Petróleo & Energia

Indústria Química: Condições são favoráveis, mas falta garantir matérias-primas para setor voltar a investir – Perspectivas 2018

Marcelo Fairbanks
10 de março de 2018
    -(reset)+

    Relações comerciais – Produzir no Brasil gera uma vantagem de custos logísticos estimada entre US$ 100 e US$ 200 por tonelada em relação aos importados, pelas contas da Abiquim. Essa diferença poderia ser ainda maior, caso a infraestrutura de transportes no país fosse modernizada.

    Além disso, os produtos químicos contam com uma proteção tarifária de 12%, em média, em relação aos importados. “O setor usa o sistema drawback em algumas operações, isso leva a alíquota média para perto de 8%”, explicou De Marchi. “Mas não é uma proteção excessiva, pois temos de arcar com o custo Brasil que pesa muito mais que essa alíquota”, salientou.

    A aplicação de medidas antidumping (contra práticas comerciais desleais) é adotada com parcimônia pelo Brasil no setor químico. Como apontou De Marchi, os produtores europeus e norte-americanos são muito mais ativos e incisivos na aplicação dessas medidas.

    Atualmente, o bloco do Mercosul discute em âmbito global o alcance do mecanismo de drawback. “Os europeus só admitem o drawback para insumos provenientes de fora da área da união, mas o Mercosul sustenta um conceito mais flexível que não é bem visto por eles”, comentou. As discussões e negociações estão sendo realizadas na Organização Mundial do Comércio (OMC), sem previsão de acordo.

    Iniciativas diversificadas – Além das companhias de grande porte, a indústria química também abrange um elenco diversificado de empresas de vários tamanhos, com resultados e objetivos diferenciados. “Estimamos que existam no Brasil todo cerca de duas mil indústrias químicas propriamente ditas em atividade, das quais aproximadamente a metade está localizada no Estado de São Paulo”, informou Ricardo Neves, diretor executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Químicos para Fins Industriais e da Petroquímica na Estado de São Paulo (Sinproquim). O sindicato conseguiu levantar informações atualizadas de 700 delas, das quais entre 60% e 70% são de porte médio ou pequeno.

    Plástico Moderno, Indústria Química: Condições são favoráveis, mas falta garantir matérias-primas para setor voltar a investir - Perspectivas 2018

    “No Estado de São Paulo, há muitas empresas operando a partir de fontes renováveis, como óleos vegetais, goma resina (breu) e etanol, gerando produtos muito interessantes, mais voltados para especialidades”, comentou. Essa indústria de pequeno e médio porte se preocupa menos com as grandes questões do setor, mas se queixa dos custos das licenças de instalação e operação no estado, em especial as cobradas pela Cetesb. Além disso, outras preocupações dessas empresas dizem respeito à segurança de suas fábricas e cargas, além dos gargalos logísticos. Mesmo assim, a sua localização geográfica, próxima dos centros geradores de produtos finais (domissanitários, medicamentos, têxteis/confecções, entre outros) e de instituições de ensino e pesquisa, permite aproveitar oportunidades de negócios diferentes e dispor de pessoal qualificado. “São Paulo proporciona boa infraestrutura e está com as contas mais ou menos em dia, é um bom ambiente para a atividade”, comentou Neves.

    Ele considera que esse tipo de indústria – criativa, diversificada e qualificada – tem amplo futuro e gera empregos de alta qualidade. “Não é uma boa ideia expulsar a indústria para lugares cada vez mais distantes das cidades, estas acabam ficando sem empregos e sem renda, como aconteceu com a região do ABC paulista”, apontou. Neves descarta, porém, qualquer redução de atividade no Polo Petroquímico Paulista, em Santo André-SP, que segue recebendo investimentos.

    O uso de matérias-primas de fonte renovável para fins químicos (exceto biocombustíveis) está sendo estudado pelo Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior (Mdic). O Sinproquim, com o auxílio do especialista e consultor Renato Endres, iniciou um trabalho para mapear o que já está sendo feito no Brasil, as capacidades produtivas disponíveis e ociosas. “Estamos avaliando cerca de cem matérias-primas renováveis, com as quais se produzem mais de mil produtos químicos”, comentou Endres. Esse trabalho terá impactos positivos especialmente na região Norte do país, que abriga a maior fonte de suprimento dessas matérias-primas. “Infelizmente, faltam políticas oficiais para definir metas, limites de qualidade e produção, isso é uma dificuldade que precisará ser vencida”, salientou.

    Em termos gerais, Neves aponta que a indústria química nacional não está se recuperando bem da crise econômica iniciada em 2014, e isso se reflete no aumento das importações que deve persistir nos próximos anos. “É bom lembrar que quando a importação cai, a produção química nacional também cai, porque muitos insumos consumidos pelo setor são importados”, ressaltou Endres. Ele recomenda acompanhar o comportamento da taxa cambial para avaliar o desempenho setorial no futuro, com a perspectiva de crescimento de 2% a 3% em 2018.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *