Ferramentaria Moderna: presença estrangeira supera a nacional

Já virou tradição. As ferramentarias nacionais compareceram com poucos representantes na maior feira da indústria do plástico do Hemisfério Sul. Somando todos os presentes, o número pode ser contado com os dedos das mãos. Pouco para um setor bastante pulverizado. As justificativas são as de sempre. Salvo as honrosas exceções, as empresas do ramo, quase todas de pequeno e médio porte, não se mostram dispostas a investir um valor considerado elevado para alugar um estande.

O mesmo não pensam as temíveis concorrentes, as ferramentarias asiáticas. Mesmo ocupando pequenos espaços em pavilhões alugados por seus países, elas não se importaram com a distância e as dificuldades do idioma e compareceram em número surpreendente. Destaque também para as empresas portuguesas, que, em número de representantes presentes na feira, ficaram perto das brasileiras.

Plástico Moderno, E-Multi possibilita a injeção de peça bicolor em máquina comum
E-Multi possibilita a injeção de peça bicolor em máquina comum

Os fornecedores de produtos para as ferramentarias estavam por todos os lados. Quase todas as principais marcas estiveram presentes. Os visitantes puderam conferir muitas novidades, de matérias-primas e itens padronizados simples até componentes bastante complexos. Uma novidade que chamou a atenção foi o E-Multi, da Mold-Masters, unidade de injeção compacta que, instalada nos moldes, permite a produção de peças bicolores em injetoras comuns. Várias empresas anunciaram novos modelos de controladores de temperatura de moldes.

Também não faltaram anúncios de investimentos importantes. A coreana Yudo, hoje instalada em Joinville-SC, em uma planta de 1,5 mil metros quadrados, está levantando uma nova fábrica no município, com área construída de 16 mil metros quadrados. A nova unidade deve ser inaugurada dentro de dois anos. “A fábrica estará instalada em uma área de 70 mil metros quadrados, e será dotada com vários galpões para produtos diversos, que a empresa está construindo no Brasil”, informa Robson Gaspar, diretor comercial. O investimento total do projeto é de US$ 124 milhões.

Com o empreendimento, a Yudo promete entrar com força nos mercados de câmaras quentes, controladores de temperatura e porta-moldes. Investimentos à parte, a empresa está entre as que apresentaram novos controladores de temperatura. O modelo é dotado com 24 zonas de controle. “Ele tem tela touch screen e preço imbatível”, garante Gaspar.

A feira ocorreu em um momento bom para o setor em volume de encomendas. “Estamos trabalhando bastante”, diz Alexandre Fix, presidente da Câmara Setorial de Ferramentaria e Modelações da Abimaq e também da Polimold. O problema tem sido a queda de rentabilidade. “A concorrência dos moldes importados tem levado os nossos preços a níveis muito baixos”, resume.

Fix se mostra satisfeito com os incentivos à produção de moldes nacional dados pelo governo federal, como o aumento da taxa de importação, a inclusão do setor no programa Inovar-Auto, que prevê vantagens fiscais para as montadoras que investirem na nacionalização dos automóveis, e a permissão para as empresas do ramo usarem o programa de desoneração de mão de obra. O setor promete lutar por novas resoluções favoráveis em Brasília.

Plástico Moderno, Moltec apresenta moldes para tampas flip top
Moltec apresenta moldes para tampas flip top

Brasileiras – Entre as ferramentarias brasileiras presentes na Feiplastic, alguns habitués do evento. A paulistana Moltec sempre aposta na feira para divulgar seus serviços. “Nosso faturamento é dividido em três partes iguais entre a injeção convencional, o sopro convencional e os moldes de pré-formas e de sopro para PET”, informa o diretor executivo Eduardo Cunha.

Para ele, as vendas vivem bom momento. “O mercado de moldes está mais maduro. Antes éramos medidos por baixo, hoje perceberam a importância da qualidade”, diz. Um dos motivos da alteração do cenário é a maior preocupação com as vantagens oferecidas pelos bons projetos. “A montagem de componentes feita de maneira inteligente permite reparos mais rápidos. Operações no passado feitas em três dias, hoje são efetuadas em uma hora”, exemplifica.

A Herten, de Joinville-SC, outra empresa presente com frequência na exposição, é especializada em moldes de injeção com maior complexidade. “Trabalhamos para os segmentos da construção civil, indústria automobilística, utilidades domésticas e para peças de ciclo rápido, como embalagens e talheres”, diz Edson Hertenstein, diretor comercial. O dirigente não se mostrou muito animado com o cenário do mercado. “As vendas estão inconstantes, estamos na expectativa de uma melhora.”

Plástico Moderno, Fábrica da Moldit recebeu investimento de 8 milhões de dólares
Fábrica da Moldit recebeu investimento de 8 milhões de dólares

A aprovação no final do ano do programa Inovar-Auto é comemorada pela Moldit, ferramentaria de origem portuguesa com fábrica em Camaçari-BA, especializada em moldes de injeção. Desde que se instalou no país, há oito anos, ela aluga estande na feira. Com forte atuação entre as montadoras, a empresa espera aumento nas encomendas com o programa do governo. Outro nicho no qual atua com destaque é o de móveis. “Terminamos em 2012 um investimento de US$ 8 milhões feito em nossa fábrica, que incluiu a compra de duas injetoras usadas para testar os moldes e uma ponte rolante com capacidade de 32 toneladas”, informa José Teixeira, diretor industrial. A expectativa é de crescer 15% este ano, repetindo o resultado do ano passado.

Moldes para o sopro convencional e de PET, além de moldes para injeção de tampas para garrafas e pré-formas de PET são os principais campos de atuação da Global, de Osasco-SP, há sete anos no mercado. A empresa também presta serviços de reformas de moldes. “Nossa participação na Feiplastic é institucional”, resume Ana Paula Palma, assistente comercial.

Representante das ferramentarias especializadas em extrusão, a Pickler, com sede em Joinville-SC, comparece na feira desde 2009. “Nossa área de atuação mais forte é a de construção civil. Fazemos muitos moldes para forros. Em menor escala, trabalhamos para perfis de janelas, perfis técnicos e outras áreas”, explica o projetista Ricardo Kunde.

Plástico Moderno, On Time prioriza os formatos inovadores
On Time prioriza os formatos inovadores

Estrangeiras – As ferramentarias portuguesas “assinaram o ponto” por aqui. Espaço adquirido pela Associação Portuguesa de Moldes de Plástico concentrou estandes de quatro empresas, Tecnoplas, Ribermold, Moldes RP e a já mencionada Moldit, esta com fábrica no Brasil. Representantes dessas empresas acreditam ser positivo participar do evento. É uma forma de divulgar seus serviços no importante mercado brasileiro.

“Temos trezentos moldes vendidos no Brasil nos últimos seis anos”, justifica Rui Pinho, gerente geral da Moldes RP, representada no Brasil pela Pamatech. A empresa se especializou em matrizes de injeção de grande complexidade. “Fazemos moldes pequenos e médios para peças técnicas, injeção a gás e peças bi ou tricomponentes. Em torno de 70% deles são destinados à indústria automobilística”, diz o dirigente. Em sua fábrica, ele mantém um pavilhão high tech, equipado com máquinas de usinagem de alta precisão.

A On Time, empresa de origem portuguesa com fábrica na China, comercializa em torno de 300 moldes por ano no mercado brasileiro. Seu foco está direcionado ao setor de utilidades domésticas. “São moldes com ciclo de vida rápido, onde a aparência das peças é mais importante do que a precisão das medidas”, informa Carlos Ferreira, vice-presidente.

Os projetos são desenvolvidos em Portugal e fabricados na China. Um dos diferenciais é oferecer aos clientes o design do utensílio a ser produzido. “Desenhamos formatos inovadores.” A empresa produz moldes de 100 kg a 30 toneladas. Para destacar a importância do mercado brasileiro, o vice-presidente lembra que há três meses a empresa passou a contar com escritório próprio de vendas no Brasil.

Plástico Moderno, Plasmolde abastece mercado de utilidades domésticas
Plasmolde abastece mercado de utilidades domésticas

Um dos representantes asiáticos presentes na Feiplastic chamou a atenção. Em vez dos estandes tímidos da maioria dos representantes daquele continente, a Plasmolde contou com espaço vistoso. “É uma empresa de trinta anos, homologada pelas principais montadoras, pelas fabricantes de motocicletas e com forte atuação no mercado de utilidades domésticas”, apresenta Carlos Eduardo Oliveira, do departamento comercial da Megainjet, representante da ferramentaria no Brasil.

A empresa comercializa entre 200 e 250 moldes por ano no mercado nacional. “Somos muito competitivos em preços e prazos. Entregamos os moldes em até 105 dias, enquanto os fabricantes nacionais demoram de quatro a seis meses”, destaca Oliveira. Em relação à qualidade dos moldes chineses, sempre citada de forma negativa pelos concorrentes nacionais, o representante tem a resposta na ponta da língua. “A Plasmolde tem setenta funcionários, dos quais dezoito têm nível universitário. Também tem a certificação do prestigiado instituto IQNet.”

Diferente – “Só a Mold-Master tem. Pode procurar na feira algo parecido que você não vai encontrar”, garantia Anderson Tomazini, representante comercial. O profissional se referia ao E-Multi, equipamento que permite a injeção de peças bicolores em máquinas de injeção simples. O produto se transformou na sensação do estande da empresa. “Estamos sendo muito procurados por visitantes interessados em conhecer o equipamento.”

Plástico Moderno, Matrizes para produções complexas da Moldes RP
Matrizes para produções complexas da Moldes RP

Nas máquinas para peças bicolores existem duas unidades de injeção. O E-Multi elimina a necessidade do uso de injetoras especiais. O molde é instalado em uma injetora convencional, sendo que uma das entradas do material se ajusta ao canhão da máquina, enquanto na outra entrada é instalado o equipamento, de maneira vertical ou horizontal. No ciclo, ao término da introdução do primeiro material no molde, o E-Multi realiza a injeção do segundo material, sem a necessidade de rotação da ferramenta. Ele tem funcionamento elétrico e é oferecido em duas versões com diferentes capacidades de injeção de matéria-prima. “A economia dos transformadores que adotarem o sistema chega a 60% em comparação às máquinas bicolores”, garante Tomazini.

De quebra, a empresa apresentou sua nova linha de controladores de temperatura M2, dotados com sistema touch screen. “Eles são mais precisos e rápidos.” Também foram divulgadas as câmaras quentes oferecidas. O representante comercial se mostra otimista em relação às vendas da empresa em 2013. “Estamos fazendo muitas cotações, com certeza este ano vamos crescer”, avalia.

Controladores de temperatura, porta-moldes… – Empresas fornecedoras de vários itens para ferramentarias mostraram novidades. A Polimold, fábrica nacional de porta-moldes, componentes padronizados, câmaras quentes e controladores de temperatura, entre outros produtos, montou concorrido estande. A maior novidade da empresa foi o lançamento do minicontrolador de temperatura de câmaras quentes MS. “O tamanho dele é 60% menor do que o nosso modelo anterior”, diz o presidente Fix.  No caso do aparelho, tamanho não é documento. “Ele também tem mais recursos.” Um dos diferenciais é a possibilidade de, a partir de um primeiro módulo, gerenciar os demais utilizados na planta.

Plástico Moderno, Polimold lança minicontrolador de temperatura
Polimold lança minicontrolador de temperatura

A empresa oferece em torno de um milhão de combinações possíveis de porta-moldes. Caso o cliente queira, agrega serviços ao produto, como a realização de operações de usinagem extras. “Temos um software que faz a montagem virtual de porta-molde em três dimensões. Esses desenhos são muito úteis para os clientes”, diz Christiane Ficarelli, supervisora de vendas. Caso necessário, a empresa também fornece os padronizados para stack molds. Outro ponto forte são as câmaras quentes. “Estamos vendendo nossas câmaras para a China”, garante Fix. Também foi exibido um sistema valvulado para controle de fluxo de cavidades com dez vias.

A Tecnoserv, fabricante de porta-moldes e representante no Brasil de marcas internacionais de câmaras quentes e outros itens para ferramentarias, promoveu o lançamento do controle de temperatura TC 5200. “Não podemos informar o nome do fabricante”, despista Wilson Teixeira, gerente técnico da empresa. O aparelho, feito por encomenda, controla até 240 cavidades. Conta com funções como memória para o funcionamento das câmaras quentes dos moldes e sincronismo de aquecimento e resfriamento.

Outros produtos oferecidos pela empresa divulgados na feira foram as câmaras quentes (fabricadas pela Mastib) e as resistências. “Temos um estoque de componentes para reposição bastante completo”, emenda. Os últimos três meses foram considerados excelentes. “A procura por porta-moldes melhorou bastante e o mercado de câmaras quentes vem crescendo”, comemora o dirigente. Com a feira, ele espera um ano muito bom.

A fabricante de porta-moldes e componentes padronizados Três-S anunciou na Feiplastic uma parceria com a empresa nacional fabricante de câmaras quentes e controladores de temperatura Delkron. “Os clientes estão solicitando cada vez mais linhas de produtos completas”, justifica Claudir Sandro Mori, gerente comercial.

Outra notícia da empresa é o investimento feito em suas instalações industriais. “Este ano vamos aplicar de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões em máquinas de usinagem.” Dessa forma, pretende ganhar agilidade na hora de atender os compradores. “O mercado está bastante concorrido, vamos ver se a feira nos ajuda a obter bons resultados”, avalia.

O sistema valvulado de controle de injeção sequencial SoftGate foi o lançamento da Incoe. “O sistema é bastante útil em algumas aplicações, como a injeção de peças texturizadas”, revela William dos Santos, gerente geral. Os carros-chefes da empresa são as câmaras quentes, controladores de temperatura e filtros. A multinacional conta com fábrica em Itatiba-SP. “Fabricamos de 50% a 60% dos projetos das câmaras quentes no país, temos projetistas nacionais”, enfatiza.

Matéria-prima – Fabricantes e representantes comerciais de matérias-primas para moldes também apresentaram seus produtos. Uma dessas empresas é a Açoespecial. Ela representa a multinacional ArcelorMittal, que entre outros produtos conta com a marca Industeel. “É um aço P20 que permite melhor usinabilidade, soldabilidade, troca térmica e tem preço compatível com bons materiais”, define Paulo Ribeiro, diretor.

A maior novidade da empresa divulgada na feira é a venda para ferramentarias de placas já fresadas nas medidas corretas, prontas para serem utilizadas em porta-moldes. Elas são oferecidas em qualquer tipo de aço comercializado pela empresa. “Tínhamos muitas máquinas de usinagem CNC paradas e resolvemos agregar valor aos nossos produtos”, explica.

Com as placas, Ribeiro garante vantagem aos clientes. “Eles fazem uma economia, em relação aos padronizados, de 25% no mínimo. Para as placas não padronizadas, a economia é de 55%”, afirma.  A ideia, lançada no final do ano passado, tem feito sucesso. “As vendas em 2012 estavam fracas, porém, com criatividade, conseguimos empatar com os resultados de 2011.”

Além dos fornecedores de matérias-primas, também marcaram presença na feira algumas empresas de tratamento de superfície. Uma delas foi a Superfinishing, cujo destaque foi a divulgação da prestação de serviços de banhos de níquel com partículas de teflon. “As peças tratadas com esse banho permitem maior facilidade de desmoldagem das peças nos moldes; o revestimento substitui com vantagem o de cromo duro”, explica o diretor comercial  Alberto Silva.

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