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Indústria química – Vacinas estimulam recuperação da indústria global

Marcelo Fairbanks
28 de abril de 2021
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    Química e Derivados - Indústria química - Vacinas estimulam recuperação da indústria global que estuda reduzir dependência da Ásia - Perspectivas 2021 ©QD Foto: iStockPhotos

    De Marchi: recomposição de estoques puxa demanda e preços

    Química recuperada – A indústria química brasileira conseguiu manter ativa a maior parte de suas operações mesmo no auge da pandemia, de modo a manter abastecidos os clientes fabricantes de artigos essenciais, como produtos de higiene pessoal, limpeza, descartáveis e medicamentos. No fim de março de 2020, quando explodiram os casos de Covid-19 no Brasil, justificando os bloqueios estaduais e municipais, as entidades representativas do setor conseguiram mostrar ao governo federal a sua importância para o combate à doença. “Por isso, as atividades do setor químico foram classificadas como essenciais e ficaram fora das restrições impostas a outros setores”, comentou Marcos De Marchi, presidente do conselho diretor da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

    Embora as plantas tivessem operado durante todo o ano, a maioria das empresas registrou baixa incidência de Covid-19 entre seus funcionários de operações. Como explicou De Marchi, o setor adotou de imediato medidas preventivas, deslocando o máximo possível de colaboradores para o sistema de home office, além de proporcionar meios exclusivos de transporte para os operadores, evitando o uso de meios coletivos mais arriscados. As fábricas também foram adaptadas para oferecer locais adicionais para higiene das mãos, além de reprogramar horários de troca de turnos e refeições, de modo a evitar aglomerações nas portarias e refeitórios.

    Com mais de 40 anos de atuação no setor, De Marchi afirma nunca ter vivenciado uma crise de tal magnitude. “No ano passado, tivemos três anos em um”, afirma. O primeiro trimestre transcorreu no ritmo iniciado em 2019, com operações normais e fortes expectativas de evolução de negócios. Isso tudo ruiu a partir de abril, com um choque generalizado sobre todo o setor. “Muitas empresas pararam de produzir nesse segundo trimestre, não por causa da doença, mas porque seus clientes simplesmente interromperam as compras”, salientou. O terceiro e quarto trimestres registraram forte recuperação de atividades, porém com muitos percalços.

    “Como resultado das paralisações de abril, todas as cadeias produtivas consumiram seus estoques, principalmente para não empatar capital de giro”, explicou o dirigente setorial. Porém, quando passou o pior período e os clientes voltaram, eles não queriam comprar apenas o necessário, mas também recompor seus estoques. “Isso aconteceu em todas as cadeias produtivas, houve um salto enorme na demanda que ainda não pode ser coberto por problemas localizados, a exemplo das embalagens e da menor disponibilidade de fretes da Ásia para o Brasil, estes ficaram até cinco vezes mais caros depois da pandemia”, salientou. O quadro tende a se normalizar ao longo do ano.

    A despeito das dificuldades encontradas, o setor químico conseguiu, durante 2020, aumentar o quadro de pessoal em 2,8%. Trata-se de profissionais de alta qualidade e boa remuneração, cuja formação é específica e bancada pelas indústrias. “Um operador de painel de controle leva cinco anos para ser formado, não é possível demitir pessoal qualificado num momento de crise e depois contratar substitutos no mercado quando a situação melhora”, comentou De Marchi.

    “A questão que se coloca agora é: qual é o nível de demanda que teremos daqui para frente?”, indaga De Marchi. Além da recomposição de estoques, ele aponta a incerteza quanto à retomada do auxílio emergencial que injetou, entre abril e dezembro do ano passado, R$ 288,7 bilhões na economia nacional, beneficiando 67,9 milhões de pessoas. Esse montante repercutiu na atividade econômica e evitou resultados sociais piores.

    Além dos fatores internos, o dirigente setorial recomenda acompanhar com atenção movimentos internacionais que afetarão todos os mercados. “A China começou a exigir que os automóveis novos sejam equipados com catalisadores para tratar os gases de exaustão, isso multiplicou a demanda por metais e elevou seu preço”, informou.

    Em 2020, a indústria química brasileira “andou de lado”. Com todas as dificuldades, a produção nacional de produtos químicos de uso industrial registrou incremento de 0,12% em relação a 2019, com vendas internas 1,71% maiores. A demanda interna, calculada pelo consumo aparente (produção acrescida das importações e reduzida das exportações), subiu 10,9%, indicando que o volume de importações voltou a crescer (17,9%, em 2020) e já responde por 46% do suprimento ao mercado local. As exportações recuaram 15,8%. Esses dados foram levantados pela Abiquim.

    A título de comparação, a entidade informou que a participação de importados químicos no Brasil era de 21% em 2006. No início do trabalho de levantamento de dados pela Abiquim, em 1990, os importados atendiam apenas 7% do consumo interno de químicos industriais (veja tabela com o desempenho da balança comercial dos produtos químicos em geral).

    De Marchi apontou que, embora o segundo trimestre tenha sido terrível, o setor fechou 2020 ocupando em média 72% de sua capacidade instalada, ligeiramente acima do registrado em 2019. “No terceiro e quarto trimestres, acompanhando a evolução da demanda, tivemos picos de 90% de ocupação”, salientou.

    Em 2020, foi registrada uma excentricidade no mercado de petróleo. Por volta de 20 de abril, as cotações do óleo tipo Brent chegaram a US$ 34 negativos. Os lockdowns derrubaram tanto a demanda por combustíveis que não havia mais capacidade disponível para estocagem. Antes disso, russos e árabes travavam uma queda de braço, pois ambos se recursaram a reduzir a produção para sustentar as cotações do hidrocarboneto. Já havia, portanto, um excedente de oferta, mas a pandemia agravou a situação.



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