Compósitos

Indústria desenvolve novos produtos com a reutilização de descartes de termofixos

Maria Aparecida de Sino Reto
1 de Fevereiro de 2013
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    Reciclar material compósito, uma complexa ligação química de estrutura molecular interligada, que depois de moldada se apresenta em um estado irreversível mesmo sob altas temperaturas, tem sido um desafio e tanto para o setor. O problema ganhou contornos críticos nos últimos tempos com a incessante cobrança feita à indústria por mais responsabilidade e respeito ao meio ambiente. Como, então, promover o crescimento sustentável desse segmento? Essa grande interrogação da cadeia dos termorrígidos para descobrir como dar uma destinação ecologicamente correta aos seus resíduos parece ter encontrado enfim sua resposta. Já é possível devolvê-los ao processo produtivo ou reaproveitá-los em aplicações que agregam valor.

    Concebido há quatro anos, um projeto desenvolvido pela Associação Brasileira de Materiais Compósitos (Abmaco) em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e patrocinado, na atualidade, por 21 empresas do setor atingiu o seu objetivo e encontrou soluções interessantes. O programa consumiu cerca de três anos de pesquisa e R$ 2,2 milhões para abrir caminhos à reciclagem dos termorrígidos.

    O projeto se fundamenta no processamento mecânico dos compósitos. As direções tomadas pelo estudo, apontadas pelo presidente da associação, Gilmar Lima, envolveram soluções para retornar o resíduo industrial ao próprio processo produtivo – na forma de carga (moído) ou reforço (partículas maiores) – e a criação de novos produtos com esses resíduos. “Planejamos gerar novos valores agregados, criar um negócio com o termofixo reciclado, nos mesmos moldes do caminho já seguido pelo termoplástico”, elucida Lima, sobre a proposta de promover novas aplicações para o material descartado.

    O IPT foi incumbido de fazer a pesquisa científica – a análise e a caracterização das frações que formam o resíduo –, avaliar o limite de reutilização sem a perda de resistência mecânica e discutir as alternativas de reutilização dos materiais. “O IPT foi envolvido para definir cada tipo de resíduo; o estudo é bem completo e complexo quanto à possibilidade de aproveitamento”, informa Lima.

    O retorno ao próprio processo como carga era o ponto crítico da pesquisa. Isso porque o material moído não é inerte, possui monômeros de estireno residuais e catalisadores que poderiam alterar as propriedades do compósito. A pesquisa visou a descobrir em que nível essas partículas estão ativas e como torná-las inertes, permitindo sua reintegração ao processo produtivo.

    O problema técnico foi solucionado. Os interessados em reaproveitar seus descartes como carga, em substituição ao uso de cargas minerais, já dispõem de um aditivo para deixar o moído inerte. Pesquisadores do IPT desenvolveram a formulação e quatro especialistas estão aptos a produzi-la comercialmente.

    Outra opção consiste em empregar os resíduos como reforço de termoplásticos e de poliuretanos. As partículas maiores, porém, exigem outros critérios para sua utilização, em aplicações mais específicas, uma vez que podem ocorrer dificuldades em alguns processos manuais.

    O presidente da entidade aconselha o setor a investir em inovação e criatividade e recomenda como escolha às empresas interessadas em reaproveitar os seus descartes a criação de um modelo de negócio com o desenvolvimento de produtos novos. “Fecha toda a cadeia produtiva.” Trata-se, como explica, de uma responsabilidade compartilhada, com a contribuição financeira de todos os envolvidos no processo produtivo para a destinação ambientalmente correta dos resíduos. Na opinião de Lima, toda a cadeia ganha com esse novo conceito de reciclagem.

    A MVC, empresa dirigida por Lima, consta da lista de investidoras do programa da Abmaco e já se beneficia da tecnologia desenvolvida. O diretor optou por focar a destinação de resíduos no desenvolvimento de novos produtos e criou o piso TR (de termofixo reciclado). O produto, feito com 85% de material reciclado, pode ser utilizado em ônibus e vans. Os descartes da empresa também estão sendo empregados como reforços de termoplásticos na moldagem de algumas peças. “Estamos criando várias aplicações em parceria com a Devolva, uma empresa de logística e criação de produto”, relata.

    Lima já colhe os frutos de seu empreendimento na parceria com um cliente da MVC. “Vamos retirar o resíduo de sua fábrica e criar um novo produto com valor agregado.” Trata-se do piso de TR mencionado por ele para uso automotivo. Ele ainda ressalta que o produto pode ser reciclado novamente.

    O presidente da Abmaco reconhece que a opção pela reciclagem custa mais que o envio dos resíduos para um aterro, mas ressalta os apelos ecológicos e de geração de valor agregado. Enfatiza, ainda, a responsabilidade ambiental do empresário e reforça que esse gasto maior para uma destinação mais adequada dos descartes se dilui ao longo do tempo.

    Sustentabilidade dá vantagem – Também patrocinador do programa e beneficiário de seus resultados, o grupo Piatex já reutiliza internamente seus resíduos. A discriminação sofrida pelos compósitos no mercado por causa da complexidade na sua reutilização atraiu o interesse do diretor-geral do grupo, Carlos Alberto Freitas Zillig, pelo projeto.

    A empresa já triturava os seus resíduos, mas com o desenvolvimento tecnológico oferecido pelo programa mudou o processo. A implantação do novo sistema proporciona ganhos significativos e redução de custos. “Para se ter uma ideia, só com essas mudanças economizamos em torno de R$ 13 mil no mês”, comemora. E nem foi um mês de alta produção. Em período de pico, ele estima que conseguirá economizar até R$ 20 mil. Segundo ele explica, o ganho é gerado com a redução tanto no acúmulo de resíduos como nos custos do envio para aterros sanitários.


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    1. bianca

      Olá, gostaria do contato de um dos especialistas que estão aptos a produzir comercialmente o aditivo que deixa o moído inerte.



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