Impressão 3D – Potencial de mercado é grande no país

Mas uso da tecnologia avança menos que no exterior

A atividade de manufatura aditiva, também conhecida como impressão 3D, apresenta forte potencial de crescimento.

De acordo com estudo publicado pela Markets and Markets, empresa global de pesquisa e consultoria de mercado, o volume de recursos movimentado pela atividade em todo o mundo deve crescer de US$ 12,6 bilhões em 2021 para US$ 34,8 bilhões em 2026.

O ritmo anual da evolução previsto no período é de 22,5%.

No Brasil, faltam estatísticas sobre a atividade.

Profissionais que trabalham no ramo atestam a evolução do mercado, mas acreditam que o ritmo de crescimento por aqui é mais tímido.

As dificuldades vividas pela economia em paralelo aos desdobramentos da pandemia têm prejudicado os investimentos.

Pelas vantagens que o processo apresenta em várias aplicações, no entanto, todos acreditam em dias mais promissores nos próximos anos.

As primeiras experiências com impressoras 3D se deram na década de 80, mas a popularização do método passou a ganhar grande fôlego no século XXI.

Os primeiros equipamentos utilizados eram muito caros e apresentavam desempenho distante do mostrado hoje.

A tecnologia avançou e os preços se tornaram mais acessíveis.

As facilidades proporcionadas pelo método de transformação hoje chamam a atenção de indústrias de quase todos os segmentos econômicos, em especial das que usam tecnologia avançada, caso das indústrias aeronáutica e automobilística, de produtos médicos e outras.

Breve histórico – A manufatura aditiva é um processo de transformação que cria objetos tridimensionais a partir de um modelo digital obtido pelo uso de softwares de design.

As peças são fabricadas pela adição de sucessivas camadas de material, uma sobre a outra. Uma de suas características é não desperdiçar material, pois só é adicionado o necessário para criar a peça.

No início, as impressoras 3D eram bastante utilizadas no desenvolvimento de protótipos de peças, onde se mostram muito vantajosas em relação às técnicas usadas anteriormente.

Essa aplicação é bastante difundida até hoje, pois agiliza de forma significativa o processo de lançamento de produtos, além de colaborar com a agilidade e precisão dos projetos dos moldes a serem usados para a fabricação de tais produtos.

Ela é apontada como principal motivo dos investimentos de empresas brasileiras na técnica.

Outros usos do processo ganham força.

Com o avanço da indústria 4.0, cresceu a oferta de artigos personalizados e a versatilidade proporcionada pela impressão 3D surge como alternativa para lá de estratégica em várias oportunidades.

Um uso especial ocorre no caso da fabricação de próteses, feitas sob medida conforme as necessidades dos usuários.

Peças de reposição de automóveis ou outros aparelhos que saíram de linha há algum tempo podem ser obtidas facilmente em questão de horas, sem a necessidade de fornecedores investirem em estoques.

Também existem modelos de impressoras rápidas e precisas que fabricam lotes de milhares de peças e concorrem com equipamentos voltados para outros meios de transformação, em especial com a moldagem por injeção.

Seleção – Existem vários fabricantes de impressoras 3D mundo afora, que oferecem máquinas dotadas com diferentes tecnologias e preços que variam de poucos a centenas de milhares de reais.

“A seleção do equipamento deve ser pensada a partir da aplicação, do objetivo desejado pelo projeto da empresa”, explica Vitor Hugo Jacob, proprietário da LWT, um dos representantes no Brasil da fabricante Stratasys, multinacional norte-americana que se apresenta como pioneira e líder mundial na venda de impressoras 3D. Para o empresário, o fator custo/benefício é primordial.

“Quando bem aplicado, o retorno do capital é muito mais rápido”.

Jacob explica que o mercado brasileiro de impressoras 3D ainda tem muito a evoluir.

“Durante a pandemia, muitas empresas não tinham condições de pensar em inovação, estavam mais preocupadas com a sobrevivência”.

Ele lembra que o total investido no Brasil e na América Latina ainda é muito pequeno perto do aplicado nos países desenvolvidos.

“O que se vende em toda a América Latina é menos do que o vendido pela empresa que ocupa a quinta posição no mercado dos Estados Unidos”.

Uma prática comum por aqui é a da prestação de serviços de impressão, oferecida por empresas especializadas, entre as quais se encontram várias clientes da LWT.

A prática dá opção para empresas usarem a tecnologia sem adquirir equipamentos.

A Stratasys possui em seu portfólio vários modelos oferecidos a partir de cinco diferentes tecnologias, que trabalham com os mais diversos materiais oferecidos em filamentos ou pós.

“As duas tecnologias de longe as mais procuradas são a FDM e a Polyjet”.

O sistema FDM prevê a construção das peças camada por camada, da parte mais baixa até o topo, a partir do aquecimento e extrusão de filamentos termoplásticos.

A tecnologia PolyJet trabalha de forma similar a uma impressão tradicional.

Ao invés de injetar tinta no papel, coloca fotopolímeros líquidos em uma bandeja onde cada gota é curada sob luz ultravioleta.

Uma terceira opção se concentra nas impressoras SLA, que operam a partir da estereolitografia.

Essa foi a primeira tecnologia 3D do mundo e ainda é ótima opção para protótipos muito detalhados, que exigem altas tolerâncias e superfícies lisas.

O processo utiliza um recipiente de fotopolímeros líquidos de resinas especiais que se solidificam quando em exposição a um raio laser ultravioleta.

A técnica P3 é uma combinação de várias etapas programáveis e rigidamente controladas no processo de impressão.

De acordo com a empresa, ela permite precisão, consistência e isotropia excepcionais nas peças, que podem contar com detalhes de menos de 50 micrômetros e serem feitas em materiais de alta precisão.

Apresentam ótimo acabamento sem a necessidade de procedimentos secundários.

A quinta técnica disponível é a SAF, que processa materiais em pó com elevada velocidade e consistência.

De acordo com a Stratasys, por sua precisão e repetibilidade o processo é ideal para produções de alto volume, nas quais chega a competir com o processo de injeção em determinadas situações.

“Esse é um processo de impressão muito incipiente no Brasil, talvez ainda demore alguns anos para que o seu mercado seja desenvolvido”.

Alta produção – A HP, empresa norte-americana com forte participação no mercado de impressoras 2D, entrou no mercado de impressão 3D em 2017, com o lançamento nos Estados Unidos de um modelo na época pioneiro.

Não se tratava de equipamento para uso em escritórios ou para a construção de protótipos e sim voltado para a manufatura digital de grandes volumes de peças.

Hoje, no mercado, são encontradas impressoras com características similares, caso das com tecnologia SAF oferecidas pela Stratasys.

As vendas dessas máquinas no Brasil se iniciou em 2019 por meio de acordo firmado com a empresa brasileira SKA, até hoje representante exclusiva dos modelos 3D da HP.

“A adesão da tecnologia tem sido grande, principalmente por empresas com foco em inovação em design de peças, digitalização de processos e otimização de estoques”, informa Micael Mota, especialista em manufatura aditiva da SKA.

De acordo com Mota, as aplicações têm crescido a cada ano, principalmente quando envolve customização, personalização, liberdade de design e produção de alguns milhares de peças e produtos.

Entre exemplos dessas aplicações ele cita a fabricação de óculos, próteses, palmilhas e componentes para veículos elétricos, entre outros itens.

Por aqui são oferecidos os modelos com a tecnologia HP Multi Jet Fusion das séries 4200 e 5200.

Entre os materiais disponíveis para a produção das peças estão polipropileno, poliamidas, TPU e outros.

“Para desenvolver os materiais a HP tem parceria de pesquisa e desenvolvimento com as principais empresas da indústria química como Basf, Lubrizol, Evonik e outras”.

De acordo com a empresa, conforme o caso, os equipamentos oferecem vantagens competitivas importantes em relação à injeção na fabricação de lotes de até cem mil peças.

Esse número pode crescer caso no futuro se reduza a relação de preço entre a matéria-prima usada na impressão e a usada nas injetoras.

A justificativa é de, apesar da confecção das peças por meio da injeção ser mais rápida, ela só começa depois das etapas de projeto e construção dos moldes, que exigem tempo e elevado investimento.

Na impressora, basta ter o desenho da peça para começar a imprimi-la de maneira imediata.

Ainda de acordo com a empresa, o design da peça pode ser aperfeiçoado de modo a economizar matéria-prima sem comprometer seu desempenho, o que nem sempre é possível fazer utilizando o processo de injeção.

Também é possível obter peças com formato complexo em uma única operação.

No caso da injeção, isso nem sempre ocorre, em alguns casos as peças precisam ser fabricadas em duas ou mais etapas e depois montadas.

Acordo recente – No final do ano passado a empresa nacional Simco, distribuidora de máquinas para manufatura, firmou acordo e passou a ser representante no Brasil da Kings, fabricante chinesa de impressoras 3D.

Impressão 3D - Potencial de mercado é grande no país ©QD Foto: Divulgação “É uma marca com altíssima tecnologia e bastante conhecida fora do Brasil. Queremos crescer com ela nesse mercado”, informa Ralf Dippold, diretor da Simco.

Além de comercializar as máquinas, a empresa também presta serviço de produção de peças para empresas desinteressadas em adquirir o equipamento.

As impressoras Kings atuam pelo processo de estereolitografia e conta com linha formada por modelos que permitem a produção de peças de vários tamanhos.

O modelo de maior porte pode ser usado para a produção de itens com até 2,7 metros de comprimento, como painéis ou para-choques automotivos.

Elas trabalham com vários tipos de materiais, inclusive resinas que simulam borrachas.

Apesar de ser uma novidade entre as linhas de máquinas oferecidas pela Simco, o diretor se encontra satisfeito com a procura dos clientes.

“Temos tido vários pedidos de cotações e notado muito interesse pela prestação de serviços de impressão 3D”.

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