Embalagens

Filmes: Setor se esforça para assegurar o desenvolvimento de embalagens com propriedades diferenciadas

Renata Pachione
4 de novembro de 2013
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    Mais e melhor – As benesses oferecidas pela tecnologia multicamada não se restringem aos novos desenvolvimentos. Por definição, ela já garante vantagens, pois otimiza a estrutura e as necessidades superficiais do filme, ao mesmo tempo em que possibilita a redução dos custos com matérias-primas e permite uma gama mais ampla de aplicações dos filmes plásticos. 

    As estruturas multicamadas permitem o uso racional de resinas de alto desempenho e favorecem o desenho de filmes para embalagem com propriedades únicas, mesmo que seja feito somente de um material, como as soluções de filmes 100% PE para embalagens stand up pouches (SUP) ou os termoformados flexíveis.

    A tecnologia por si só é complexa. Investir na coextrusão significa muito mais do que aumentar a produção, simplesmente. Aliás, não dá para dizer que a produtividade de uma coextrusora é superior à de uma extrusora. São muitas as variáveis envolvidas. Uma coextrusora de matriz 400 mm tem a mesma produção de uma extrusora 100 mm com a mesma matriz.

    “A maior produção depende de alguns periféricos”, comenta Carnevalli. Obviamente que uma coex tem capacidade produtiva maior. Segundo ele, um conjunto com três extrusoras de 65 mm pode produzir 660 kg/h; e uma extrusora de 65 mm, 220 kg. “O que determina, nesse caso, é o tamanho da matriz (diâmetro do cabeçote)”, explica. Em linhas gerais, pode-se considerar que o tamanho da matriz se assemelha à produção. A matriz é responsável pela largura do filme e é o espaço por onde passa o material. Uma matriz de diâmetro 400 mm pode produzir entre 350 kg/h e 450 kg/h.

    Perfil nacional – A estrutura usual no país dos filmes coex é a de três camadas. Quanto ao material mais utilizado, de forma geral, o setor credita ao polietileno o maior consumo. “O PE continuará sendo o produto mais acessível em termos de custos, assim como possibilita uma enorme gama de aplicações”, afirma Brugin, da Videplast. Hoje, para embalagens com barreira, a estrutura mais comum é composta por uma camada externa, que permite a impressão e garante proteção; uma camada no meio, que funciona como barreira a gás (PVDC, EVOH, PET/PEN etc.); e uma camada interna, como PE ou PVA, para garantir uma selagem hermética. Vale ressaltar, porém, que estruturas multicamadas podem também ser usadas com várias resinas de um mesmo material como, por exemplo, o polietileno.

    Na opinião de Boaventura, os polímeros especiais, tais como os polietilenos-metalocênicos, os copolímeros de etileno (EVA, EMA, EAA) e os ionômeros, devem apresentar taxa de crescimento superior à dos polímeros mais comuns. “Essa tendência é notada, principalmente, em embalagens flexíveis que exigem maior barreira a gases, “hermeticidade” e velocidade de selagem, mesmo na presença de contaminantes como pós, óleos e produtos ácidos”, explica. No entanto, ele ressalta que os polietilenos convencionais, assim como os filmes de polipropileno (CPP, BOPP) e de PET, continuarão a ser a base para a produção de filmes mono e multicamada.

    A indústria de alimentos possui uma grande variedade de aplicações e requisitos de embalagem. Até por este motivo, ela ainda lidera o consumo da tecnologia de coextrusão no país. Mas, conforme observam alguns profissionais da área, as indústrias de produtos para animais, higiene pessoal e limpeza, químicos e farmacêuticos também endossam as vendas cada vez mais. Um caso curioso é o de pet foods, segmento que vem avançando. No caso específico de comida para gatos, migrou dos filmes de três camadas para os de cinco. O animal é exigente quanto aos odores.

    Para a indústria alimentícia, sobretudo, é um imperativo investir na coextrusão. “Cada vez mais é necessário o uso de filmes especiais, por causa do tipo de aplicação”, comenta Müller. Um exemplo típico é o segmento de cárneos. No passado, a carne era comercializada fresca, hoje, precisa garantir shelf lifes cada vez maiores. Novos tempos, novas exigências.



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