Impressoras – Tendência mundial se confirma no País e abre mercado para modelo sem engrenagem

Lançada no mercado brasileiro há poucos anos, sem muita repercussão entre os usuários, a impressora flexográfica sem engrenagens dá sinais de ter, finalmente, caído no gosto dos convertedores nacionais, como demonstram os depoimentos a seguir. Nos rastros do mercado mundial, o fabricante brasileiro decidiu apostar mais fichas na tecnologia e começa a se beneficiar com os resultados.

Plástico Moderno, Reinaldo Fantozzi, diretor da Plasfan, Impressoras - Tendência mundial se confirma no País e abre mercado para modelo sem engrenagem
Fantozzi prefere máquina flexográfica nacional

Aficionado por flexografia, o empresário do ramo de conversão e impressão de embalagens flexíveis, Reinaldo Fantozzi, diretor da Plasfan, concretiza tudo e mais um pouco do que almejam os fabricantes nacionais de impressoras flexográficas: viaja algumas vezes por ano rumo às maiores feiras internacionais do setor plástico, acompanha as novidades, conhece novas matérias-primas, observa o funcionamento de novas máquinas e acessórios, mas, na hora de fechar negócios, dá preferência aos equipamentos nacionais.

E por razões muito fáceis de compreender. “A qualidade da impressão flexográfica nacional está muito boa e nos últimos anos contou com muitas melhorias”, observou Fantozzi.

Na última feira setorial de Milão, Itália, ele até planejou adquirir uma flexográfica projetada com tecnologia italiana, mas acabou optando pela compra de duas flexográficas nacionais Beta, uma sem engrenagens e outra com engrenagens, fabricadas pela FlexoPower.

A máquina sem engrenagens é a primeira produzida com essa tecnologia pelo fabricante, e esteve em exposição na última Brasilplast.

Plástico Moderno, Impressoras - Tendência mundial se confirma no País e abre mercado para modelo sem engrenagem“Foi a nossa primeira negociação para a aquisição da nova impressora sem engrenagens, não só motivada pela qualidade excepcional do equipamento, totalmente computadorizado e comparável aos mais modernos existentes no mercado internacional, mas também foi decisivo para a compra a assistência técnica integral oferecida pelo fabricante”, comentou Fantozzi.

Em quatro meses de operação, as novas máquinas trouxeram resultados bastante positivos à Plasfan. A produção do equipamento sem engrenagens é praticamente dobrada em relação a um convencional e o diretor já planeja adaptar futuramente o kit de componentes gearless no modelo Beta com engrenagens. Os diferenciais de velocidade das máquinas gearless são compensadores, segundo observa o usuário. A máquina alcança níveis de impressão de 300 metros por minuto, enquanto o modelo convencional produz entre 220 e 250 metros/minuto. A máquina mais veloz, segundo comprovou Fantozzi, consome a metade do tempo para realizar as trocas de cores e vem com sistema de troca automática de bobinas.

Proprietário de um parque industrial integrado, composto por dez extrusoras e co-extrusoras de filmes mono e multicamadas e sete impressoras flexográficas, todas nacionais, Fantozzi prepara terreno para futuras expansões no ramo de embalagens flexíveis, já tendo iniciado processo de diversificação na fábrica com a produção de embalagens em PEBDL para comportar 8 quilos, 15 quilos e até 25 quilos de ração animal.

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Fantozzi Junior aposta nas vendas de produtos com alto valor agregado

Experiente no ramo, ele não vê possibilidades de crescimento significativo no mercado brasileiro de embalagens flexíveis, a não ser diversificando a oferta para abranger novos setores. Ele se mantém alerta e busca contratos em novos segmentos até então não trilhados pela Plasfan.

Além das flexográficas, a preferência de Fantozzi por equipamentos nacionais também se manifesta no setor de extrusão e se concretiza até com negócios que acabam sendo fechados fora das fronteiras brasileiras, mas com fornecedores do Brasil.

Na última feira setorial de Milão, ele acabou adquirindo uma co-extrusora para sete camadas da Carnevalli, completando um time já formado por duas co-extrusoras de três camadas com tecnologia desenvolvida pelo mesmo fabricante brasileiro. Entusiasmado com a nova aquisição, Fantozzi afirmou: “Trata-se da nossa primeira máquina para sete camadas que estará voltada à produção de filmes com propriedades de barreira, confeccionados em náilon e EVOH, PET, entre outras matérias-primas, utilizadas na produção de embalagens especiais, direcionadas ao setor frigorífico e que apresentam shelf-life para 90 dias.”

Reinaldo Fantozzi Junior, representante da segunda geração da família Fantozzi, afirmou que o importante nesse momento é aumentar o leque de oferta de embalagens para o mercado brasileiro, principalmente nos setores de produtos com maior valor agregado, que utilizam embalagens produzidas com filmes técnicos e laminados em BOPP, PET, náilon/EVOH, PP, PE/PE, incluindo estruturas metalizadas.

Com área fabril de 15 mil m² integrada aos 100 mil m² adquiridos em Itapecerica da Serra-SP, a fábrica da Plasfan começou a operar nas novas instalações em janeiro de 2005, projetada em ambiente climatizado pelo processo de pressão positiva e estruturada para assegurar total higiene na fabricação de embalagens para o setor de alimentos, para o qual os diretores destinam pelo menos 70% da produção atual da empresa.

Rotogravura aliada à flexografia – As primeiras embalagens laminadas e decoradas pela Cromus, de São Paulo, começaram a ser produzidas em 1993 para embalar ovos de Páscoa e chocolates artesanais, produtos de grande demanda, mas relativamente sazonais.

Os negócios cresceram com filmes técnicos e rótulos, produzidos em diversas estruturas flexíveis, em BOPP, PP, PE, em mono e multicamadas, incluindo co-extrudados, que podem ser adaptados aos mais diversos sistemas, como flow packs e envases verticais.

Em 2001, Eduardo Aguila Cincinato, diretor-presidente, inaugurou uma nova empresa, a Arco Convert, para produzir embalagens impressas e laminadas, atendendo às necessidades do setor de terceirização. No início de 2008, ele irá desativar a unidade fabril de São Paulo e levar a Cromus para um novo parque industrial de mais de 16 mil m², em Mauá-SP.

“Na fábrica de Mauá, teremos espaço suficiente para levar adiante nossos novos projetos de crescimento e promover significativos investimentos em tecnologia e processos de produção. Lá, teremos maiores condições para atuar com maior empenho na linha de embalagens laminadas”, afirmou.

Os investimentos em novas tecnologias, fundamentais para dar base à nova fase de crescimento, começaram em Leco, na Itália, onde Cincinato encomendou a impressora gearless Omet VF. Com largura de impressão de 670 mm e velocidade de 200 metros/minuto, a máquina é considerada de banda média. O principal diferencial da Omet VF é oferecer um sistema híbrido de impressão. Ou seja, a máquina imprime pelos processos de rotogravura e flexografia, oferecendo oito cores para flexografia e duas cores para rotogravura.

Outros atributos importantes são: imprimir, além de filmes de BOPP e outros substratos plásticos, também o alumínio, com sistema de controle de tensão excepcional, segundo testou Cincinato, que permite rodar folhas de alumínio em espessuras a partir de 7 micras, oferecendo, ainda, sistema de secagem das tintas por ultravioleta (UV).

De acordo com Cincinato, além da tecnologia ser mais avançada, outro ponto forte das novas gerações de impressoras é a versatilidade. Ele informa que esse tipo de equipamento permite imprimir desde pequenos rótulos ou filmes em baixas tiragens até cem quilos de material com muita facilidade nos set-ups, que, em geral, não ultrapassam 20 ou 30 minutos, em máquina de seis cores.

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Embalagem para ração comporta até 25 quilos

“A grande vantagem das impressoras híbridas é reunir tudo o que há de bom na flexografia, com seus recursos de impressão mais econômicos, ao que há de melhor na rotogravura, abrangendo desde a possibilidade de se fazer dégradés, suprimir emendas, utilizar altas cargas de tintas em prata ou ouro ou de quaisquer outras cores”, enfatizou o empresário.

Agora, com o novo arsenal de equipamentos começando a rodar, a Cromus, além de explorar mais os mercados já atendidos, pretende avançar sobre outros mercados, como produzir embalagens para o setor farmacêutico, incluindo blisters e outros sistemas para comportar medicamentos.

A nova fábrica de Mauá também contará com tecnologia italiana de metalização. Trata-se da metalizadora Galileu com largura de 1.650 mm, e que opera por controle eletrônico de densidade óptica, proporcionando o tratamento de filmes e a metalização de altíssima precisão. “Iniciamos os testes de metalização em filmes flexíveis e de tratamento barreira por meio da deposição de materiais com a utilização do mesmo equipamento, para garantir maior shelf-life aos produtos embalados com esses materiais especiais”, informou Cincinato.Outro grande investimento feito pela Cromus em Mauá, programado para entrar em operação nos próximos dias, foi a aquisição de impressora gearless da Comexi, uma FW 1508, para oito cores de impressão, capaz de alcançar velocidade de impressão de 300 metros/minuto.

Entre os aspectos mais interessantes dessa impressora sem engrenagens, Cincinato destacou as trocas automáticas de bobinas, tanto na entrada como na saída, e contar com um sistema de inspeção de qualidade desenvolvido em Israel, pela A.V.T. Os planos dele para a nova impressora Comexi são de incrementar a produção de embalagens laminadas e dedicá-la à impressão de filmes técnicos com alta barreira.

As flexográficas sem engrenagens da multinacional espanhola, especializada na fabricação de impressoras flexográficas e laminadoras, com cinqüenta anos de atuação, começaram a ser fabricadas no ano 2000.

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Modelo é indicado para filmes com até 7 camadas

“No decorrer de sete anos, a empresa instalou mais de 200 máquinas sem engrenagens em todo o mundo, e produziu, localmente, na Comexi do Brasil, em Montenegro-RS, a primeira impressora FW Gearless, comercializada para o grupo Cromus recentemente”, informou Roberto Bilichuc, gerente da Comexi do Brasil. “A tecnologia sem engrenagens é uma realidade e o mercado necessita adaptar-se a esse avanço, pois a tendência é de que as máquinas com engrenagens desapareçam”, considerou o executivo da Comexi no Brasil. Entre as qualidades da impressora FW estão a baixa manutenção, a precisão e a estabilidade da impressão, além da velocidade de trabalho, podendo chegar a 350 metros por minuto, e o rápido ajuste dos registros, incluindo a possibilidade ao usuário de escolha de máquinas com oito ou dez cores de impressão.

“Além desses recursos, a FW também é equipada com DDDrive, sistema cantilever de camisas porta-clichês e anilox, dupla guia com fuso central assimétrico, tecnologia em aço duplo e sistema CNC”, acrescentou Bilichuc.

Banda estreita – O mercado brasileiro de flexografia conta com a produção local das tecnologias mais avançadas de impressão em banda estreita. Em Ribeirão Preto-SP, acaba de ser fabricada a primeira impressora flexográfica para banda estreita com tecnologia Nilpeter.

Com sede na Dinamarca, a Nilpeter escolheu 2007 para iniciar operações diretas no mercado local, embora a intenção de implementar a fabricação local estivesse em negociação desde 2004.

Ao representar a Nilpeter, durante dois anos, entre 2004 e 2006, a Gutenberg, de São Paulo, empresa do grupo Alderigo V. Rossi, demonstrou interesse em oferecer as tecnologias Nilpeter não só por importação, mas também por produção e venda direta.

A concretização do acordo entre a Nilpeter AS e a Gutenberg resultou na criação da Nilpeter do Brasil. A primeira impressora flexográfica de banda estreita fabricada localmente é a FBR-2500. Com largura de impressão de 273 mm, velocidade de 228 metros/minuto, é, segundo frisou o fabricante, o equipamento de banda estreita com a maior velocidade de impressão existente no mercado brasileiro.

Configurada para até oito cores, e com pelo menos uma unidade aplicadora de verniz no último grupo impressor, essa impressora tem transmissão helicoidal, sistema modular de fácil configuração e possui uma avançada concepção que permite diferentes combinações de sistemas de impressão. Pode combinar oito unidades de impressão flexográfica com unidades de impressão por serigrafia e para aplicação de hot e cold stampings, opcionalmente. O equipamento também vem com mesa de emenda com barras acionadas pneumaticamente, para minimizar o tempo de troca de bobinas, e com sistema de secagem por ar quente, provido de secadores individuais e ajustáveis, com conjunto de nove aletas de ar para cada uma das unidades de impressão.

“Nossa meta inicial era vender oito máquinas FBR-2500, mas já comercializamos até o momento dez”, revelou Rubens Wilmers, diretor da Nilpeter do Brasil. Os atuais prazos de entrega de cinco a seis meses devem cair para três, em breve.
Outro ponto favorável ao equipamento é o seu índice de nacionalização: 87%. “Por enquanto, só importamos engrenagens e os componentes eletrônicos da nossa fábrica nos Estados Unidos”, informou. Dentro de dois a três anos, Wilmers pretende alcançar índice de 95%.
Outra linha oferecida ao mercado pela unidade brasileira, mas fabricada nos Estados Unidos, é a FB, que conta com três diferentes modelos: FB 2500, FB 3300 e FB 4200, todos acionados por servomotores. Com larguras de impressão de 273 mm, 350 mm e 425 mm, essas flexográficas imprimem rótulos e filmes.

Na Dinamarca, são fabricadas as linhas FA e MO. A FA é uma flexográfica servoacionada, gearless e que permite combinação com rotogravura. “Trata-se de máquina modular com qualidade de impressão comparável ao sistema off-set, única no mundo capaz de imprimir PEAD em espessuras de 40 micras”, informou Wilmers.
As impressoras MO são consideradas multiplataformas, totalmente automatizadas e acionadas por servomotores. Permitem ao usuário escolher diferentes processos de impressão por meio de uma simples troca de cassetes, podendo combinar off-set, flexografia, serigrafia, hot stamping, cold foil e rotogravura. Num único rótulo, a opacidade do branco é oferecida pela serigrafia, o vermelho vem à superfície por off-set, o preto pela flexografia, as tintas metálicas pela rotogravura e assim por diante, segundo explicou Wilmers.

Já a flexográfica de banda média FA, segundo ele, é considerada a gearless top do momento pelo nível de automação, podendo imprimir filmes com larguras desde 340 mm até 570 mm, contando com quatro diferentes modelos.

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Cincinato destaca sistema de inspeção de qualidade da FW 1508

“Com fábricas na Dinamarca e nos Estados Unidos, a Nilpeter escolheu o Brasil para instalar sua terceira unidade fabril porque está relacionada com o potencial de crescimento do mercado brasileiro e com a alta qualificação da mão-de-obra local”, considerou Wilmers.

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Peças são impressas em máquinas dinamarquesas

Ainda na fase de pré-lançamento, a empresa já comercializou oito FBR-2500 no mercado brasileiro. “A Nilpeter do Brasil acredita e aposta no mercado sul-americano, tendo o Brasil como base e referência para atender a toda essa região”, acrescentou o diretor.

A empresa tem tradição de longa data na fabricação de flexográficas. Sua primeira máquina, denominada Rotolabel F-200, foi lançada em 1962. Na última edição da LabelExpo Europe de 2007, realizada em Bruxelas, na Bélgica, apresentou as novas gerações de impressoras off-set rotativas e flexográficas com sistema de secagem ultravioleta (UV), idealizadas para os mercados de embalagens flexíveis, rótulos e etiquetas.

A Nilpeter também aproveitou o evento para marcar sua entrada no mercado de impressão digital colorida de rótulos adesivos, utilizando processo inkjet. “O desenvolvimento dessa impressora colorida digital se tornou possível graças a um acordo firmado entre a Nilpeter e a inglesa Caslon, que forneceu a solução de impressão digital, baseada na tecnologia inkjet”, esclareceu o diretor. Outros destaques foram as impressoras MO-4, com largura de impressão de 420 mm, concebida para etiquetas e rótulos de alta qualidade e a MO-5, com largura de impressão de 520 mm, para abranger ao crescente mercado de rótulos sleeves.

“Trata-se da única máquina que permite combinar diferentes processos por meio de uma simples troca de sleeves. É um sistema revolucionário com plataforma tecnológica flexível, que permite aos usuários imprimir bobinas com 406 mm de largura por off-set, flexografia UV, rotogravura, serigrafia, hot e cold foil”, destacou Wilmers.

Diferentemente das máquinas MO, a MO-4 não requer a troca de cassetes, e sim utiliza um sistema de camisa patenteado nos cilindros das chapas e nas blanquetas. Construídos em fibra de policarbonato de baixo peso, permitem trocas ainda mais rápidas de chapas e blanquetas em comprimentos de impressão que variam de 18 até 25 polegadas.

O sistema sleeve permite melhorar a qualidade off-set e a mesma tecnologia também é usada nos cilindros de chapas e nos cilindros anilox, no caso do emprego de módulos flexográficos opcionais, segundo o fabricante.

Último lançamento da linha FA, a FA-6 UV para embalagens flexíveis de maior largura é servoacionada e com tecnologia gearless. Permite operar largura máxima de bobina de 558 mm e imprime filmes com variadas espessuras, desde 20 até 300 microns.

Para imprimir etiquetas, rótulos, incluindo embalagens, a maior novidade ficou por conta da impressora servoacionada flexográfica UV FB-3300 S. Com unidades de impressão projetadas com conceito ergonômico, esse equipamento permite ajustes e trocas rápidas dos cilindros anilox e atinge a velocidade máxima de 228 metros/minuto, em larguras máximas de bobinas de 350 mm.

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Wilmers: modelo é totalmente automatizado e acionado por servomotores

“Os novos tipos de unidades de cura UV que acompanham essa máquina são equipados com cilindros refrigerados a água, auxiliando quando do uso de materiais mais sensíveis ao calor”, acrescentou o diretor. Além desses atributos, a nova impressora pode ser acompanhada de opcionais, como módulos para serigrafia, cold e hot foil.

Sem engrenagens aguarda parceiro – Vários rumores propagando o fechamento da Feva – Máquinas Ferdinand Vaders, de Cotia-SP, tradicional fabricante nacional de flexográficas, com dezessete anos de atuação nesse setor, levaram a empresa a adotar novos procedimentos administrativos e se posicionar com maior veemência recentemente perante o mercado.

“A Feva não quebrou, não fechou, e não vai sumir do mapa. Ao contrário, estamos é bem vivos, trabalhando intensamente e nos dedicando a novos projetos para a construção de máquinas e intensificando a prestação de serviços de usinagem de alta precisão. Só precisamos de algum tempo para nos recuperarmos financeiramente. Além disso, temos patrimônio e um parque industrial moderno de 15 mil m² de construção, instalado em área total de 56 mil m², totalmente equipado com recursos para produzir impressoras flexográficas com valores de venda entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões”, argumentou a diretora Mônica Vaders.

Plástico Moderno, Mônica Vaders, diretora, Impressoras - Tendência mundial se confirma no País e abre mercado para modelo sem engrenagem
Mônica: flexográfica irá para a África do Sul

Das experiências vividas nos últimos anos, contudo, Mônica tirou algumas lições: “Descobrimos que somos excelentes fabricantes de máquinas e péssimos administradores de empresas e, por isso, contratamos uma consultoria especializada, a Corporate Consulting, para nos dar suporte para a obtenção de novas linhas de crédito em instituições e nos ajudar a acelerar a produção de pelo menos dez máquinas que já foram encomendadas por usuários do Brasil e do exterior”, afirmou.

Segundo Mônica, uma das principais razões para a empresa ter se tornado vulnerável à boataria, que só fez produzir efeitos negativos sobre os funcionários e diretores da fábrica, está ligada a um grande golpe sofrido dois anos atrás, quando um cliente de porte internacional sustou contrato de parceria que havia firmado com a Feva para a fabricação de máquinas flexográficas sem engrenagens, destinadas a abastecer usuários no exterior.

“Naquela época, chegamos a contratar cento e oitenta novos funcionários para cumprir o contrato de produção de impressoras gearless para a PCMC, reconhecida mundialmente como uma das melhores fabricantes de máquinas nesse setor.

Chegamos a fabricar 28 impressoras gearless em quatro anos, bancamos todos os custos de aquisição de novos equipamentos, compramos novos tornos e fresas CNC, mandrilhas e instalamos três centros de usinagem, com sistema de corte a plasma por CNC, investindo ao longo de dois anos aproximadamente R$ 4 milhões, tudo isso porque acreditávamos na continuidade do contrato.” Outro fato que causou prejuízos à Feva foi a retenção de recursos financeiros da empresa no Banco Santos e, corroborando ainda mais para essa situação, a cotação baixa do dólar na época, que provocou a desaceleração das exportações.

Para aproveitar os maquinários, cuja quantidade e velocidade superam a demanda, a Feva, além de produzir flexográficas, resolveu atuar no setor de prestação de serviços de terceirização, construindo peças de alta precisão, turbinas para vários setores, promovendo montagens mecânicas e elétricas e ainda realizando serviços de caldeiraria e serralheria.
A preocupação da empresa nesse momento é evitar informações desencontradas, assumir postura de comunicação transparente com o mercado e buscar novas linhas de crédito, algumas das quais já se encontram liberadas.

A empresa também está acelerando a construção e a entrega de máquinas para vários países, como Venezuela, México, Nigéria, Rússia e África do Sul. Para este último país, a empresa finaliza a construção de uma Mundial Flex 1.200, para impressão de dez cores, que deverá ficar pronta no final de outubro.

“Só após 1997, passamos a atender às exportações, e chegamos a destinar, em 2005, 50% da nossa produção para fora do País”, disse Mônica. Hoje, atenta às oportunidades buscadas lá fora, a empresa mantém uma equipe de profissionais, formada por quatro técnicos, somente para prestar atendimento às exportações. “Em cada um dos países para os quais exportamos, preparamos um representante técnico para ser o responsável por todos os serviços de assistência técnica.” Assim já ocorre na Colômbia, no Chile, no Peru, na Índia, na Rússia e na África do Sul.

Com 600 máquinas colocadas nos mercados nacional e internacional desde que começou a se dedicar à fabricação de flexográficas há dezessete anos, a Feva acumula experiência fabril bem mais extensa, de setenta e dois anos, desde a sua fundação, quando se dedicou à fabricação de máquinas tipográficas e tira-provas off-set.
Recentemente, a empresa entrou com pedido de patente de máquina totalmente inédita no mercado flexográfico brasileiro. O equipamento em questão possui sistema de transmissão mecânica, mas o funcionamento de todos os componentes para ajustes e preparação é semelhante ao de um equipamento gearless.

Trata-se da flexográfica GlobalFlex, um sistema que combina recursos convencionais com os conceitos constantes dos equipamentos sem engrenagens. “A GlobalFlex representa um projeto inovador, que reúne todas as vantagens das máquinas sem engrenagens no que diz respeito aos câmbios rápidos de trabalho e de economia em porta-clichês”, considerou Mônica. O sistema de troca de serviço é equivalente ao de uma gearless, mas o sistema mecânico não interfere no sistema de impressão. Por contar com apenas dois servomotores, um deles para movimentar o tambor central e outro para acionar os grupos impressores, essa máquina se torna bem mais econômica em comparação com os sistemas gearless clássicos, consumindo 40% menor de energia.

Na opinião da diretora, as gearless convencionais apresentam consumo de energia muito elevado porque atuam com vinte servomotores e excesso de eletrônica, além de criar maior dificuldade aos operadores. Na Europa, é possível comprar componentes e comandos eletrônicos facilmente, mas, na América Latina, a dificuldade nesse sentido é muito grande. “Por isso, reduzimos a quantidade de motores e de componentes eletrônicos. O resultado é que a nossa máquina, com apenas dois servomotores, oferecerá todas as vantagens de uma gearless, além de maior facilidade para as operações.”

As velocidades de impressão alcançadas no novo equipamento podem chegar a 400 metros por minuto e as larguras de impressão podem abranger desde 1.200 mm até 1.400 mm. “Nosso projeto está pronto, mas precisamos de um parceiro que queira investir e compre a primeira máquina”, afirmou Mônica.

Além do novo projeto de banda larga, a empresa vem aprimorando flexográficas para atender o segmento de banda média, para imprimir etiquetas e rótulos sleeves em PVC termoencolhível. “A nossa impressora para banda média é uma máquina compacta, preparada para materiais especiais, como o PVC termoencolhível, e produzir à velocidade de 400 metros por minuto, com largura de impressão de 600 mm.” Outro diferencial que o fabricante agregou ao equipamento é um sistema de troca de mangas lateral que possibilita seu uso também no mercado de banda estreita. Lançado em 2006, o equipamento teve boa receptividade no mercado, possibilitando aos usuários uma alternativa mais econômica em comparação com a impressão rotográfica.

“Nosso sistema oferece qualidade de impressão bem próxima da rotogravura graças à estabilidade, precisão e manutenção dos registros, garantindo qualidade constante, reduzindo o desperdício e propiciando economia em anilox, lâminas doctor blade, adesivos dupla-face, entre outros, e também possui sistema de secagem especial para impressão de termoencolhíveis”, detalhou Mônica.

Outra máquina que também desperta grande interesse no mercado no momento foi concebida especialmente para o segmento de impressão de sacarias em ráfia. Com largura de impressão de 800 mm, a primeira FevaFlex Ráfia foi concebida quatro anos atrás, mas contou com várias melhorias em 2005.

Segundo Mônica, as impressoras para ráfia surgiram por causa da necessidade dos clientes de imprimir com maior velocidade e precisão. Nos primeiros equipamentos, a Feva deu prioridade à qualidade de impressão, mas, com base nas informações colhidas entre os usuários, foram feitas melhorias, principalmente sob o aspecto do rebobinamento, resultando em bobinas mais compactas e mais adequadas a essas aplicações.

“A ráfia apresenta tecido irregular e, por isso, exigiu a construção de máquina impressora com sistema especial de controle de tensão por contato tangencial, além de um sistema compactador para garantir a qualidade.” Também foram introduzidos braços mecânicos para facilitar a colocação e a retirada dos materiais tanto no desbobinamento como no rebobinamento. Outro detalhe importante está no tambor central. Revestido em aço inoxidável, o tambor permite encaixe perfeito das cores e maior produtividade da máquina, que poderá alcançar velocidade de impressão de 180 metros/minuto ou até 200 metros/minuto, dependendo do tratamento corona, possuindo ainda sistema inversor que permite imprimir na frente e no verso da ráfia.

Mas há também outro modelo de impressora da Feva que vem obtendo sucesso e conquistando maior número de usuários. Trata-se da FevaFlex Pro Coex. Desenvolvida especialmente para o mercado de alimentos embutidos, essa máquina comporta vários dispositivos para atender às necessidades de impressão de tripas finas, na frente e no verso, propiciando o registro perfeito entre os dois lados da impressão. Em virtude do emprego de tintas catalisadas, foram previstos pelo fabricante diferentes estágios de secagem, abrangendo secagem entre cores com calor, aplicação de infravermelho, para posteriormente ser submetido a um “pulmão”, com extensão de 25 metros, onde ocorrerá a total cura das tintas.

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A qualidade da impressão flexográfica está associada a vários avanços tecnológicos surgidos nos campos das gravações digitais de fotopolímeros, camisas para a montagem de clichês, impressoras sem engrenagens, cilindros cerâmicos gravados a laser e a vários softwares para tratamento de imagens e de cores. As fitas adesivas espumadas, contudo, também contribuem para a qualidade e o desempenho das máquinas.

Fabricante de fitas espumadas com espessuras de 0,38 mm e 0,50 mm, a Tesa, empresa alemã pertencente ao grupo Beiersdorf, dona da marca Nívea, classificada entre as três maiores produtoras de fitas adesivas do mundo, está oferecendo novidades ao mercado.“As fitas por nós produzidas melhoram a impressão porque possuem espuma compressível”, explica o engenheiro Robson Galvão, da Tesa Brasil.A empresa também está lançando com exclusividade a EasySplice FilmLine, desenvolvida para facilitar o processo de preparação e padronização das emendas. “Utilizando-se a EasySplice FilmLine não é necessário reduzir a velocidade de impressão no momento da emenda, aproveitando-se toda a produtividade da máquina”, afirmou Galvão. O adesivo dessa fita, segundo ele, permite a fixação em diversos materiais plásticos, abrangendo superfícies com diferentes tensões superficiais. Como exemplo, obtem-se ótimo desempenho em polietileno, superfície com baixa tensão superficial, considerado material crítico durante a troca de bobinas.

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