Impressoras mais rápidas pedem formulações sustentáveis

Tintas: Impressoras mais rápidas pedem formulações de alto desempenho e sustentáveis

Produtos aptos para a máquinas impressoras mais rápidas; ou, concebidos pelos preceitos da sustentabilidade, desenvolvidos para permitir a simplificação das estruturas plásticas, e apresentados com novas formulações – por exemplo, com ingredientes derivados de biomassa, ou de base água –, além de conseguirem combinar qualidade e permanência durante a vida útil da aplicação com a possibilidade de fácil remoção quando da reciclagem.

Essas são, em linhas gerais, as diretrizes hoje seguidas pelas indústrias de tintas para impressão em plástico interessadas em atender à demanda de seus clientes por soluções que conjuguem desempenho e produtividade com os princípios da economia circular.

Considerando a primeira dessas vertentes, a adequação a processos mais produtivos, Andréa Rosso Baladi, presidente da Abitim (Associação Brasileira das Indústrias de Tintas para Impressão), aponta existirem tintas que permitem impressão em máquinas com altíssimas velocidades, de até 500 metros por minuto.

“Mas há evoluções também no quesito sustentabilidade, seja com tintas base solvente com baixo teor de VOC (compostos orgânicos voláteis), seja com tintas base água menos agressivas ao meio ambiente, e também com vernizes de barreira, que facilitam a reciclagem”, complementa Andréa.

As tintas base água no Brasil ainda não compõem uma gama capaz de atender a todas as necessidades colocadas pela grande diversidade de estruturas de filmes e embalagens hoje existente, sendo ainda difícil encontrar, tintas base água para filmes laminados mais complexos, como aqueles utilizados nas embalagens de café.

Tintas: Impressoras mais rápidas pedem formulações de alto desempenho e sustentáveis ©QD Foto Divulgação
Andréa: base água avança para atender a maioria das demandas

“Mas acredito que, com a evolução das matérias primas e o investimento em pesquisa, o mercado das tintas base água atenderá, se não a totalidade, a grande maioria das impressões nas embalagens plásticas flexíveis”, afirma a presidente da Abitim.

A expansão das tintas de impressão base água é projetada também por Anderson Abreu, gerente comercial do Hubergroup, multinacional de origem alemã que disponibiliza tintas líquidas para impressão em plásticos em flexografia e rotogravura (além de tintas para impressão em papel).

Mas acho que esse mercado crescerá em velocidade inferior à das expectativas iniciais, até por haver ainda questões relacionadas a produtividade e velocidade de equipamento”, ressalva.

“Produtos base água são hoje utilizados geralmente em impressões mais simples, mas na Europa já temos essas tintas disponíveis até para soluções mais complexas, e filmes laminados”, acrescenta Abreu.

Como “grandes novidades” no portifólio do Hubergroup, ele cita os vernizes capazes de proporcionar barreira às aplicações, mantendo, sem impedir a posterior reciclagem, as barreiras normalmente conferidas por outras resinas a fatores como oxigênio, gordura, umidade e luz UV. Um verniz barreira a oxigênio, exemplifica, permite eliminar o PET, e transformar em estruturas monomateriais embalagens de produtos como leites, cafés, queijos ralados e amendoins, enquanto um verniz barreira UV pode dispensar a metalização do BOPP em embalagens de snacks, com a vantagem adicional de manter a transparência da embalagem.

Tintas: Impressoras mais rápidas pedem formulações de alto desempenho e sustentáveis ©QD Foto Divulgação
Abreu: verniz de barreira pode dispensar metalização do BOPP

“Na Europa, o uso desses vernizes já é uma realidade; aqui ele ainda é pequeno, mas a tendência é de crescimento avassalador nos próximos anos”, prevê Abreu.

O Hubergroup tem também uma linha de tintas, denominada Platinum, desenvolvida para o processo de deinking (remoção para a posterior reciclagem). “E todo o nosso portifólio tem certificação que garante a compostabilidade, viabilizando projetos de embalagens 100% compostáveis”, afirma Abreu.

Biomassa e base água

Tintas compostáveis, bem como vernizes e coatings capazes de conferir barreira às aplicações, estão incluídos também no portfólio da Siegwerk, destaca Renato de Toledo Jardim, diretor comercial da empresa de origem alemã, produtora de tintas para impressão em rotogravura e em flexografia, seja impressão externa (superfície), ou interna, para laminação.

Tintas: Impressoras mais rápidas pedem formulações de alto desempenho e sustentáveis ©QD Foto Divulgação
Jardim: flexo HD só se tornou possível com tintas melhoradas

“No Brasil elas apenas começam a ser utilizadas, mas na Europa essas soluções já estão consolidadas”, afirma Jardim.

A evolução da tecnologia das tintas, ele observa, contribui também para viabilizar o rápido avanço da flexografia que, combinando boa qualidade com custo inferior e capacidade de viabilizar tiragens menores, expande-se por diversas aplicações antes realizadas por rotogravura.

A flexo HD (alta definição), é cada dia mais utilizada em embalagens de pet food e de alguns produtos do setor de alimentos, higiene e limpeza, antes feitas por rotogravura. Isso não seria possível sem tintas melhores”, enfatiza o diretor da Siegwerk.

Andre Nato Machado, gerente comercial da operação brasileira da Toyo Ink nas áreas de offset e digital, ressalta que um dos focos do desenvolvimento de produtos recai em tintas ambientalmente mais sustentáveis, materializadas em iniciativas como a inclusão nas formulações de conteúdos de biomassa.

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Machado: derivados de biomassa melhoram sustentabilidade

“Em tintas para offset, por exemplo, temos soluções com mais de 40% de conteúdo de biomassa, especialmente na forma de óleos, resinas e aditivos”, diz “O deinking (destintamento do substrato), para a reciclagem, também é um ponto hoje analisado em nossos desenvolvimentos, além do início dos estudos para a biodegradabilidade das tintas”, complementa Machado.

Há também na Toyo, ele prossegue, um intenso investimento nos processos de cura das tintas por técnicas como UV LED e EB (electron-beam ou feixe de elétrons), permitindo economizar energia no processo.

A tecnologia de electron-beam, especifica, promove a reticulação muito rápida, ampliando as possibilidades de utilização do sistema offset na impressão de filmes plásticos. “O offset, além de proporcionar excelente qualidade, é uma tecnologia de custo mais acessível para menores tiragens, comparativamente a outras possibilidades de impressão de grandes tiragens”, explica. “Por não possuir fotoiniciadores na formulação, o EB é uma tecnologia considerada de baixa migração, ideal para embalagens alimentícias”, complementa.

A fabricante nacional Vivacor hoje concede grande atenção ao desenvolvimento de tintas base água para impressão em plásticos. Como afirma o gerente comercial Mário Guedes, é uma das empresas precursoras no Brasil dessa tecnologia, que ela começou a desenvolver há cerca de 25 anos (quando era ainda, ele relata, uma tecnologia muito rejeitada).

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Guedes: base água pode secar mais rápido que base solvente

“Mas hoje conseguimos demonstrar benefícios de tintas base água nas mais diversas aplicações, em sacolas e em filmes monocamadas, em embalagens de papel higiênico, sacos para colchões, reembalagens, frontal tape, entre outras”, detalha Guedes.

Além de ambientalmente mais sustentável, pondera Machado, a tecnologia das tintas base água é também economicamente vantajosa, pois, embora seus produtos tenham preço um pouco elevado, na aplicação seu rendimento é muito superior.

“No caso de tintas base solvente, o mercado pode utilizar até dois baldes de solvente para um de tinta; e todo esse solvente evapora”, argumenta. “Temos produtos base água que permitem impressão até mais rápida, comparativamente a base solvente”, acrescenta o profissional da Vivacor, localizada em Diadema-SP, que no mercado das tintas para plásticos fornece produtos para rotogravura e flexografia (tem também tintas para papel).

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Expansão moderada

Comparativamente a 2022, a comercialização de tintas para impressão no mercado nacional deve este ano registrar um “pequeno crescimento”, avalia Andréa, da Abitim. Houve uma pequena expansão da demanda no primeiro semestre, ligeiramente aquecida no semestre posterior. “E imagino que, em 2024, tenhamos um crescimento similar ao deste ano”, prevê.

Também Abreu, do Hubergroup, projeta algum crescimento nas vendas de tintas para impressão em plásticos no decorrer deste ano. “Estamos vendo uma pequena retomada do mercado e no decorrer do ano isso deve se consolidar como um crescimento muito tímido”, diz. “Com redução de juros e estabilidade dos preços dos alimentos, são melhores as perspectivas para 2024”, pressupõe Abreu.

O Hubergroup está agora ingressando no mercado brasileiro de adesivos de laminação, com soluções, ressalta, que combinam elevada força de laminação com o diferencial da alta transparência. “Já tínhamos esses produtos no exterior, agora decidimos trazê-los para o Brasil”, destaca Abreu.

Jardim, da Siegwerk, descreve um ano no qual não estão sendo satisfeitas as expectativas iniciais, com algum reaquecimento no segundo semestre. porém com uma primeira metade muito ruim comercialmente. “Dependendo do segmento, registraremos este ano quedas nas vendas de 4% a 8%. E, ao menos por enquanto, nada me sinaliza um ano melhor em 2024”, pondera.

Por sua vez, Guedes, projeta para este ano um pequeno crescimento nas vendas da Vivacor. “Para 2024, creio em um crescimento talvez um pouco maior, no máximo de 5%”, complementa.

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Linha Gecko, do Hubergroup, de vernizes de barreira

Essa análise de um crescimento pequeno no decorrer deste ano e perspectivas melhores para 2024 é referendada por Machado, da Toyo.

“Este ano foi certamente difícil, até porque tivemos, entre outros fatores, uma ressaca pós-pandemia e a guerra na Europa, além do fato de ter assumido um novo governo”, relata. “Mas o próximo ano deverá ser melhor. Há uma tendência de ampliação da demanda por tintas para plásticos, até porque existe tendência de aumento do consumo e de queda de juros”, complementa.

Expande-se significativamente, como aponta, a demanda por soluções para o processo IML (in mold label), no qual o rótulo é inserido na cavidade do molde de injeção.

“Essa tecnologia vem ganhando espaço sobre a serigrafia em aplicações como embalagens de margarinas e laticínios, além de se expandir também nas embalagens metálicas”, especifica Machado.

Também cresce acentuadamente o mercado da impressão digital inkjet, até por viabilizar a confecção de pequenas tiragens e a personalização das informações. Em rótulos, exemplifica Machado, a tecnologia injket permite agregar ao conteúdo característico desse gênero de aplicações informações como data de validade e lote, que normalmente exigem uma impressão extra.

“É uma tecnologia interessante também para colocar nos rótulos informações mais específicas de uma região onde um produto é comercializado, e informações nacionais nos produtos importados”, finaliza o profissional da Toyo, multinacional de origem japonesa que fornece soluções para as mais diversas tecnologias de impressão, como rotogravura, flexografia, offset seco (ou dry off set), offset úmido e impressão digital inkjet.

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Master RS 6003 imprime até 600 m/minuto por rotogravura

Soluções adequadas para Impressoras mais rápidas

Disponibilizando produtos que apresentam, entre outras características, maior velocidade de transferência, os fabricantes de tintas realmente vêm conseguindo oferecer soluções adequadas para a impressão em máquinas cada dia mais rápidas, confirma Carlos Hugo Caramelo Oliveira, gerente técnico-comercial da Antilhas, fabricante de embalagens que na produção de flexíveis utiliza processos flexográficos.

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Oliveira: feixe de elétrons reduz gasto de energia em 50%

“As máquinas estão puxando essa demanda que os fabricantes de tintas estão conseguindo acompanhar”, analisa.

Atentos também às necessidades da sustentabilidade, esses fornecedores de tintas, prossegue Oliveira, também disponibilizam soluções já projetadas para a posterior destintagem.

“Elas ainda têm algum impacto no custo, mas esse é um mercado que ainda está no início, e a evolução não ocorre de um dia para o outro”, comenta o profissional da Antilhas.

Ele ainda visualiza algumas dificuldades para utilização de tintas base água na impressão de plásticos flexíveis, especialmente quando considerados quesitos relacionados à produtividade, ancoragem e secagem.

“Mas na impressão em papel, a tinta base água já é uma realidade, não mais imprimimos papel com solvente”, destaca Oliveira.

A Antilhas, ele ressalta, começa a utilizar a tecnologia de electron-beam, por exemplo, em um stand up pouch desenvolvido para acondicionar um fertilizante orgânico da marca Organosolví.

“Essa tecnologia reduz o consumo de energia em até 50% em comparação ao consumo das estufas, e tem algo entre 90% e 95% menos de solvente”, compara Oliveira. “Mas exige tintas específicas e um equipamento também específico, que não é barato; mas é questão de ganho de escala para que essa tecnologia se torne mais acessível”, pondera Oliveira.

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Flexográfica Vision CI, da Bobst, pode rodar a 400 m por minuto

Também Fernando Vasconcelos, gerente comercial de materiais flexíveis da fabricante de impressoras Bobst, visualiza alguns desafios no processo de desenvolvimento de tintas à base d’água em plásticos. Para superá-los, ele afirma, a Bobst vem trabalhando em sistemas de secagem específicos, capazes de manter a qualidade da impressão e o desempenho das máquinas, juntamente com as barreiras e outras características indispensáveis às peças impressas.

Mas há também, destaca Vasconcelos, desenvolvimentos na própria tecnologia de uso das tintas: caso da tecnologia da gama extendida de cores ECG (Extended Color Gamut, na denominação original em inglês), que permite reproduzir parte significativa da escala Pantone por quadricromia sem necessidade de cores especiais.

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Vasconcelos: sistema dispensa uso de cores especiais

“Isso representa um grande avanço, minimizando perdas de acertos e trocas de unidades de tinta, entre outros benefícios”, argumenta o profissional da Bobst.

Todo o tripé composto por substrato, tinta e equipamento, enfatiza Vasconcelos, precisa estar equilibrado para garantir um processo estável.

“A grande demanda atual por substratos mais sustentáveis em termos de reciclabilidade e compostabilidade, por exemplo, só será viável se houver tintas apropriadas e equipamentos que reúnam os dois – substrato e tinta – e os convertam em embalagens”, finaliza.

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