeld do Brasil, Injeção - Mercado de múltiplos componentes esbarra na falta de escala, mas ratifica potencial de crescimento
Para Cardenal, fabricante fica mais competitivo com parceira

Outro trunfo da fabricante trata-se de um sistema conhecido como MultiPlug. Em linhas gerais, é um kit de multicomponentes que pode ser acoplado às injetoras convencionais. Essa alternativa tem boa aceitação na Europa, porém, no Brasil, apesar de estar disponível há bastante tempo, as vendas despontam agora. A KraussMaffei também instala uma segunda unidade de injeção em uma máquina convencional. O sistema se chama Bolt-on.

A Wittmann Battenfeld conta com a linha Combimould. Nessa série, a placa rotativa é móvel, possibilitando assim que a segunda unidade de injeção seja desativada, e opere como se fosse simples, se necessário. “Esse recurso é uma estratégia para esse momento em que não há muito volume”, justifica Cardenal. As máquinas foram desenvolvidas segundo um conceito modular, no qual as peças são padronizadas. “De específico, só há a placa, que pode ser retirada”, aponta Cardenal.

Soluções de ponta – Potencial para a ascensão no país da injeção de múltiplos componentes existe. Por isso, as gigantes estrangeiras investem na oferta de soluções de primeira linha. O mercado está aberto para adotar processos especiais como este. Na opinião de Cardenal, os transformadores mais tradicionais têm procurado sobreviver à queda da rentabilidade, investindo em tecnologias sofisticadas. “Essa é uma maneira de melhorar as margens, que estão apertadas”, observa.

Cada vez mais interessados nesse nicho de mercado, os fabricantes de máquinas apresentam modelos para atender às mais diversas exigências. A configuração clássica da Wittmann Battenfeld para essa área é a linha HM, com força de fechamento de 45 t a 650 t. Mas a empresa também faz combinações sob medida de até 1.600 t de força de fechamento. Na Europa, a companhia considera a tecnologia de multicomponentes o seu negócio mais importante entre os processos especiais. No Brasil é o terceiro; vale dizer que há 19 máquinas vendidas para o mercado nacional. Em tempo: dentro do segmento de múltiplos componentes, a fabricante vendeu pelo mundo cem unidades só no ano passado.

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