FMU

A usinagem de moldes e matrizes em parâmetros de mais alto desempenho foi o alvo principal dos novos desenvolvimentos apresentados na 5ª Feira de Ferramentaria, Modelação e Usinagem, a FMU. Realizado de 2 a 5 de março, no megacentro Wittich Freitag – Expoville, em Joinville-SC, sob a organização da Euro Feiras, o evento reuniu mais de 200 expositores, que propiciaram a milhares de visitantes entrar em sintonia com as novas tecnologias para o setor, aproveitando os sinais de aquecimento do mercado industrial.

Detentora de ampla linha de tornos universais, tornos CNC automatizados, centros de torneamento, entre outras máquinas projetadas para ferramentarias, a Romi foi presença de destaque na exposição, ao promover o lançamento de centro de usinagem vertical (D1250 AP), de alto desempenho, e com CNC Siemens (Sinumerik 828D). Projetado para produções elevadas e também para a fabricação de moldes e matrizes para injeção de termoplásticos, o novo centro pode produzir moldes com até 1.400 kg.

A flexibilidade para múltiplas aplicações é uma das fortes características dessa linha de centros, composta por vários modelos – D600, D800, D1000, D1250, D1400, D1600 e D2000. De acordo com informações do fabricante, as estruturas robustas dessas máquinas foram projetadas para suportar até três toneladas sobre as mesas, e propiciar alta qualidade no acabamento superficial dos moldes, em tarefas que demandam menores tempos de usinagem e contam com altas taxas de aceleração dos dispositivos. Outros atributos associados a essas máquinas são promover usinagens de desbaste e acabamento sob altas velocidades, até mesmo em materiais endurecidos, efetuando as trocas de ferramentas em 3,9 segundos. Os trocadores dessa linha vêm com braços automáticos para 30 ferramentas e os cabeçotes podem operar com faixas de velocidade de 12 mil r.p.m.

Plástico Moderno, Guilherme Corrêa Guedes, F+M+U
Guedes: novo centro possibilitou usinagem de desbaste mais agressiva

Entre outros diferenciais, o novo centro oferece um pacote de características técnicas especiais, como maiores velocidades de avanço (40 metros por minuto), maiores faixas de rotação (12 mil r.p.m.) e inovações no comando.

Segundo Guilherme Corrêa Guedes, gerente de comercialização da filial de Joinville da Romi, o novo centro permite o nanocontrole das superfícies dos moldes, o que significa maior precisão da máquina, mesmo operando sob altas velocidades de rotação e avanço.

“Com esse novo centro é possível realizar usinagens de desbaste mais agressivas e acabamentos feitos de aços endurecidos, ferros fundidos, ligas de alumínio, entre outros materiais, em menor tempo, e com alta qualidade no acabamento superficial”, comentou o especialista.

As altas taxas de remoção de cavacos desses novos centros se enquadram nos conceitos de usinagem HSC (High Speed Cutting) e estão associadas à alta qualidade de acabamento superficial dos perfis, os quais podem ser os mais complexos e destinar-se às mais diversas e exigentes aplicações industriais.

Outros benefícios desse novo centro foram observados nas funções para a utilização de programas gerados por CAD/CAM, incluindo funções gráficas que permitem a simulação das usinagens e a sua visualização tridimensional.

Plástico Moderno, Vinicius S. Cordeiro, Gerente de vendas, F+M+U
Cordeiro destacou metaleira hidráulica da Clever, empresa de Taiwan

“O novo centro também conta com interface para transmissão de programas como compact flash, USB, RS232 e rede ethernet”, complementou Guedes, satisfeito com o grande interesse do público pela nova máquina.

Outro centro de usinagem CNC apresentado na exposição foi o Baron-Max, da Panmachine. Trata-se de exemplar da série VMC (Vertical Machine Center), concebida para usinagens de alto desempenho, e integrada por máquinas VMC-645 e VMC-845, com spindle para alcançar velocidades de 10.000 r.p.m.; e também por máquinas VMC-1066, projetadas para produções com alto poder de remoção de materiais, e que ocupam reduzidos espaços físicos. As máquinas VMC-1276 e VMC-1476, para altas produções, completam a família.

Plástico Moderno, F+M+UAs tecnologias Travis, de Taiwan, em centros de usinagem, também foram destacadas pela Cimhsa, de São José dos Pinhais-PR. O centro de usinagem Travis, modelo M450, nas dimensões de 450 mm (curso longitudinal) por 350 mm (curso transversal) e 400 mm (curso vertical), em exposição na feira, segundo Vinicius S. Cordeiro, gerente de vendas da empresa brasileira, tem como diferencial o avanço rápido, de 30 metros/minuto, apresentando velocidades de rotação na faixa de 12 mil r.p.m. Outro equipamento exibido pela Cimhsa foi o torno CNC TR25, também da marca Travis. “Trata-se de máquina com diâmetro admissível sobre o barramento de 400 mm e com motor de 20 HP”, informou Cordeiro.

Entre os destaques da Clever, empresa também procedente de Taiwan, a Cimhsa levou à feira a metaleira hidráulica MT75-20 e o torno mecânico L2680. Projetada com multifuncionalidades, a metaleira opera como puncionadeira, corta perfis quadrados, redondos e cantoneiras, e executa também as funções de prensas e de guilhotinas, com força de acionamento de 75 toneladas. Já o torno mecânico L2680 foi dimensionado com 660 mm de diâmetro e motor com potência de 15 HP.

A Haas Factory Outlet, de Curitiba-PR, importadora de equipamentos da Haas Automation, considerada a maior fabricante de centros de usinagem e de mesas rotativas dos Estados Unidos, destacou ao público centros de usinagem horizontais e verticais, produzidos em vários modelos e configurados para moldes com até 2 toneladas.

Plástico Moderno, Rogério Secchiero, F+M+U
Para Secchiero, centros BZ500T são flexíveis na realização das usinagens

Robustez nacionalizada – Com fábrica em São Bernardo do Campo, na grande São Paulo, a Grob expôs um centro de usinagem de grande porte e com concepção high speed, totalmente aberto, para que os visitantes tivessem a chance de avaliar a sua robustez estrutural, característica desse tipo de máquina fabricada com tecnologia alemã.

“Os componentes eletrônicos, comandos, guias lineares e servomotores são importados da Alemanha, mas toda a parte estrutural dos centros de usinagem e as montagens são executadas no Brasil, com a finalidade de oferecer alternativa mais competitiva ao mercado local”, afirmou Rogério Secchiero, gerente de vendas da Grob do Brasil.

Entre os últimos desenvolvimentos da empresa estão os centros de usinagem horizontais High Speed (BZ500T), com quatro eixos e duas mesas/paletes, lançados em 2007 no mercado brasileiro. Segundo Secchiero, uma das suas principais características é a modularidade. “Os centros BZ500T se caracterizam pela flexibilidade na realização das usinagens, oferecendo maiores possibilidades para as indústrias de máquinas-ferramenta”, comentou Secchiero. Como parâmetros de máquina, o BZ500T pode promover usinagens de alumínio à velocidade de 18 mil r.p.m. e/ou de ferro fundido e de aço à velocidade de 10 mil r.p.m.

Outro equipamento destacado pela empresa foi o centro de usinagem G350. Trata-se de máquina com cinco eixos, que opera com a interpolação de eixos, e também se aplica às usinagens de moldes e matrizes, e que conta com perspectivas de comercialização muito promissoras no mercado brasileiro, graças às oportunidades de financiamento e à expansão observada principalmente nas vendas do setor automotivo.

Único fabricante nacional de centros de usinagem por eletroerosão/penetração para a fabricação de moldes para injeção e sopro, a Resitron, de Caxias do Sul-RS, também marcou presença na feira, com máquina da linha Basic ZNC. Fabricada em dois modelos, BF 350 e BF 500, essa série executa furos quadrados, bem como usina metais duros e temperados com facilidade e precisão.

Plástico Moderno, Venceslau B. Salmeron, gerente comercial da Deb'Maq, F+M+U
Salmeron: fresadora tem sistema apalpador para medições

A fresadora CNC, modelo Petrus, levada à feira pela Deb’Maq, também atraiu grande interesse do público. Com comando alemão Heidenhain em sua composição standard, a Petrus 50100R conta com lubrificação automática, iluminação halógena, bandeja para cavacos, proteção telescópica de aço para os eixos X/Y, proteção de borracha para o eixo Z, sendo fabricada com estrutura reforçada e fundida em meehanite e com capacidade para usinar moldes até 1.100 kg.

Segundo destacou Venceslau B. Salmeron, gerente-comercial da Deb’Maq, a Petrus executa fresamentos e furações, propiciando alta qualidade no acabamento superficial, e possui sistema apalpador para medições. Com guias quadradas, temperadas e retificadas, essa máquina também oferece grande área de apoio para as guias deslizantes, contraguias fabricadas com material antifricção, mesa com superfície temperada e retificada, cabeçote rígido fundido em bloco único, árvore apoiada em rolamentos triplex, eixo vertical com contrapeso embutido e freio elétrico, além de sistema pneumático para sujeição de peças (draw-bar) e sistema de refrigeração de corte.

Novidades em injeção – Estreante na FMU 2010, a Stellmach, empresa do grupo Alltech, de Caxias do Sul-RS, levou para a exposição injetora com força de fechamento de 228 toneladas, modelo HHF, fabricada pela Rhino Plast, da China. Segundo a expositora, a máquina pertence à categoria de equipamentos de baixo custo e possui sistema de fechamento por juntas articuladas, integrando linha bem ampla, composta por máquinas com forças de fechamento desde 68 toneladas até 2.800 toneladas.

Plástico Moderno, Fernando André Zorzi, Diretor da Stellmach, F+M+U
De acordo com Zorzi, tecnologia LG garante alta precisão às injetoras

A grande novidade no estande da Stellmach, porém, ficou por conta do pré-lançamento de injetoras com tecnologia LG, a famosa marca coreana, fabricadas por uma das empresas do grupo, a LS Mtron. Pertencentes às séries LGH-D e LGH-M, essas máquinas, que já se encontram em processo de importação, comportam vários modelos com forças de fechamento que vão desde 50 toneladas até 350 toneladas, e desde 450 toneladas até quatro mil toneladas, respectivamente.

“As injetoras fabricadas com tecnologia LG apresentam alta precisão e os modelos com sistema hidráulico de fechamento das placas oferecem grande estabilidade para o processo”, comentou Fernando André Zorzi, diretor da Stellmach.

Segundo também observou Zorzi, o comando das injetoras da série LGH-D (Hicom-700) é rápido e preciso, e conta com microprocessador de 32 bits, em base Windows, executando autodiagnósticos e monitoramento das funções. Já o sistema hidráulico dessas máquinas também é considerado dos mais avançados e conta com circuitos simplificados e com pacote para a redução de consumo de energia, composto por servomotor e bomba variável, como opcionais.

Por seu turno, as injetoras da série LGH-M (desde 450 toneladas até quatro mil toneladas) possuem sistema de fechamento hidráulico de placas duplas, apresentam cursos de abertura e extração maiores, e oferecem maior estabilidade e precisão no fechamento dos moldes e no transcorrer de todo o processo de injeção.

As injetoras LGH-M promovem o fechamento rápido do molde por meio de dois cilindros hidráulicos dispostos na diagonal das placas. O fechamento em alta pressão, por sua vez, ocorre por meio de quatro cilindros instalados nas colunas da placa fixa. Após o resfriamento e alívio da alta pressão, o molde é aberto e a peça é ejetada, observando-se no final do ciclo o recuo do cilindro extrator e a disponibilidade do molde para dar início ao ciclo subsequente.

Além dos sistemas hidráulicos, a LS Mtron também divulgou injetoras elétricas. “As máquinas elétricas da série LGE-II têm custo/benefício bastante interessante e competitivo com as tecnologias alemãs e japonesas, apresentando significativas reduções no consumo de energia e de água na refrigeração, que alcançam até 70%”, comentou Zorzi.

Com capacidades desde 30 toneladas até 550 toneladas, as velocidades de injeção dessa série de máquinas podem alcançar até 800 mm por segundo, de acordo com as operações do modelo super HSM – High Speed Machine. Segundo Zorzi, as reduções no tempo de ciclo são da ordem de 20% e os acionamentos são realizados via servomotor AC, com resposta rápida, obtendo-se aumentos de produtividade graças aos movimentos simultâneos.

Tecnologias avançadas – A FMU também foi alvo para divulgar sistemas de injeção já consolidados, como a injetora Diplomat Spazio Platinum Plus – DW 90, da Deb’Maq. Com força de fechamento de 90 toneladas, essa máquina apresenta tecnologia moderna e conta com componentes de primeira linha assinados pelas marcas Vickers/Bosch, Gefran/Telemecanique, além de comandos Techmotion, de Taiwan, e B&R, da Áustria.

“As muitas unidades já comercializadas dessa série nas indústrias mais exigentes quanto ao desempenho, como automotivas, eletroeletrônicas e de embalagens, comprovam a qualidade avançada do equipamento”, garantiu Salmeron.

Plástico Moderno, F+M+U
Tanaka (à esq.) e Sawamura representavam a Kyocera

O grupo Megga também se fez representar por duas das suas empresas na FMU deste ano: a Meggaplástico, de Cabreúva-SP, e a Meggaton, de São Paulo. A primeira se preocupou em levar à FMU sistema de injeção. O modelo apresentado, uma injetora da marca Sinitron, é fabricado pela Borchê, da China, e opera com força de fechamento de 60 toneladas. Já a Meggaton destacou dois centros de usinagem. Um deles, um sistema CNC High Speed Machine, fabricado em Taiwan, pela Chmer, pertence à série HE, para usinagens de eletrodos de grafite, mas também pode ser aplicado na fabricação de moldes. Entre as principais características, possui spindle (cabeçote rotativo) para operar com velocidades de 30.000 r.p.m. O outro centro de usinagem exposto pertence à série FVP (Feeler Vertical Power). Trata-se de modelo vertical fabricado pela Feeler, de Taiwan, que conta com alguns aprimoramentos para executar as tarefas com maior desempenho, e que opera com avanço de 15 metros/minuto, sob velocidade de 12 mil r.p.m.

A 5ª FMU ainda mobilizou a participação de grandes conglomerados industriais, como do grupo Kyocera, trazendo à feira um de seus principais executivos, Eiji Tanaka. Há três meses ocupando a presidência da Kyocera do Brasil Componentes Industriais, o senhor Tanaka ocupou durante os últimos trinta anos a vice-presidência e a diretoria industrial da Kyocera América, instalada nos Estados Unidos.

Sediado em Kioto, no Japão, o grupo, que possui atualmente 219 empresas espalhadas por 29 países, destacou na FMU sua ampla linha de ferramentas de corte para operações de fresamento nas indústrias de moldes. Constituídas de fresas de topo, fresas de face, insertos positivos, insertos redondos, bem como de perfis para moldes, essas ferramentas são fabricadas em unidades industriais do Japão, Coreia e China, sendo importadas e distribuídas por intermédio da unidade brasileira do grupo, de Sorocaba-SP.

Desde que descontinuou a produção de componentes para máquinas fotográficas Yashica, em 2007, a Kyocera do Brasil, segundo o seu gerente de marketing e de tecnologia da informação da Kyocera do Brasil, Marcelino Hiroshi Kawamura, passou a dedicar-se também à atividade de transformação, especialmente no campo da injeção de polímeros para as indústrias automotiva, médica, farmacêutica e cosmética, atuando como prestadora de serviços para sistemistas e outros setores industriais, e contando com a operação de 20 sistemas de injeção elétricos e dois sistemas hidráulicos, com capacidade avaliada em torno de 15 mil horas/máquina por mês.

Veterana em participações na feira, a multinacional coreana Taegutec destacou na exposição linha de fresas de facear com pastilhas intercambiáveis, para a mais alta remoção de materiais (cavacos) durante as operações de desbaste, com capacidade para remover até 2 mm por faca e com reduções de tempo de desbaste dos moldes de injeção que chegam a 30% e/ou 40%.

Além das fresas de facear, a empresa também destacou a linha de fresas de topo, integralmente confeccionadas em metais duros, para utilização em high speed machines, em altas velocidades de corte, nas operações de acabamento.

Também no segmento de ferramentas, a NGT Top Tools apresentou novas fresas e brocas pertencentes à família nanogrãos de metais duros (44HRC) para operações envolvendo menores tempos de usinagem, com altíssimos ganhos de produtividade. Ou seja, com as novas ferramentas, as furações que antes demandavam em torno de 15 horas para serem finalizadas agora podem ser realizadas em apenas meia hora de usinagem.

A Almathi, distribuidora autorizada da Alfa Laval em Santa Catarina, destacou diversificada linha de trocadores de calor com vários tipos de placas, mas foram as centrífugas, também fabricadas com tecnologia sueca, os equipamentos que mais chamaram a atenção do público.

Moldes eficientes e duráveis – Aumentar a vida útil de moldes foi outra máxima dessa edição da FMU. Várias empresas participantes da feira apresentaram tecnologias de tratamento térmico, revelando alta capacidade técnica para solucionar problemas de desgaste e corrosão desses ferramentais, bem como melhorar o escoamento interno dos materiais e facilitar as desmoldagens das peças, contribuindo para maximizar as propriedades mecânicas dos metais e, consequentemente, a durabilidade dos moldes.

Além de projetos bem elaborados e rotas de usinagem corretas, essas empresas destacaram os tratamentos térmicos de moldes como uma das etapas mais importantes dos processos de transformação, principalmente perante a busca de maior produtividade e maior desempenho dos ferramentais, conforme visto nas apresentações de empresas como a Tecno Têmpera, a Isoflama e a Techniques Surfaces Brasil.

Nesse rol de expositores, a Tecno Têmpera, de Guaramirim-SC, destacou ao público as melhores propriedades mecânicas conferidas aos moldes acabados construídos com aços, como o P20 e o H13, pelas têmperas e revenimentos à base de banhos de sais químicos. Tais tratamentos conseguem elevar a resistência mecânica (dureza) do aço em até 64 HRC, o que pode representar, segundo Vilmar Nervis, supervisor de manutenção e produção da Tecno Têmpera, 150% de aumento da resistência mecânica desses materiais.

“Os tratamentos de revenimento em associação com a têmpera, considerados obrigatórios para moldes de injeção de termoplásticos, e realizados sob temperaturas em torno de 300ºC até 450ºC, servem para acomodar as microestruturas dos metais e organizar seus planos cristalinos, eliminando toda a estrutura martensítica, ou seja, a estrutura a um só tempo dura e frágil”, explicou Nervis.

Plástico Moderno, João Carmo Vendramim, Engenheiro metalurgista, F+M+U
Vendramim: têmpera a vácuo despertou o interesse do mercado automotivo

Nos últimos anos, porém, as têmperas realizadas em fornos a vácuo vêm conquistando a preferência das indústrias de transformação em virtude da obtenção de algumas vantagens em relação à têmpera convencional. Uma delas é a maior preservação do acabamento superficial dos moldes. Outros benefícios relacionam-se com a diminuição dos empenamentos e distorções dimensionais e com a isenção de oxidações intergranulares, culminando com a maior homogeneidade na dureza em toda a superfície da peça.

As grandes vantagens oferecidas pela têmpera a vácuo são impedir a oxidação na superfície das matrizes e melhorar a uniformidade da microestrutura dos aços-ferramenta tanto para os aços destinados às conformações a quente, tais como H13, H11 e H12, como para os aços concebidos para trabalhos a frio, como os D2, D6, D3 e AISI 420 (inoxidável), excetuando-se nesse caso o aço P20, que não pode ser submetido à têmpera por vácuo, segundo observou o engenheiro metalurgista João Carmo Vendramim, diretor da Isoflama. Também expositora na FMU 2010, a empresa de tratamentos térmicos, instalada em Indaiatuba-SP, compartilhou o estande com a Tecno Têmpera, sua parceira técnica.

“Por ser uma tecnologia limpa, a têmpera a vácuo tem mobilizado o interesse principalmente dos projetos realizados para o setor automotivo”, informou o engenheiro Vendramim. No âmbito da têmpera a vácuo, as temperaturas de aquecimento alcançam até 1.200ºC e o resfriamento é realizado sob pressão de gás nitrogênio até 12 bar.

Outro processo de tratamento de ligas metálicas que vem atraindo maior número de seguidores é o de nitretação iônica por plasma. “Essa tecnologia permite controlar o potencial de nitrogênio para a produção de camadas nitretadas com morfologias ajustadas às aplicações, produzindo-se camadas nitretadas com ou sem a denominada camada branca, intermetálica e frágil, evitando a formação de redes de carbonetos e/ou carbonitretos em se tratando de aços de média e alta liga”, informou Vendramim.

Plástico Moderno, Eros A. Neto, da Techniques Surfaces Brasil, F+M+U
Neto discorreu sobre os processos PACVD e PVD

Segundo ele, para cada tipo de aplicação industrial existe uma correspondente profundidade e morfologia de camada nitretada que irá produzir impacto no desempenho da superfície. “A camada a ser determinada com ou sem camada branca e respectivas espessuras ou profundidades é resultante de prévia análise das tensões que agem no molde afetando a superfície, provocando desgaste por abrasão/adesão, fadiga ou corrosão.”

Segundo considerou o gerente-comercial Eros A. Neto, da Techniques Surfaces Brasil, é também cada vez maior o emprego em moldes de camadas duras por meio da deposição química de carbono nas formas de grafite e diamante em fase vapor assistida por plasma, conhecida pela sigla PACVD – Plasma Assisted Chemical Vapor Deposition.

A grande vantagem de revestir moldes de injeção e de sopro de termoplásticos com o uso dessa tecnologia é propiciar um revestimento duro com baixo coeficiente de atrito, o que significa não desgastar os moldes e facilitar todo o processo de extração, por exemplo, de embalagens, principalmente em se tratando de frascos e garrafas confeccionadas com materiais acrílicos, polipropilenos e polietilenos cristalizados.

As tecnologias de deposição pelos processos PACVD e PVD (Physical Vapor Deposition – Deposição Física em Fase Vapor) oferecem as seguintes vantagens: propiciam microdurezas bastante altas, acima de 2.000 HV, são quimicamente inertes, e não modificam o estado inicial da superfície dos moldes, segundo destacou Neto. Graças à natureza inerte, os revestimentos aplicados por PVD e PACVD são utilizados com grande frequência em moldes para a fabricação de embalagens e peças para aplicações alimentícias, farmacêuticas, médicas e cosméticas.

Os revestimentos por PVD são realizados pelo processo PEMS (Plasma Enhanced Magnetron Sputtering), desenvolvido pelo grupo HEF, e que permite obter camadas mais compactas, uniformes e homogêneas, com maior adesão e menor rugosidade em comparação com aquelas obtidas por processos convencionais.

Aços especiais para moldes – A FMU também levou ao público as últimas novidades em metais para a fabricação de moldes. A GGD Metals, de São Paulo, com sua ampla oferta de aços para construções mecânicas, aços-ferramenta, aços inoxidáveis, incluindo alumínio, cobres, bronzes, latões e metais, destacou seu alumínio de alta dureza. Produzido por processo metalúrgico especial, e desenvolvido para moldes para sopro, o alumínio Alumimold representa alternativa aos alumínios convencionais, que apresentam faixa de dureza em torno de 60 HB, e aos alumínios utilizados no setor aeronáutico, que possuem dureza na faixa de 180 HB, sendo produzidos na faixa entre 100 HB e 110 HB, para a maior durabilidade dos moldes para sopro.

A Aço Especial, representante exclusivo no Brasil do grupo francês Industeel, destacou os aços da família Superplast, como os da linha Açoecológico, integrados pelos Superplast 300 (SP300) e Superplast 400 (SP400). O SP300, de acordo com a empresa, substitui com vantagens o aço P20, facilitando as trocas térmicas para o resfriamento mais rápido dos moldes e a extração mais eficiente das peças, possibilitando menores ciclos de injeção. Já o SP400 possui dureza média de 40 HRC e oferece ganhos de usinagem, principalmente nas operações de furação, superando também, segundo a empresa, o aço W.Nr.1.27ll, conhecido como 2711.

Com unidades em Caxias do Sul-RS, Porto Alegre-RS e Joinville-SC, a Diferro promoveu aços lançados há alguns anos, mas só recentemente disponibilizados para os estoques dos distribuidores, como os aços Tenax 300IM e o aço VP420IM. O Tenax 300IM é um aço-ferramenta com características superiores para trabalhos a quente, fundido e refundido (230 HB), e que possui energia de impacto a 300J, e destinado à confecção de moldes de injeção de termoplásticos não-clorados, que, após tratamento térmico, alcança dureza na faixa de 40HRC/50HRC. Já o aço inoxidável martensítico VP420IM pode ser aplicado em moldes de injeção e extrusão de polímeros clorados, como o PVC, e apresenta faixa de dureza de 48HRC/54HRC, alcançada após tratamento térmico.

Outros integrantes da oferta da empresa são os aços fabricados pela Villares, como o VP20ISO e o N27IIM. Com possibilidade de já saírem de fábrica tratados com têmpera/revenimento e nitretação, esses dois aços se destinam a produções mais elevadas e apresentam as seguintes características: o VP20ISO se aplica à produção de moldes para injeção e sopro de polímeros não-clorados, envolvendo principalmente peças texturizadas, e o N27IIM oferece maior resistência à compressão em comparação com os aços da série VP20, apresentando faixa de dureza entre 38HRC/42 HRC.

Outro aço para moldes plásticos destacado na feira foi o SF-2000. Apresentado pela Schmolz+Bickenbach, foi desenvolvido para atender à demanda de moldes mais complexos, reunindo vantagens quando comparado com o P20 convencional. Graças à uniformidade na dureza em toda a seção do molde, o SF-2000 vem sendo bastante requisitado, podendo ser fornecido em duas faixas de dureza que vão de 280 HB até 325 HB e/ou de 310 HB a 355 HB, apresentando em sua estrutura carbono (0,34%), manganês (0,80%), cromo (1,70%), níquel (0,50%) e molibdênio (0,40%).

Também presente à feira a Favorit destacou os aços P20 e 420C. O P20 já é fornecido temperado, destinando-se à construção de moldes de injeção de grandes dimensões. Já o 420C apresenta resistência ao desgaste em temperaturas até 500ºC, destinando-se à confecção de moldes para injeção de polímeros corrosivos e abrasivos, como PVC e acrílicos.

 

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