Flexografia – Setor se renova para seguir evolução das embalagens

Os investimentos na compra de flexográficas para a impressão de embalagens plásticas flexíveis estão em alta. Com tantos incentivos para financiamento a juro baixo, o momento é dos mais propícios para os empresários modernizarem as linhas de produção providas por modelos adquiridos há mais de uma década.

Atenta à evolução do mercado de embalagens, a Antilhas adquiriu recentemente duas novas flexográficas sem engrenagens (gearless) para impressão de oito cores, investindo um total de R$ 6 milhões em seu parque industrial instalado em Tamboré-SP.

“Desde 1995, atuamos com embalagens impressas em flexografia e, ao longo desse período, fomos adquirindo novos equipamentos e observando que um dos atributos mais importantes dessa tecnologia é o input da máquina e sua capacidade de armazenar receitas e garantir repetibilidade no processo”, afirmou Samuel Lopes Oliveira, gerente industrial da Antilhas.

Após instalar os primeiros modelos, naquela época ainda com mandris metálicos, a empresa passou a selecionar impressoras com eixos fixos e, com isso, conseguiu acelerar as trocas constantes de serviços.

Dos equipamentos iniciais, que alcançavam velocidades de 250 metros por minuto, Oliveira lembra que a empresa passou a adquirir máquinas para operar à velocidade de 350 metros por minuto, e que agregam controles de registro de imagem, além de viscosímetros eletrônicos, para garantir a estabilidade das cores, desde a primeira prova até a última impressão.

“Operávamos com flexográficas com grau de resolução de imagem de 36 linhas por centímetro linear e, pouco tempo depois, passamos a imprimir com equipamentos que apresentavam capacidade de resolução de imagem de 52 linhas por cm. Hoje, com os novos equipamentos gearless, alcançamos níveis de resolução das imagens ainda mais altos e correspondentes a 60 linhas por cm.”

As novas flexográficas permitem ir além, e podem promover impressões com grau de resolução superior a 60 linhas por cm. Outras condições, porém, devem ser observadas, segundo bem lembrou Oliveira, como o tipo de gerador de imagem do clichê, gravados a laser, a estabilidade oferecida pelo equipamento, a qualidade das tintas e a qualidade do cilindro anilox, enfim, é necessário contar com um conjunto de fatores para se alcançar níveis superiores de resolução de imagem, muitas vezes extrapolando um único critério que leva apenas em conta a qualidade da impressora.

“O alto nível de qualidade da impressão flexográfica surgiu desde o momento em que a flexografia começou a competir com o sistema offset e com a rotogravura, deixando de ser o patinho feio das artes gráficas”, considerou o gerente-industrial da Antilhas.

Segundo ele, hoje as máquinas operam com configuração total, contam com registro de cores automático, viscosímetros eletrônicos, tratadores corona, detectores de defeitos e com sistema de troca automática de bobinas. “Também conseguimos realizar um set-up completo em apenas 30 minutos ou, no máximo, em 50 minutos, retirando da máquina todos os conjuntos de sleeves, reposicionando todos os clichês até efetuar a nova prova de impressão, enquanto que, com flexográficas mais antigas, o set-up pode demandar pelo menos duas horas para ser finalizado”, comparou Oliveira.

Os atuais domínios da flexografia por essas boas razões seguem além da linha do horizonte, e põem por terra as impressões sem maiores compromissos com a qualidade e a nitidez das imagens realizadas no passado. Vale lembrar que territórios de mercado antes exclusivos da rotogravura estão hoje completamente tomados pela flexografia, como das embalagens de BOPP do tipo cut-size, formadas por envoltórios para papéis sulfite, 100% impressas com flexográficas entre cinco e seis cores, segundo Oliveira.

A impressão flexográfica já conquistou as embalagens de produtos de higiene pessoal como fraldas descartáveis e absorventes higiênicos e, no presente, também vem fechando o cerco sobre o mercado de alimentos, no qual a sua participação cresce consideravelmente graças à qualidade dos equipamentos e à alta nitidez das imagens.

Plástico Moderno, Flexografia - Setor se renova para seguir evolução das embalagens
Nova tecnologia propicia cores muito mais intensas

Contudo, para ganhar mais espaço no mercado de embalagens de produtos alimentícios, segundo Oliveira, faltava identificar uma tecnologia diferenciada que pudesse agregar mais expertise à flexografia e oferecer maior intensidade às cores impressas e maior produtividade a esse tipo de impressão. Desde que a Antilhas começou a operar também com a nova tecnologia de secagem de tintas curadas por feixes de elétrons (electron beams), Oliveira acredita ter encontrado o elo que faltava para promover a evolução mais rápida da flexografia no setor de embalagens para alimentos. ”Essa nova tecnologia de secagem das tintas utilizadas na impressão flexográfica propicia cores muito mais vivas e intensas, e posiciona a flexografia exatamente no mesmo nível da impressão offset e da rotogravura”, observou.

Disponível há pouco mais de um ano na empresa, a impressão flexográfica adaptada ao equipamento de cura de tintas por feixe de elétrons vem ajudando a conquistar novos clientes ainda mais exigentes dos mercados de embalagens plásticas flexíveis de BOPP, na produção, por exemplo, de sacolas acondicionando cosméticos e com imagens impressas em altíssima resolução, incluindo também a fabricação de embalagens do tipo flow-pack para biscoitos, ricamente ilustradas e impressas em flexografia com tintas curadas por EB.

Segundo Oliveira, a cura das tintas por feixes de elétrons contribui para posicionar a impressão flexográfica em novo patamar. Por propiciar reduções de 50% no consumo de energia e não liberar compostos orgânicos voláteis (voc) para a atmosfera, eleva o conceito de qualidade e de sustentabilidade da impressão flexográfica.

Baú de recursos – O programa Finame PSI do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) realmente trouxe alento, em 2009, à renovação de máquinas flexográficas mais antigas, ao oferecer um pacote de recursos aos setores produtivos para a aquisição de novos equipamentos, sendo prorrogado, em razão do grande êxito alcançado, até 31 de dezembro deste ano.

Plástico Moderno, Odair Cardoso, Gerente de vendas da Feva, Flexografia - Setor se renova para seguir evolução das embalagens
Cardoso: Finame PSI aqueceu as vendas do mercado interno

Até então, porém, não se sabia que, em 2010, os recursos disponíveis para financiamentos seriam ainda mais generosos e específicos, pois o BNDES acaba de aprovar programa de apoio ao financiamento à cadeia produtiva do plástico, o Proplástico, com dotação orçamentária de R$ 700 milhões e vigência até setembro de 2012, renovando as perspectivas das indústrias de transformação e de convertedores de todos os portes de modernizar seu parque fabril.

“O mercado interno está muito bem aquecido graças ao Finame PSI, que hoje movimenta 90% das nossas vendas, incentivando o transformador a trocar equipamentos ultrapassados”, opinou Odair Cardoso, gerente de vendas da Feva, tradicional fabricante de máquinas flexográficas.

Segundo ele, a renovação do parque industrial está tão convidativa a ponto de existirem compradores que vendem seus equipamentos mais antigos, repondo-os por novos, transformando os valores embolsados com as vendas em capital de giro. “Convenhamos, dinheiro a 4,5% ou 5,5% ao ano nunca existiu, podendo-se ainda tomar como empréstimo 100% do valor do equipamento e a prazos longos para pagamento”, comentou Cardoso. O gerente da Feva considerou que, apenas com os recursos do Finame PSI, o aquecimento das vendas na compra de flexográficas deveria continuar pelo menos até março ou abril de 2011.

A prorrogação da linha de crédito Finame até o final de 2010 está propiciando o aquecimento das vendas de flexográficas também na Carnevalli. “Em comparação com 2009, sentimos uma pequena retração, mas o aquecimento ainda persiste neste ano”, afirmou Geraldo Constantino Júnior, da Carnevalli.

Os recursos para empréstimo às empresas a juros subsidiados realmente salvaram a pátria dos fabricantes de máquinas flexográficas a partir do segundo semestre de 2009, e seus benefícios se estendem até 2010.

Se não fossem as vendas internas, que conseguiram manter a liquidez dos fabricantes de máquinas flexográficas, o balanço financeiro das empresas poderia apresentar resultados no vermelho, desastrosos, principalmente considerando a queda vertiginosa das exportações de máquinas e as margens de lucro reduzidas por conta das baixas cotações do dólar.

Plástico Moderno, Constantino Júnior, da Carnevalli, Flexografia - Setor se renova para seguir evolução das embalagens
Constantino Júnior: alta carga tributária emperra exportações

“Estamos conseguindo, a muito custo, e sem praticamente margem alguma, nos manter no mercado externo graças à qualidade de nossos equipamentos e à nossa agressividade comercial, pois as taxas baixas do dólar tiraram a nossa competitividade lá fora”, informou Cardoso.

Segundo o gerente da Feva, a presença da empresa no mercado externo continua, principalmente nos países da América Latina, onde já colocou mais de uma centena de equipamentos e conta com a satisfação dos clientes.

“O Brasil é um país muito reconhecido na fabricação de máquinas impressoras flexográficas, principalmente na região da América Latina, em virtude do alto grau tecnológico agregado aos equipamentos, mas o grande causador dos problemas é a carga tributária excessiva que todos os empresários pagam, além do dólar em baixa, deixando quase que inviável as vendas de nossas máquinas para o exterior”, lamenta Constantino Júnior, da Carnevalli.

Gearless para exportação – A qualidade das flexográficas sem engrenagens produzidas no país vem conquistando mercados e ganhando fama no exterior graças às exportações realizadas por fabricantes nacionais.

Anos atrás, a Feva, segundo lembra Cardoso, chegou a exportar 29 máquinas da série Total Flex, com a tecnologia gearless. Os equipamentos foram comercializados para abastecer o mercado norte-americano até 2007, em razão da parceria firmada com a PCMC – Paper Converting Manufacturing, 26 delas fabricadas para a impressão de substratos flexíveis em dez cores e três delas para impressão em oito cores, sendo cada uma dessas máquinas provida de cerca de 80 servomotores, com custo representando entre 30% e 40% do total de cada equipamento.

Na visão de Cardoso, também não resta dúvida de que a tecnologia oferece alta qualidade na produção, representando a evolução da flexografia. Seu alto custo, entretanto, comparativamente às máquinas com engrenagens, em muitos casos pode frustrar uma significativa parcela do empresariado e inviabilizar novos projetos.

“Ao contrário das grandes empresas, que recebem pedidos seriados de altíssima tiragem e nas quais o retorno dos investimentos é certo e plenamente previsto em pouco tempo, a maior parte dos clientes, formada por empresas de pequeno e médio portes, considera ainda altos os preços das impressoras gearless”, também concordou Constantino Júnior, da Carnevalli.

No contraponto, então, e também bem-vindas por parcela significativa do mercado, segundo os dois especialistas, estão as máquinas com engrenagens que têm evoluído bastante em virtude das inovações em periféricos e das encomendas das empresas, solicitando a execução de projetos especiais. “Nosso departamento de engenharia desenvolve constantemente projetos customizados, adequando totalmente os equipamentos às necessidades de cada cliente”, afirmou Cardoso.

Plástico Moderno, Flexografia - Setor se renova para seguir evolução das embalagens
Infinity torna os parâmetros de impressão mais flexíveis

Um dos últimos desenvolvimentos da Feva está no sistema periférico denominado Infinity, que pode ser adaptado às impressoras tradicionais das séries Mundial e High Flex, fabricadas pela empresa. Segundo Cardoso, o sistema oferece muita semelhança à impressão realizada pelas máquinas gearless, sendo apresentado, porém, como uma alternativa de mais baixo custo, pois confere uma compensação em relação às flexográficas com engrenagens. Como exemplo, ele cita a impressão de uma embalagem de 50 cm, que pode ter seu passo de impressão esticado em dois centímetros, ou reduzido em dois centímetros, utilizando-se o mesmo cilindro e o mesmo clichê, desde que contando com a adaptação dessa inovação em periférico.

Os convertedores que já adquiriram flexográficas Feva das séries Mundial e High Flex podem se prevalecer do sistema Infinity, agregando-o às suas máquinas e tornando os parâmetros de impressão mais flexíveis.

Quem não requer esse tipo de periférico pode optar pelas máquinas da série Mundial, formadas por equipamentos de seis, oito e dez cores, e que contam com sistema de troca lateral de camisas porta-clichê e controle operacional por painel touch screen, interligado à internet, e com assistência remota.

As máquinas da série High Flex, de seis, oito e dez cores, também integrantes da oferta da Feva, foram as primeiras a oferecer ao mercado nacional o sistema de acionamento de grupos impressores por intermédio de motores de passo, guias lineares e fusos de esfera, além de troca lateral de camisas porta-clichês e comandos touch screen, segundo lembrou Cardoso.

“As grandes vantagens oferecidas pelas máquinas High Flex estão na total eliminação dos sistemas hidráulicos, que costumam causar vazamentos, após desgastes, e na robustez mecânica e precisão também oferecidas pelas máquinas gearless, incluindo o monitoramento das operações e o arquivo de todos os trabalhos realizados”, destacou Cardoso.

Entre as dezenas de projetos especiais já desenvolvidos pelo fabricante, destacam-se ainda as máquinas da linha Procoex, concebidas para a impressão de filmes coextrudados tubulares, e providas de sistema de troca automática inteligente, que permite a troca sincronizada de bobinas, sem perda de material.

As máquinas Procoex também contam com secagem das tintas catalisadas e rápidos set-ups, mas há outros desenvolvimentos inovadores da Feva voltados à linha de máquinas dedicadas à impressão de ráfia, que permitem imprimir até dez cores, sendo seis cores na parte frontal e quatro cores no verso.

“Os equipamentos de dez cores estão sendo muito requisitados por mercados especiais, como os poliésteres e os náilons com polietilenos que, além de cores especiais, utilizam primers e vernizes”, comentou Cardoso, lembrando que a empresa é a única a fabricar flexográficas de dez cores.

Segundo ele, a impressão flexográfica de poliésteres foi disseminada em vários mercados, principalmente o de produtos alimentícios, nas embalagens para biscoitos e para ovos de Páscoa, enquanto a impressão flexográfica de embalagens em náilon-polietileno, também conhecidas como embalagens-barreira, se voltou para os mercados de carnes e embutidos.

Há exatos onze anos atrás, a Carnevalli adquiria tecnologia para começar a produzir no Brasil impressoras flexográficas. “Desde 1999, ao comprarmos a tecnologia da melhor fabricante de impressoras da época, a Thunder Comat, começamos a produzir flexográficas de quatro, seis e oito cores e, desde então, desenvolvemos muitas inovações, principalmente para aprimorar o quesito set-up rápido, como camisas porta-clichês on board”, informou Constantino Júnior.

Ao longo desse período, os projetos especiais também foram incrementados, com o desenvolvimento, por exemplo, de flexográficas para a impressão de ráfia e com dois tambores centrais, permitindo a impressão de seis cores frontais e quatro cores no verso.

“Nossas impressoras flexográficas contam com vídeos scans, viscosímetros automáticos, registros eletrônicos, sistema de lavagem automática de clichês, anilox, entre outros acessórios, para oferecer maior flexibilidade de trabalho e não sofrer quaisquer interferências indesejadas”, concluiu Constantino Júnior.

[toggle_simple title=”Linhas de acesso ao Proplástico” width=”Width of toggle box”]

Produtores, fornecedores de equipamentos, recicladores e distribuidores podem se beneficiar dos recursos do Proplástico, cujo acesso é viabilizado por cinco subprogramas. O Proplástico – Produção e Modernização traz investimentos para implantação, expansão e modernização da capacidade de produção de transformados plásticos e de reciclagem, bem como aquisição de equipamentos novos, com o objetivo de aumentar a produtividade e a competitividade. O Proplástico – Renovação de Bens de Capital apoia a troca de equipamentos antigos por novos, com a inutilização (“sucateamento destrutivo”) das máquinas usadas, a fim de impedir a sobrevida de equipamentos ineficientes, com baixa produtividade, reduzida segurança do trabalhador e alto consumo de energia. O Proplast – Fortalecimento das Empresas Nacionais auxilia na incorporação, aquisição ou fusão de empresas que levem à criação de firmas de controle nacional de maior porte, de maior integração vertical ou internacionalização. Neste subprograma, o apoio será mediante instrumentos de renda variável e/ou financiamento com limite máximo de R$ 50 milhões por grupo econômico.

Investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação que possibilitem novos usos e aplicações de produtos, inclusive ligados a processos de reciclagem de material plástico, além de design oriundam do Proplástico – Inovação.

O Proplástico – Socioambiental completa o programa de financiamentos, destinando investimentos para a racionalização do uso de recursos naturais, mecanismos de desenvolvimento limpo, projetos de reciclagem e material, sistemas de gestão e recuperação de passivos ambientais. Além disso, estão contemplados projetos e programas de investimentos sociais realizados por empresas ou em parceria com instituições públicas ou entidades de fins não econômicos.

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