Embalagens

Filmes: Setor se esforça para assegurar o desenvolvimento de embalagens com propriedades diferenciadas

Renata Pachione
4 de novembro de 2013
    -(reset)+

    Química e Derivados, Carnevalli: procura por estrutura coextrudada de cinco camadas aumentou

    Carnevalli: procura por estrutura coextrudada de cinco camadas aumentou

    Abertura do setor – Com o aval de quem foi responsável pela fabricação da primeira coextrusora brasileira de sete camadas, em 2004, a Carnevalli antevê boas vendas para o mercado de filmes multicamadas. De acordo com Wilson M. Carnevalli Filho, diretor comercial da empresa, a procura por estruturas coextrudadas de cinco ou mais camadas aumentou, de tal modo que hoje ele recebe consultas para a compra de modelos de nove camadas.

    A transformação, seja no ramo alimentício – seu principal consumidor – ou não, enveredou-se para a produção de embalagens com barreira. Parece ser definitivo. “Busca-se a diferenciação, e agregar valor aos produtos”, diz Carnevalli. Para ele, o investimento não é mais considerado um empecilho, como no passado, sobretudo porque os juros são acessíveis, o que favorece o consumo deste tipo de tecnologia. As previsões apontam para um consumo maior, o que estimula o fabricante a lançar em breve versões mais modernas das máquinas para cinco e sete camadas.

    O setor está em evolução. Mas, se comparada com os mercados dos países mais desenvolvidos, a participação dos filmes coextrudados nas embalagens plásticas flexíveis brasileiras é baixa. Em economias desenvolvidas, são escassas as vendas de filmes monocamadas, o contrário da realidade nacional. Estima-se que 35% da produção brasileira adote a tecnologia da coextrusão, enquanto na Europa a média é de no mínimo 80%.

    “O mercado de monocamadas tende a acabar”, prevê Willi Müller, diretor para a América Latina da Windmöller & Hölscher. Esta estimativa, mais do que um prognóstico para a indústria nacional, revela um campo fértil para a fabricante alemã emplacar seus modelos por aqui. Especialista em soluções técnicas (tem condições de produzir máquinas para filmes de até trinta camadas – nanocamadas), a companhia está ávida por expandir a indústria da coextrusão no país.

    Após sofrer um processo de reestruturação, que passou pelo fechamento da sua fábrica em Diadema-SP, em 2009, e pela vinda de Müller da matriz para comandar o escritório aberto em São Paulo, a companhia recobrou o fôlego para apoiar o crescimento do setor. A Windmöller & Hölscher diversificou seu portfólio, antes mais voltado para o mercado de ráfia, e decidiu intensificar o foco nos setores de impressão e extrusão. “Nós adequamos nossas máquinas aos mercados da América Latina e da Ásia”, comenta Müller. Hoje, essas áreas de impressão e extrusão representam 60% do negócio no Brasil.

    A rota está traçada. Se depender das expectativas do diretor, em pouco tempo, o país se renderá a essa tecnologia, até porque, segundo ele, trata-se de uma questão de economia. Os filmes monocamadas exigem a incorporação de muitos aditivos para garantir as propriedades que os de três camadas contemplam facilmente, com menor custo. “O investimento para essa migração é pequeno”, anuncia Müller. Aliás, o dinheiro empregado na coextrusão sempre foi considerado um obstáculo para o avanço dessa tecnologia no país. Estudos da fabricante alemã revelam que o custo mais alto na produção de um filme é o da resina. “A matéria-prima responde por 80%”, diz o diretor. Segundo ele, para ser mais competitivo, um caminho seria reduzir o uso das resinas e dos aditivos mais caros. Em outras palavras, investir em coextrusão. “O mercado brasileiro está crescendo de maneira lenta e gradual, mas hoje já se pensa em melhorar a performance dentro das empresas”, complementa o gerente comercial da Windmöller & Hölscher, Roman Foerster.

    O Brasil, à sua maneira, galga seu lugar no mercado mundial. A sofisticação das estruturas coex no país serviu de berço para a Dow desenvolver o filme Diamanto. Esta tecnologia recente combina novos materiais e condições específicas de extrusão, o que garante filmes de PE com alta rigidez e transparência elevada. “Ela nasceu no Brasil e agora está sendo expandida para diferentes países na América Latina, atingindo mercados de massas secas, sachês, torção, e doces, entre outros”, comenta Angels.

    A especialista atribui o aumento dos investimentos em filmes multicamadas, em parte, ao fato de que para certas aplicações do setor de embalagem não é mais possível atuar com estruturas monocamadas, como no empacotamento automático. “Esta tecnologia exige cada vez mais que se tenha uma performance elevada do ponto de vista da selagem e das propriedades mecânicas; e tal balanço só é alcançado em estruturas multicamadas”, explica.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *