Injeção – Mercado de múltiplos componentes esbarra na falta de escala, mas ratifica potencial de crescimento

Plástico Moderno, Injeção - Mercado de múltiplos componentes esbarra na falta de escala, mas ratifica potencial de crescimento
Multinject, da KraussMaffei

Incipiente, mas com um potencial enorme de crescimento. Talvez, por enquanto, não haja outra maneira de configurar o mercado de injeção de múltiplos componentes no Brasil. Apesar de se caracterizar por uma poderosa combinação, seja de materiais ou cores, num único processo, e por isso, se fincar na possibilidade de ofertar ao transformador competitividade, economia e acabamento superficial da mais alta estirpe, essa tecnologia ainda não deslanchou em território nacional. A sua aplicação esbarra na falta de escala.

Mesmo com itinerário incerto, o prognóstico é positivo. Os fabricantes de máquinas fazem sua parte: abastecem o setor com desenvolvimentos de ponta e apostam em recursos para tornar esse processo mais acessível por aqui. Aliás, essa postura não se dá por acaso. A indústria se mostra aberta para comprar cada vez mais produtos de alto valor agregado, e tem a seu favor o aumento do consumo de setores como o de higiene pessoal e de cosméticos.

Esse enredo se repete há alguns anos. Desde os primórdios, a tecnologia de multicomponentes progride num ritmo letárgico no país. A saber: a técnica foi desenvolvida na década de 60, mas só despontou por aqui no final dos anos 90, com o interesse da indústria automotiva. Nessa época, as lanternas multicolores dos veículos deixaram de ser produzidas pela sobreinjeção e se passou a adotar o processo. Mais tarde, o seu uso se disseminou, abarcando outros produtos como escovas de dente, cabos de aparelhos de barbear, além de celulares e televisores.

A sua penetração avançou paulatinamente e ratifica, a cada ano, o potencial dessa tecnologia. No entanto, está longe de atingir os patamares idealizados pelos fabricantes de máquinas. “É uma ferramenta de marketing amplamente difundida no mundo, sendo no Brasil ainda usada com menor intensidade, em virtude da grande sensibilidade de aumento de custos e preços do mercado de consumo”, explica Udo Löhken, diretor da Engel do Brasil.

O processo foi introduzido no país para aplicações especiais, e apesar de sua evolução, ainda carrega esse ranço. “Esse é um mercado em desenvolvimento, temos uma cultura de comprar ‘preço’, o que dificulta o uso em produtos populares”, reforça Leandro Goulart, gerente de vendas da Arburg. Em suma, trata-se de um setor ainda restrito. No Brasil, o grande volume de aplicações está relacionado às empresas multinacionais. E isso, em todos os âmbitos, não só na transformação. Ou seja, o abastecimento de injetoras é de domínio das gigantes estrangeiras, no caso, as europeias, e boa parte das ferramentas também precisa ser importada. “Acho que 99% dos moldes vêm de fora”, estima Marcos Cardenal, engenheiro de vendas da Wittmann Battenfeld do Brasil.

Plástico Moderno, Leandro Goulart, Gerente de vendas da Arburg, Injeção - Mercado de múltiplos componentes esbarra na falta de escala, mas ratifica potencial de crescimento
Goulart: tecnologia ainda é nova para a indústria nacional

A indústria local, no entanto, esboça uma reação. Alguns fabricantes já conseguem comercializar suas injetoras para empresas 100% nacionais, o que sustenta projeções de crescimento. Cardenal, aliás, prevê que nos próximos três anos as vendas do segmento devem aumentar ao menos 20%. A previsão é crível, pois a aceitação desse tipo de processo vem em curva ascendente. Há cerca de cinco anos, o mercado era ainda mais embrionário do que é hoje. De alguma maneira, vender máquinas para múltiplos componentes já começa a figurar entre as metas dos fornecedores. “Antes, o próprio fabricante não dava muita atenção para o setor. Nem se cogitava a venda, agora já faz parte do portfólio a ser apresentado para o cliente”, reconhece Luis Guerra, gerente de vendas da Sumitomo Demag.

Aplicações – Por tradição, no Brasil, o maior consumidor desse tipo de máquina é a indústria automobilística. Na Sumitomo Demag, cerca de 70% dos negócios em injeção de múltiplos componentes se voltam para esta aplicação. Esse não é um exemplo isolado, pois para boa parte dos fornecedores as vendas se concentram nesse segmento. As fábricas de automóveis estão cada vez mais inseridas nos padrões internacionais e exigem peças bicomponentes. Na avaliação de Cardenal, no entanto, mesmo este ramo ainda é pouco explorado. Ao contrário do que acontece na Europa, os carros fabricados no Brasil embutem menos sofisticação. “Esse setor não se desenvolveu muito, porque aqui os carros são mais simples”, comenta.

Apesar da hegemonia do mercado automotivo, esse reduto está se desfazendo e diluindo-se em outras frentes. Setores como o de eletrônicos (leia-se: aparelhos celulares, frontal de televisores, teclados de computador e afins) e de utilidades domésticas têm endossado os negócios. “Isso está acontecendo porque a biinjeção dá um aspecto mais nobre ao plástico”, argumenta Guerra. Por conta desse movimento, as perspectivas para o setor mudaram. “Vejo que a escala virá não da indústria automotiva, como a gente poderia prever, mas dos mercados de higiene pessoal e de embalagem”, declara Cardenal.

De forma geral, onde é necessário agregar funcionalidade e valor (no caso, design diferenciado e alta qualidade) ao produto, a injeção de múltiplos componentes tem sido muito bem-vinda. Por isso, não por acaso, as apostas de alguns fabricantes de máquinas recaem nos promissores números do mercado nacional de higiene pessoal, cosméticos e perfumaria. “Nessas áreas há grandes volumes”, afirma Hercules Piazzo, gerente comercial da Milacron do Brasil.

Plástico Moderno, Injeção - Mercado de múltiplos componentes esbarra na falta de escala, mas ratifica potencial de crescimento
Máquina da Wittmann Battenfeld pode ser feita sob encomenda
Plástico Moderno, Injeção - Mercado de múltiplos componentes esbarra na falta de escala, mas ratifica potencial de crescimento
Forças de fechamento dos modelos da Arburg vão de 40 t a 500 t

Ele não está enganado. Segundo a consultoria Euromonitor, esse setor, no ano passado, era o terceiro maior do mundo, mas seu histórico revela que em pouco tempo alcançará a vice-liderança. Em dez anos, seu faturamento cresceu de R$ 7,5 bilhões para R$ 27,5 bilhões (valor Ex-Factory, que representa o montante saído de fábrica, sem adição de impostos sobre vendas), como diagnostica a Associação Brasileira da Indústria da Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). “De uns três ou quatro anos para cá, esse mercado se tornou forte para a injeção multicomponente”, observa Cardenal. As perspectivas são boas: o faturamento neste ano deverá ser de R$ 31,12 bilhões, o equivalente a um crescimento de 13,2% comparado a 2010.

Outro trampolim para os multicomponentes são os elastômeros termoplásticos (TPEs), considerados hoje responsáveis por boa parte da expansão da demanda. O material favorece o acabamento superficial e a vedação do transformado.

Cenário – “O mercado está crescendo, mas vejo que hoje ainda se usa muito o processo tupiniquim”, comenta Hugo Korkes, da KraussMaffei do Brasil, referindo-se à utilização de duas ou mais máquinas, em vez de uma injetora integrada. A falta de escala, os profissionais do ramo concordam, é o principal empecilho para sua ampla aceitação entre os transformadores nacionais. Trata-se de um investimento, considerado alto, pois, por enquanto, a demanda não é sólida nem tão pouco estável. “Se o empresário investe e perde o pedido, fica com um elefante branco”, reconhece Korkes. O volume precisa justificar a compra, ou seja, a máquina deve operar full time. Isto é, quanto maior for a quantidade de peças, mais econômico e otimizado o processo se torna.

Em linhas gerais, um modelo para bicomponentes custa cerca de 50% a mais do que uma injetora convencional. A máquina em si não é determinante para o encarecimento da tecnologia. O molde sim, pois este chega a custar o dobro do preço de uma ferramenta convencional.

As ferramentarias nacionais, aliás, caracterizam outro nó do setor. Há poucas fábricas especializadas na produção de moldes para múltiplos componentes. Korkes, no entanto, as defende. “Existem, sim, algumas boas, como a Belga, do Rio Grande do Sul”, enfatiza. Apesar de admitir os avanços dessas empresas, os fabricantes de máquinas consideram esse um forte empecilho para o aumento das vendas. “Esse segmento ainda é muito deficiente”, comenta Guerra. Ele não é o único a pensar assim. Segundo Löhken, o processo poderia se tornar mais viável se as ferramentarias incorporassem o know-how das diversas tecnologias em moldes bicomponentes.

Os fabricantes, no entanto, não ficam prostrados entre lamentações. Para atenuar esse entrave, a Wittmann Battenfeld, por exemplo, buscou parcerias. A fim de se tornar mais competitiva e consequentemente engordar seu faturamento, a companhia está desenvolvendo projetos em conjunto com a Btomec, ferramentaria de Joinville, em Santa Catarina. “Ainda não concretizamos nenhum negócio, mas estamos no caminho”, avisa Cardenal. De maneira geral, os fornecedores de máquinas também investem em mais divulgação e no constante aprimoramento de seus desenvolvimentos, e ainda buscam rotas para tornar essa tecnologia mais acessível ao transformador. Os exemplos são diversos, um deles é a incorporação pela Sumitomo Demag de recursos capazes de baratear o modelo; no caso, oferece a injetora com mesa rotativa, para reduzir o custo do investimento com o molde.

Plástico Moderno, Marcos Cardenal, Engenheiro de vendas da Wittmann Battenfeld do Brasil, Injeção - Mercado de múltiplos componentes esbarra na falta de escala, mas ratifica potencial de crescimento
Para Cardenal, fabricante fica mais competitivo com parceira

Outro trunfo da fabricante trata-se de um sistema conhecido como MultiPlug. Em linhas gerais, é um kit de multicomponentes que pode ser acoplado às injetoras convencionais. Essa alternativa tem boa aceitação na Europa, porém, no Brasil, apesar de estar disponível há bastante tempo, as vendas despontam agora. A KraussMaffei também instala uma segunda unidade de injeção em uma máquina convencional. O sistema se chama Bolt-on.

A Wittmann Battenfeld conta com a linha Combimould. Nessa série, a placa rotativa é móvel, possibilitando assim que a segunda unidade de injeção seja desativada, e opere como se fosse simples, se necessário. “Esse recurso é uma estratégia para esse momento em que não há muito volume”, justifica Cardenal. As máquinas foram desenvolvidas segundo um conceito modular, no qual as peças são padronizadas. “De específico, só há a placa, que pode ser retirada”, aponta Cardenal.

Soluções de ponta – Potencial para a ascensão no país da injeção de múltiplos componentes existe. Por isso, as gigantes estrangeiras investem na oferta de soluções de primeira linha. O mercado está aberto para adotar processos especiais como este. Na opinião de Cardenal, os transformadores mais tradicionais têm procurado sobreviver à queda da rentabilidade, investindo em tecnologias sofisticadas. “Essa é uma maneira de melhorar as margens, que estão apertadas”, observa.

Cada vez mais interessados nesse nicho de mercado, os fabricantes de máquinas apresentam modelos para atender às mais diversas exigências. A configuração clássica da Wittmann Battenfeld para essa área é a linha HM, com força de fechamento de 45 t a 650 t. Mas a empresa também faz combinações sob medida de até 1.600 t de força de fechamento. Na Europa, a companhia considera a tecnologia de multicomponentes o seu negócio mais importante entre os processos especiais. No Brasil é o terceiro; vale dizer que há 19 máquinas vendidas para o mercado nacional. Em tempo: dentro do segmento de múltiplos componentes, a fabricante vendeu pelo mundo cem unidades só no ano passado.

Conhecida por sua tecnologia de injeção sem colunas, a Engel atua em multicomponentes com a linha Combimelt, de 60 t a 500 toneladas de força de fechamento nas máquinas sem colunas da sua tradicional série Victory; de 55 t a 500 t nas elétricas E-Motion, e de 350 t a 5.500 t nos modelos de duas placas Duo Pico. “Nas máquinas Combi não existe limitações quanto ao número de unidades de injeção”, avisa Löhken.

Plástico Moderno, Udo Löhken, Diretor da Engel do Brasil, Injeção - Mercado de múltiplos componentes esbarra na falta de escala, mas ratifica potencial de crescimento
Löhken: linha da Engel não tem limite para unidade de injeção

Na linha Victory, sem colunas, o diferencial está na possibilidade de montar mesas giratórias de grandes diâmetros em máquinas com forças de fechamento menores. A ideia é reduzir o custo do equipamento. “Muitas vezes, os moldes multicomponentes precisam ser maiores, com forças de fechamento reduzidas, portanto, a máquina sem colunas tem uma grande vantagem”, argumenta. Já na Duo, um destaque fica por conta da oferta de uma segunda unidade de injeção montada atrás da placa móvel, a fim de aumentar ainda mais as possibilidades técnicas da injeção multicomponente.

A primeira máquina Combimelt instalada no Brasil chegou em 1992. Desde então o mercado abrigou mais 28. Em breve, esse número avançará para 34, segundo estimativa de Löhken. “Esse é um segmento importante para nós”, afirma. A austríaca Engel conta com três fábricas em seu país de origem, uma na República Checa, além de duas na Ásia e uma nos Estados Unidos. As injetoras para múltiplos componentes são fabricadas nas plantas austríacas e nas asiáticas.

Para a KraussMaffei, as vendas vão aumentar, pois o mercado brasileiro se tornou mais exigente. Por isso, a fabricante não economiza tecnologia em suas máquinas para múltiplos componentes e investe constantemente na sua linha Multinject, desenvolvida em 1963. No Brasil, as máquinas chegaram anos depois, em 1998. Desde então, o país consumiu vinte injetoras da fabricante alemã. E tem potencial para emplacar muito mais modelos por aqui. “Vendi recentemente uma Multinject para uma empresa de Minas Gerais”, comemora Korkes. A expectativa para 2011 é comercializar pelo menos três máquinas.

A mais recente novidade para essa área é a tecnologia Spin Form, para altíssima produtividade. Korkes explica que o sistema em relação ao de mesa rotativa (turn table) apresenta diversos benefícios. Entre eles: permite produzir peças maiores e/ou mais compridas, facilita o isolamento térmico do molde, no caso de materiais que requerem altas temperaturas de transformação, e proporciona menor consumo energético.

A alemã Arburg classifica a injeção multicomponente em sete tecnologias. São elas: moldagem por injeção com intervalo, tipo sanduíche, marmorização, processo com gaveta, tecnologia de rotação, montagem por injeção e tecnologia de moldes de dupla face. Cada uma conta com uma aplicação definida. De modo geral, o material pode ser injetado com um único canal ou múltiplos, sendo que estes podem ser a frio ou a quente.

O portfólio da fabricante possui dois modelos da linha Allrounder indicados para injeção de multimaterial: a Série A (elétricas) e a Série S (hidráulicas). “O equipamento padrão conta com duas unidades de injeção, uma vertical e outra horizontal”, explica Goulart. As forças de fechamento variam de 40 t a 500 t. Em tempo: a fabricante também oferece modelos sob encomenda.

Nem mesmo a tradição de quem fabrica máquinas para múltiplos componentes desde 1961 faz a Arburg apresentar um índice alto de vendas no Brasil. “A empresa é muito bem-sucedida na produção de peças injetadas de multicomponentes, porém, no mercado brasileiro, é algo relativamente novo”, comenta Goulart. No país, segundo estimativas dele, há quinze injetoras da marca.Plástico Moderno, Luis Guerra, Gerente de vendas da Sumitomo Demag, Injeção - Mercado de múltiplos componentes esbarra na falta de escala, mas ratifica potencial de crescimento

A Demag, hoje Sumitomo Demag, após a compra pela empresa alemã da japonesa Sumitomo há três anos, entrou no mercado nacional de multicomponentes em 1996, e conta com a linha Multi, com forças de fechamento de 50 t a 2.000 t. Para este tipo de tecnologia, as faixas mais usuais são de 200 t a 300 t, e de 1.300 t a 1.500 t. “Fazemos qualquer máquina com a tecnologia de multicomponente”, avisa Guerra. Hoje, na companhia, 15% das vendas são de injetoras para múltiplos componentes. “Estamos dando mais importância para esse negócio”, aponta Guerra. No país, há cerca de 40 injetoras para múltiplos componentes instaladas. Há oito anos, o volume era a metade disso.

A Ferromatik Milacron (divisão europeia da Milacron) tem 70 máquinas para multicomponentes instaladas no Brasil, das quais cinco delas foram comercializadas no ano passado. A companhia fabrica em torno de 350 injetoras para múltiplos componentes por ano. Para o mercado nacional, oferece as máquinas multicomponentes da linha K-Tec, com força de fechamento de 60 t a 450 t, fabricadas na planta alemã. Apesar de essa tecnologia não ser o foco da empresa, trata-se de um mercado importante. “Atuamos com mais força nesse segmento fora do Brasil”, reforça Piazzo.

Benefícios – A moldagem por injeção de múltiplos componentes embute uma vasta variedade de modalidades. Entre as denominações mais conhecidas pelo mercado estão: a injeção de dois ou mais materiais (alguns se restringem a chamar de biinjeção, por ser esse o seu uso mais comum), a moldagem por coinjeção (ou tipo “sanduíche”) e o core-back (processo com gaveta). Cada uma delas tem uma característica própria, mas o objetivo é um só: combinar diversos materiais ou cores em uma peça moldada, utilizando-se de uma máquina integrada. Segundo definição da Arburg, “a produção ocorre numa sequência de processo totalmente automática, sem etapas de montagem adicionais ou pós-processamento.

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Segundo Korkes, a peça sai pronta desse tipo de injetora

Não há uma modalidade melhor do que a outra, e sim a mais indicada para a aplicação desejada. Os benefícios são diversos: vão desde a diminuição considerável dos tempos do ciclo até a necessidade de menor espaço físico. Ao se falar de economia, basta, segundo Korkes, lembrar de um conceito simples: troca-se no mínimo duas máquinas por uma. Em linhas gerais, a tecnologia possibilita uma produção otimizada, com custos reduzidos e acabamento superficial acima da média. “Não vejo desvantagem na tecnologia de multicomponentes”, reforça.

Aliás, produzir peças de alta qualidade e em diferentes cores ou tipos de resinas é um importante argumento de venda dessas injetoras. A aparência, sem dúvida, é um caso à parte. “A peça sai da máquina pronta”, resume Korkes. Guerra concorda: o principal apelo é o visual. Para ele, a biinjeção se configura como um forte aliado dos projetos mais arrojados de marketing.

Sanduíche – Apesar de praticamente não explorada em âmbito nacional, a modalidade da coinjeção para alguns é uma aposta, sobretudo porque embute o conceito de sustentabilidade. “Essa tecnologia tem um forte apelo ecológico”, comenta Cardenal. Nesse processo, dois materiais são injetados através de um bico especial, de tal maneira que um material envolve totalmente o outro. O princípio é simples e se baseia na possibilidade de usar um tipo de resina por fora da peça e um outro na parte de dentro. As combinações podem ser as mais diversas: a mais utilizada nos argumentos de venda é a associação de um material mais nobre no exterior e de um mais barato (no caso, reciclado) na parte de dentro. Outra possibilidade relativamente comum se dá com o arranjo de material que oferte resistência mecânica no interior e de outro com efeito soft touch na carcaça.

A coinjeção é um processo executado com moldes comuns, de injeção convencional. Aplicada industrialmente há mais de 20 anos, essa tecnologia está baseada em desenvolvimentos e patentes da ICI e da Battenfeld. Até por conta dessa tradição, na Europa, esse processo tem sido bastante empregado. A Wittmann Battenfeld comercializou cinco modelos de coinjeção para o mercado brasileiro, enquanto que, em território europeu, a companhia vendeu só no ano passado 30 máquinas com essa tecnologia.

Bastante difundido na indústria automotiva, o processo monosandwich, exclusivo da Ferromatik Milacron, é uma variante da coinjeção. As duas modalidades se diferem por conta da adoção pela Ferromatik de uma extrusora e uma injetora, em vez de duas injetoras. “Com isso, tentamos reduzir o custo”, comenta Piazzo. A porcentagem de material do núcleo pode variar de 45% a 75% do peso total do produto, dependendo da aplicação.

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Modelos da Multinject chegaram ao Brasil em 1998
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No país, K-Tec tem até 450 t de força de fechamento

A Ferromatik Milacron, no entanto, ainda não conseguiu instalar nenhum desses modelos no país. “Lá fora a indústria de automóveis usa muito, no Brasil, a restrição é o baixo volume. Sem escala, a tecnologia fica cara, por isso, acho que demorará um tempo para chegar aqui”, justifica Piazzo. Por aqui, a indústria prefere a injeção a gás.

Independentemente da modalidade, os fabricantes de máquinas estão desenvolvendo este mercado ainda embrionário da injeção de múltiplos componentes. De qualquer forma, as vendas estão crescendo e a tecnologia tem se tornado cada vez mais popular entre os brasileiros.

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