Impressão 3D: Oferta de resinas cresce nas commodities e especialidades

No caso do uso industrial da impressão 3D, tão importante quanto a evolução das impressoras tem sido o forte investimento feito por gigantes do setor químico na pesquisa e desenvolvimento de novas formulações dos materiais usados para produzir as peças – os polímeros são de longe os mais utilizados, embora também existam aplicações com materiais metálicos e cerâmicos.

Hoje são disponibilizados grades de commodities, plásticos de engenharia, plásticos especiais e compósitos indicados para aplicações as mais distintas.

Além da procura pela diversificação dos produtos oferecidos, outro desafio é o de oferecer resinas a preços cada vez mais competitivos, uma vez que as hoje disponíveis ainda se encontram com valor bastante superior ao das resinas similares usadas em outros meios de transformação.

“Até pouco tempo, as impressões eram feitas em sua grande maioria em PLA, ABS e PETG. Hoje, apenas em nosso portfólio, contamos com 25 opções de materiais”, explica Bruno Oliveira, coordenador de negócios da Additiva, revendedora exclusiva no Brasil de materiais para manufatura aditiva fabricados pela Basf.

Os carros chefes das vendas são os filamentos, fabricados com bases de ABS, PLA, ASA, HIPS, poliamidas, PA-HT, PET, polipropileno e TPU. “A seleção correta do material é muito importante, evita decepções dos clientes com seus projetos”.

Oliveira destaca a linha de filamentos feita a partir de compósitos.

Impressão 3D: Oferta de resinas cresce nas commodities e especialidades ©QD Foto: Divulgação
Bruno Oliveira, coordenador de negócios da Additiva

“Com os compósitos conseguimos materiais com excelentes propriedades mecânicas, químicas, térmicas e elétricas que não são possíveis de obter com o uso de resinas isoladas. Com esses materiais podemos substituir os metais em várias aplicações”.

Ao todo, são oferecidos cinco filamentos pela empresa, os de PA6 com 30% de fibra de vidro, PC com 30% de fibra de vidro, PA com 15% de fibra de carbono, PET com 15% de fibra de carbono e PP com 30% de fibra de vidro.

Outros produtos ressaltados são as dos filamentos flexíveis, obtidos a partir do uso do PPU e PPS e oferecidos com diferentes índices de dureza.

“Eles são indicados para a fabricação de peças como solados de calçados, gabaritos, peças que operam em regime de alto impacto ou que exijam boa aderência”, exemplifica.

Os filamentos obtidos a partir da blenda PC/ABS com propriedades retardantes de chama são apropriados para peças que trabalham em regimes de impactos elevados e altas temperaturas.

Impressão 3D: Oferta de resinas cresce nas commodities e especialidades ©QD Foto: Divulgação
Filamentos são vendidos na forma de bobinas

 

“Eles apresentam desempenho diferenciado e são bastante procurados pelas indústrias automotiva e aeroespacial, entre outras”.

Made in Brazil – A brasileira Braskem é outra gigante da indústria química de olho nesse mercado.

“A impressão 3D está se tornando cada vez mais relevante pela perspectiva de crescimento desse mercado. Trata-se de uma tecnologia com forte apelo de inovação, que impulsiona o desenvolvimento de soluções, relevante no contexto de indústria 4.0 e nos aspectos de sustentabilidade”, resume Fabio Lamon, diretor de desenvolvimento de produtos e materiais avançados.

Impressão 3D: Oferta de resinas cresce nas commodities e especialidades ©QD Foto: Divulgação
Bonecos da Printgreen demonstram capacidade de reproduzir detalhes

Ele acrescenta que por se tratar de um processo de manufatura totalmente descentralizada, minimiza perdas e descarte de materiais, além de impactos logísticos.

A empresa lançou em 2020 um portfólio de produtos para essa técnica composto por filamentos, pós e pellets obtidos a partir do polipropileno.

De acordo com Lamon, eles apresentam resistência ao impacto, proporcionam estabilidade dimensional e peças duráveis, além de contar com densidade intrínseca mais baixa do que outros tipos de plásticos.

“Nossa linha de produtos possui a mesma reciclabilidade que as resinas termoplásticas produzidas por nós e utilizadas em outros processos de transformação”.

Recentemente a Braskem firmou uma parceria para a distribuição de filamentos para impressão com a 3DCriar, empresa criada em fevereiro de 2015 no Centro de Inovação e Tecnologia da USP e que tem como objetivo comercializar equipamentos e produtos e fomentar a aplicação da manufatura aditiva por meio da produção de conteúdo, educação e treinamento.

“Nosso foco é consolidar um elo com a startup para levar soluções cada vez mais robustas para diversos segmentos da indústria”.

Reciclados – A Printgreen 3D, empresa criada há cinco anos a partir de uma startup, é pioneira no Brasil na fabricação de materiais para manufatura aditiva obtidos a partir de reciclados.

A empresa comercializa há algum tempo filamentos de ABS e promete, até o próximo mês de julho, lançar filamentos de PLA e PET. A procura pelos produtos da empresa tem sido compensadora e já alcançou empresas de grande porte.

Impressão 3D: Oferta de resinas cresce nas commodities e especialidades ©QD Foto: Divulgação
Willian Toledo Lima, sócio fundador da Printgreen 3D

“A pandemia prejudicou o desenvolvimento do mercado, mas acredito que em 2022 deve se iniciar a retomada”, informa Willian Toledo Lima, sócio fundador.

Lima diz que os produtos da empresa recuperam as características do plástico e são livres de contaminações. “O filamento tem as características do material virgem”. No caso do ABS, a empresa obtém material a partir de carcaças de eletrodomésticos, peças de automóveis, resíduos de impressão 3D e de embalagens de cosméticos. “Nós captamos o material, o trituramos e o analisamos. Depois aplicamos um processo de recuperação química que desenvolvemos em parceria com o Senai”.

Os produtos a serem lançados em breve são frutos muita de pesquisa e desenvolvimento. “O PLA e o PET são materiais de difícil reciclagem, mas conseguimos bons resultados nos estudos e testes que realizamos”.

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