Economia

Gestão de resíduos proporciona benefícios para transformação

Antonio Carlos Santomauro
9 de novembro de 2020
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    “Muito eficiente na minimização de resíduos”, a metodologia de gestão Lean Six Sigma, afirma Maia, pode contribuir para a redução das perdas, que pode ser alavancada também pela digitalização dos processos. Mas a tecnologia, embora aliada valiosa, não é o único requisito: “Sensores geram mais informações, mas é preciso reagir a essas informações e isso depende de atitude humana, de profissionais qualificados”, pondera o profissional do Senai.

    Entre as medidas que também ajudam a reduzir perdas ele lista ainda uma programação de produção que comece com os produtos mais simples e siga em direção aos mais complexos – por exemplo, das cores mais claras para as mais escuras –, pois isso ajuda na redução dos setups. “A maioria dos polímeros de engenharia requer grânulos com nível de umidade inferior a determinado padrão de referência; periféricos como secadores e desumidificadores são de extrema importância para manter bom nível de processabilidade do material”, diz Maia. “O maior controle de peso e volume com o uso de dosadores gravimétricos e volumétricos ainda é um desafio tecnológico para muitas empresas”, acrescenta.

    Plástico Moderno - Gestão de resíduos proporciona benefícios para transformação - Economia circular ©QD Foto: iStockPhoto

    Mari: perdas são evitadas com parametrização dos processos

    Bons moldes também são fundamentais para reduzir perdas nos processos de injeção, lembra Mari Katayama, coordenadora de programas do IPT. “O molde precisa ser bem desenhado, para que todas as suas cavidades sejam devidamente preenchidas”, ressalta. “Também é necessário trabalhar corretamente a limpeza na mudança de cores, por exemplo, para evitar contaminações que geram perdas.”

    De acordo com Mari, um grande gerador de perda de matéria-prima, especialmente nos transformadores de menor porte, é a falta de conhecimentos sobre a correta parametrização do processo produtivo. “Ele deve ser corretamente parametrizado em quesitos como temperatura e velocidade”, explica. “Sensores permitem identificar e corrigir rapidamente alterações nesses parâmetros, mas em muitas empresas problemas e paradas de máquinas são anotadas em pranchetas e só muito mais tarde essas informações chegam a quem deve recebê-las”, destaca Mari.

    Minimizando as paradas por quebras de máquinas, um bom programa de manutenção também contribui para reduzir perdas, observa Dantas, da Silgan. Pode ser também importante o uso de sistemas de câmaras quentes, presentes na maioria das máquinas da Silgan. Mas esse recurso, lembra Dantas, exige um investimento significativo, que deve ser analisado caso a caso. “Temos uma injetora que produz ombros em moldes com 64 cavidades: ela tem câmara quente, sem a qual o canal seria até maior que a própria peça. Mas, para algumas aplicações específicas, temos outra máquina que produz ombros em moldes com oito cavidades e ela não tem câmara quente”, descreve.

    A Valpri, ressalta Yoshida, não reaproveita aparas e rejeitos em seus próprios processos, trabalhando apenas com resinas virgens. Como ainda é impossível eliminar totalmente esses resíduos, busca valorizar a matéria-prima – cerca de 2% do total – que de algum modo ainda escapa de seu processo produtivo. Para as aparas de PE, por exemplo, estabeleceu uma parceria com a empresa WX8 que com elas produz embalagens para e-commerce. “Começamos a comercializar essas embalagens há cerca de um ano e meio”, ele diz. “Já as aparas e rejeitos de PP, nós os revendemos para quem trabalha com injeção, já transformadas em grãos e aditivadas de acordo com as necessidades de cada aplicação”, finaliza Yoshida.



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