Ferramentaria Moderna

Ferramentaria moderna: Prognóstico do mercado do aço traz incertezas

Jose Paulo Sant Anna
22 de abril de 2014
    -(reset)+

    Representantes dos fornecedores de aços para moldes se mostram inseguros ao dar prognósticos sobre como será 2014 para o setor. O atual cenário, para esses profissionais, lembra a velha história do copo cheio pela metade. Agrada ou desagrada, conforme o humor de quem faz a análise. Entre essas empresas, altamente dependentes do desempenho das ferramentarias, a torcida é grande para um ano repleto de alegrias para os clientes.

    Plástico Moderno, Açoespecial abastece o setor com novidades

    Açoespecial abastece o setor com novidades

    Quanto maior o número de matrizes produzidas no mercado interno melhor o cenário para as empresas, como a Villares Metals, fabricante nacional de aços; e a Açoespecial, que distribui produtos desenvolvidos por ela e fabricados por parceiros, e representa no mercado brasileiro a multinacional luxemburguesa ArcelorMittal, detentora da marca Industeel, e Böhler-Uddeholm, com escritório de vendas no Brasil das marcas alemãs Böhler e Uddeholm.

    Para melhor entender os problemas dos fornecedores da matéria-prima, vale fazer uma pequena retrospectiva do desempenho do segmento de moldes. Nos últimos quinze anos, a despeito da demanda do mercado ter crescido, a produção interna caiu, afetada pelas importações, em especial de matrizes chinesas. Outros obstáculos, como o ritmo tímido do crescimento da economia e o chamado “custo Brasil” são motivos de queixas há muito tempo.

    A situação difícil promoveu inédito movimento entre empresários ligados ao ramo. Eles lutaram e conseguiram que o governo brasileiro tomasse importantes decisões para a reação do mercado interno nos últimos três anos. Podemos citar, entre outras conquistas, o aumento da alíquota de importações de ferramentas e o ingresso das empresas do ramo nos programas Inovar-Auto, voltado para incentivar a nacionalização dos modelos de automóveis produzidos no país. O Inovar-Auto, diga-se, é visto por muitos especialistas do setor como possível alavanca para a recuperação do mercado ferramenteiro nacional nos próximos anos. A expectativa é para na prática ele confirmar a teoria.

    “Há uma tendência razoável dos moldes menores e médios passarem a ser fabricados no Brasil”, avalia Paulo Ribeiro, diretor da Açoespecial. Isso se deve, na opinião do dirigente, aos problemas de manutenção gerados pelos importados, aos impostos de importação e a outros infortúnios. O cenário gera otimismo, mas com ressalvas. “Os juros estão voltando a subir e o desempenho da indústria não está sendo dos melhores”, lembra.

    O lado otimista da análise é reforçado por Dominik Schmidt, gerente comercial da Böhler-Uddeholm. “A perspectiva para 2014 é muito boa”, defende. Para o gerente, empresas que durante os últimos anos vinham comprando moldes prontos da China estão voltando a investir nas ferramentarias brasileiras. Ele credita a mudança de comportamento aos problemas de qualidade e também às dificuldades comerciais ligadas às compras das matrizes asiáticas.

    As perspectivas positivas do programa voltado para incentivar a indústria automobilística são destacadas por Andrea Zajicek, analista de mercado da Villares Metals. “A indústria de moldes para plástico é conectada ao setor automotivo, o que indica grande potencial para o futuro”, analisa. Para Andrea, a vontade das montadoras de passar a fabricar carros mais sofisticados irá gerar grande demanda para a indústria de moldes. “A variedade dos modelos de automóveis tende a aumentar e o ciclo de vida dos carros a diminuir.”

    Uma observação precisa ser feita na hora de se traçar o panorama dos negócios que envolvem o setor de aço. A esperada redução na importação de moldes não significa o fim da ameaça representada pelos produtos asiáticos. A importação da matéria-prima produzida a preços para lá de competitivos no país de Mao Tsé-tung também incomoda. “Ela atrapalha, mas a qualidade dos aços chineses deixa a desejar”, ressalva Ribeiro. Fabricantes internacionais do primeiro mundo competem de forma dura com os nacionais no nicho de materiais mais sofisticados. A concorrência acirrada ocorre mesmo com a alta do dólar verificada nos últimos meses.

    Grande importância – É enorme a diversidade dos moldes produzidos mundo afora. Alguns, por exemplo, são indicados para grandes produções de peças plásticas. Outros para peças com aparência diferenciada ou para pequenas escalas de produção. E por aí vai. Um exemplo ajuda a compreender o dilema. Para os menos avisados soa estranho, mas o molde de um pequeno pote de margarina, que precisa produzir centenas de milhares de peças, precisa de aço mais resistente do que o de um para-choque de caminhão. Apesar das dimensões da peça a ser injetada, os para-choques são fabricados em escala bem menor. Na hora do trabalho, só há uma única preocupação em comum entre os projetistas: obter moldes capazes de atender às expectativas do transformador que irá utilizá-lo.

    A seleção do aço não é tarefa simples. Existem no mercado matérias-primas com formulações bastante variadas, escolhidas de acordo com a necessidade ou a verba disponível. A escolha depende de algumas variáveis. O preço da matéria-prima, é lógico, representa um chamariz bastante tentador. Os profissionais das empresas fornecedoras de aço, no entanto, são unânimes em reprovar tal prática. Para eles, a opção pelo “mais barato” pode representar prejuízos futuros. Eles defendem com veemência a escolha baseada apenas em critérios técnicos.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *