Economia

Governos precisam exigir mais do setor – Economia circular

Antonio Carlos Santomauro
5 de fevereiro de 2021
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    Plástico Moderno - Governos precisam exigir mais do setor - Economia circular ©QD Foto: iStockPhoto

    Houve no ano passado, em âmbito global, “progresso significativo” em duas áreas do processo de inserção da indústria do plástico na economia circular, aponta relatório recentemente divulgado pelo Compromisso Global por uma Nova Economia do Plástico, desenvolvido pela Fundação Ellen MacArthur e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Uma dessas áreas é a incorporação de conteúdo reciclado em embalagens plásticas; a outra, a eliminação de itens qualificados pelo estudo como “problemáticos mais reconhecidos”, caso de embalagens de PS e PVC, pigmentos de negro de fumo indetectáveis, sacolas plásticas e canudos de uso único.

    Foi “limitado” o aumento na reciclabilidade de embalagens plásticas, e na redução da necessidade de embalagens de uso único, prossegue o relatório desse Compromisso, cujos signatários se comprometem a, até 2025, empregar plástico reutilizado, reciclável ou compostável em 100% de suas embalagens. Natura, Boomera, ValGroup, Greco & Guerreiro, além do município de São Paulo, são alguns dos nomes brasileiros entre esses signatários.

    Plástico Moderno - Thaís Vojvodic, gerente da Rede de Pactos do Plástico da Fundação Ellen MacArthur ©QD Foto: Divulgação

    Thaís Vojvodic, gerente da Rede de Pactos do Plástico da Fundação Ellen MacArthur

    Thaís Vojvodic, gerente da Rede de Pactos do Plástico da Fundação Ellen MacArthur, visualiza “exemplos interessantes” de avanços entre esses signatários brasileiros. Caso do município de São Paulo, que passou a comprar mais produtos reutilizáveis em detrimento daqueles de uso único e participa de projetos de estímulo à logística reversa. “A Natura ampliou sua oferta de modelos de reúso, e quase dobrou o conteúdo pós-consumo reciclado em suas embalagens plásticas em apenas um ano”, ressalta.

    O novo relatório, complementa Thaís, expõe um “cenário encorajador” na trajetória em direção ao uso mais sustentável do plástico. Mas, para ela, essa trajetória não deve ser percorrida apenas por ações voluntárias da indústria. “Pedimos aos governos que estabeleçam os mecanismos necessários em nível nacional ou local, por exemplo, esquemas de responsabilidade estendida do produtor ou outros mecanismos de financiamento semelhantes, sem os quais é improvável que a reciclagem ganhe escala, e que se mobilizem globalmente para começar a negociar um tratado global sobre a poluição por plásticos”.

    Globalmente, o Compromisso Global por uma Nova Economia do Plástico reúne mais de quinhentas organizações, de todos os elos da cadeia, representantes, estima a Fundação Ellen MacArthur, de mais de 20% das embalagens plásticas utilizadas globalmente. “Se considerarmos também nossa rede de Pactos do Plástico e a Iniciativa Global de Plásticos de Turismo, o número de organizações comprometidas com uma visão comum de uma economia circular para o plástico já chega a mais de mil”, afirma Thaís.

    Também neste mês de novembro a multinacional fabricante de sistemas de separação de resíduos Tomra apresentou estudo que estima que, até 2030, o índice de coleta das embalagens plásticas pós-consumo chegará a 90% nos países desenvolvidos e a 50% nas nações emergentes; nesses dois grupos de nações, os índices de embalagens plásticas já desenhadas considerando a posterior reciclagem atingirão então, respectivamente, 75% e 50%. Em todo o mundo, prossegue o estudo da Tomra, 40% dos resíduos plásticos ainda seguem tendo o meio ambiente como destino.



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