Revestimento de Fios e Cabos Economiza Energia e dão Mais Segurança aos Usuários

Reportagem da Revista Plástico Moderno

Empresas do setor de fios e cabos elétricos e de telecomunicações também sentem os efeitos da pandemia. Conforme o segmento industrial atendido, as vendas sofreram em maior ou menor escala.No segmento mais importante, o de cabos padronizados utilizados em instalações elétricas residenciais e prediais, as coisas vão bem.

Como a construção civil permaneceu em atividade desde a chegada do vírus, os representantes da indústria que atuam nesse nicho não enfrentam queda significativa em suas vendas. Algo parecido ocorre na área de telecomunicações.

Por sua vez, cabos e fios para a indústria automotiva tiveram a procura reduzida. As projeções de desempenho para o ano de 2021 ainda não estão muito claras.O enfrentamento da pandemia é aspecto muito importante para a evolução das vendas. Maior velocidade da vacinação da população pode trazer boas notícias.

A recuperação do mercado internacional, que se mostra aquecida, preocupa por conta da elevada demanda de uma série de matérias-primas hoje escassas e com forte tendência de aumento de preços.

De acordo com o Sindicato da Indústria de Condutores Elétricos, Trefilação e Laminação de Metais Não Ferrosos do Estado de São Paulo (Sindicel), o faturamento do setor de fios e cabos em 2019 ficou na casa dos R$ 6,16 bilhões.

Fios e Cabos: Ao todo existem 156 fabricantes nacionais ou internacionais com plantas industriais no país com marcas licenciadas pelo Inmetro.

A matéria-prima mais consumida em peso para a produção dos fios e cabos é o cobre, algo próximo de 150 mil toneladas por ano.

Sem quantidade verificada, o plástico é usado como revestimento e está presente em quase todos os produtos oferecidos.

“A cobertura dos fios e cabos é especificada por legislação própria e segue critérios rígidos de isolamento e não propagação de fogo”, revela Enio Rodrigues, diretor executivo do Sindicel.

As características desejadas fazem o uso de compostos ter participação para lá de importante no mercado.

A maioria deles têm como base o PVC e o polietileno, embora também sejam aproveitadas outras resinas, algumas sofisticadas usadas em operações em ambientes degradantes.

Especialistas em compostos e grandes companhias do ramo químico investem quantias significativas em pesquisa e desenvolvimento para o surgimento de fórmulas com melhor desempenho específico para as diversas aplicações.

A preocupação com a reciclagem também existe, em especial por conta dos valores elevados dos componentes metálicos presentes nos fios e cabos, casos do cobre e do alumínio.

Os componentes plásticos, uma vez separados das partes metálicas, também são passíveis de serem reciclados.

Atenção especial deve ser dada ao descarte incorreto dos produtos por parte dos usuários finais ou mesmo pelas empresas de transformação.

Muitos apelam para a queima dos cabos para a recuperação dos metais ao invés de optar pela separação mecânica dos plásticos, o que prejudica o meio ambiente.

Palavra de Fabricante de Fios e Cabos

A inovação é preocupação constante dos fabricantes de fios e cabos, desafiados a atender as demandas que surgem quando aparecem necessidades especiais ligadas a novas aplicações ou oportunidades de melhorias de desempenho em usos tradicionais.

Uma dessas empresas é a Prysmian, presente em 50 países e com atuação no Brasil há mais de 90 anos. Marcondes Takeda, gerente de engenharia, revela uma inovação recente:

Plástico Moderno - Revestimentos adequados dão mais segurança e economia de energia para os consumidores ©QD Foto: iStockPhoto
Marcondes Takeda da Prysmian

“O Grupo Prysmian foi inovador no segmento elétrico ao incorporar em seus produtos o biopolietileno, ‘plástico verde’ obtido do etanol, uma origem renovável”, exemplifica.

A Prysmian atua nos segmentos de transmissão e distribuição de energia hidrelétrica, eólica, solar, fotovoltaica e nuclear, junto a vários segmentos industriais, como o automobilístico e de óleo e gás, entre outros, além de fornecer para obras de infraestrutura, como as de transportes e telecomunicações.

Também está presente em redes varejistas, lojas de materiais de construção e home centers com produtos para construção e reformas residenciais de pequeno porte.

Takeda explica que para cada aplicação são utilizados revestimentos adequados, produzidos com diferentes resinas e compostos.

Entre elas compostos baseados em PVC, polietileno termoplástico, polietileno reticulado e outros materiais.

Cabo triplo de cobre fabricado pela Prysmian Plástico Moderno - Revestimentos adequados dão mais segurança e economia de energia para os consumidores ©QD Foto: iStockPhoto
Cabo triplo de cobre fabricado pela Prysmian

Compostos

A necessidade de obtenção de revestimentos com excepcional resistência a temperatura e isolamento, além de cores que atendam os padrões desejados, fazem com que o uso de compostos seja obrigatório em muitas situações.

Não por acaso, várias empresas especializadas têm no setor de fios e cabos seus principais clientes.

“No Brasil, os compostos são fornecidos por empresas como Karina, Dacarto e Polyexcel, entre outras menores. Alguns compostos são importados de países como China e Índia, entre outros”, explica Rodrigues, do Sindicel.

Presente em vários campos de atuação, a Karina tem no mercado de fios e cabos seu principal cliente.

Para esse nicho de mercado a empresa oferece as linhas Karinpex e Karintox, além de compostos de PVC.

A linha Karinpex é formada por compostos à base de polietileno com características modificadas conforme a necessidade do cliente.

Os compostos são reticuláveis quimicamente e indicados para a cobertura de fios e cabos elétricos.

A série Karintox oferece compostos termoplásticos.

Têm propriedades antichama e são livres de halogênios, o que resulta em baixa emissão de fumaça e gases tóxicos.

É destinada para fios e cabos conhecidos como SHF1 ou LSZH/A, amplamente utilizados em isolamento, enchimento, capa interna ou cobertura de fios e cabos que precisam atender a algumas normas específicas, entre elas a NBR 13248.

A linha de compostos de PVC possui produtos para cabos usados em elevadas temperaturas (70°C, 75°C, 90°C, 105°C e 125°C).

Podem ser aproveitados em diversas aplicações e são oferecidos com diversos tipos de aditivos (antichama, anti-UV, resistente a combustíveis, a baixas temperaturas e outros).

A empresa ressalta possuir laboratórios modernos para análises de liberação de produtos e para pesquisa e desenvolvimento.

Uma das preocupações informadas é a de buscar no mercado internacional tecnologias capazes de agregar qualidade aos produtos oferecidos.

Especializada em compostos e masterbatches, a Dacarto também têm no mercado de fios e cabos seu cliente principal, tanto em volume de vendas quanto em faturamento.

De acordo com o diretor comercial Paulo Reche, a empresa oferece grades para a fabricação de produtos para isolação nas linhas de energia, telecomunicação e automobilística.

Entre Fornecedores dos Produtos Citados nesta Reportagem Consultando o GuiaQD

A linha mais antiga da empresa para esse nicho de mercado é formada por compostos de PVC.

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Paulo Reche da Dacarto

“O composto de PVC é fortemente empregado no segmento devido suas características dielétricas, de não propagação de chama e sua versatilidade em atender diversas particularidades, podendo receber aditivos de proteção a raios UV e até mesmo para resistência a óleo e graxas”.

Uma novidade nessa família de produtos é o lançamento de compostos de PVC que não contêm em suas formulações metais pesados e ftalatos.

Recentemente, a Dacarto importou equipamentos necessários para a produção de compostos de polietilenos termoplásticos/termofixos grafitizados.

“Eles são altamente empregados em isolação de cabos antichama com baixa emissão de fumaça e gases nocivos. São livres de halogênio e apresentam resistência a elevadas temperaturas de trabalho (90°C) e maior capacidade de condução de corrente e resistência à abrasão”.

A linha de termoplásticos é denominada de Awamox, formada por compostos retardantes à chama, livre de halogênio e com baixa emissão de fumaça e gases nocivos.

A de termofixos, chamada Awamex, é formada por compostos de polietileno grafitizados que, quando reticulados, tem suas propriedades térmicas e mecânicas melhoradas, rigidez dielétrica alta.

Quando associados a alguns aditivos, conferem características de resistência ao trilhamento elétrico e ao intemperismo.

PVC: A brasileira Braskem participa no mercado de fios e cabos na condição de fabricante da resina.

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Almir Cotias da Braskem

“O PVC é amplamente conhecido por ser um material isolante elétrico, atóxico, inerte, com excelentes propriedades antichamas. Além disso, possui alta flexibilidade, boa resistividade elétrica, resistência à abrasão e ótima relação custo/benefício”,

explica Almir Cotias, responsável pelo negócio de vinílicos.

Outra propriedade destacada é a de ser um material 100% reciclável, que pode ser recuperado inúmeras vezes.

A resina é fornecida para a fabricação de compostos.

“O Brasil conta com grandes empresas de compostos de PVC para atender o segmento de fios e cabos, produtos personalizados para as mais diversas aplicações e produzidos dentro de rígidos padrões de segurança e qualidade”.

A formulação mais procurada pelos clientes é o Norvic SP 1000.

Ela é destinado a produtos rígidos e flexíveis e apresenta rápida absorção de plastificantes, boa processabilidade, alta transparência e brilho, além de boa estabilidade térmica.

Outro produto com boa demanda é o Norvic SP 1300FA, voltado ao mercado de compostos de PVC para fios e cabos de alto desempenho, que requerem elevadas propriedades mecânicas.

Para Cotias, o segmento de fios e cabos tende a ser alavancado pelo setor de construção civil. “Apesar dos desafios da pandemia, o segmento vem mantendo suas vendas, salvo algumas aplicações específicas”.

O mercado também tem se mantido aquecido com muitos projetos de telecom e energia em andamento.

Apesar da crise, ele acredita em crescimento expressivo em 2021.

“Importante ressaltar que as empresas produtoras de compostos seguem investindo nas suas capacidades produtivas buscando atender a demanda crescente de mercado”.

Polímeros Especiais

Em determinadas aplicações, as condições críticas do ambiente de trabalho exigem soluções diferenciadas.

Para atender esse mercado, o Grupo Solvay possui amplo portfólio de polímeros especiais para revestimentos de fios e cabos.

São oferecidas as linhas Radel PPSU, AvaSpire PAEK, KetaSpire PEEK, Hyflon MFA/PFA, Halar ECTFE e Torlon PAI e Radel PPSU.

Alexandre Simões da Solvay Plástico Moderno - Revestimentos adequados dão mais segurança e economia de energia para os consumidores ©QD Foto: iStockPhoto
Alexandre Simões da Solvay

“Todos são de fácil processamento”, garante Alexandre Simões, gerente dos mercados de Petróleo e Gás, Indústria e Eletroeletrônicos na América do Sul.

De acordo com Simões, os polímeros especiais são amplamente demandados no revestimento de cabos industriais.

De acordo com Simões, os polímeros especiais são amplamente demandados no revestimento de cabos industriais.

Eles conferem propriedades de isolamento térmico, resistência à abrasão, alta resistência à corrosão e retardamento de chamas bem como elevada constante dielétrica.

“Essas são especificações relevantes para diversos segmentos como, por exemplo, indústria de petróleo e gás, mercado automotivo, motores elétricos, fogões e fornos, cabos de sinais, eletroeletrônicos e sensores de temperatura, entre outros.

Um lançamento recente da empresa é o produto PEEK XT.

“Ele apresenta desempenho mecânico superior quando submetido a temperaturas aproximadas de 175ºC e retenção de propriedades dielétricas em temperaturas aproximadamente de 250ºC”.

O produto se destina a aplicações em condições as mais severas, caso por exemplo dos conectores elétricos usados em poços de petróleo de alta profundidade.

O segmento de petróleo e gás, não por acaso, tem sido grande responsável pelo crescimento contínuo das vendas dos polímeros especiais da empresa, a despeito dos problemas gerados na economia pela pandemia.

“Nossas expectativas para 2021 são ainda melhores, a exploração do pré-sal brasileiro se encontra em crescimento acelerado”.

Dow: Divisão especializada em Revestimentos de Fios e Cabos

A Dow possui unidade de negócios dedicada ao setor, a Dow Wire & Cable. Ela é composta por especialistas e centros de tecnologia para o desenvolvimento de soluções voltadas para a melhoria do desempenho de fios e cabos.

Para tanto, são pesquisados diversos materiais, como compostos de polietileno, elastoméricos e de silicone.

Marcello Mori da DOW Plástico Moderno - Revestimentos adequados dão mais segurança e economia de energia para os consumidores ©QD Foto: iStockPhoto
Marcello Mori da DOW

“Desenvolvemos produtos para atender os mais diversos desenhos de cabos que seguem normas de âmbito regional e global, com o objetivo de oferecer ampla variedade de compostos”,

informa Marcello Mori, diretor de marketing da América Latina para a divisão de Infraestrutura, Consumidor e Transporte.

A empresa fornece produtos para fabricantes que atuam nas áreas de transmissão de energia em alta, média e baixa tensão, fibra óptica, cabos metálicos para teleconumicações e para os usados em energias renováveis, como a eólica e a fotovoltaica.

Entre as marcas oferecidas se encontram SI-LINK e Redi-LINK, Axeleron, Endurance, Ungard, Nordel e Engage.

Mori anuncia para esse ano o lançamento de dois novos produtos para o segmento de linhas aéreas compactas de média tensão.

A aplicação requer duas características específicas: alta resistência ao trilhamento elétrico e à exposição de raios ultravioleta.

Os novos produtos são o masterbatch catalisador SI-LINK A-5492GY e o masterbatch enriquecido com aditivo SI-LINK A-9200GY.

De acordo com o gerente, a pandemia não trouxe mudanças significativas nos negócios voltados para esse nicho de mercado.

“Nós nos mantivemos estáveis”. Ele acredita que a região latino-americana demandará nos próximos anos por projetos de infraestrutura que incluem o setor de energia renovável, fibra óptica e 5G, além do crescimento do consumo de energia elétrica tanto na indústria como na agricultura.

PA, PBT, PEEK …

O aditivo para compostos retardantes à chama Tegomer FR 100 é uma das novidades da multinacional Evonik.

A empresa possui linha bastante diversificada de materiais para revestimentos de fios e cabos.

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Carla Camilo da Evonik

“São materiais de alto desempenho com excelentes propriedades química, térmica e mecânica, utilizados na fabricação de revestimentos pelo processo de extrusão”,

explica Carla Camilo, gerente de negócios de Polímeros de Alta Performance.

As especialidades são oferecidas com opcionais de retardante de chamas sem halogênios e aditivos para proteção contra raios ultravioleta.

O Tegomer FR 100 permite o processamento de compostos HFFR com elevado teor de carga (até 70%), mesmo quando contam com ATH (hidróxido de alumínio) ou MDH (hidróxido de magnésio) não tratados previamente.

“Ele garante que as cargas inorgânicas sejam uniformemente distribuídas na matriz polimérica”.

Carla destaca que com o produto é possível obter cabos com superfícies lisas e macias, que podem receber impressão sem dificuldades.

Outras linhas de polímeros são oferecidas, entre elas, os produtos com as marcas Vestamid (poliamida 12), Vestodur (PBT) e Vestakeep (PEEK), voltados para diferentes aplicações.

A empresa também oferece silanos para compostos de polietileno, curados através de exposição à umidade.

Eles são indicados para aplicações com requisitos mecânicos e de temperatura mais elevados, que excedam a estabilidade de termoplásticos normais.

Luiz Eduardo Araujo, coordenador de negócios de Silanos, explica que a crise mundial gerada pela pandemia e seus efeitos no cenário macroeconômico têm impactado muitos mercados, também afetou o segmento de fios e cabos.

“A Evonik mantém todos os esforços para garantir o fornecimento global e atender as necessidades de inovação, qualidade e atendimento dos clientes, mesmo neste período difícil”, diz.

A expectativa para os próximos meses é que haja retomada gradual das atividades.

PPE e TPEs

A linha de resinas Flex Noryl é ofertada pela Sabic para o isolamento e revestimento de fios e cabos.

Esses materiais são misturas recicláveis de resinas de PPE (éter de polifenileno) e elastômeros termoplásticos.

De acordo com informações prestadas pela empresa, elas oferecem propriedades superiores de resistência a chama, abrasão por raspagem e compressão quando comparadas com produtos baseados no PVC e polietileno.

Também permitem a redução da espessura dos produtos finais.

Os produtos são voltados para otimizar o processamento por extrusão, que pode ser realizado em única etapa e sem a necessidade de reticulação.

Eles são direcionados a dois setores de mercado, os de eletrônicos e automotivos.

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