Máquinas e Equipamentos

Indústria 4.0 exige investir em máquinas e formar pessoal

Jose Paulo Sant Anna
11 de dezembro de 2018
    -(reset)+

    Plástico Moderno, Indústria 4.0 exige investir em máquinas e formar pessoal

    Nos países avançados, a indústria 4.0 é tema obrigatório entre as empresas ligadas ao setor do plástico. No Brasil, o assunto vem sendo bastante discutido entre as empresas de ponta. Falta muito, no entanto, para se disseminar de forma abrangente por todo o mercado com o destaque que merece. Vale lembrar que o país possui em torno de 12 mil transformadores, sendo a grande maioria de pequeno porte.

    Quem ainda não prestou atenção na revolução em curso precisa ficar atento enquanto o fenômeno é incipiente em todo o mundo. O descaso representa forte risco. A economia se encontra com elevado grau de globalização e a perda de competitividade por falta de investimentos em tecnologia pode causar o fechamento de muitas empresas. A advertência vale também para os responsáveis pela educação no país. É preciso formar profissionais com mentalidade adequada à nova realidade.

    A indústria 4.0 pode ser definida como o uso das informações recolhidas pelos controles de todas as máquinas ligadas às linhas de fabricação de um produto para o contínuo aprimoramento do processo. Tais informações são trocadas, transmitidas via internet das coisas. O processo envolve a estrutura de equipamentos presentes no transformador (informações chamadas de verticais) e também nas dos fornecedores do transformador e empresas destinatárias dos produtos, passando pelos responsáveis pela logística de distribuição (informações horizontais). O aprimoramento do processo utilizado nas linhas de produção ocorre por meio, entre outros recursos, do uso de inteligência artificial.

    O nome indústria 4.0 foi dado por esta evolução representar, de acordo com especialistas, a quarta “revolução” industrial. A primeira ocorreu a partir de 1712, com o surgimento das máquinas a vapor. A segunda em 1879, com o surgimento dos motores elétricos. A terceira em 1969, com o início da automatização de várias operações. Ela é considerada fenômeno sem volta, assim como ocorreu com os acontecimentos que resultaram nas “revoluções” anteriores.

    Plástico Moderno, Roriz Coelho: empresário local ignora benefícios do conceito

    Roriz Coelho: empresário local ignora benefícios do conceito

    José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) avalia a situação das transformadoras nacionais. Para ele, o setor é bastante heterogêneo. “Existem líderes em seus segmentos engajadas e atentas às novas tecnologias e como elas podem ser utilizadas para melhorar a produtividade e o posicionamento do mercado”. No outro extremo, a realidade é outra. “Temos muitas empresas em ‘postura de sobrevivência’, que gerenciam questões relativas a endividamento, dificuldade de acesso a capital, baixo investimento e ambiente de mercado ainda estagnado”.

    Para Roriz Coelho, a realidade brasileira ainda está bem distante da enfrentada pela indústria de países como EUA, Alemanha e China. Para justificar, cita pesquisa feita pela consultoria Delloite. O estudo conclui que as percepções do empresário brasileiro sobre as oportunidades da indústria 4.0 e os impactos em seus negócios diferem das dos executivos do resto do mundo. “No Brasil ainda existe desconhecimento das oportunidades que as novas tecnologias podem proporcionar. Além disso, em âmbito institucional e governamental seria necessário ter um plano estratégico de desenvolvimento da indústria”.

    O dirigente cita alguns números para explicar o que vem sendo feito no exterior. “Nos EUA, está previsto investimento da ordem de US$ 1,7 bilhão na industrialização com os conceitos de manufatura avançada e há em curso reformas tributárias para reduzir impostos e melhorar o ambiente de negócios. A Alemanha, país de origem do conceito indústria 4.0, prevê investir 200 milhões de euros e se consolidar como líder mundial no fornecimento de equipamentos. A China prevê aportes de mais de US$ 3 bilhões para migrar sua indústria para produção de bens de alta tecnologia e maior valor adicionado”.

    Benefícios – Reduzir custos e obter maior produtividade, ter possibilidade de agregar valor a produtos e serviços, reduzir o tempo entre pesquisa e colocação de inovações no mercado, proporcionar maior integração entre a cadeia produtiva e identificação de oportunidades e desenvolvimento de novos modelos de negócios, permitir customização dos produtos de forma ágil, em especial com o uso de manufatura aditiva. Para Roriz Coelho, esses são os principais benefícios proporcionados pela indústria 4.0.

    Plástico Moderno, Cardenal: automação reduz perdas e acelera inovações

    Cardenal: automação reduz perdas e acelera inovações

    Marcos Cardenal, engenheiro de vendas da Wittmann Battenfeld, fornecedora de injetoras e equipamentos para automação para plantas de plástico, cita alguns exemplos, tirados do dia a dia vivido pelas empresas de transformação, para dar ideia das vantagens obtidas com o auxílio da tecnologia. A redução significativa do tempo necessário para pesquisa e desenvolvimento de uma nova peça traz grande vantagem. Ela permite fazer simulações da peça projetada com um grade de resina desenvolvido de forma digital, de forma a determinar com precisão se seu desempenho atenderá as expectativas do projeto. Também permite simular o funcionamento do molde a ser utilizado para fabricar tal peça.

    Na linha de produção a auto-supervisão proporcionada pela tecnologia 4.0 ocasiona inúmeros benefícios, reduzindo o número de refugos a algo próximo de zero. A regulagem dos equipamentos se torna muito mais fácil a partir de correções automáticas feitas pelos controles programáveis, capazes de corrigir parâmetros como temperatura e pressão de maneira precisa em cada situação. Sistemas de diagnóstico permitem ações preventivas ou corretivas muito mais ágeis durante as operações de manutenção.

    No caso de uma fábrica que necessita produzir um número de peças que vá consumir determinada quantidade de matéria-prima, o equipamento pode constatar se o estoque existente na fábrica é o necessário. “Caso não seja, computadores do transformador e da fornecedora de matéria-prima se comunicam e a compra da quantidade que falta para a realização da operação se dá de maneira automática”, explica.

    Outra situação comum no chão da fábrica. O fabricante de um tipo de poliamida aconselha que operação de desumidificação da matéria-prima antes do uso deve ser feita durante o período de quatro horas. Em uma fábrica estruturada, o próprio equipamento diagnostica o tempo necessário para deixar a matéria-prima presente no estoque nas condições ideais de uso. Conforme as condições em que foi armazenada, por exemplo, a poliamida pode ficar pronta após três horas. “Além de várias outras possibilidades que permitem ganho de tempo, uso mais racional dos equipamentos e economia de matéria-prima e energia elétrica”, informa.

    Cardenal chama a atenção para o avanço que vem ocorrendo na “inteligência” presente nos comandos das máquinas. Para exemplificar aponta o controle B8, lançado recentemente e que equipa as máquinas injetoras da Wittmann Battenfeld. “Além de contarem com elevada capacidade de gerenciamento de dados, eles funcionam com tecnologia wi-fi, que dispensa o uso de fios”.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *