Petróleo & Energia

Indústria Química: Condições são favoráveis, mas falta garantir matérias-primas para setor voltar a investir – Perspectivas 2018

Marcelo Fairbanks
10 de março de 2018
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    Plástico Moderno, Indústria Química: Condições são favoráveis, mas falta garantir matérias-primas para setor voltar a investir - Perspectivas 2018

    Todo começo de ano é igual, mas diferente. Alguns ritos são repetidos, como a troca de calendários e agendas (para quem ainda não se rendeu às alternativas digitais), assim como as previsões dos desempenhos setoriais para o exercício que se inicia. Nada contra, pelo contrário. Esse exercício de avaliar o passado recente e projetar avanços futuros é salutar, desde que realizado desinteressadamente, ou seja, isento de viezes tanto quanto possível.

    De nada adianta colocar um fundo azul na bola de cristal, ou marcar as cartas do baralho para obter prognósticos mais favoráveis. O autoengano nunca ajudou ninguém a sair do buraco, portanto uma visão realista é sempre preferível. Esta edição especial foi elaborada com o nobre objetivo de ajudar os leitores a tomar posições coerentes e, assim, evitar sustos e atropelos durante 2018, embora sempre exista a possibilidade de algum fato imprevisto bagunçar todo o coreto e desarranjar os planos iniciais. No jargão em voga, trata-se do “cisne negro” de Nassim Taleb.

    O quadro que emerge de 2017 mostra um país em recuperação, saindo dos escombros de uma política econômica populista e fracassada, que colocou a economia nacional na maior recessão de sua história (pior até que a de 1930-1932), com retração acima de 8% em três anos. O cenário ainda não é muito animador, mas o PIB cresceu perto de 1% (estimativa), a taxa de juros primária voltou a um patamar comportado (Selic a 7%, em dezembro, ainda alta, no ranking global, com tendência a cair; estava em 14,5% há 15 meses), depois de ter jogado a inflação abaixo até da meta oficial, fechando o ano com 2,95%. A cotação do dólar está estável, girando ao redor de R$ 3,20 a R$ 3,30. A previsão do governo para 2018 é de engordar o PIB em 2,5%, mas 2% parece ser uma previsão mais realista.

    Um espectador desavisado poderia construir uma visão rósea e tranquila da situação brasileira no dealbar de 2018. Ledo engano. Este ano terá eleições majoritárias (para presidente, governadores e senadores) e proporcionais (deputados federais e estaduais), cujo resultado é incerto. Até o momento, não há favoritos. Isso significa que os próximos timoneiros do país poderão ter ideias diferentes da atual (e bem sucedida) condução econômica. Não estamos livres da tentação populista e demagógica que tanto atraso nos legou. Nem de outra tentação, esta autoritária e desprovida de uma visão moderna da economia e seus fundamentos. São os extremos do leque de possibilidades que se apresenta aos eleitores, ambos de ocorrência possível e funesta.

    Sob a batuta do impopular Michel Temer, o país iniciou um ciclo de reformas, ainda tímidas, abrangendo a área trabalhista e fiscal (teto de gastos públicos). Derrapou na reforma previdenciária, que foi limada várias vezes para aparar arestas, reduzindo seu alcance ao mínimo possível, e aguarda a melhor data para ser votada nas casas legislativas. Falta uma infinidade de outras mudanças necessárias para a atualização do país em relação ao cenário internacional. Nosso sistema tributário preserva a habitual complexidade de dar raiva em monge budista, além de sufocar as atividades produtivas. O peso do Estado sobre os ombros da população e das empresas precisa ser aliviado, a custa de privatizações e enxugamento regulatório ao nível mínimo racional. Para tanto, é preciso dar atenção às eleições legislativas deste ano, buscando candidatos sintonizados com a modernização do país.

    Uma visão mais ampla do quadro nacional pode ser menos cinza do que aparenta. O fato de o país apresentar deficiências óbvias em transportes, energia, saneamento e em serviços públicos representa uma série imensa de oportunidades à disposição de investidores. Somos uma democracia estável, com mais de 200 milhões de habitantes, operando um agronegócio muito rentável e com excelentes posições no setor extrativo mineral. A geração elétrica brasileira é a mais sustentável do planeta, apoiada na fonte hídrica, embora sob riscos, com elevado potencial de aproveitamento das fontes eólica e solar. Como o país está saindo de uma crise, os ativos locais ainda estão subvalorizados em relação aos pares globais, atraindo investidores.

    Olhando para fora, o Fundo Monetário Internacional prevê crescimento da economia mundial em 3,9% em 2018, que deve se repetir em 2019. Os Estados Unidos estão “bombando”, a Europa finalmente voltou a crescer e a China parece ter equacionado suas vulnerabilidades econômicas. Em resumo: há dinheiro de sobra nos principais mercados, ávidos por alternativas rentáveis de investimento. Essa disponibilidade de recursos pode alimentar um ciclo altista nas economias emergentes, em especial, as que tiverem feito a sua lição de casa com capricho. Saliente-se a necessidade de contar com um poder judiciário eficiente, capaz de oferecer segurança jurídica aos agentes econômicos.

    Falta mencionar o comportamento do setor de petróleo e gás. Tomando por referência o óleo Brent, sua cotação passou da faixa dos US$ 45 por barril, em julho de 2017, para o pico de US$ 70/bbl registrado em 12 de janeiro de 2018, recuando em seguida para perto de US$ 60. Parte dessa elevação pode ser atribuída ao rigoroso inverno no Hemisfério Norte, que eleva o consumo de combustíveis para aquecimento no mesmo momento que o transporte e a distribuição são prejudicados. Há também interesses de países produtores em elevar preços, bem como o temor quanto à restrição de oferta por força de novos embargos ao Irã (exportador de 4 milhões de barris por dia).


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