Filmes – Reciclagem mais fácil atrai clientes para monomateriais

Plástico Moderno - Poliamida oferece vantagens para termoformagem
Poliamida oferece vantagens para termoformagem

A economia circular, que prevê a reciclagem do plástico e seu retorno como matéria-prima em nova aplicação, está presente em quase todas as discussões relacionadas à indústria do plástico. Um dos nichos mais importantes do setor, o campo das embalagens flexíveis, não foge à regra. No cenário atual, a indústria tenta mudar a imagem negativa do uso da matéria-prima resultante da campanha promovida por representantes dos ambientalistas. Para tanto, destaca as vantagens que seu uso oferece, em especial a de prolongar o tempo de conservação dos alimentos.

Em paralelo, as empresas investem em pesquisa e desenvolvimento para chegar a soluções mais amigáveis à natureza. Uma das evoluções procuradas por gigantes do mundo químico em parceria com fornecedores de filmes e transformadores se concentra no aperfeiçoamento das formulações dos filmes monomateriais, mais fáceis de serem reciclados do que os multimateriais. Em algumas aplicações, a substituição começa a acontecer, em outras o uso combinado de diferentes materiais em filmes permanece imprescindível ou, no mínimo, muito competitivo. Os caminhos a serem percorridos por esse avanço tecnológico serão conhecidos nos próximos anos.

Para Rogério Mani, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis (Abief), o momento atual não é para generalizações. “Não se pode dizer que uma ou outra solução é melhor, deve-se adotar a embalagem de acordo com as necessidades de barreira e proteção de cada produto”. Ele ressalta que a reciclagem é um processo que já pode ser aplicado a todos os materiais com os quais são produzidas as embalagens plásticas flexíveis, exceto “ainda” os que entram em contato com alimentos.

Mani reconhece, no entanto, que a busca por embalagens monomateriais se tornou tendência global. “Ela não é nova”, explica. Para ele, esse esforço pode tornar possível no futuro reproduzir com vantagens nos filmes monomateriais propriedades presentes nos multicamadas, como barreira a oxigênio, vapor e gorduras. “Há diversos desenvolvimentos em andamento e acredito que em médio prazo teremos uma mudança considerável nas estruturas das embalagens plásticas flexíveis”.

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Plástico Moderno - Tomina: filmes monocamada de polietileno economizam energia
Tomina: filmes monocamada de polietileno economizam energia

Tecnologia nacional – A brasileira Braskem se encontra entre as grandes produtoras mundiais de matéria-prima que não estão poupando esforços para desenvolver projetos mais amigáveis à natureza. “Estamos em linha com nosso compromisso em prol da economia circular e com a procura dos clientes do mundo inteiro por soluções cada vez mais sustentáveis”, explica Yuri Tomina, responsável por desenvolvimento de mercado e marketing do negócio de embalagens e bens de consumo. Ele ressalta que esse esforço atinge não apenas o desenvolvimento de embalagens monomateriais, visa atender a indústria de embalagens como um todo. “Esse é um segmento da economia muito importante para a empresa”.

Entre os projetos da Braskem, merece destaque o lançamento no ano passado de uma embalagem stand-up pouch monomaterial, desenvolvida em parceria com Antilhas Flexíveis, empresa brasileira reconhecida no mercado por suas inovações em embalagens. O produto leva três camadas de polietileno: PEBDL metaloceno, PEAD e PEBD. “Quando falamos em propriedades devemos estar atentos ao desempenho dos polietilenos frente aos demais filmes de laminação como PP, BOPP, PET e PET metalizado”, destaca Tomina.

Alguns aspectos merecem atenção especial. “O polietileno é fundamental para facilitar a solda e dar velocidade aos sistemas de envase e, como consequência, não tem a mesma resistência térmica dos demais substratos de laminação”. O aumento da resistência térmica no projeto foi equacionado com o uso da tecnologia EB (Electron Beam), processo de impressão externa por cura com feixe de elétrons, patenteado com exclusividade pela Antilhas. “A tecnologia EB evita o problema da laminação e garante qualidade de impressão superior, acabamento externo com apelo sensorial”.

Algumas outras observações merecem ser apontadas. O polietileno possui boa resistência ao rasgo e impacto, porém apresenta menor rigidez no caso dos grades com menor densidade. “Nesse caso é necessário balancear a resistência com uso de PEs de maior desempenho, adequando o teor de PEAD para suprir a rigidez”. Todo o desenvolvimento foi realizado com o uso de máquinas convencionais de coextrusão. “O número de camadas depende de alguns fatores, como desempenho e custo compatível com a aplicação à qual será destinada. As extrusoras com três e cinco camadas deverão ser as de maior utilização nas primeiras  encomendas”. Não houve necessidade de usar adesivo, por causa da compatibilidade química entre as famílias de polietileno.

Plástico Moderno - Stand up pouch da Antilhas usa feixe de elétrons na impressão
Stand up pouch da Antilhas usa feixe de elétrons na impressão

De acordo com Tomina, a tecnologia adotada na embalagem desenvolvida em parceria com a Antilhas permite ainda benefícios no processo de produção. Quando comparado ao de filmes multicamadas, gera redução de até 50% no consumo de energia elétrica. Também reduz em até 95% a presença de compostos orgânicos voláteis, fator que diminui a emissão de gases causadores do efeito estufa. “Além disso, a ausência do adesivo de laminação confere melhores propriedades ao produto reciclado”.

A embalagem está disponível ao mercado. “Assim como na embalagem stand-up pouch, a solução é promissora para várias aplicações de filmes laminados”. Ela pode ser aproveitada, por exemplo, em diversas aplicações nos setores cosmético e alimentício, entre outras.

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Plástico Moderno - Carvalho: tecnologias reduzem impacto ambiental de embalagem
Carvalho: tecnologias reduzem impacto ambiental de embalagem

Aposta nos monomateriais – Investir em tecnologia de desenvolvimento de produtos monomateriais tem sido parte importante da estratégia de negócios adotada pela Dow. “Acreditamos que a embalagem deva cumprir seu propósito de maneira eficiente sem impactar o meio ambiente”, explica Marcus Vinicius Carvalho, gerente de marketing de embalagens flexíveis na América Latina. Desde 2013, a multinacional trabalha para encontrar soluções do gênero. “Nós já implementamos a tecnologia em mais de 20 aplicações diferentes, usadas em mais de 50 marcas”, explica.

Além de investir em pesquisa e desenvolvimento, a empresa trabalha de forma colaborativa com todos os elos para solucionar o desafio de transformação de uma cadeia linear para circular. Para tanto conta com o apoio da Pack Studios, rede global de laboratórios da empresa. “Nossa última adição à família Pack Studios, em nossa sede em Jundiai-SP, foi a máquina de reciclagem da marca Wortex”.

Entre os produtos voltados para esse nicho de mercado está o revestimento Opulux HGT, espécie de “verniz” que ao ser aplicado em uma embalagem monomaterial de polietileno proporciona propriedades próximas a de uma estrutura laminada com PET, em brilho e resistência térmica. “Ele aperfeiçoa os processos, evita as operações de laminação e possibilita a impressão interna”. A resina Onnate TF permite a produção de filmes de polietileno biorientados. “Ela entrega excelente desempenho mecânico e de selagem e, quando laminada com filme de polietileno tradicional, resulta na produção de embalagens recicláveis para diferentes aplicações, como ração para animais, alimentos processados, itens de higiene pessoal, produtos de limpeza e outras”.

A resina Elite AT torna possível a criação de embalagens de polietileno reciclável. “Ela obtém desempenho máximo em rigidez e barreira à umidade e gordura. Além disso, oferece boa processabilidade, baixa formação de sujeira na matriz e reduz o efeito de ‘marcações’ nas embalagens”. Outro material destacado é a resina Innate. “Ela oferece grande ganho em resistência mecânica, permitindo a redução da emissão de gás carbônico. Com ela é possível ter opções de filmes mais finos com o mesmo desempenho das estruturas tradicionais”.

Plástico Moderno - Polietileno biorientado permite embalar produtos de limpeza
Polietileno biorientado permite embalar produtos de limpeza

A Dow comercializa os monomateriais em estruturas multicamadas (coextrusão) com entre 3 e 9 camadas, com ou sem laminação. As soluções oferecidas podem ser aplicadas em embalagens flexíveis de diferentes formatos e que atendam diferentes necessidades de mercados como setor alimentício, de cuidados pessoais, de ração de animais, produtos de limpeza e outros. “Alguns dos destaques são nossas aplicações patenteadas ricas em polietileno, como as do tipo stand up pouch, embalagem com apelo de gondola e desempenho, ou as termoformadas que dispensam o uso de poliamidas com obtenção de processabilidade e desempenho mecânico”.

De acordo com Carvalho, mesmo os produtos que requerem altas barreiras de umidade e oxigênio podem contar com embalagens recicláveis. “Dispomos de compatibilizantes como o Retain que ao ser aplicado na produção da embalagem permite o uso de materiais-barreira, como o EVOH em estruturas de polietileno”.

Poliamidas, capítulo I – As poliamidas são muito utilizadas em estruturas de filmes multimateriais. Seus fabricantes acreditam que a utilização combinada de resinas ainda é a solução mais indicada para a fabricação de embalagens flexíveis em muitas aplicações. Uma dessas empresas é a Basf, que para esse nicho comercializa a linha de poliamidas Ultramid.

Para Anderson Silva, coordenador de serviços técnicos, o produto final é que deve definir o melhor sistema de embalagem a ser utilizado. No caso de embutidos, por exemplo, por recomendações médicas, nos últimos tempos têm sido usadas menores quantidades de cloreto de sódio e também de alguns tipos de conservantes. Para compensar, a embalagem precisou ganhar propriedades diferenciadas para que o período de conservação do produto não sofra prejuízo.

Plástico Moderno - Silva: multicamadas com PA proporcionam shelf life maior
Silva: multicamadas com PA proporcionam shelf life maior

O coordenador técnico acredita ser possível a utilização de embalagens monomaterial em substituição às de multimateriais conforme o caso. Mas faz ressalvas. “Algumas vezes elas são substancialmente mais caras e/ou podem representar um efeito negativo na sustentabilidade. É melhor uma embalagem com grau mais complexo de reciclagem do que uma que proporciona menor shelf-life ou até mesmo leve ao descarte do alimento ou produto nela contido”. Outro aspecto destacado: “para atingir o mesmo desempenho de uma embalagem multicamadas, uma monomaterial precisa apresentar espessura significativamente maior”.

Entre as formulações disponíveis da Basf, se encontram dois lançamentos recentes, o Ultramid C37 LC e o Ultramid Flex F38L. “Os dois desenvolvimentos foram baseados em requerimentos de mercado, que buscavam melhor processabilidade, além de propriedades ópticas e mecânicas diferenciadas”, informa. De acordo com o coordenador, as novidades são duas copoliamidas que criam oportunidades e estabelecem novos padrões de qualidade para filmes.

“O grade C37 LC é diferenciado por apresentar o mais baixo ponto de fusão entre as poliamidas tradicionais do tipo 6/6.6. A Flex F38 tem cerca de um terço de sua composição derivada de fonte renovável”. A empresa possui um processo conhecido como Mass Balance, pelo qual produz poliamidas desenvolvidas com matéria-prima alocada de fontes renováveis, como o biogás. “Elas apresentam as mesmas propriedades e características das tradicionais”.

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Poliamidas, capítulo II – A multinacional japonesa UBE oferece ao mercado de embalagens flexíveis a linha de poliamidas Terpalex, indicada para produtos cárneos e embutidos como salsichas, presuntos e outros nos quais a cor real do produto é elemento fundamental na decisão de compra. Também se adequa bem ao mercado de queijos.

“A família Terpalex tem propriedades únicas que garantem a produção de estruturas de embalagens termoformadas com total transparência, alta resistência e maior profundidade, de até 95 mm contra os 70 mm dos homopolímeros tradicionais”, garante Daniel Hernandes, gerente de vendas. Ele acrescenta que a distribuição uniforme do material nos cantos da embalagem é outra vantagem, pois evita o stress e a possível ruptura. “O Terpalex permite trabalhar com temperaturas de termoformagem mais baixas (80°C, contra 110°C), reduzindo o consumo de energia e gerando economia para o convertedor”.

Hernandes admite existir demanda crescente por embalagens monomateriais, mas acha que a substituição das multimateriais deve levar algum tempo. “Em nossos estudos, a melhor opção e a mais eficiente em termos de utilização de recursos segue sendo as embalagens multicamadas multimateriais. O mais importante é criar proteção eficiente para os alimentos, garantindo maior vida útil com menor utilização possível de recursos em toda a cadeia. Os filmes monomaterial são mais indicados para aplicações com menores exigências”, garante. O gerente lembra que em alguns casos determinadas empresas estão partindo para o movimento contrário. “Aplicações como embalagens para pães estão adotando estruturas multicamada para garantir maior tempo de prateleira”.

Plástico Moderno - Sellin: prioridade direcionada para estruturas poliolefínicasFilmes de BOPP – A Polo Films é especializada na produção de filmes de polipropileno biorientado, conhecido no segmento de embalagens como BOPP. Os produtos são formulados com propriedades para cada aplicação, de acordo com a necessidade de seu uso final. A estratégia da empresa é trabalhar em parceria com os clientes no desenvolvimento de soluções de filmes para embalagens flexíveis, rótulos, filmes técnicos e fitas adesivas. “Precisamos ser melhores e mais ágeis na interpretação do mercado, nos adaptar às realidades do cliente, desenvolver novas estratégias comerciais trabalhando com nossa flexibilidade técnica e comercial”, explica Luciano Ost, diretor comercial.

Marco Sellin, coordenador de desenvolvimento de mercado e assistência técnica, afirma que a economia circular é um dos focos da empresa. “Estamos trabalhando fortemente junto aos nossos clientes com o intuito de desenvolver estruturas polimericamente compatíveis”. Isso significa criar estruturas que podem ser mais facilmente recicladas. “Quando laminados com materiais não poliolefínicos, a exemplo do alumínio e poliéster, a reciclagem fica um pouco mais complicada, pois as estruturas não estão prontas para a operação. Os nossos filmes, após laminação, podem ser reciclados.”.

A prioridade é desenvolver estruturas com filmes de cadeia poliolefínica: BOPP+BOPP / BOPP+PE / BOPP+PP / BOPP+BOPPMetal+PP e outros. Sellin acredita que toda a cadeia de abastecimento deve ser envolvida nesse esforço. “Isto significa que, para alguns casos, precisaremos de mudanças nas estruturas das embalagens, ajustes de máquinas de envase e na formulação do produto final”.

Plástico Moderno - Ost: agilidade para se adequar às exigências dos clientes
Ost: agilidade para se adequar às exigências dos clientes
Plástico Moderno - Duarte: embalagens são feitas pensando na reciclagem
Duarte: embalagens são feitas pensando na reciclagem

Transformadores – Representantes dos fabricantes de embalagens descartáveis também agem em busca de soluções mais ecológicas. Um exemplo é a Amcor, gigante presente em mais de 40 países e fabricante de embalagens para alimentos, bebidas, artigos médicos, produtos farmacêuticos e outros. Em 2018, a Amcor se tornou a primeira signatária do setor da Nova Economia para os Plásticos da Fundação Ellen MacArthur, que tem foco em três pilares: trabalhar para que suas embalagens sejam recicláveis ou reutilizáveis até 2025; incorporar conteúdo reciclado pós-consumo; e trabalhar para estimular a reciclagem.

“Atualmente a maior parte do portfólio de embalagens oferecido pela Amcor já atende os critérios de soluções desenhadas para serem recicladas”, revela Luiz Duarte, vice-presidente de marketing para a América Latina. Ele explica que a maioria dos filmes utilizados pela empresa possuem três, cinco ou sete camadas. “O número de camadas e materiais da embalagem dependem de fatores como tipo de aplicação e mercado, shelf life, características das máquinas de envase e formato da embalagem final, além de forma de distribuição e armazenamento, que também são requisitos importantes”.

Para atingir estas características a Amcor utiliza mesclas de matérias-primas como, polietileno, polipropileno, EVOH e PA. A seleção se dá de acordo com as necessidades. “No mercado de alimentos, os desafios são mais voltados para as necessidades de shelf life e maquinabilidade. No mercado de personal care, precisamos garantir a preservação das propriedades do produto”.

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A Amcor foi um dos destaques no FPW Award, prêmio internacional voltado para os produtores de embalagens. Um de seus cases vencedores é usado como exemplo de inovação. Trata-se do pouch desenvolvido para o atomatado Sacialli, da Predilecta. Esse tipo de produto tradicionalmente é oferecido em embalagens de vidro.

Plástico Moderno - Pouch da Amcor para molho de tomate substituiu o vidro
Pouch da Amcor para molho de tomate substituiu o vidro

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