Economia

Gestão de resíduos proporciona benefícios para transformação

Antonio Carlos Santomauro
9 de novembro de 2020
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    Plástico Moderno - Gestão de resíduos proporciona benefícios para transformação - Economia circular ©QD Foto: iStockPhoto

    Embalagens defeituosas são reprocessadas na fábrica

    Economia circular – Gestão de resíduos proporciona benefícios para transformação

    Ao menos com as atuais tecnologias, em nenhuma atividade produtiva é possível zerar as perdas de matérias-primas que, na forma de aparas, rejeitos e borras, podem assumir proporções significativas nos processos de transformação de plásticos. Atendendo aos preceitos e aos benefícios da Economia Circular – não apenas ambientais, mas também financeiros –, transformadores trabalham cada dia mais cuidadosamente para reduzir essas perdas.

    A Silgan, por exemplo, reaproveita quase integralmente rejeitos, aparas e borras resultantes das muitas toneladas de resinas que mensalmente processa em sua unidade de Mogi das Cruzes-SP, onde entre outros itens produz tubos laminados para artigos de cuidados pessoais e tampas para perfumes e cosméticos (no Brasil, a empresa de origem norte-americana mantém fábricas também em Valinhos-SP e Jundiaí-SP, nas quais produz dispensadores, tampas e embalagens para cosméticos).

    Em Mogi das Cruzes, a Silgan tem injetoras que utilizam resinas como PEAD, PP, ABS e Surlyn para produzir as tampas e os chamados “ombros” dos tubos. A maior parte dos rejeitos e aparas gerada nesses equipamentos é reintroduzida no processo, de forma automatizada: em uma linha de produção de tampas, por exemplo, um braço do robô colocado na saída das máquinas retira as tampas prontas, enquanto outro braço conduz o material do canal de injeção (“galho”) a um moinho. Após a moagem e separação de pó, essa resina é reintroduzida no processo com o auxílio de dosadores automáticos.

    Pequenas quantidades dessas potenciais perdas inevitavelmente escapam do processo produtivo normal, e seguem dois caminhos. Uma parte é novamente extrudada e depois reintroduzida no processo. Realizada internamente, essa nova extrusão, explica Richard Dantas, diretor da planta de Mogi das Cruzes da Silgan, é necessária porque esse material geralmente contém algum insumo decorativo, como vernizes e fitas de decoração, que deve ser retirado e talvez seja necessário aplicar nova dose de aditivos.

    Por sua vez, o plástico pintado, ou proveniente de borra e portanto queimado e degradado, é retirado por uma empresa credenciada que o utiliza em aplicações como baldes e caixas, entre outras. “Toda a nossa matéria-prima é reaproveitada; a maior parte, internamente, e um percentual pequeno pela empresa credenciada por nós, que irá reaproveitá-lo”, ressalta Dantas.

    Na fabricante de embalagens flexíveis Valpri, um trabalho de melhoria dos processos que tem a redução de perdas entre seus objetivos principiou pela contratação de duas consultorias: uma delas, do Sebrae, focada em gestão, e outra do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo), mais voltada à adequação às propostas do conceito Indústria 4.0. Entre outros itens, esse trabalho incluiu a instalação de sensores nas linhas de corte e solda e de impressão. E vem gerando resultados bem palpáveis: “Antes, podíamos perder até 7% de nossa matéria-prima; agora, a média está em 2%”, relata Ivo Yoshida, diretor administrativo da Valpri. “Reduzir perdas é importante em vários aspectos: financeiros, de eficiência, pelas exigências ambientais e sociais”, enfatiza.

    A redução de perdas, ressalta Yoshida, exige a geração de informações e o intercâmbio dessas informações entre as várias áreas da empresa. “Uma impressão feita com um pouco mais de tensão, por exemplo, pode ampliar a produtividade da linha de corte e solda. E a área de corte e solda precisa informar isso para a impressão”, exemplifica o profissional da Valpri, empresa sediada em Campinas-SP que processa mensalmente cerca de 70 toneladas de resinas, principalmente polipropileno, mas também um pouco de PEBD, e com elas fabrica embalagens para autopeças, brinquedos, alimentos, produtos de higiene e limpeza, entre outros itens.

    Plástico Moderno - Gestão de resíduos proporciona benefícios para transformação - Economia circular ©QD Foto: iStockPhotoGestão ampla – O conceito de aparas deve ir além da simples sobra de matéria-prima no processo fabril, como observa Anderson Maia, coordenador de relacionamento com a indústria e marketing da Escola Senai Mário Amato. “Quando se pensa em perdas, todas as etapas do processo devem ser consideradas, começando pela escolha e armazenamento do material e chegando até a entrega”, explica.

    Assim, recomenda Maia, um programa de redução de perdas deve abranger não apenas as diversas etapas do processo produtivo, mas todas as áreas da empresa. “Muitas vezes a equipe de vendas da empresa realiza um negócio, mas a área de compras adquire materiais que não são os mais adequados para o produto solicitado. Isso acarretará devoluções que se transformarão em aparas, que na melhor das hipóteses serão moídas e reaproveitadas nos processos”, ele justifica. “Nem sempre esse reaproveitamento é possível: resinas especiais, caso do PVDC e do EVOH, têm reaproveitamento complexo e, às vezes, inviável. É difícil até vender esse material, pois sua reciclagem também é diferenciada”, acrescenta.



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