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Indústria química – Vacinas estimulam recuperação da indústria global

Marcelo Fairbanks
28 de abril de 2021
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    Como resultado, as companhias de petróleo foram forçadas a reduzir a produção. Isso levou a abandonar poços e campos de baixa produtividade e custos elevados, que se tornaram insustentáveis. A situação perdurou até meados do segundo semestre, quando o mercado voltou a se equilibrar e as cotações subiram. Em fevereiro de 2021, o preço do Brent rompeu a marca dos US$ 60 por barril, animando a retomada das operações com as fontes não convencionais (tight e shale oil) nos Estados Unidos.

    A queda de demanda e das cotações globais do petróleo levou a Petrobrás a acelerar seus planos de concentrar esforços nas áreas do pré-sal, mais produtivas e rentáveis, liberando mais áreas de produção para leilões.

    Outro reflexo foi visto nas cotações da nafta petroquímica, insumo fundamental para a indústria química brasileira, cujos três principais polos produtivos dependem do insumo. Segundo o departamento de economia da Abiquim, em abril de 2020, a nafta petroquímica chegou a ser cotada a US$ 136 por tonelada na Europa (referência de preço para os contratos de venda aqui no Brasil), mas esse valor voltou a subir e atingiu a marca de US$ 428/t em dezembro. Isso se refletiu nos preços praticados no Brasil. Dados da associação indicam que o índice de preços dos produtos químicos industriais apontou elevação de 4,7% em 2020, quando cotado em dólares. No ano anterior, o setor registrou queda de 17% nesse indicador dolarizado. Em moeda local, a alta bruta foi de 40,37%, percentual que, devidamente corrigido pela inflação, cai para 18%. Como o indicador havia caído 18,1% em 2019, esse movimento apenas recuperou as perdas em moeda local.

    Química e Derivados - Indústria química - Vacinas estimulam recuperação da indústria global que estuda reduzir dependência da Ásia - Perspectivas 2021 ©QD Foto: iStockPhotos

    Proteção perdida – A variação de preços e a escassez de alguns produtos, devido às circunstâncias internacionais, levaram segmentos consumidores de químicos a pleitear a revogação de medidas de proteção contra dumping bem como a redução de alíquotas do imposto de importação. “Esse movimento é muito perigoso, precisamos ficar atentos para não virarmos quintal de outros países mais agressivos comercialmente”, salientou De Marchi.

    Foi o caso do PVC, resina termoplástica que perdeu a defesa comercial contra concorrentes desleais e ainda viu o imposto de importação ser reduzido em julho a 2%, para uma quota de 12 mil t durante um ano. “Aproveitou-se um momento excepcional de demanda elevada e concentrada no segundo semestre do ano passado para derrubar a proteção aos produtores locais”, criticou.

    De Marchi salienta que é fundamental para um país defender os investimentos feitos em seu território. “Até as companhias internacionais pedem isso”, afirmou. Ele também considerou que medidas antidumping são previstas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) e contam com regulamentação rígida. “Nunca tivemos um caso de antidumping brasileiro contestado com sucesso na OMC”, ressaltou. Neste governo federal, porém, a decisão de manter esses dispositivos protetivos foi delegada a escalões inferiores da burocracia do Ministério da Fazenda. “Estão usando normas infralegais para derrubar as proteções comerciais e isso retira segurança jurídica do setor, afugentando investidores”, criticou.



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