Indústria química – Vacinas estimulam recuperação da indústria global

Vacinas estimulam recuperação da indústria global que estuda reduzir dependência da Ásia - Perspectivas 2021

Nem Brexit, nem guerra comercial EUA x China, nem catástrofe ambiental: foi um vírus o responsável por virar o mundo de cabeça para baixo em 2020.

Enquanto o SARS-Covid-19 não for vencido a golpes de vacinas ou por algum remédio a descobrir, estaremos longe de começar 2021. Seguiremos em 2020-B.

Os prognósticos para este ano são condicionados ao enfrentamento da pandemia. Quanto mais eficaz, melhor para todos.

Embora essa variável independente prejudique qualquer avaliação, há um consenso quanto à recuperação econômica mundial que se reflete no aumento elevado da demanda por commodities.

O ritmo dessa retomada é discutível. Alguns apostam em um gráfico na forma da letra V, outros falam em W, e os mais pessimistas enxergam uma letra com ângulo mais obtuso, quase um L.

Estima-se que a pandemia tenha sido a causa principal de uma retração econômica mundial, estimada em 4,3% no relatório de janeiro de 2021 do Banco Mundial. Até que o Brasil não se saiu tão mal, com retração de 4,5% nesse relatório. Esse percentual, porém, deve ser menor.

Em janeiro, o Banco Central divulgou uma revisão de dados, apontando resultado ligeiramente melhor: queda de 4,37% no PIB em 2020.

O dado oficial, calculado pelo IBGE, é esperado para maio. Na América Latina, a queda foi maior que a brasileira, com média de 6,9%.

Em termos globais, apenas China, Turquia, Egito e Bangladesh registraram crescimento econômico no ano passado, porém abaixo de suas médias históricas.

Os Estados Unidos perderam 5,4% do seu PIB, enquanto a União Europeia amargou queda de 7,4%, segundo o Banco Mundial.

A instituição global prevê para 2021 uma expansão da economia mundial de 4%, insuficiente para recuperar o valor anterior à pandemia.

O relatório aponta que o PIB brasileiro deverá crescer 3% neste ano. Previsões do governo brasileiro aventam a possibilidade de essa recuperação chegar a 4%.

Retorno lento – Do ponto de vista factual, 2020 demonstra que a recuperação de uma crise tão profunda é muito mais complexa do que se imaginava a princípio.

A atividade econômica pode ser retratada como uma teia, formada pela interligação de várias correntes produtivas. Para que a teia fique robusta, cada uma dessas correntes precisa operar bem, sem falhas.

A falta de uma delas prejudica todo o desempenho do conjunto.

Saliente-se que o tempo de retomada de cada cadeia produtiva é diferente, complicando o quadro.

A pandemia expôs um calcanhar de Aquiles do processo de globalização empreendido nos últimos 30 anos: a concentração de fábricas na Ásia, o foco inicial da Covid-19.

Os sucessivos bloqueios (lockdowns) promovidos na região para conter o avanço do vírus provocaram o efeito colateral de paralisar linhas de produção, romper esquemas e processos logísticos, com impactos mundiais.

Atualmente, quase nada é produzido sem contar com algum produto ou substância intermediária proveniente da China ou de outros países asiáticos.

Há quem defenda incentivos oficiais e políticas públicas para que a produção de itens mais críticos seja distribuída pelo globo, evitando concentrar geograficamente a oferta.

Essa ideia também tem seus críticos, afinal, a recuperação mundial exige insumos mais baratos, produzidos onde isso seja mais eficiente.

Será um bom debate para os próximos anos, cujo resultado poderá beneficiar países como o Brasil, que possuem capacidade industrial ou podem desenvolvê-la rapidamente.

Química recuperada – A indústria química brasileira conseguiu manter ativa a maior parte de suas operações mesmo no auge da pandemia, de modo a manter abastecidos os clientes fabricantes de artigos essenciais, como produtos de higiene pessoal, limpeza, descartáveis e medicamentos.

No fim de março de 2020, quando explodiram os casos de Covid-19 no Brasil, justificando os bloqueios estaduais e municipais, as entidades representativas do setor conseguiram mostrar ao governo federal a sua importância para o combate à doença.

Química e Derivados - Indústria química - Vacinas estimulam recuperação da indústria global que estuda reduzir dependência da Ásia - Perspectivas 2021 ©QD Foto: iStockPhotos
De Marchi: recomposição de estoques puxa demanda e preços

“Por isso, as atividades do setor químico foram classificadas como essenciais e ficaram fora das restrições impostas a outros setores”, comentou Marcos De Marchi, presidente do conselho diretor da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

Embora as plantas tivessem operado durante todo o ano, a maioria das empresas registrou baixa incidência de Covid-19 entre seus funcionários de operações.

Como explicou De Marchi, o setor adotou de imediato medidas preventivas, deslocando o máximo possível de colaboradores para o sistema de home office, além de proporcionar meios exclusivos de transporte para os operadores, evitando o uso de meios coletivos mais arriscados.

As fábricas também foram adaptadas para oferecer locais adicionais para higiene das mãos, além de reprogramar horários de troca de turnos e refeições, de modo a evitar aglomerações nas portarias e refeitórios.

Com mais de 40 anos de atuação no setor, De Marchi afirma nunca ter vivenciado uma crise de tal magnitude.

“No ano passado, tivemos três anos em um”, afirma. O primeiro trimestre transcorreu no ritmo iniciado em 2019, com operações normais e fortes expectativas de evolução de negócios. Isso tudo ruiu a partir de abril, com um choque generalizado sobre todo o setor.

“Muitas empresas pararam de produzir nesse segundo trimestre, não por causa da doença, mas porque seus clientes simplesmente interromperam as compras”, salientou. O terceiro e quarto trimestres registraram forte recuperação de atividades, porém com muitos percalços.

“Como resultado das paralisações de abril, todas as cadeias produtivas consumiram seus estoques, principalmente para não empatar capital de giro”, explicou o dirigente setorial. Porém, quando passou o pior período e os clientes voltaram, eles não queriam comprar apenas o necessário, mas também recompor seus estoques.

“Isso aconteceu em todas as cadeias produtivas, houve um salto enorme na demanda que ainda não pode ser coberto por problemas localizados, a exemplo das embalagens e da menor disponibilidade de fretes da Ásia para o Brasil, estes ficaram até cinco vezes mais caros depois da pandemia”, salientou. O quadro tende a se normalizar ao longo do ano.

A despeito das dificuldades encontradas, o setor químico conseguiu, durante 2020, aumentar o quadro de pessoal em 2,8%. Trata-se de profissionais de alta qualidade e boa remuneração, cuja formação é específica e bancada pelas indústrias.

“Um operador de painel de controle leva cinco anos para ser formado, não é possível demitir pessoal qualificado num momento de crise e depois contratar substitutos no mercado quando a situação melhora”, comentou De Marchi.

“A questão que se coloca agora é: qual é o nível de demanda que teremos daqui para frente?”, indaga De Marchi. Além da recomposição de estoques, ele aponta a incerteza quanto à retomada do auxílio emergencial que injetou, entre abril e dezembro do ano passado, R$ 288,7 bilhões na economia nacional, beneficiando 67,9 milhões de pessoas. Esse montante repercutiu na atividade econômica e evitou resultados sociais piores.

Além dos fatores internos, o dirigente setorial recomenda acompanhar com atenção movimentos internacionais que afetarão todos os mercados. “A China começou a exigir que os automóveis novos sejam equipados com catalisadores para tratar os gases de exaustão, isso multiplicou a demanda por metais e elevou seu preço”, informou.

Em 2020, a indústria química brasileira “andou de lado”. Com todas as dificuldades, a produção nacional de produtos químicos de uso industrial registrou incremento de 0,12% em relação a 2019, com vendas internas 1,71% maiores.

A demanda interna, calculada pelo consumo aparente (produção acrescida das importações e reduzida das exportações), subiu 10,9%, indicando que o volume de importações voltou a crescer (17,9%, em 2020) e já responde por 46% do suprimento ao mercado local. As exportações recuaram 15,8%. Esses dados foram levantados pela Abiquim.

A título de comparação, a entidade informou que a participação de importados químicos no Brasil era de 21% em 2006. No início do trabalho de levantamento de dados pela Abiquim, em 1990, os importados atendiam apenas 7% do consumo interno de químicos industriais (veja tabela com o desempenho da balança comercial dos produtos químicos em geral).

De Marchi apontou que, embora o segundo trimestre tenha sido terrível, o setor fechou 2020 ocupando em média 72% de sua capacidade instalada, ligeiramente acima do registrado em 2019. “No terceiro e quarto trimestres, acompanhando a evolução da demanda, tivemos picos de 90% de ocupação”, salientou.

Em 2020, foi registrada uma excentricidade no mercado de petróleo. Por volta de 20 de abril, as cotações do óleo tipo Brent chegaram a US$ 34 negativos. Os lockdowns derrubaram tanto a demanda por combustíveis que não havia mais capacidade disponível para estocagem.

Antes disso, russos e árabes travavam uma queda de braço, pois ambos se recursaram a reduzir a produção para sustentar as cotações do hidrocarboneto. Já havia, portanto, um excedente de oferta, mas a pandemia agravou a situação.

Como resultado, as companhias de petróleo foram forçadas a reduzir a produção. Isso levou a abandonar poços e campos de baixa produtividade e custos elevados, que se tornaram insustentáveis. A situação perdurou até meados do segundo semestre, quando o mercado voltou a se equilibrar e as cotações subiram.

Em fevereiro de 2021, o preço do Brent rompeu a marca dos US$ 60 por barril, animando a retomada das operações com as fontes não convencionais (tight e shale oil) nos Estados Unidos.

A queda de demanda e das cotações globais do petróleo levou a Petrobrás a acelerar seus planos de concentrar esforços nas áreas do pré-sal, mais produtivas e rentáveis, liberando mais áreas de produção para leilões.

Outro reflexo foi visto nas cotações da nafta petroquímica, insumo fundamental para a indústria química brasileira, cujos três principais polos produtivos dependem do insumo.

Segundo o departamento de economia da Abiquim, em abril de 2020, a nafta petroquímica chegou a ser cotada a US$ 136 por tonelada na Europa (referência de preço para os contratos de venda aqui no Brasil), mas esse valor voltou a subir e atingiu a marca de US$ 428/t em dezembro. Isso se refletiu nos preços praticados no Brasil.

Dados da associação indicam que o índice de preços dos produtos químicos industriais apontou elevação de 4,7% em 2020, quando cotado em dólares. No ano anterior, o setor registrou queda de 17% nesse indicador dolarizado.

Em moeda local, a alta bruta foi de 40,37%, percentual que, devidamente corrigido pela inflação, cai para 18%. Como o indicador havia caído 18,1% em 2019, esse movimento apenas recuperou as perdas em moeda local.

Química e Derivados - Indústria química - Vacinas estimulam recuperação da indústria global que estuda reduzir dependência da Ásia - Perspectivas 2021 ©QD Foto: iStockPhotos

Proteção perdida – A variação de preços e a escassez de alguns produtos, devido às circunstâncias internacionais, levaram segmentos consumidores de químicos a pleitear a revogação de medidas de proteção contra dumping bem como a redução de alíquotas do imposto de importação.

“Esse movimento é muito perigoso, precisamos ficar atentos para não virarmos quintal de outros países mais agressivos comercialmente”, salientou De Marchi.

Foi o caso do PVC, resina termoplástica que perdeu a defesa comercial contra concorrentes desleais e ainda viu o imposto de importação ser reduzido em julho a 2%, para uma quota de 12 mil t durante um ano.

“Aproveitou-se um momento excepcional de demanda elevada e concentrada no segundo semestre do ano passado para derrubar a proteção aos produtores locais”, criticou.

De Marchi salienta que é fundamental para um país defender os investimentos feitos em seu território. “Até as companhias internacionais pedem isso”, afirmou. Ele também considerou que medidas antidumping são previstas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) e contam com regulamentação rígida.

“Nunca tivemos um caso de antidumping brasileiro contestado com sucesso na OMC”, ressaltou. Neste governo federal, porém, a decisão de manter esses dispositivos protetivos foi delegada a escalões inferiores da burocracia do Ministério da Fazenda.

“Estão usando normas infralegais para derrubar as proteções comerciais e isso retira segurança jurídica do setor, afugentando investidores”, criticou.

O presidente-executivo da Abi­quim, Ciro Marino, alerta para o fato de muitos países terem aumentado as restrições de acesso aos seus mercados durante a pandemia.

Química e Derivados - Indústria química - Vacinas estimulam recuperação da indústria global que estuda reduzir dependência da Ásia - Perspectivas 2021 ©QD Foto: iStockPhotos
Marino: atos infralegais tiram proteção antidumping do setor

“Por aqui, a decisão de retirar proteções antidumping foi transferida para o técnico do dia, que decide sozinho se mantém ou revoga o dispositivo”, explicou. “Antidumping é defesa comercial, não mecanismo de inserção nas cadeias de comércio globais.”

Marino avalia que a indústria química está sendo punida por eventuais erros cometidos no passado, quando pode ter havido algum abuso na defesa comercial, já superados.

Em dezembro, uma reunião da Frente Parlamentar da Química com representantes da Abiquim e de empresas do setor avaliou a situação e resolveu apresentar um projeto de lei (PL 575/2020) para “sustar atos normativos do Poder Executivo que ampliam ilegalmente os poderes conferidos pelo Congresso Nacional à Câmara de Comércio Exterior (Camex) para tomar decisões sobre defesa comercial”.

Esses atos permitem que a Camex possa conceder ou reduzir a aplicação de medidas antidumping mesmo quando houver elementos técnicos que as justifiquem.

“Apoiamos esse PL porque, apesar de termos um bom relacionamento com o Ministério da Fazenda, não conseguimos sensibilizá-lo para evitar esse problema”, explicou Marino.

Como se trata de tema com tramitação rápida, espera-se uma decisão até abril ou maio. “Todo o setor industrial, representado pela coalizão da indústria, apoia esse projeto.”

Ele salienta que o setor industrial como um todo é favorável à maior inserção do Brasil nos fluxos comerciais globais. Mas isso não pode ser feito de forma unilateral, mas mediante negociações bilateriais ou multilaterais. “Não se abre uma porta sem se obter reciprocidade”, afirmou.

Marino entende que o Brasil tem condições para “herdar” uma parte da indústria química global que deverá deixar a Ásia para se atenuar a dependência de insumos daquela região. “Essa mudança vai acontecer, mas precisamos nos adaptar para disputar esse quinhão mediante amplas reformas”, considerou. “Somos o sexto produtor mundial de químicos, mas deveríamos ser o quarto, perdemos várias oportunidades.”

Além das já há muito conhecidas e discutidas reformas fiscal e tributária, Marino aponta problemas regulatórios que entravam o avanço tecnológico. “O caso das vacinas deixou isso claro, foi preciso fazer uma grande pressão para que elas fossem aprovadas a tempo, mas também temos a Indústria 4.0, estamos dez anos atrasados, existe tecnologia disponível, mas ainda é preciso aprovação da Anatel”, comentou.

Somando tudo, o país perde competitividade e não consegue atrair investimentos. Levantamento da Abiquim divulgado no Enaiq, em dezemebro, apontou que a indústria química pretende investir no país US$ 2,2 bilhões entre 2020 e 2024. “Isso é muito pouco, o Brasil poderia duplicar sua produção química em 20 anos se houvessem condições mais favoráveis”, lamentou.

Um dos pontos críticos é resolver a questão do suprimento de gás natural para aproveitamento industrial, tanto como fonte de energia térmica, quanto como matéria-prima petroquímica. É uma discussão que se arrasta há anos, a proposta legislativa começou a tramitar em 2013.

O novo marco legal do gás (PL 4476/2020) voltou do Senado Federal, onde foi alterado, para a Câmara Federal, casa na qual os deputados querem recuperar o texto original, eliminando as inovações da câmara alta. Isso exigirá nova apreciação no Senado.

“O Brasil tem muito gás no pré-sal e estamos a menos de 500 km de uma grande fonte de gás na Argentina, porém seu uso é inviável com a legislação atual”, salientou (veja reportagem sobre o tema nesta edição).

Mesmo que seja destravado o mercado de gás natural, Marino adverte que ainda há muita insegurança jurídica em torno da indústria local. “Há muitos pontos de incompatibilidade com as normas OMC e com a OCDE, o clube dos países mais desenvolvidos, do qual o Brasil é candidato a participar”, informou. “Ninguém está cuidando disso.”

Enquanto muito se discute nas esferas administrativa e legislativa, a dinâmica dos negócios segue seu caminho. A montadora Ford anunciou o fechamento de suas fábricas de automóveis leves no Brasil, dois anos depois de ter encerrado a produção de caminhões. A marca abastecerá o mercado local apenas mediante importações.

“O setor químico também está envolvido nessa dinâmica, por exemplo, já anunciaram a intenção de vender suas participações no setor a Odebrecht (na Braskem) e o grupo Ultra (na Oxiteno)”, comentou. São as duas maiores empresas brasileiras no ramo. “Caso o controle delas seja desnacionalizado, perderemos vários cargos de gerência e direção, mas também a pesquisa e desenvolvimento local”, disse.

Boas possibilidades – Além da recuperação da atividade econômica, o setor químico enxerga oportunidade de crescimento com os novos marcos legais de saneamento e de gás natural (este ainda em tramitação).

“Saneamento básico é um mercado gigante que já está em evolução de negócios, apensar de ainda estar pendente a avaliação de alguns vetos presidenciais”, salientou De Marchi (veja reportagem sobre o tema nesta edição). Ele considera que equacionados esses dois itens – gás e saneamento – o setor químico pode ganhar novo e importante impulso. “Pode ser um divisor de águas”, comparou.

De Marchi comentou que a indústria química mundial está em transformação, direcionando o foco dos interesses para a sustentabilidade, nas vertentes ambiental, social e de governança, o conjunto conhecido pela sigla ESG. “O mercado financeiro valoriza muito o ESG, não há investimento se a companhia está bem avançada nisso”, ressaltou.

As questões ambientais e sociais são conhecidas no ramo. A crescente busca por formas de reaproveitamento e reciclagem de resíduos e emissões é um reflexo importante disso. Mas o tema governança é ainda jovem por aqui. “A operação Lava-Jato deu amplo destaque para isso, todas as empresas instaladas no Brasil passaram a adotar práticas de governança na administração, recursos humanos e outros setores, com bons resultados”, avaliou, embora reconheça a necessidade de mais esforços nesse sentido.

Uma possível entrada do Brasil na OCDE exige da indústria química respostas complexas. “O tema da regulamentação de produtos químicos avançou durante o governo Temer, mas está um pouco parado neste momento, até por causa da pandemia, mas é preciso retomá-lo”, disse.

De Marchi explicou que já existe uma proposta do setor para isso, ela foi discutida e pacificada com as principais ONGs. “Existe uma proposta de lei para esse tema em tramitação, mas ela é muito ruim, entendemos que o governo poderia apoiar o projeto do setor”, disse. O tema é recorrente na Mesa Executiva da Química e está sendo avaliada pelo Ministério da Economia.

O temor da indústria é de ver aprovada uma lei inexequível, que imponha custos muito elevados e uma complexidade regulatória desnecessária, como o sistema Reach europeu, criticado pelos próprios estados membros. De Marchi informou que a proposta da Abiquim é mais parecida com o sistema canadense de controle de substâncias químicas, considerado eficaz e simples.

Despedida – Após cincos anos no comando da Abiquim, De Marchi deixará o posto em abril, quando assumirá o novo conselho diretor a ser eleito. “Deixamos como legado um estatuto moderno que, aliás, só permite uma reeleição, com muita atenção às práticas de compliance e estruturas internas renovadas e oxigenadas”, comentou. O estatuto, aprovado em 2019, admite mandatos de, no máximo, quatro anos para o presidente do conselho.

Ciro Marino afirmou que deixará a presidência executiva da entidade para permitir ao novo conselho ampla liberdade para desenvolver seu plano de trabalho, nomeando um executivo de sua plena confiança.

Leia Mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios