Ferramentaria Moderna

Ferramentaria Moderna – Moldes para sobro enfrentam competição acirrada e demanda em recuperação

Jose Paulo Sant Anna
5 de maio de 2012
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    Entre os clientes atendidos, os de higiene e limpeza estão agora com demanda elevada. “Não é um segmento que inova muito nos formatos”, ressalta. Outro setor em bom momento é o de cosméticos. “Nesse caso há vários lançamentos de produtos com embalagens de design diferenciado, em geral os moldes são mais sofisticados”, explica. O nicho de bebidas, também bastante atendido, não se encontra em momento muito aquecido.

    A exigência dos clientes por ferramentas de grande precisão é apontada pelo gerente de engenharia. “Prestamos serviços para linhas de produção muito automatizadas, que usam cada vez menos a intervenção humana, os moldes precisam contar com perfeição extrema”, revela. Trabalhar com tal nível de rigor não é fácil, em  especial no caso do sopro convencional, em que a operação depende da produção contínua dos parisons e de outras particularidades difíceis de serem controladas. A sofisticação traz uma compensação. “O nível de retrabalho é muito pequeno”, diz.

    Um dos problemas é a falta de sopradoras para avaliações. “As máquinas injetoras são parecidas, podemos realizar testes na nossa planta antes de entregarmos os moldes. No caso das sopradoras, as empresas contam com máquinas de vários modelos, com características diferentes, não dá para termos vinte máquinas aqui para verificar o funcionamento”, lembra. A saída é acompanhar a operação dos tryouts nas fábricas dos clientes.

    Concorrências internacionais – A Technical Blow Mould, ou TBM, como é conhecida no mercado, é uma ferramentaria diferenciada. Localizada em São Paulo, ela é totalmente dedicada ao sopro de peças técnicas. No mercado desde 1997, a empresa é bastante procurada pela indústria automobilística, para quem produz moldes para tanques de combustíveis e outras peças aproveitadas em condições críticas de desempenho.

    Tais ferramentas exigem know how para serem projetadas e construídas. Algumas características são bem complexas. No caso das projetadas para os tanques de combustíveis, uma dificuldade é o uso de parisons coextrudados com até seis camadas de materiais. Outro desafio é projetar o perímetro mais adequado da linha de fechamento em peças não simétricas, comuns nesse nicho de mercado. Isso requer o uso de gavetas e postiços parecidos com os utilizados em moldes de injeção. A escolha dos materiais também é difícil. O alumínio, aproveitado na maior parte das peças, sempre segue rigorosas especificações técnicas.

    O lançamento de automóveis é quesito bastante importante para os negócios da TBM. Em termos de novidades, as montadoras brasileiras têm sido pródigas, muitos automóveis novos chegaram ao mercado nos últimos tempos e outros modelos prometem invadir as concessionárias nos próximos meses. A necessidade por moldes, no entanto, nem sempre

    Plástico, diretor técnico-comercial, Ferramentaria Moderna - Moldes para sobro enfrentam competição acirrada e demanda em recuperação

    Manoel Paiva: tributação elevada atrapalha os negócios

    significa encomendas. Nesse nicho de mercado são comuns as concorrências efetuadas entre os produtores brasileiros e os de países avançados.

    Com a economia local em baixa, fabricantes franceses, canadenses e alemães, entre outros, lutam pelas encomendas de forma ferrenha e praticam preços para lá de competitivos. O diretor técnico-comercial Manoel Paiva se queixa de um velho problema para explicar a dificuldade de participar desse tipo de concorrência: o “custo Brasil”. “Temos que competir convivendo com uma carga tributária muito alta e juros estratosféricos”, exemplifica. O bom desempenho da economia amenizou as dificuldades de 2010 a setembro do ano passado. “Estávamos trabalhando de domingo a domingo”, conta. No último trimestre do ano passado começou o declive no número de pedidos.

    Depois do carnaval, o diretor começou a sentir uma reação. “Devemos fechar o ano de 2012 com crescimento zero, não vamos ficar no negativo”, calcula. Com esses resultados, ficam difíceis os investimentos na compra de equipamentos. “Estávamos pensando em comprar um novo centro de usinagem em 2012, mas desistimos”, resume.

    Em tempo: nos últimos meses a TBM decidiu dar um tempo na participação de concorrências com ferramentarias brasileiras. Para o diretor, quando há a disputa com empresas nacionais, aparecem vários paraquedistas, oferecendo preços abaixo da expectativa. “Quando os clientes optam pelo preço baixo, quase sempre se arrependem”, diz. Ele conta que muitos transformadores procuram a empresa para melhorar o desempenho de moldes mal construídos. “Em um caso conseguimos reduzir o peso de uma peça de 600 para 450 gramas”, exemplifica.

    Sotaque catarinense – Há doze anos no mercado, a Tecnomoldes, situada em Herval d’Oeste-SC, conta com 42 funcionários e tem na fabricação de moldes de sopro o seu carro-chefe. A empresa, com participação nacional, também fabrica moldes para termoformagem. “O sopro representa 75% de nosso faturamento”, revela Luiz João da Maia, sócio-proprietário e diretor comercial. Das receitas obtidas com o sopro, em torno de 65% são de moldes para PET e 35% para sopro convencional. “Os moldes para PET são um pouco mais simples, não precisam dos parisons para trabalhar”, revela.



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