Petróleo & Energia

Indústria Química: Condições são favoráveis, mas falta garantir matérias-primas para setor voltar a investir – Perspectivas 2018

Marcelo Fairbanks
10 de março de 2018
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    Preços acima de US$ 60/bbl incentivam a retomar e ampliar a produção não-convencional de óleo e gás, principalmente nos Estados Unidos, reequilibrando o mercado. É preciso esperar até março para confirmar qual a tendência real dos preços dessas commodities. Em geral, matérias-primas mais caras encurtam o spread dos produtos petroquímicos, estreitando a margem de lucro das companhias petroquímicas.

    Por enquanto, o cenário é amplamente favorável aos investimentos em novas capacidades produtivas globais. Cabe notar que o governo chinês impôs severas restrições de cunho ambiental aos produtores industriais chineses. Empresas que apresentavam alto consumo específico de energia e emissão de poluentes foram intimadas a corrigir imediatamente seus processos ou extinguir suas operações. A segunda opção, aparentemente, foi bastante aplicada. Com isso, a oferta de produtos químicos no mundo ficou curta, elevando preços que haviam caído significativamente nos últimos dois anos. Há espaço, portanto, para retomar produções hibernantes ou aumentar a ocupação de capacidades produtivas, mas não para construir novas fábricas. Saliente-se que as inundações nas regiões produtoras de químicos nos EUA, no segundo semestre de 2017, também afetaram a oferta desses produtos, com normalização prevista apenas para meados de março de 2018.

    Plástico Moderno, De Marchi: uso do gás natural voltou à pauta de negociações

    De Marchi: uso do gás natural voltou à pauta de negociações

    Entraves na química – A indústria química brasileira realizou uma notável proeza. Conseguiu atrair ao Encontro Anual da Indústria Química (Enaiq), em dezembro de 2017, o Presidente da República e quatro ministros de estado, que se manifestaram de forma sensível aos apelos setoriais. Sem falar na participação da Bancada Parlamentar da Indústria Química, composta por vários deputados federais de estados com produção efetiva no ramo. Apesar disso, nada mudou, ainda.

    “Foi muito importante contarmos com a presença dessas autoridades no Enaiq, isso comprovou que os canais de comunicação com o governo e com o parlamento estão abertos e que poderemos resolver problemas que se arrastam há anos, contando com a boa vontade estatal”, salientou Marcos De Marchi, presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

    Para o setor químico, porém, 2017 representou o fechamento de uma década perdida. As vendas internas de produtos químicos para fins industriais devem ter somado (dado preliminar da entidade) cerca de US$ 58 bilhões em 2017, valor próximo ao registrado em 2007, US$ 55 bilhões. Em 2011, esse segmento chegou a registar vendas de US$ 73,8 bilhões, mas perdeu o fôlego nos anos seguintes. A produção física, nesses dez anos, nunca se afastou muito do índice de 150 (tendo por base 1994 = 100).

    De Marchi aponta que, mantidas as atuais circunstâncias, não há motivos para esperar avanços. “Sem mudanças, seremos ultrapassados pela Irlanda e pelo Reino Unido, caindo da oitava para a décima posição no ranking global do setor, em vendas líquidas”, lamentou. Pelas estimativas da entidade setorial, 2017 registrou a maior importação física de produtos químicos na história do país, somando 43 milhões de t, superando o recorde anterior, de 40,2 milhões de t em 2014. Como de costume, os intermediários para fertilizantes tiveram papel de destaque nessas importações, embora existam condições técnicas e econômicas para serem produzidos aqui. O déficit comercial químico voltou a crescer e somou US$ 23,3 bilhões em 2017 (de dezembro de 2016 a novembro de 2017), revertendo um ciclo de queda iniciado em 2014, quando chegou a US$ 31,2 bilhões. Ressalte-se que o preço médio dos produtos químicos no mundo caiu mais de 30% de 2013 (recorde brasileiro de importações, com US$ 32 bilhões) a 2017.

    O pleito mais forte – e mais antigo – da Abiquim aponta para o suprimento garantido e a preço compatível com os concorrentes efetivos das matérias-primas de uso químico. Notadamente, de gás natural, mas também de nafta e de outras correntes derivadas do refino de petróleo. Em seguida, a entidade pede mudanças no campo tributário. Pelo menos para a simplificação dos procedimentos e obrigações acessórias que representam custo elevado para setor. O custo da eletricidade para as indústrias químicas também é considerado elevado demais e precisa ser discutido, segundo a associação.

    Ao mesmo tempo, a entidade setorial pleiteia investimentos no setor de transportes, buscando aumentar a eficiência dessas operações e a consequente redução de custos. “Como exemplo, a Abiquim entregou um estudo completo para o governo com 72 recomendações para eliminar pontos críticos das rodovias no eixo Bahia-São Paulo, por onde circula grande volume de cargas químicas”, comentou De Marchi.



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