Impressoras – Flexografia nacional entra na era das máquinas sem engrenagens e assegura mais precisão e qualidade

A indústria local de máquinas impressoras flexográficas e rotográficas deixou claro na Brasilplast que é possível produzir no País em sintonia com princípios e tecnologias sofisticados. Os equipamentos expostos primaram pela automação, segurança e ganharam velocidade de impressão, tudo isso para atender à ampla gama de pedidos diversificados e escalonados característicos dessas atividades.

Os recentes conceitos e recursos incorporados à nova geração de impressoras tornaram as máquinas mais eficientes, seguras, velozes e aptas a reproduzir com maior definição as imagens em todos os tipos de substratos plásticos, incluindo estruturas laminadas e co-extrudadas. Fabricado pela Flexopower, de Diadema-SP, e exibido ao público em nova versão, sem engrenagens, o modelo Beta CNC/SE/1200/8 exibiu alto nível de automação e imprimiu, na feira, à velocidade de 320 metros por minuto.

A estratégia da Flexopower, comum a outros grandes fabricantes, é atrair maior número de compradores exigentes e dedicados à produção em altos volumes, principalmente convertedores que pretendem buscar no exterior tecnologias para abastecer suas fábricas. Para convencer compradores com esse tipo de perfil, a flexografia nacional ingressou na era “sem engrenagens” e de altíssima velocidade, utilizando recursos avançados, a exemplo do equipamento exibido pela Flexopower.

Até ser concretizado, porém, o projeto da flexográfica Beta sem engrenagens consumiu dedicação técnica durante quatro anos. “Em 2003, na 9ª Brasilplast, apresentamos ao mercado a versão Beta com engrenagens, informando aos nossos compradores que havíamos iniciado o projeto da versão sem engrenagens, cujos componentes poderiam ser adaptados às máquinas que estavam sendo adquiridas naquele momento”, informou Ruy Mendes Vita, diretor-industrial da Flexopower.

Na época, ele recorda, poucos acreditaram, mas, quatro anos depois, a promessa cumprida surpreendeu a todos, principalmente os compradores das primeiras flexográficas da série Beta 8, predecessora da atual.  “Hoje, basta adquirir o kitgear-less e adaptá-lo à máquina”, afirmou Mendes. Para operar com esse equipamento de maior velocidade e alto nível de automação, o investimento, agora, está bem mais acessível, o que representa vantagem oferecida pelo fabricante ao comprador que adquiriu a Beta, no decorrer dos últimos quatro anos, sem risco de ser ultrapassada em curto período de tempo.

“Temos 25 impressoras da série Beta com engrenagens colocadas no mercado nacional e que agora podem ser transformadas em máquinas sem engrenagens”, diz Mendes, confiante na realização de novos negócios.

Concebida para operar sem engrenagens, a atual Beta oferece comando numérico computadorizado (CNC) e conta com servomotores para posicionamento de cada unidade de impressão, bem como softwareespecial para troca de serviços sem parada de máquina. Quatro motores propiciam ajustes automáticos da pressão de impressão, sendo substituídos todos os sistemas de engrenagem dos porta-clichês, dos cilindros anilox e da central por servomotores.

Além de operar sob alta velocidade, esse tipo de equipamento ainda propicia outra vantagem: operar com qualidade constante, sem variação nas impressões.

Plástico Moderno, Impressoras - Flexografia nacional entra na era das máquinas sem engrenagens e assegura mais precisão e qualidade
Vita ressalta o set-up de apenas meia hora na nova impressora

Segundo Mendes, a flexografia sem engrenagens mantém a qualidade ao longo do tempo. “Quando novas, as flexográficas com engrenagens apresentam boa qualidade de impressão, mas, com o passar dos anos, os desgastes que ocorrem nas engrenagens acabam interferindo na qualidade de registro das imagens”, constatou o diretor.

Para Mendes, outro benefício dos equipamentos sem engrenagens é a rapidez na realização dos set-ups, o que também representa menores custos de produção.  “Com máquinas sem engrenagens, oset-up consome de 30 a 35 minutos, contra uma hora, ou até uma hora e meia necessária no set-up das máquinas com engrenagens”, calculou.

Entre as possibilidades oferecidas pela nova impressora, o fabricante também destaca a viabilidade de se promover pequenas correções e ajustes para mais ou para menos, da ordem de 2%, no passo de impressão, aspecto muito importante principalmente para as indústrias que dispõem de linhas de empacotamento automático.

Contra emissões e explosões – Único fabricante nacional de impressoras rotográficas de banda larga, a Profama, de Mairiporã-SP, destacou na Brasilplast recursos de última geração, recentemente incorporados à sua linha de máquinas.
Graças à atualização contínua, as impressoras da série Prisma se encontram na sexta versão. Lançadas em 2002, a primeira inovação dessa série contemplou o sistema de insuflação e exaustão. Na segunda versão, foram remodelados os carros de troca rápida. Na terceira, o fabricante acrescentou aplicador de vernizes e selantes (cold-seal). A partir da quarta versão, o comprador se beneficiou ainda mais pela introdução no equipamento de eixo eletrônico, painel de comando e sistema de controle lógico programável (CLP). Na quinta versão, o equipamento teve renovado todo o sistema do desbobinador, simplificado o sistema de troca automática de bobinas, e ganhou troca rápida de correias.

O eixo eletrônico, também conhecido como “shaft less”, propicia maior precisão e menor tempo de set-up. Já a eficiência do sistema de secagem deve ser medida pela baixíssima taxa de retenção de solventes, enquanto outros recursos asseguram maior qualidade. Esse é o caso do rolo pressor do tipo camisa (sleeve), desbobinador e rebobinador com troca automática para bobinas, gerenciador por CLP, com memorização de trabalhos, e troca de serviços por meio de carro móvel intercambiável.

Plástico Moderno, Impressoras - Flexografia nacional entra na era das máquinas sem engrenagens e assegura mais precisão e qualidade
Vaz celebra diversas vendas efetuadas no mercado norte-americano

Na sexta versão, o fabricante contratou um especialista em sistemas de ventilação e exaustão para desenvolver novo projeto e remodelou integralmente esses sistemas, conseguindo otimizar a recirculação de ar na etapa de secagem, segundo Paulo Vaz, gerente de projetos e de produção da Profama.

Um dos modelos mais compactos fabricados pela empresa em exibição na feira foi comercializado para um convertedor norte-americano. Trata-se de rotográfica de banda estreita, para larguras de impressão até 600 mm, com unidade de impressão enclausurada por armação de vidro.

Esse sistema, obrigatório nos Estados Unidos,  prevê maior controle das emissões de vapores de solventes nos ambientes de trabalho e na atmosfera e está ajudando a comercializar por lá equipamentos nacionais configurados com esse diferencial. “Estamos vendendo vários equipamentos tanto de banda larga, com larguras de impressão até 1.600 mm, como de banda estreita para o mercado norte-americano, que requer vários componentes especiais, como o sistema de enclausuramento do tipocrown leaf”, informou Vaz.

Para servir de alavanca às vendas internacionais da empresa, que montou há três anos um escritório nos Estados Unidos, vários componentes das máquinas, como eixo eletrônico, camisas e extração de tinteiro através de cassete, aliam-se a outros, de concepção mais segura, que rendem aos equipamentos até classificação à prova de explosão (divisão 1, classe 1).

“Todos os componentes das máquinas de rotogravura devem ser intrinsecamente seguros”, considerou Vaz. Dentro dessa concepção, a empresa inclui motores elétricos assíncronos, botões, CLP, relés, entre outros.

Ao contrário do que costuma ocorrer em países do Primeiro Mundo, no Brasil, as máquinas de rotogravura à prova de explosão ainda não são suficientemente valorizadas, a despeito da importância desse tipo de tecnologia para a segurança das operações e dos usuários.

Plástico Moderno, Impressoras - Flexografia nacional entra na era das máquinas sem engrenagens e assegura mais precisão e qualidade
Vita ressalta o set-up de apenas meia hora na nova impressora

Competidores no páreo – Abolir engrenagens e começar a fabricar flexográficas operadas por servomotores também são os planos da Feva, de Cotia-SP, previstos para se concretizarem nos próximos meses. “Até o fim deste ano, pretendemos atender às expectativas do mercado, oferecendo máquinas com a tecnologia sem engrenagens, mas com um diferencial de custo/benefício bem mais atrativo”, informou Geraldo Constantino Júnior, gerente de exportação da Feva.

De acordo com Fernando Celso Bueno, diretor-comercial da Feva, a empresa está familiarizada com a tecnologia gear-less desde 2002, quando firmou parceria com a Paper Converting Machine Company, a PCMC, fabricante norte-americana de flexográficas.

“Chegamos a produzir, durante mais de três anos, 28 equipamentos gear-less, com oito e dez cores, todos exportados pela PCMC para os Estados Unidos e Austrália, principalmente.”

Encerrada em 2005, a parceria com a PCMC passou a despertar o interesse na construção de maquinários próprios com o novo conceito e, assim, a Feva iniciou o projeto nacional que deverá culminar com o lançamento da flexográfica Global Flex sem engrenagens, até o fim de 2007.
“Nosso novo projeto dará prioridade à economia e pretendemos oferecer o equipamento a preço intermediário entre os sistemas com engrenagens e sem engrenagens oferecidos atualmente. Isso porque o mercado brasileiro valoriza muito o custo/benefício para decidir a compra de máquinas”, considerou Constantino.

O projeto da Global Flex sem engrenagens, que deve empregar componentes nacionais e importados, prevê velocidades de 300 metros por minuto e larguras de impressão desde 800 mm até 1.400 mm.

Automação aumenta – Tradicional no segmento de extrusoras e atuante no mercado de flexográficas desde 2000, a Carnevalli também promete entrar nessa disputa pelo filão de mercado das gear-less e prevê lançar até o fim deste ano sua primeira flexográfica sem engrenagens.

“Estamos com o projeto de engenharia praticamente pronto, só falta firmar algumas parcerias, e pretendemos apresentá-lo ao mercado até o fim de 2007, com um diferencial altamente competitivo em preço”, informou Odair Cardoso, gerente dessa área na Carnevalli.

O foco da Brasilplast, no entanto, foram os novos recursos da flexográfica Amazon High Tech. Na feira, foi exibida em operação a segunda versão da linha lançada em 2005, com engrenagens, mas provida de maior nível de automação, propiciando encurtar o tempo dos set-ups, entre outros benefícios.

Com CLP integrado, essa máquina possibilita controlar em tela touch screen todas as funções de movimentação dos conjuntos impressores e das etapas de secagem, promove o bobinamento e o desbobinamento com troca automática de bobinas, e também possui sistema para troca de camisas “on board”, mandril porta-sleeve e cilindro anilox cerâmico gravado a laser.

Segundo Cardoso, outro diferencial na Amazon High Tech diz respeito à precisão da máquina, pois todos os movimentos dos grupos impressores são realizados por meio de servomotores aplicados em fundos de esfera e guias lineares. “Com esses recursos, o equipamento alcança velocidades de até 300 metros por minuto e opera com sistema automático de troca de bobinas, sem parada para a troca de serviço, envolvendo a impressão de oito cores. Permite realizar set-ups em apenas uma hora e meia, com ganho de mais de seis horas de trabalho, considerando que num equipamento convencional o set-up teria duração de oito horas”, destacou Cardoso.

Plástico Moderno, Impressoras - Flexografia nacional entra na era das máquinas sem engrenagens e assegura mais precisão e qualidade
Velocidade mecânica da Exacta 100 chega a 300 m/min

De acordo com ele, a atual flexográfica Amazon High Tech foi toda remodelada e automatizada para oferecer ao mercado precisão, qualidade e preço. Cardoso acredita que a impressora irá ocupar espaço entre as flexográficas básicas e os equipamentos mais sofisticados. A empresa vendeu quatro unidades e tem outras quatro encomendadas, uma delas para empresa no exterior.

Qualidade com engrenagens – A qualidade da impressão em seis cores sob estruturas laminadas, propiciada pela Exacta 1000, flexográfica com engrenagens, também chamou a atenção do visitante dessa Brasilplast.

Fabricada pela Colorflex, de Bauru-SP, a máquina pode atender larguras de impressão desde 800 mm até 2.000 mm e alcançar velocidade mecânica até 300 metros por minuto. “Nosso equipamento está muito bem cotado em qualidade e incorporou várias novidades tecnológicas, como vídeoscan automático para leitura e checagem em tempo real da qualidade de impressão, alinhador de entrada e saída e avanço simultâneo motorizado”, informou José Vieira Alves, um dos diretores da Colorflex.

Além dos recursos mais recentes, máquinas desse modelo, construídas com tambor central no diâmetro de 1.200 mm, contam com estruturas reforçadas na estação de impressão fundida, de 80 mm, e na estação de desbobinamento e rebobinamento em chapas de aço, além de cilindros anilox gravados a laser e doctor bladeencapsulado.

Plástico Moderno, Impressoras - Flexografia nacional entra na era das máquinas sem engrenagens e assegura mais precisão e qualidade
lves: equipamento incorpora várias novidades tecnológicas

Novidades da Itália – Os executivos do grupo italiano Cerutti, considerado líder mundial em rotogravura, e representado no Brasil pela Coras, compareceram à feira para divulgar seu lançamento global. A visita dos diretores Mauro Coscia, responsável pelas vendas para a América Latina da Officine Meccaniche Giovanni Cerutti e Adriano Canette, diretor-proprietário da Flexotécnica, empresa do grupo dedicada à produção de flexográficas foi motivada pela missão de convidar empresários brasileiros a participar da open-house a ser realizada na sede do grupo Cerutti, em Casale Monferrato, província próxima a Milão, no fim do mês de maio, por ocasião do lançamento global da rotogravura modelo 980.“O novo modelo 980 foi desenvolvido especificamente para o mercado de embalagens e resultou de projeto concebido para minimizar as perdas de materiais e elevar as produções, viabilizando velocidades de impressão mais altas, de 350 metros por minuto, e trocas de trabalho igualmente mais rápidas, por tratar-se de máquina com elevadíssimo nível de eletrônica, totalmente automatizada e provida de eixos elétricos”, resumiu o diretor Mauro Coscia.

Segundo acrescentou Gustavo A. Virginillo, diretor da Coras, com o novomodelo é possível realizar setups em vinte minutos.

Plástico Moderno, Impressoras - Flexografia nacional entra na era das máquinas sem engrenagens e assegura mais precisão e qualidade
Virginillo: novo modelo faz o set-up em vinte minutos

Outros diferenciais importantes estariam na concepção das estufas de secagem, projetadas com alto grau de recirculação de ar, e também nos comandos integrados, abrangendo controle de registro da impressão, supervisão da produção, controle sobre a curva de velocidade, entre outros, simplificando ao máximo todas as operações.Com parque fabril voltado à produção de flexográficas desde 1980, a Flexotécnica, do grupo Cerutti, divulgou na Brasilplast a nova impressora Chronos. Lançada no mercado europeu em 2006, o equipamento, projetado para atender larguras de impressão desde 800 mm até 1.270 mm, alcança velocidades até 350 metros por minuto.

Entre outros diferenciais, a Chronos foi preparada para operar também com tintas à base de água, além de tintas à base de solvente, graças ao novo sistema de secagem. Em versões de oito e dez cores, esse equipamento, projetado com tambor central, propicia trocas automáticas de bobinas, set-ups em trinta minutos, cilindros anilox e porta-clichês com camisas intercambiáveis, podendo ser instalado em espaços reduzidos devido à sua concepção mais compacta.

Fora da feira – O grupo Cerutti não foi o único a convidar interessados durante a Brasilplast a assistir à demonstração da nova impressora Acess 8 gear-less. A Flexo Tech também compartilhou da mesma iniciativa e estava promovendo a ida até Campo Magro, no Paraná, de um grupo de empresários, dez brasileiros e quatro vindos do exterior.

Segundo Elaine Cristina Kisner, coordenadora de marketing da Flexo Tech, a Acess 8 cores se diferencia pelo alto grau tecnológico, pela incorporação de servomotores para acionamento e sistema CNC no posicionamento dos cilindros, incluindo camisas nos cilindros anilox e porta-clichês.

“As principais vantagens em relação às máquinas convencionais são a maior qualidade e velocidade de impressão, redução no tempo de set-up, e armazenamento de dados de trabalho logo após o término da impressão de um pedido”, considerou.

Disponível em larguras de 800 mm até 1.400 mm, e com perímetro de impressão desde 300 mm até 800 mm, o equipamento alcança velocidades até 300 metros por minuto. “A estrutura do grupo impressor é fechada e, em ferro fundido, também garante maior rigidez e estabilidade ao equipamento”, ressaltou Elaine.

Como opcionais, estão disponíveis sistema de troca automática de bobinas no desbobinamento e no rebobinamento, sistema de controle automático de viscosidade das tintas, sistema de gerenciamento de impressão (BST Premius Digital), que gerencia a impressão em tempo integral e detecta defeitos, como respingo de tintas, variação de cores, falhas de registro, entre outros. O fabricante também oferece, como opcional, sistema de limpeza e lavagem automática dos circuitos das tintas. “A principal tarefa desse sistema é impulsionar a tinta de impressão à câmara doctor blade, uma vez finalizada a impressão, e drenar a tinta da câmara e das mangueiras, efetuando a limpeza somente com o acionamento de um botão, conseguindo-se, dessa forma, uma limpeza rápida, eficiente e com menor consumo de solventes”, destacou Elaine.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios