A importância da análise e como é o procedimento de coleta de amostra de um óleo lubrificante – Transformação: Óleo hidráulico – parte 2

Plástico Moderno, Alexandre Farhan é técnico em plásticos pelo Senai-SP
Alexandre Farhan é técnico em plásticos pelo Senai-SP

Texto: Alexandre Farhan

Alexandre Farhan é técnico em plásticos pelo Senai-SP, com 30 anos de atuação no setor. Atualmente, é diretor da Escola LF, especializada na formação de profissionais para a indústria de transformação plástica pelos processos de injeção, sopro e extrusão. (www.escolalf.com.br e/ou [email protected])

Dando sequência à coluna da edição anterior, em que destacamos a importância do sistema hidráulico, seus componentes e algumas propriedades essenciais do óleo hidráulico, apresentaremos este mês algumas análises realizadas com óleo hidráulico, incluindo considerações fundamentais para a sua coleta.

A ideia de trazer esse assunto para a coluna deve-se ao fato de que a maioria das máquinas de transformação de plástico são hidráulicas, ou seja, precisam desse tipo de fluido para gerar movimentos e força. O mesmo não se verifica nas máquinas elétricas, nas quais os movimentos são gerados por servomotores acoplados a fusos mecânicos.

Para aprofundar o estudo sobre o assunto, visitei a empresa Promax Bardahl, parceira da Escola LF e que possui um laboratório (de última geração), e convidei o engenheiro Arley Barbosa da Silva, responsável pelo Departamento Técnico de Engenharia e Lubrificação da empresa, para explicar alguns aspectos, até mesmo com um laudo de análise do sistema hidráulico de um cliente do setor.

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AMOSTRAGEM DE SISTEMAS CIRCULATÓRIOS ATRAVÉS DA BOMBA DE COLETA

Nesta edição, a coluna ressalta ainda mais a amplitude desse tema, muito importante para prolongar a vida útil dos equipamentos nas indústrias de plásticos, seja para as máquinas injetoras, sopradoras, extrusoras, prensas e qualquer outro equipamento hidráulico aplicado nas metalúrgicas, empresas de usinagem, área agrícola, têxtil, entre outras.

A análise do óleo lubrificante é uma das mais importantes ferramentas da manutenção preditiva, permitindo avaliações rápidas e precisas sobre a condição dos equipamentos. A partir das análises, verifica-se o desgaste de peças móveis e a presença de substâncias contaminantes, promovendo a ampliação do tempo de vida útil dos equipamentos das empresas. Portanto, a amostragem – ou procedimento de coleta de amostras – é uma etapa de suma importância. Ela será a responsável pela qualidade das informações que a amostra fornecerá. Se for bem feita, o resultado da análise da amostra será uma excelente ferramenta para uma tomada de decisão. Caso seja mal realizada, induzirá a erros de interpretação e comprometerá a confiabilidade de avaliação, trazendo prejuízos.

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AMOSTRAGEM DE SISTEMAS CIRCULATÓRIOS ATRAVÉS DO SANGRADOR

Sempre que se fala em amostragem devemos ter em mente:

– Local de coleta;

– Dispositivo de coleta;

– Recipiente para coleta (frasco), vide figura abaixo;

– Frequência de coleta e análise.

Para que a amostra tenha valor, ou seja, forneça as informações necessárias, é preciso padronizar o procedimento de coleta de amostras. A seguir, algumas boas práticas:

a. Em cada equipamento, deve-se coletar a amostra por um sangrador padrão, para que não haja divergências nos resultados das análises. Como alternativa, é possível usar uma bomba de coleta;

b. Certificar-se que a embalagem onde será acondicionada a amostra do lubrificante esteja completamente isenta de contaminantes e ficar atento quanto aos contaminantes externos, pois se estes entrarem nos frascos de coleta, não será possível distingui-los dos contaminantes presentes no lubrificante;

c. Abrir o sangrador e deixar escoar uma pequena quantidade do lubrificante antes de iniciar a coleta da amostra. No caso da amostragem através da bomba de coleta, a sonda deve tocar o fundo do recipiente, mas o tubo para a entrada do lubrificante deve estar um pouco acima. Este procedimento evita a coleta de sedimentos que estejam depositados no fundo e que possam condenar a amostra, porém sem refletir a realidade do caso;

d. Coletar um volume de aproximadamente 200 ml do lubrificante;

e. Recomenda-se efetuar a coleta com o equipamento em operação: nas condições normais de temperatura, velocidade, ciclos e cargas. Se não for possível, coletar com o equipamento ainda quente. Neste caso, o procedimento deve definir o tempo para a coleta após a parada do equipamento. É necessário evitar a coleta após elementos filtrantes ou em locais onde o lubrificante fique parado dentro do equipamento;

f. Identifique corretamente o frasco de amostra. Todas as informações são relevantes: nome e número do equipamento, data da coleta, viscosidade e tipo de óleo, volume do reservatório, local de coleta, data da última troca ou reposição, históricos de manutenção recentes;

g. Defina a frequência mais adequada de amostragem. Dependerá do tipo de máquina e equipamentos e, eventualmente, dos resultados anteriores.

A SIGNIFICÂNCIA DA CONTAMINAÇÃO

Na tabela abaixo, demonstramos os principais contaminantes e seus efeitos no lubrificante e nas peças.

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CASE PROMAX BARDAHL

Para exemplificar a importância dessa análise e mostrar como é apresentado o laudo de procedimento de coleta de amostra de um óleo lubrificante, examinaremos abaixo o boletim de um clientes da Promax Bardahl, no caso, uma empresa que produz peças por injeção plástica para o mercado automotivo.

O lubrificante monitorado neste case é o Maxlub H-68 (que atende a norma DIN), mas vale ressaltar que a Promax Bardahl também disponibiliza no segmento o Maxlub MA 20 (que além da DIN, também atende a norma do fabricante, OEM).

A análise aconteceu em uma injetora 1 1800 T e teve como objetivo acompanhar o lubrificante em uso, para aplicar – se necessário – os seguintes ensaios: água por Karl Fischer, viscosidade, índice de neutralização, índice de viscosidade e presença de resíduos metálicos ou particulares.

Avaliando os pontos do ensaio em questão (aspecto, água por crepitação, cor e viscosidade cinemática a 40oC), verifica-se que os resultados encontrados estão de acordo com as características típicas, com exceção da cor, o que mostra que o óleo já vem sendo usado há algum tempo, mas este é um aspecto que não compromete, levando à conclusão de que o lubrificante está em condições de permanecer em uso.

Os resultados positivos de alguns aspectos nesta amostra também tornaram desnecessários outros procedimentos, como os ensaios de índice de neutralização e viscosidade. Isso porque não foram encontradas alterações na viscosidade e contaminação por água.

Quando necessário, o teste de índice de neutralização é realizado para saber se há um esgotamento dos aditivos. Já o índice de viscosidade é feito principalmente quando há contaminantes (solventes ou água). Neste caso, o procedimento para encontrar a presença de resíduos metálicos ou partículas também não foram necessários, pois não houve identificação dos mesmos na amostra.

O estudo permite concluir que, com o monitoramento correto e adequando, o período de troca do lubrificante hidráulico que, em geral, é realizado uma vez por ano pode chegar ao dobro, o que se traduz em economia e maior produtividade.

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