Impressoras: Evolução na qualidade aumenta competitividade

Evolução na qualidade aumenta competitividade da flexografia contra a rotogravura

Custo inferior e acentuada evolução na qualidade abrem à flexografia maiores possibilidades de realizar serviços de impressão em plásticos flexíveis antes usuários da rotogravura que, por sinal, apregoa desenvolvimentos capazes de fortalecê-la nessa disputa.

Tecnologias distintas se confrontam acirradamente também na impressão de peças plásticas rígidas, com relatos de uso do hot stamping em aplicações antes destinadas à tampografia, e da impressão a laser indo além dos códigos de barras e das datas de validade em embalagens.

A flexografia, animada pela “grande evolução” de qualidade, em tiragens médias hoje disputa espaço com a rotogravura, observa Fernando Vasconcelos, gerente regional de vendas da Divisão Flexíveis da Bobst (multinacional de origem suíça que produz equipamentos para esses dois sistemas de impressão, e no Brasil tem fábrica em Itatiba-SP).

“Mas à medida que as tiragens crescem, a rotogravura passa a apresentar vantagens de processo, pois na flexografia a equalização da qualidade também eleva os custos, por exemplo, pela necessidade de aumentar a lineatura do clichê, enquanto na rotogravura os parâmetros de qualidade são mais usuais e comuns”, ressalta Vasconcelos.

A Bobst oferece equipamentos para os três segmentos da flexografia: banda estreita, normalmente entre 300 e 520 mm de largura, para rótulos e etiquetas autoadesivas; banda média, entre 520 e 700 mm; banda larga, acima de 700 mm, podendo chegar a 1.400 mm de largura, para embalagens flexíveis, cartonadas e papéis.

Fornece também impressoras de rotogravura em banda média e larga, e soluções para impressão digital na linha Bobst Mouvent.

Em plásticos, ressalta o profissional da Bobst, a impressão digital ainda é utilizada principalmente em rótulos e etiquetas autoadesivas.

Impressoras: Evolução na qualidade aumenta competitividade ©QD Foto: Divulgação
Vasconcelos: rotogravura segue imbatível nas altas tiragens

“Já temos a tecnologia para a impressão digital para as embalagens flexíveis; mas ela ainda precisa evoluir em alguns quesitos, relacionados especialmente às etapas posteriores à impressão, como a laminação e adequação das tintas”, explica.

“E a impressão digital ainda é cara para grandes tiragens de embalagens”, ressalta Vasconcelos, entendendo como “grandes tiragens” aquelas acima de 40 mil metros lineares, enquanto tiragens curtas e médias teriam, respectivamente, até 15 mil metros e de 15 mil a 40 mil metros lineares.

Ariston Galli, gerente comercial da Comexi, é mais incisivo quando compara a possibilidade de utilização da flexografia como substituta da rotogravura:

“Nas tiragens atualmente demandadas pelo mercado não há mais por que pensar em rotogravura”, enfatiza.

Impressoras: Evolução na qualidade aumenta competitividade ©QD Foto: Divulgação
Galli: houve evolução também nos componentes de flexografia

“Em tiragens muito grandes, na casa de centenas de milhares de metros lineares, a rotogravura até pode ser mais interessante; mas essas tiragens não são mais usuais”, acrescenta Galli, ressaltando que a Comexi tinha uma unidade de máquinas de rotogravura, mas a desativou há alguns anos.

Por sua vez, a flexografia evoluiu em muitas vertentes: obviamente, nas próprias máquinas, hoje dotadas de recursos que incrementam bastante a qualidade do serviço, como controles de pressão de impressão, de tensionamento do material e de quantidade de tinta aplicada, entre outros (além de um controle de registro mais preciso que o da rotogravura).

“Evoluíram também componentes como os clichês, o anilox – responsável por transferir a tinta para o clichê –, e as tintas”, acrescenta o profissional da Comexi, multinacional de origem espanhola que produz seus equipamentos na fábrica instalada em Montenegro-RS.

Sem engrenagens – A evolução da qualidade da flexografia ocorre com o predominância, nesse mercado, das impressoras tipo gearless: máquinas sem engrenagens, acionadas por servomotores, até não muito tempo tidas como caras para a realidade brasileira, mas que se tornaram hegemônicas nos portfólios dos grandes fabricantes.

“Ainda há alguns produtores de máquinas engrenadas, porém de menor porte, atendendo basicamente a quem também imprime pequenas tiragens”, diz Galli.

E, assim como a Comexi, também a fabricante nacional Flexopower produz apenas flexográficas gearless:

Impressoras: Evolução na qualidade aumenta competitividade ©QD Foto: Divulgação
Figueiredo: flexografia reduz tempo de troca de serviços

“Nelas, um bom tempo de set up é de cerca de 40 minutos; na máquina com engrenagens ele pode durar mais de duas horas”, compara Saulo Henrique Figueiredo, engenheiro de projetos da empresa, sediada em Diadema-SP.

“Ainda há uma diferença considerável de preços entre elas, mas metade de nossas vendas hoje acontecem com clientes que migram das máquinas engrenadas para as gearless”, acrescenta.

A evolução da flexografia, ressalta Figueiredo, manifestou-se não apenas na qualidade, mas também em quesitos como tempo de troca de serviços, reduzido com recursos como lavagem automática dos módulos de impressão, sistemas de medição de viscosidade automática em linha e de controle de temperatura de tinta, ajuste automático da pressão de impressão, entre outras.

Nas flexográficas da Flexopower, a lavagem automática dos módulos de impressão já é oferecida como padrão, assim como um sistema de inspeção por vídeo que auxilia no registro de cores durante a configuração, e permite ao operador controlar a qualidade e verificar possíveis problemas durante o processo.

Como opcional, a empresa disponibiliza uma tecnologia que combina vídeo e padrões pré-programados para alertar caso ocorra algum problema (informando inclusive em que ponto da bobina ele acontece).

Também Rafael Costa, gerente de produto Gallus da Heidelberg, vincula a evolução da qualidade da flexografia e de sua competitividade frente à rotogravura a um arsenal de recursos automatizados de controle.

Nos equipamentos Gallus – linha de impressoras flexográficas da empresa –, entre outros itens, isso inclui controle do sistema de motor, controle de pressão e tensão do material, câmeras HD para controle de registro, sistemas automáticos de registro; e refrigeração dos cilindros para que eles não danifiquem o material.

Esses recursos, pondera o profissional da Heidelberg, além de incrementar a qualidade da impressão flexográfica permitem seu controle muito preciso, da primeira à última peça, tanto em tiragens baixas quanto em altas.

“Assim como aconteceu com o offset, a rotogravura sofreu com a redução das tiragens médias e passou a ser demandada basicamente para tiragens muito altas”, observa Costa.

Melhorando para competir – Evolui, porém, também a rotogravura, ressalta Vasconcelos, da Bobst, destacando que sua empresa oferece esse sistema com a tecnologia da ‘gama expandida de cores’, que permite obter entre 85% e 90% da escala Pantone a partir de limitado número de cores básicas.

Normalmente, observa Vasconcelos, para obter toda a escala Pantone, quem imprime em rotogravura mantém centenas de tintas, com códigos diferentes de cores: a tecnologia da gama expandida reduz esse acervo para sete códigos básicos, mais algumas cores adicionais, minimizando enormemente os custos com aquisição e gestão dos ativos de cores.

“Ela também reduz bastante o tempo de ajuste das máquinas, pois não é preciso ficar limpando unidades de impressão para retirar tintas e colocar outras novas, pois as tintas utilizadas são basicamente as mesmas”, destaca.

Várias empresas, no Brasil, inclusive, já utilizam “com ótimos resultados”, a tecnologia da gama expandida no segmento da flexografia, diz o profissional da Bobst. Mas na rotogravura essa utilização era mais difícil, pois nela a precisão do registro de cores é um pouco inferior à da flexografia.

“Superamos essa dificuldade e lançamos há cerca de três anos a gama expandida também para a rotogravura; ela já está sendo bastante utilizada em outros países, especialmente os europeus”, afirma.

A Heidelberg também fornece equipamentos para impressão em rotogravura, porém não de forma individualizada, mas nos equipamentos de sua linha Gallus RCS, que a empresa denomina ‘híbridos’, pois oferecem as mais diversas tecnologias de impressão em plásticos: rotogravura, flexografia, hot stamping, serigrafia, impressão digital, cold foil, laminação, entre outras.

São equipamentos modulares que, caso ofereçam rotogravura, terão um castelo específico para essa tecnologia, com o mesmo cilindro gravado em diamante utilizado na rotogravura convencional; caso tenham serigrafia, um conjunto para a matriz serigráfica; e assim por diante.

“Atrelada ao aumento de tecnologia e qualidade, a crescente demanda por médias tiragens torna esse equipamento muito valorizado no mercado”, destaca.

Sustentabilidade e negócios – Tecnologias para aprofundar a sustentabilidade da impressão em plásticos também estão sendo desenvolvidas pelos fornecedores dos equipamentos utilizados nessa tarefa.

É o caso da Bobst, que hoje disponibiliza soluções de metalização e laminação capazes, diz Vasconcelos, de conferir maiores propriedades de barreira a estruturas monomateriais de polietileno, permitindo utilizar apenas essa resina, em vez de usar estruturas metalizadas de PE com poliéster, ou com PP, hoje presentes em diversas aplicações.

Pode-se até usar essa tecnologia, prossegue o profissional da Bobst, para em alguns casos substituir embalagens multimateriais e multicamadas por embalagens com uma única camada de PE (eventualmente mais espessa que as embalagens laminadas).

“Ou seja: uma embalagem não apenas monomaterial, mas também monocamada, mantendo tanto a barreira quanto as características de selagem”, enfatiza.

A Bobst, relata Vasconcelos, registrou este ano no mercado brasileiro um “bom desempenho” nos segmentos de rotogravura, laminação e flexografia.

“No segmento da impressão digital, há um potencial grande e crescente, mas nele hoje focamos principalmente as etiquetas autoadesivas”, destaca.

Galli, da Comexi, relata um mercado aquecido no início do ano, cuja demanda foi arrefecendo com a aproximação das eleições, consumando-se então uma conjuntura “aquém da esperada”, embora não totalmente parada.

Também na Comexi, o portfólio já inclui soluções capazes de conferir maior sustentabilidade às aplicações impressas.

“Em volume ainda pequeno, máquinas nossas, inclusive no Brasil, já imprimem com tintas base água”, relata Galli.

Nas máquinas da Heidelberg, observa Costa, recursos como o controle automático do registro reduzem muito o desperdício de tintas, conferindo maior sustentabilidade à impressão. “E temos máquinas com zero emissão de CO2”, afirma.

A Heidelberg produz também máquinas offset, hoje muito mais empregadas em embalagens rígidas de cartão e em projetos editoriais e promocionais, mas também, ressalta Costa, utilizadas em algumas peças plásticas, como materiais de ponto de venda. E a linha Label Fire 340 tem máquinas de impressão 100% digitais.

Antes focada em baixas tiragens, a impressão digital, relata Costa, vem crescendo bastante, até por proporcionar a personalização, e aprimorar características de outras tecnologias.

“Em nossas máquinas, a versão digital da serigrafia, por exemplo, permite controlar brilho e relevo distintos em vários pontos de um rótulo. A serigrafia tradicional já proporcionava controle maior dessas características, mas a tecnologia digital aprimorou-as”, diz.

“Hoje se utiliza impressão digital não apenas para etiquetas, mas para uma vasta gama de formatos, de um simples cartão a filmes de BOPP”, acrescenta.

A Flexopower lançou a linha de impressoras flexográficas Zeta 8, de máquinas gearless de 8 cores, mais adequadas a tiragens pequenas e médias: de 20 mil a 30 mil metros linerares, aproximadamente.

Impressoras: Evolução na qualidade aumenta competitividade ©QD Foto: Divulgação
Impressora Beta 8, da Flexpower, pode imprimir em 10 cores

Seu intervalo de formatos de impressão, entre 300 e 800 mm, é inferior ao da outra linha da empresa, a Beta 8, cujo intervalo varia entre 400 e 1.100 mm, e que atende a tiragens maiores, podendo ser configurada para imprimir em até 10 cores.

“Essa linha é hoje utilizada em embalagens de rações animais, alimentos, produtos de limpeza, higiene, entre outras aplicações”, destaca Figueiredo.

A empresa também vem investindo bastante na conectividade dos equipamentos, para a qual disponibiliza a plataforma Flexopower IoT.

“Ela coleta, armazena na nuvem e disponibiliza em tempo real informações como velocidade de impressão, temperaturas e pressões diversas, consumo de energia, vida útil de rolamentos, entre outras, permitindo a gestão online desses parâmetros”, ressalta Figueiredo.

Leia Mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios