Máquinas e Equipamentos

Indústria 4.0 exige investir em máquinas e formar pessoal

Jose Paulo Sant Anna
11 de dezembro de 2018
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    Passo a passo – Ao tomar contato com os parâmetros de funcionamento da indústria 4.0, empresários menos avisados podem levar um choque. Muitos acham impossível implantar tal tecnologia, acreditam ser necessários investimentos de grande vulto para suas empresas chegarem ao estado da arte do funcionamento. A impressão é um tanto exagerada. Por um lado, os preços dos equipamentos periféricos, como os robôs, por exemplo, e de outros componentes, caso dos sensores, ficaram mais acessíveis. Por outro, tal implantação pode ser feita por etapas. De quebra, existem incentivos fiscais importantes para as empresas interessadas em investir em inovação.

    Plástico Moderno, Santos: conceito 4.0 pode ser implantado por etapas

    Santos: conceito 4.0 pode ser implantado por etapas

    “O primeiro passo, talvez o mais importante, demanda poucos recursos. É preciso entender qual o posicionamento da empresa no novo ambiente, estudar o planejamento estratégico da operação”, resume Paulo Roberto dos Santos, sócio-diretor da Zorfatec, consultoria de inovação criada em 2011 e que tem a indústria 4.0 como um dos principais focos de atuação. Santos conta com 28 anos de experiência, dos quais passou um quarto de século como profissional da Festo, onde atuou como responsável pela pesquisa e desenvolvimento e estratégia de produtos para a região América. “Só com a definição de um planejamento estratégico de qualidade, feita com investimentos modestos, as empresas já começam obter retorno favorável em período próximo de seis meses”, informa.

    Os passos seguintes recomendados pela Zorfatec vão inserindo os clientes na nova realidade de maneira gradativa, de acordo com o fôlego financeiro da corporação. O segundo passo é projetar quais os processos são necessários para se atingir os objetivos. A etapa é necessária para se chegar a posterior integração de dados (horizontais e verticais), feita por softwares de gestão. Em seguida, a preparação prossegue com a preparação dos controles das máquinas para o processo. Ao final, o corre a digitalização completa da operação.

    O fato de a tecnologia ser incipiente ajuda quem quiser adotá-la. “Tudo ainda é muito novo. Na Alemanha, onde foram realizadas as primeiras experiências da indústria 4.0, estima-se que as pioneiras vão ficar aptas para atuar totalmente dentro do conceito somente daqui a uns dez anos”, ressalta o consultor. Muito importante durante o processo é contar com mão de obra qualificada. Esse é um problema no Brasil, onde as empresas de pequeno e médio porte não têm, na maioria das vezes, o hábito de investir em pesquisa e desenvolvimento.

    Termômetro – As empresas fornecedoras de equipamentos periféricos voltados para operações como alimentação de máquinas e transporte de materiais, secagem e desumidificação, dosagem e outras operações realizadas dentro das fábricas são excelentes termômetros para medir o grau de interesse das empresas nacionais em relação à indústria 4.0. Um bom grau de automação das plantas industriais, embora não suficiente, é necessário para a obtenção de bons resultados com tal tecnologia.

    A Piovan, marca com sete fábricas espalhadas pelo mundo, entre elas uma no Brasil, é uma dessas empresas. “O conceito 4.0 na transformação de plásticos no Brasil está sendo digerido pelo mercado, com nível ainda tímido de aplicações em funcionamento. É natural que estejamos andando em velocidade menor que a Alemanha, por exemplo”, informa Ricardo Prado, vice-presidente da Piovan do Brasil.

    Prado ressalta, no entanto, que conta por aqui com vários clientes que estão em fase de implementação da tecnologia em determinadas linhas de produção ou até na planta inteira. “É uma ferramenta fabulosa para melhorar os processos. Conforme os bons resultados destes pioneiros forem aparecendo, seguramente outros seguirão o mesmo caminho”, avalia. Para ele, se trata de trajetória sem volta. “É um processo de mudança cultural pelo qual todos vão passar, a evolução natural possível com a tecnologia hoje disponível”.

    De acordo com o vice-presidente, os equipamentos com a marca Piovan possuem diversos sistemas de informação adequados ao uso da tecnologia. Ele destaca o Ryng, medidor gravimétrico de consumo de matéria-prima instantâneo para máquinas transformadoras. “Qualquer implementação 4.0 passa por saber exatamente quanto estamos consumindo de material em qual maquina e quando. O medidor se tornou item obrigatório a qualquer empresa que queira controle de seu processo dentro do conceito”.

    Alexandre Brasolin Nalini, diretor comercial do escritório nacional da italiana Moretto, tem opinião bastante similar. Ele informa que vários clientes estão aderindo ao conceito 4.0 e cita o nome de empresas como Lorenzetti, General Motors, Emicol e Jeep, entre outras. “A adesão depende bastante da mentalidade do administrador da empresa. As geridas pelos filhos ou por pessoas mais jovens se importam muito, as dirigidas por donos mais antigos relutam um pouco mais em adotar a tecnologia”, avalia.

    Todos os equipamentos fornecidos pela empresa – alimentadores, transportadores, secadores, etc – estão aptos a serem interligados de modo a trocar informações. O produto diferencial oferecido pela empresa voltado para a indústria 4.0 é o sistema de supervisão Mowis, projetado para garantir gestão integrada e total rastreabilidade dos processos, controle remoto dos sistemas em tempo real, controle multiutilizador, além de outras tarefas. “Ele permite fácil personalização de acordo com as necessidades do cliente”.



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