Flexografia: Demanda firme por embalagem aponta para recuperação das vendas da tecnologia gráfica

Plástico Moderno, Flexografia: Demanda firme por embalagem aponta para recuperação das vendas da tecnologia gráfica

Plástico Moderno, Impressora exposta pela Kromia Label Press
Impressora exposta pela Kromia Label Press

O resultado da primeira feira exclusiva de flexografia no Brasil foi excelente, apesar de ter sido promovida em um ano atípico, combinando Carnaval tardio, Copa do Mundo, eleições majoritárias e economia em crise. Essa foi a avaliação de Evaristo Nascimento, presidente da Nascimento Feiras e Eventos, organizadora da Flexo Latino América 2014 – Feira Internacional de Flexografia, Papelão Ondulado e Conversão Digital, realizada de 7 a 10 de outubro no Transamérica Expo Center. Até 2012, o setor flexográfico participou de feiras bianuais promovidas com outros segmentos.

A feira reuniu 125 marcas que exibiram, em 5 mil m2, cerca de 280 lançamentos, produtos e serviços nas áreas de pré-impressão, clicheria, máquinas impressoras de banda larga, banda estreita e papelão ondulado, acessórios e periféricos, substratos, tintas, vernizes, solventes, adesivos, publicações técnicas, entre outros. 4.600 pessoas visitaram o evento, sendo 54,8% ligados à atividade industrial, 23,5% à comercial, 19,6% ao setor de serviços e 2,1% a outros ramos.

Apesar das incertezas reinantes nos campos político – naquele instante, se sabia apenas que a presidente Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves disputariam o segundo turno – e econômico, Nascimento comentou que bons negócios foram concretizados e outros serão gerados nos próximos meses.

Fundador e atual consultor de marketing da Abflexo/FTA Brasil (Associação Brasileira Técnica de Flexografia), Júlio Cezário da Silva Filho, declarou que o segmento de flexografia costuma ter um poder de recuperação rápida, pois cerca de 70% das embalagens flexíveis e rígidas, além de rótulos e etiquetas impressas nos produtos dos supermercados utilizam esse processo de impressão.

Segundo estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), esse segmento movimentou no ano passado ao redor de R$ 52 bilhões. Silva revelou que, nos últimos anos, houve um crescimento médio em flexografia de 8% a 12%. Esse ano, não deve passar de 4%, mas nos próximos dois anos deverá atingir o patamar de 6%.

O clima entre os empresários presentes foi de otimismo, testemunhou Silva. “A Feira foi uma pequena vitrine da tecnologia flexográfica, um setor vibrante e dinâmico por natureza.”

Inédito – Pela primeira vez no mundo, foi apresentado pela Water Revolution o processo de impressão de embalagens com nanopartículas de tinta. Uma ilha de produção instalada na feira antecipou o futuro ao imprimir, in loco, diferentes tipos de substratos (polipropileno e alumínio) com nanotinta. Além disso, exibiu um vídeo para demonstrar o processo sobre papelão ondulado.

A diretora de marketing da empresa, Katia Coelho, explicou que, por ser à base de água, o processo patenteado pela Water elimina os solventes químicos e proporciona outras vantagens em relação ao sistema convencional: maior aderência em diversos substratos, secagem mais rápida, alta resistência ao atrito, maior brilho, suporte a amplas variações de temperatura (de -40 a 300ºC), aumento da velocidade de produção, atoxicidade e sustentabilidade (embalagens ecológicas).

Plástico Moderno, Silva: setor aumentará ritmo de negócios a partir de 2015
Silva: setor aumentará ritmo de negócios a partir de 2015

O diretor-técnico da Water, Paulo Hashimoto, explicou que essas características foram obtidas por meio da diminuta escala das partículas dos nanopigmentos (corante) e nanopolímeros (resina) da composição. Enquanto as partículas das tintas convencionais medem em torno de 5 micrômetros (5 milésimos de milímetro), as da nanotinta ficam em 300 nanômetros (0,3 milésimos de milímetro). Quanto menor a partícula, maiores a distribuição, interação e contato com a superfície, que garante a maior adesão.

Na palestra “Nanotintas: o futuro chegou primeiro aqui no Brasil”, Katia destacou que “o principal problema das tintas à base de água é a baixa aderência, que impede a sua utilização em alguns substratos. A nanotinta resolve esse problema por apresentar aderência, resistência e brilho equivalentes às tintas com solventes químicos e, em alguns casos, dispensa até o verniz”.

A Water Revolution deu seus primeiros passos em São Paulo, em 2012, como fornecedor de resinas e agora está lançando a nanotinta, resultado de parceria com um grupo gaúcho que fabrica nanopolímeros (e não quer se identificar) e a PUC-RS. A empresa é 100% nacional e adquiriu experiência no desenvolvimento de nanopigmentos para as indústrias de couro, têxtil e automotiva, entre outras, até que decidiu olhar para o segmento de flexografia. Atualmente, possui escritório e laboratório na capital paulista e fábrica em Cachoeirinha-RS.

Plástico Moderno, Katia: nanopartículas melhoram aderência das tintas base água
Katia: nanopartículas melhoram aderência das tintas base água

Até agora, a empresa investiu cerca de R$ 500 mil no desenvolvimento da nova aplicação ressaltou Hashimoto. “O mais difícil é quebrar o paradigma, porque o mercado trabalha com produtos à base de solvente”, disse Katia. Em que pese essa possível resistência do mercado, ela considera, no entanto, que a nanotinta “é um divisor de águas”. “O consumidor terá em suas mãos uma embalagem com tinta à base de água”, afirmou, destacando a importância da sustentabilidade para qualquer atividade.

Para as indústrias de embalagens, a novidade representará uma economia considerável de custos, pois a utilização de solventes no processo implica o pagamento de adicional de periculosidade (30%) aos empregados e também encarece o prêmio dos seguros, por representar maior risco de incêndio. O preço por quilo das tintas com base de água e solvente se equivalem.

Também deve ser lembrado que a utilização da nanotinta pode reduzir o custo das embalagens em pelo menos 30%. No caso de uma embalagem de café, por exemplo, podem ser eliminados dois filmes plásticos de barreira aos solventes.

Katia revelou ainda que a Water tem capacidade para produzir 300 toneladas/mês de resina, gerando 600 t de tinta. Como “isso é pouco para suprir o mercado potencial”, cogita-se formar uma parceria para fabricar o nanopolímero. A empresa tem uma linha de 60 nanopolímeros e cria cinco novos itens por ano.

Plástico Moderno, Drumond: sistema oferece alta definição para impressoras
Drumond: sistema oferece alta definição para impressoras

Full HD – Partindo do princípio de que as embalagens precisam transmitir vida para os produtos e imagens de alta definição, Paulo Victor Drumond, diretor comercial da ATS Color do Brasil, apresentou na feira o Full HD Flexo, um novo padrão de qualidade para impressão flexográfica: chapados fortes, cores vibrantes com detalhes, nitidez e degradês suaves.

Em parceria com a catarinense Clicheart, oferece alta definição de cores com pigmentos e moinhos de última geração. “Conseguimos um alto rendimento com o mesmo nível de preço dos produtos tradicionais”, garantiu Drumond.

As chapas aprimoradas executam a impressão com mais consistência do que as chapas flexográficas digitais padrão. As chapas Full HD Flexo têm formato de ponto controlado digitalmente. Para etiquetas, o Full HD Flexo propicia redução considerável de manchas em substratos de custo mais baixo, melhoria na densidade da tinta, redução de marcas de engrenagem e maior estabilidade em altas luzes.

Com sede em Diadema-SP, a ATS Color está concluindo a instalação de uma nova fábrica em Piquete-SP, com capacidade de 350 mil t tintas/mês. Drumond estima que US$ 4 milhões já foram investidos na nova unidade, que deverá estar em plena operação no final deste ano.

A empresa já produz de 280 mil a 300 mil t/mês entre tintas, vernizes e solução de nitrocelulose. A tecnologia é italiana. Também apresentou na Flexo uma solução simples para pequenas empresas que trabalham com solventes e necessitam verificar o seu grau de pureza sem gastar muito: basta aplicar algumas gotas do produto que a coloração indicará se a qualidade do solvente é boa ou não.

Plástico Moderno, Kromia exibiu máquina com cilindro refrigerado que evita enrugamento
Kromia exibiu máquina com cilindro refrigerado que evita enrugamento

A Kromia Label Press, de Itaquaquecetuba-SP, apresentou como novidade a impressora linha 2015 Kromia Ice. A máquina possui um cilindro refrigerado que mantém o substrato em temperatura estável (evita o enrugamento, por exemplo), informou Peterson dos Santos Rodrigues, representante técnico.

O equipamento, com tecnologia nacional, trabalha com 6 a 12 cores, cold foil, laminação e faz hot stamping. Pode processar até 100 m por minuto de filme plástico, com larguras variando de 10 a 20 polegadas. Além disso, imprime frente e verso e tem sistema de video scan. Utiliza tinta à base de água, solvente e curável por UV. Atuando há mais de sete anos no mercado flexográfico, a Kromia produz: impressora modular ice; impressora modular x-premium; impressora modular x-master; revisora vertical x-master; e revisora horizontal master.

Há 8 anos no mercado, a paulistana WV Máquinas aposta na impressora flexográfica de 4 cores que imprime embalagens plásticas. Na Flexo, exibiu a WV-F800, capaz de produzir 180 m/min. O diretor Walter Almeida do Carmo enumerou os pontos fortes do equipamento que possui tecnologia 100% nacional: funções comandadas por CLP e IHM, com programação e indicação das funções da máquina por turno; alinhador eletrônico e pneumático; célula de carga para controle de tensão; troca rápida de mancais; eixos expansivos; freios eletromagnético ou pneumático; motor CA com inversor de frequência; bobinadores com motor CA com encoder. Pode processar PE, PP, PPT, BOPP, laminados e papéis,

Plástico Moderno, Almeida: WV-F800 imprime em quatro cores a 180 m/minuto
Almeida: WV-F800 imprime em quatro cores a 180 m/minuto

Carmo se mostrou otimista com o desempenho da demanda: “É um equipamento simples, porém funcional. Apostamos no trabalho sério e honesto, com qualidade no pós-venda e na assistência técnica.”

A WV fabrica impressoras flexográficas banda larga e estreita, de 1 a 10 cores, rebobinadeira e laminadoras. No último ano, desenvolveu a sua primeira impressora com 8 cores.

Novo adesivo – A Coim (Chimica Organica Industriale Milanese) lançou na feira o adesivo de altos sólidos com base solvente para aplicação em embalagens flexíveis, o Novacote NC-65 com seu catalisador CA-38G. O produto permite redução de custo, aumento de produtividade e é ecologicamente correto, explicou o gerente de desenvolvimento, Carlos Gandolphi,

Também aproveitou o evento para lançar o AP 5672-PU Elastomérica. Trata-se de uma resina especial para fabricação de tintas, podendo ser utilizada sozinha, sem uso da nitrocelulose. De acordo com Gandolphi, o produto tem excelente resistência química e adesão em diversos substratos, não amarela quando exposto à luz solar e pode ser dissolvido em álcool.

Plástico Moderno, Gandolphi: adesivos com altos sólidos têm vantagem ambiental
Gandolphi: adesivos com altos sólidos têm vantagem ambiental

De origem italiana (Milão), a Coim inaugurou em agosto, em Vinhedo-SP, um galpão de logística, parte de um plano de investimentos realizados, nos últimos anos, no país, da ordem de R$ 25 milhões. Para 2016, a empresa projeta a compra de um novo reator para fabricação de elastômeros, outro para a fabricação de adesivos para flexíveis e um novo grande reator para a fabricação de poliéster e sistema para solados.

O centro logístico tem capacidade para 1.710 posições (paletes) para área de produtos não inflamáveis e mais 672 posições para área de inflamáveis. A empresa tem como meta faturar 10% a mais neste ano, em comparação com o desempenho do ano passado, diante de uma expectativa de crescimento de 2% a 2,5% no segmento químico.

A Coim possui unidades fabris na Itália, Brasil, Estados Unidos, Índia e Singapura e centros de pesquisa na Itália, França, Inglaterra, Alemanha e Brasil. Os centros de negócios estão espalhados em 17 países.

A italiana BiesSse, que tem filial brasileira desde 2004, em Pinhais-PR, e comercializa fitas adesivas dupla-face para impressões de embalagens flexíveis (fitas adesivas, de polipropileno e poliéster), está investindo cerca de 500 mil euros na instalação de uma unidade industrial no país. “Até 2016, a fábrica ficará pronta”, prevê o diretor geral, Jonas Magalhães.

Plástico Moderno, Magalhães: Biessse terá fábrica local de fitas adesivas até 2016
Magalhães: Biessse terá fábrica local de fitas adesivas até 2016

A nova planta está dimensionada para uma capacidade de produção inicial da ordem de 600 a 800 rolos dupla face por mês. A partir de então, a BiesSse contará com três polos industriais no mundo: Itália, China e Brasil. E Magalhães já antecipa que a meta a longo prazo é expandir essas unidades de produção.

Na Flexo, a empresa apresentou vídeo da máquina PRT (pressure roller trolley machine), o mais recente resultado dos seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Entre as soluções mostradas ao público, destaque para a BS Mount, uma gama de produtos composta por seis diferentes combinações de padrões de adesivos dupla face, duas faixas de espessura (0,38 e 0,50) e nove cores diferentes para espessuras correspondentes e combinações de compressão, usados principalmente na impressão de etiquetas flexográficas, material de embalagem flexível e papelão liso na pré-impressão.

Plástico Moderno, Estande da Water demonstrou impressão com as nanotintas
Estande da Water demonstrou impressão com as nanotintas

Magalhães citou que a BS Flex é ideal para cartões de pós-impressão e para operações relevantes de pré-montagem do clichê de borracha ou de chapas de fotopolímero aplicados em folhas de Mylar ou diretamente nos cilindros de aço. Também se divulgou a BS Firm, gama de adesivos à base de borracha (estilo molhado) com nível médio/elevado de adesão, equilibrando em ambos os lados, utilizados principalmente em impressão flexográfica e tipográfica de embalagens flexíveis e rótulos.

A próxima edição da Flexo será em 2016, também um ano de eleições. Nascimento planeja realizá-la, provavelmente, antes do pleito municipal. E está otimista desde já: “Minha expectativa é dobrar o espaço da exposição.”

Para 2015, está agendada a Conferência Internacional de Flexografia: 2 e 3 de setembro, em São Paulo, na sede da Fecomércio (veja mis em www.conferenciaflexo.com.br).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios