Fispal: Plásticos mostram redução de peso e aumento de praticidade

Aptar exibiu a tampa Volcano, com peso reduzido para 7 g ©QD Foto: Divulgação
Aptar exibiu a tampa Volcano, com peso reduzido para 7 g

Pouco mais de 39 mil visitantes, que puderam ter contato direto com os produtos e serviços destinados aos fabricantes de produtos alimentícios por aproximadamente 1,5 mil marcas expositoras: esses são alguns números da 35ª edição da Fispal Tecnologia, realizada no final de junho em São Paulo.

Pela primeira vez em sua história, esse evento incluiu uma rodada internacional de negócios que, com a participação de empresas da Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, gerou negócios de aproximadamente R$ 13 milhões. Além disso, manteve-se a rodada de negociações com os clientes brasileiros, na qual, de acordo os organizadores, foram estabelecidas transações envolvendo pouco mais de R$ 10 milhões (quantia 8% superior à da edição anterior).

Em sua oferta de conteúdo, a Fispal Tecnologia seguiu considerando vertentes mais atuais da indústria alimentícia, incluindo, por exemplo, um inédito painel específico para produtos veganos, aos cuidados da Sociedade Vegetariana Brasileira, e apresentando novamente uma seção dedicada às cervejas artesanais, realizada pela primeira vez no ano passado. Com um total de aproximadamente duzentas horas, o conteúdo abordou também embalagens, Indústria 4.0 e marketing digital, entre outros temas.

Nas páginas seguintes, informações sobre os lançamentos e os destaques apresentados por expositores do evento vinculados à indústria do plástico.

Fabricantes de embalagens – A grande novidade mostrada pela Amcor foi a nova garrafa de PET, com 600 ml, da cerveja brasileira Salzburg. “Essa embalagem tem muita personalidade, atende a grande sensibilidade do produto à luz e umidade, entre outras exigências”, diz Rodrigo Minami, coordenador comercial da empresa, que aproveitou o evento para lançar também a embalagem, também de PET, da vodca nacional Stoliskoff, em garrafas de 900 e 1.750 ml.

Multinacional de origem australiana, no Brasil, a Amcor possui três fábricas de embalagens rígidas e uma de embalagens flexíveis. Embalagens rígidas feitas de PET correspondem a cerca de 85% de sua produção. No segmento de flexíveis, produz embalagens de filmes laminados.

Outra fabricante de embalagens, a Fortuce, divulgou sua especialidade: embalagens sopradas de PET e PE, que ela produz para acondicionar de 80 a 1.300 gramas de produto, especialmente lácteos, que demandam aproximadamente 95% de sua produção. “Também trabalhamos com a fabricação de embalagens para sucos e outras bebidas”, informa o diretor Hiran Dias.

Com fábricas localizadas nos municípios de Miraí-MG e Itaperuna-RJ, a Fortuce cobre todo o território nacional. “Quando necessário, elaboramos todo o projeto para os clientes, começando pelo design da embalagem”, comenta Dias.

Na Emplas, a atuação no setor alimentício é hoje mais intensa no segmento dos ingredientes, como aromas, essências e outros, para o qual fornece principalmente bombonas (seus mercados mais fortes são as indústrias química e agroquímica). Na Fispal, ressaltou as embalagens cilíndricas, que perderam espaço para as retangulares, cujos diferenciais logísticos são mais favoráveis.

Mas as embalagens cilíndricas, pondera o diretor Paulo César Tavares, podem receber decoração que lhes confere visual mais atrativo, capaz de diferenciar melhor cada marca de suas concorrentes. “Essa diferenciação pode ser interessante mesmo para marcas que não seguem para o consumidor final, como é o caso das bombonas que acondicionam nossos produtos destinados à indústria alimentícia, e também para fertilizantes e demais agroquímicos, entre outros produtos”, diz o diretor da Emplas, empresa especializada em PEAD, com uma linha de PET para algumas aplicações, que atua também com embalagens para tintas, produtos de limpeza e suplementos alimentícios, entre outros segmentos.

Especializada em tampas, a Aptar apresentou três novidades: uma delas, a tampa Volcano, para as chamadas ‘embalagens invertidas’, hoje intensamente utilizadas por atomatados e maioneses, entre outros produtos. “Apresentamos a primeira tampa para embalagem invertida em 2012, e ela pesava 12 gramas; na linha Volcano, esse peso foi reduzido para 7 gramas”, observa Ana Toledo, diretora de desenvolvimento de mercado da Aptar na América Latina. “As tampas dessa linha têm três orifícios diferentes, até porque embalagens invertidas começam a ganhar espaço em outras categorias de produtos, como molho de pimenta e azeites”, ela acrescenta.

A Aptar mostrou ainda uma tampa flip top para bebidas, hoje usuárias em maior escala de tampas rosqueadas destacáveis, como águas, sucos, e mesmo bebidas carbonatadas, que deve chegar ao mercado no próximo ano, além de outra tampa flip top, esta para embalagens flexíveis (denominadas, respectivamente, Flip Lid e Quick Flip).

Resinas, adesivos, rótulos – No mercado desde 1982, a distribuidora de resinas Replas aproveitou sua presença na feira para divulgar itens que há cerca de um ano produz na fábrica que inaugurou em Manaus-AM: entre eles, bobinas de filmes de polietileno e polipropileno cast, indicados para embalagens flexíveis.

Entre outros produtos demandados pela indústria de alimentos, a Replas distribui bobinas de filmes de BOPP fabricados pela Videolar (transparentes, metalizados e perolados), em diversas gramaturas. “Trabalhamos com várias outras resinas, temos forte atuação nos mercados de PS e PVC”, ressalta Santiago Gallo, engenheiro de vendas da empresa.

Aplik Label, da Kromos, aplica rótulos adesivos às embalagens ©QD Foto: Divulgação
Aplik Label, da Kromos, aplica rótulos adesivos às embalagens

Por sua vez, a multinacional de capital italiano Coim, com fábrica em Vinhedo-SP, exibiu linhas de tintas para filmes flexíveis e adesivos. Com elevadas concentrações de pigmentos e vernizes tecnológicos, as tintas solventes de base poliuretânica, informa a empresa, apresentam elevada resistência térmica e química, e permitem boa adesão aos filmes de PET, BOPP, PE e outros materiais, sem necessidade de primers. “Elas podem ser usadas em processos de flexografia e rotogravura”, informa o assistente técnico Celso Machado.

No estande da Kromos, o lançamento foi uma máquina para a aplicação de etiquetas adesivas produzidas pela Aplik Label (empresa integrante do mesmo grupo empresarial). A Kromos, diz o diretor comercial Cleiton Pontim, produz etiquetas shrink e adesivas, e através da Aplik Label já fornecia também máquinas para a aplicação do primeiro desses dois tipos de produtos. “Agora passamos a ter também máquinas para aplicação de etiquetas adesivas, hoje muito utilizadas em molhos, bebidas, lácteos”, e ressalta Pontim.

Selagem, envase, rotulagem – Há quase meio século produzindo máquinas para embalagem a vácuo e termoformadoras, entre outros equipamentos, a Selovac lançou seladoras próprias para formar tampas em bandejas de PP ou PET, filmes para atmosfera modificada e filmes skin para vácuo.

Além de melhorar a exposição dos produtos nas gôndolas, essa tecnologia das bandejas seladas, afirma Willy Borst, diretor comercial da Selovac, garante maior vida útil aos alimentos. “Por isso, essas embalagens vêm ganhando espaço em categorias como carnes bovina e suína, peixes, fatiados, comida pronta, entre outros produtos alimentícios”, afirma.

Seladora a vácuo da Selovac aumenta a vida de prateleira ©QD Foto: Divulgação
Seladora a vácuo da Selovac aumenta a vida de prateleira

E no estande da Zegla a novidade era uma enchedora híbrida, capaz de encher com líquidos tanto embalagens plásticas quanto latas (ou, em outra opção, tanto vidro quanto lata). “Isso evita que o cliente precise ter máquinas diferentes para diferentes tipos de embalagem”, ressalta Manoel Ramos Cepeda, da engenharia de vendas da empresa, que oferece sistemas completos de envase, em todas suas fases, da despaletização das matérias-primas à paletização do produto final, passando pelo envase propriamente dito e pelo empacotamento, entre outras etapas.

Equipamentos para PET – A Multipet divulgou em seu estande o lançamento de dois novos modelos de máquinas de sopro para embalagens PET, programados para ocorrer até o final deste ano. São eles os modelos EVO 4 e a MP 2000.

A EVO 4 tem quatro cavidades, automática e elétrica, que opera com alimentação contínua. Possui forno de aquecimento contínuo e controle de processo sofisticado. “Ela é capaz de produzir até 8 mil garrafas de 500 ml por hora, ou 2 mil de até 3 litros”, informa o gerente comercial Marcius de Souza. A MP 2000 é semiautomática, fornecida com duas, três ou quatro cavidades, e produz recipientes com até 3 litros de volume. “Quando opera com quatro cavidades, ela produz 2,4 mil garrafas de até 500 ml por hora”, destaca Souza.

Também fabricante de sopradoras para embalagens PET, a austríaca PET Technologies produz máquinas automáticas ou semiautomáticas, com capacidade para produzir recipientes de 200 ml a 40 litros. Essas máquinas, informa Tetiana Pronikova, diretora de desenvolvimento regional da empresa para a América Latina, podem produzir até 14 mil garrafas por hora. “Nas máquinas para embalagens até 5 litros, a produção é de 2,5 mil garrafas de 2,5 l por hora. Já na de garrafas de PET com 20 a 30 litros, chega a 250 unidades por hora”, exemplifica.

A PET Technologies, diz Tetiana, conta com representante comercial no Brasil e também projeta e produz os moldes para as embalagens sopradas de PET: “Fabricamos moldes tanto para as nossas, quanto para outras máquinas de sopro”, enfatiza.

Moldes para embalagens sopradas de PET constituem a especialidade da Moldes Brasil, que, de acordo com o diretor comercial Ederson Buco, realiza com a indústria alimentícia cerca de 60% de seus negócios, e compareceu a essa nova edição do evento visando principalmente captar novos clientes, aos quais destacava características como prazo curto de entrega, custo acessível e produto de qualidade.

A Moldes Brasil, prossegue Buco, participou das edições da Fispal Tecnologia desde 2014, mas a participação nesse gênero de eventos vem sendo dificultada pela realização, em sequência, de feiras diferentes, mas que atingem públicos ao menos em parte coincidentes: caso dessa mais recente edição da própria Fispal Tecnologia e da Plástico Brasil, que este ano foram realizadas com um intervalo inferior a três meses. “É difícil trabalhar com feiras acontecendo uma logo após a outra, o investimento é muito elevado”, pondera Buco. “O ideal seria uma alternância, com uma feira acontecendo em um ano e a outra no ano seguinte”, finaliza.

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