Flex traz ao Brasil primeira impressora 3D industrial da HP

A HP, empresa norte-americana com forte participação no mercado de impressoras 2D, entrou há dois anos no mercado de impressão 3D com o lançamento, nos Estados Unidos, do modelo Multi Jet Fusion.

Sucesso de vendas no país de origem, o modelo passa a ser comercializado no Brasil pela SKA, representante comercial da marca no mercado nacional.

Não se trata de uma impressora 3D para uso em escritórios ou mesmo para a construção de protótipos utilizados pela indústria.

O modelo é voltado para a manufatura digital de grandes volumes de peças, prática incipiente em todo o mundo e vista como de enorme potencial de crescimento nos próximos anos.

A primeira unidade a ser adquirida no Brasil (e em toda América Latina) está operando há cerca de dois meses na Flex, empresa localizada em Sorocaba-SP.

Claudio Raupp, presidente da HP Brasil, informa que a Multi Jet Fusion é revolucionária.

“Ela é dez vezes mais veloz na impressão de termoplásticos do que as impressoras 3D oferecidas no mercado. Também imprime peças em metais, e nesse caso é cinquenta vezes mais rápida do que as concorrentes”, afirma.

As vantagens não param por aí, continua o executivo. O custo, a qualidade e o tempo necessário para a confecção de peças são bastante competitivos em relação ao método de injeção de termoplásticos, no caso de tiragens de até 110 mil peças. Desde, é lógico, que essas peças tenham volumes compatíveis com as dimensões da bandeja na qual são impressas.

“Podemos citar o caso de engrenagens ou outros itens presentes nos automóveis”, exemplifica.

Esse número pode crescer rapidamente. Em 2017, ano de lançamento do equipamento, o custo da matéria-prima em pó, usado na impressora, era bastante superior ao da extrudada, utilizada na injeção. “Na época, a impressora era vantajosa para tiragens até 55 mil peças”.

Hoje, o custo do pó fica em torno de cinco vezes o do material extrudado.

Plástico Moderno - Impressora 3D HP Jet Fusion modelo 4200
Impressora 3D HP Jet Fusion modelo 4200

“A evolução da impressão 3D vai proporcionar o crescimento da escala de produção das matérias-primas em pó e deve aproximar os preços. Quando a relação do custo entre a matéria-prima usada na impressora e a na injetora cair para 1,5, poderemos extrair tiragens de um milhão de peças com preços competitivos em relação à injeção.”

A HP trabalha com vários fornecedores de resinas com o objetivo de desenvolver novas formulações.

“Podemos citar nomes como Arkema, Basf, Evonik, Lubrizol, Henkel e outros”. Vários materiais plásticos podem ser utilizados e estão sendo desenvolvidos. “Entre eles se encontram diferentes formulações de poliamidas”, exemplifica.

Raupp justifica a competitividade do processo. “A confecção das peças por meio da injeção é mais rápida. Mas ela só começa depois das etapas de projeto e construção dos moldes, que exigem tempo e elevado investimento. Na impressora, basta ter o desenho da peça para começar a imprimi-la de maneira imediata”.

De quebra, com a impressão, o design da peça pode ser aperfeiçoado de modo a economizar matéria-prima sem comprometer seu desempenho, o que nem sempre é possível fazer utilizando o processo de injeção.

“Também é possível obter peças com formato complexo em uma única operação. No caso da injeção, isso nem sempre ocorre, em alguns casos as peças precisam ser fabricadas em duas ou mais etapas e depois montadas”.

Pioneira – A Flex, primeira empresa a equipar uma planta na América Latina com uma injetora HP Multi Jet Fusion, surgiu na década de 70 nos Estados Unidos como fornecedora de placas impressas para empresas de informática.

Com o passar dos anos, ampliou seu campo de atuação e hoje tem como foco principal desenvolver e produzir componentes e equipamentos para multinacionais que terceirizaram linhas de produção de vários equipamentos.

Hoje, conta com mais de 120 operações em todo o mundo, entre as quais a fábrica localizada em Sorocaba-SP. Atende doze segmentos de mercado e tem entre seus clientes nomes como Xerox, IBM e a própria HP.

Plástico Moderno - Santos (Flex, esq.) e Raupp (HP) à frente da impressora adquirida
Santos (Flex, esq.) e Raupp (HP) à frente da impressora adquirida

Leandro Santos, vice-presidente da empresa no Brasil, explica que a aquisição da impressora representa ótima oportunidade para a empresa desenvolver e lançar produtos.

Um dos primeiros projetos da empresa feitos com a ajuda da máquina é um dispositivo detector de falhas de distribuição de energia, todo fabricado de plástico.

“Nós desenvolvemos o protótipo do dispositivo com a ajuda de uma impressora 3D comum”, explica. Definido o desenho, a empresa vai passar a fabricar o produto com a ajuda da Multi Jet Fusion.

“Acredito que vamos vender de 60 mil a 100 mil dispositivos nos próximos cinco anos”.

Além de utilizar a impressora, a Flex tem todo o interesse de que a venda dessas máquinas se transforme em sucesso no mercado nacional.

“Caso a procura cresça muito e alcance uma escala que justifique o investimento, poderemos fabricar essas impressoras para a HP em nossa planta no Brasil, no futuro”, informa o vice-presidente.

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