Economia

Indústria investe nos produtos com rótulo limpo e funcionais – Alimentos

Antonio Carlos Santomauro
6 de março de 2019
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    Química e Derivados, Indústria cresce acima do PIB e investe nos produtos com rótulo limpo e funcionais - Alimentos

    Química e Derivados, Indústria cresce acima do PIB e investe nos produtos com rótulo limpo e funcionais - Alimentos

    Colino: linhas de alimentos premium crescem com vigor

    Alimentos capazes de desempenhar funções além de nutrir – como os funcionais e os nutracêuticos –, integrados ao conceito clean label (ou seja, sem aditivos cuja presença deve ser obrigatoriamente informada nos rótulos): registradas há algum tempo, tais tendências serão fortalecidas no decorrer deste ano, prevê Helvio Collino, presidente da Abiam (Associação Brasileira da Indústria e Comércio de Ingredientes e Aditivos para Alimentos). “Também crescerá a demanda por diferentes proteínas de origem vegetal, oriundas de fontes como ervilhas e grão-de-bico, entre outras”, acrescenta Collino.

    Esses movimentos guiam as ações dos fornecedores de ingredientes e aditivos para alimentos, a exemplo da DuPont, presente nesse mercado com probióticos, enzimas, emulsificantes e hidrocoloides, entre outros itens, e que em abril ampliará sua linha de proteínas vegetais, hoje composta apenas por produtos à base de soja, com a inclusão de proteínas de ervilhas. “Inicialmente presentes em bebidas, proteínas vegetais hoje ganham espaço também nos alimentos”, observa Cintia Nishiyama, gerente de marketing para Nutrition & Health da DuPont.

    A estratégia da DuPont, de disponibilização de ingredientes de origem vegetal para produtos alimentícios, como opções àqueles provenientes de animais, não se limita às proteínas de ervilhas: “Ainda este ano, lançaremos no Brasil a cultura Danisco Vege para iogurtes produzidos com leite de soja, amêndoas, ou outras fontes vegetais”, adianta Cíntia.

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    Cintia: ingredientes vegetais substituem os de origem animal

    Novidades desse gênero miram não apenas vegetarianos e veganos, mas todos os interessados em ingerir menos carne. Esse público, aliás, trabalhado também pela Metachem, cujo portfólio de produtos para alimentos inclui, ao lado de itens como propionato de cálcio, glúten de trigo, gomas, ácidos cítrico, potássico e fumárico, uma linha de amidos modificados de batata para a produção de queijo vegano. “Estudo do Ibope mostra que vegetarianos e veganos já somam, no Brasil, 29 milhões de pessoas, ou seja, 14% da população do país”, observa Marta Regazzini, gerente de negócios do mercado food da Metachem.

    Ela prevê crescimento também das vendas de fibras prebióticas – entre elas, inulina e FOS (fruto-oligossacarídeos) –, capazes de propiciar a redução de açúcar em produtos como bolos, bebidas e chocolate em pó. E, graças a um novo regulamento técnico de aditivos para carnes e produtos cárneos adotado no final do ano passado no âmbito do Mercosul – com reflexos na chamada ‘lista positiva’, na qual a Anvisa relaciona aditivos pré-aprovados –, projeta maior espaço para conservantes feitos com base em sais de ácidos orgânicos, como o acetato de potássio. “Um desses conservantes, à base de vinagre de maçã neutralizado, nome comercial Provian NDV, segue a tendência clean label”, ressalta Marta.

    A Gelita lançou um peptídeo bioativo de colágeno que, em bebidas, iogurtes e gomas, ou consumido em cápsulas, promete promover a saúde dos ossos. “Brevemente esse produto deverá estar disponível para os consumidores do mercado brasileiro”, projeta Léia Tomaz Pipulini, diretora de vendas na América do Sul da empresa que, com peptídeos de colágeno, desenvolveu também produtos com funcionalidades como saúde de tendões e ligamentos, beleza e saúde da pele, entre outras.

    Além de colágenos e peptídeos bioativos de colágeno, a Gelita disponibiliza para alimentos as gelatinas utilizadas principalmente em confeitos, sobremesas e iogurtes, aos quais podem conferir característica gelificante, estabilizante, emulsionante e formadora de película, entre outras. “Com cor, odor e sabor neutros, a gelatina permite a criação de produtos clean label”, ressalta Léia.

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    Léia: peptídeo bioativo ajuda a recompor a saúde dos ossos

    Horizonte de alta – Este ano, prevê Collino, da Abiam, o índice de crescimento da indústria brasileira de ingredientes e aditivos para alimentos pode ser 50% superior ao avanço do PIB. A expansão abrangerá os dois segmentos do mercado do setor: os alimentos industrializados de consumo massivo e aqueles qualificados como premium, que contêm teores mais elevados de ingredientes e aditivos, caso dos alimentos funcionais, ou enriquecidos com fibras e vitaminas.

    O primeiro desses segmentos, relata Colino, começou a se recuperar no ano passado e deve ganhar mais volume neste ano. “Os alimentos premium ainda compõem um nicho menor, mas que há alguns anos cresce consistentemente”, acrescenta o presidente da Abiam, que estima em algo entre 2% e 2,5% o incremento registrado em 2018 pela indústria brasileira de ingredientes e aditivos para alimentos.

    Na DuPont, situa-se na faixa entre 5% e 10% a perspectiva de incremento dos negócios com a indústria alimentícia em 2019. Parte desse crescimento virá da recuperação de segmentos que nos últimos anos registraram quedas elevadas. “São os casos de sorvetes, bebidas saudáveis, produtos com elevados teores de proteína e de fontes vegetais”, especifica Cíntia.



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