Ferramentaria moderna – Fabricantes estrangeiros e nacionais abastecem o mercado com portfólio amplo e diversificado de máquinas operatrizes

Os responsáveis pelas ferramentarias especializadas em moldes de injeção de plástico não podem se queixar de falta de opções na hora de investir na aquisição de uma máquina operatriz. Os principais fabricantes mundiais de equipamentos estão presentes no mercado brasileiro, seja com escritórios próprios ou por meio de representantes. O dilema, na hora da seleção de um equipamento, resume-se a uma pergunta incômoda que surge várias vezes quando alguém vai realizar uma compra. Vale a pena gastar mais e adquirir uma máquina sofisticada, com recursos tecnológicos de última geração, ou escolher um equipamento simples, com preço mais acessível? As dúvidas sobre qual modelo escolher na hora da compra se tornam maiores de acordo com o equipamento a ser adquirido. O caso mais sensível é o dos centros de usinagem, indispensáveis na confecção de peças complexas integrantes das matrizes. A gama de modelos oferecida é enorme, vai de modelos com três eixos de corte aos com cinco eixos e dotados com características especiais.

Entre os centros de usinagem mais sofisticados se encontram os HSM (high speed machining), com elevadas velocidades de corte. Eles são caros, nem sempre acessíveis para as ferramentarias. Em compensação, apresentam vantagens muito interessantes, como forte redução do tempo necessário para realizar determinadas operações. Em alguns casos, permitem a substituição das máquinas de eletroerosão. Só pra lembrar: as unidades de eletroerosão funcionam com o uso de eletrodos feitos de cobre ou grafite usinados com a mesma geometria da superfície que se deseja obter na peça a ser desbastada. Os eletrodos permitem a desintegração do material metálico a ser usinado por meio de sucessivas descargas elétricas. Eles custam caro e exigem tempo para serem fabricados. Nas máquinas mais antigas se desgastam com facilidade. São comuns os casos nos quais dois ou três eletrodos são necessários para se realizar determinada operação.

Mercado pulverizado – Uma análise do universo das ferramentarias se faz necessária antes de se debater como selecionar o equipamento ideal. O setor de fabricantes de matrizes é extremamente pulverizado no país. Não existem dados estatísticos oficiais, mas estima-se que haja mais de duas mil empresas do ramo, a maioria de pequeno porte. Não bastasse a concorrência interna, nos últimos anos, os moldes asiáticos, em especial os chineses, têm desembarcado por aqui com preços convidativos. Além do custo, os asiáticos apresentam outra vantagem, trabalham com prazos de entrega reduzidos. Tal cenário leva a algumas considerações. Por um lado, o quadro aconselha o uso de equipamentos sofisticados, capazes de tornar as empresas mais competitivas. Por outro, aplicar milhares e milhares de dólares na aquisição de uma máquina gera insegurança. Caso as encomendas encolham, o retorno fica aquém do necessário para se quitar as dívidas.

Entre os fornecedores de equipamentos, a opinião é bastante parecida. Nos tempos atuais, o bom momento vivido pela economia favorece os que escolhem investir em qualidade. Como o índice de pedidos de moldes se encontra em patamar elevado, a relação custo/benefício dos bons equipamentos é vantajosa.

Entre os fabricantes nacionais, o grande nome é a Romi, empresa reconhecida na indústria de plástico também por sua atuação como fabricante de injetoras e sopradoras, com fábrica em Santa Bárbara D’Oeste-SP. Ela não chega a concorrer com os fornecedores de equipamentos de ponta, mas atende a um mercado bastante amplo, fornecendo modelos úteis para centenas de clientes.

Plástico Moderno, Ferramentaria moderna - Fabricantes estrangeiros e nacionais abastecem o mercado com portfólio amplo e diversificado de máquinas operatrizes

“O mercado e os clientes da Romi estão precisando cada vez mais de máquinas de alta tecnologia e bom desempenho para serem mais competitivos”, avalia Hermes Lago, diretor de comercialização de máquinas. “O mercado está cada vez mais competitivo, as empresas buscam ganhar tempo com processos e um equipamento com tecnologia de ponta é fundamental para o aumento da produtividade”, reforça Lucas Cardoso, diretor da Alltech Máquinas, representante no Brasil de fabricantes internacionais de equipamentos.

Resta torcer para que os ventos favoráveis continuem a soprar. A economia aquecida é fundamental para que as ferramentarias se sofistiquem. Por enquanto, tudo bem. Os resultados do primeiro semestre são comemorados. “O mercado está bem aquecido”, informa Wilson Borgneth, diretor comercial do grupo Bener, representante de marcas internacionais. “O mercado está melhorando mês a mês, está muito bom”, confirma Paulo Pacheco, diretor da Tecno-How, revendedora dos centros de usinagem da marca alemã Hermle. Um motivo para acelerar o otimismo foi a recente resolução do governo federal que aumentou a alíquota de importação dos moldes de 14% para 30%. Um bom incentivo para os interessados em adquirir equipamentos de ponta.

Nacionais – Os fabricantes de moldes estão entre as empresas olhadas com carinho pela Romi. “As ferramentarias são importantes clientes para nós, disponibilizamos no mercado alguns modelos com forte aplicação no processo de manufatura de moldes e matrizes”, informa Lago. Os mais vendidos para esse nicho de mercado são os da linha D, em especial os modelos classificados como AP (alta performance). A linha é formada por máquinas de vários tamanhos, com cursos de eixo x de 600 mm a 1.500 mm.

As unidades da linha D não concorrem com os HSM importados. Para o dirigente, no entanto, contam com alta tecnologia, fruto de constantes investimentos em inovação. “Permitem usinagens de desbaste e acabamento com altas taxas de velocidade em peças de aços endurecidos e outros materiais”, afirma. Outras características positivas, de acordo com o diretor de comercialização, são as configurações de hardware e software, adequadas para excelente desempenho nas usinagens de perfis complexos, com altas taxas de aceleração, suavidade de movimentos dos eixos e rápido processamento de blocos de programas.

Um lançamento recente da empresa é o centro de usinagem vertical modelo D 1000AP Direct Drive. A máquina oferece velocidade de avanço rápido dos eixos de 40 metros por minuto e trocador de ferramentas com braço automático (até 30 ferramentas). “É equipada com CNC Siemens Sinumerik 828D, com excelente desempenho e confiabilidade”, explica Lago. Outra novidade é o centro de usinagem vertical de coluna móvel DCM 3000. O equipamento é indicado para a usinagem de peças longas e pesadas e apresenta alta precisão geométrica. Para processos de torneamento, a empresa oferece a linha Centur. “Eles permitem aos operadores trabalhar com o torno CNC como se fosse um modelo convencional, efetuando movimentos dos carros por meio de manivelas eletrônicas, além de outros recursos de programação oferecidos pelo comando CNC Siemens 802D”, informa.

Quando o assunto é a efetivação de negócios, Lago não tem queixas. “A venda de máquinas para as ferramentarias apresentou aumento significativo nos resultados da Romi”, afirma. Ele não fala em números, mas demonstra otimismo. “Isso está se refletindo de forma positiva em nossa participação nesse segmento. Estamos acompanhando o crescimento do setor”, resume.

Alemãs – A paulistana Tecno-How representa a fabricante alemã de centros de usinagem Hermle, marca bastante conhecida em todo o mundo pela sofisticação de seus produtos. Entre as máquinas oferecidas para as ferramentarias, destaque para os modelos da linha C, dotados com três ou cinco eixos simultâneos. De acordo com Pacheco, esses equipamentos trazem algumas concepções, como construção compacta e estrutura de granito sintético, que garantem alta precisão das operações de corte. “Em alguns casos com tolerâncias inferiores a cinco mícrons”, ressalta. Eles foram concebidos para trabalhar com a tecnologia HSM. “As máquinas possuem configuração modular da mesa, variações opcionais para mesa multifuncional e sistemas de servoacionamento digital com fusos de esfera”, explica. É possível automatizá-la com trocador de paletes ou adotando a ampliação para uma célula de fabricação completa, incluindo transporte e armazenamento das peças usinadas.

O lançamento mais recente da linha é o C 30. O equipamento conta com cinco eixos simultâneos, comando Heidenhain iTNC 530 e spindle de 18 mil rotações por minuto. É dotado com exclusiva proteção contra colisões feita por meio de buchas de alumínio projetadas para absorver impactos. O modelo é indicado para usinar peças de grande porte: a carga admissível na mesa atinge uma tonelada. “A ferramenta trabalha em regime de três eixos”, acrescenta.

Outro produto trazido ao Brasil recentemente pela Tecno-How é o equipamento Concept Laser. Também de fabricação alemã, ele atua com a ajuda de raios laser e utiliza pó de metal para conceber peças. Entre as matérias-primas que podem ser utilizadas com a máquina se encontram os aços inoxidáveis, ações com alta liga e outros materiais usados na confecção dos moldes. “A Concept Laser atua de maneira similar aos equipamentos de prototipagem rápida”, revela Pacheco. No campo das ferramentarias, uma de suas utilidades é usinar peças com design complexo. “Ela permite o posicionamento de canais de refrigeração bem próximos, alguns milímetros, da superfície dos moldes. Essa é uma característica bastante desejada nos moldes de alta produção, como os de embalagens”, explica. O diretor não tem conhecimento de outro produto similar no mercado nacional. “Desconheço a presença de concorrentes”, confirma.

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Concept Laser atende às exigências dos moldes para alta produção

De acordo com Pacheco, as ferramentarias estão procurando munir suas plantas com equipamentos de ponta. “Elas precisam estar preparadas para competir com os produtos importados da China”, explica. Para exemplificar, ele lembra que os próprios fabricantes de moldes chineses adquirem equipamentos de ponta. “Os centros de usinagem chineses de menor qualidade são vendidos para outros países, mas as ferramentarias locais compram máquinas europeias”, justifica. O diretor admite que o preço das máquinas de ponta é obstáculo para os compradores nacionais. “O retorno dos investimentos, no entanto, é mais rápido”, garante. Existem alguns aspectos que amenizam essa dificuldade. O dólar baixo é um deles.

Asiáticas – O grupo Bener, fundado em 1995 e com sede em Vinhedo-SP, revende ampla gama de máquinas operatrizes. Para as ferramentarias, os destaques da empresa são a linha completa de eletroerosão da marca Novik-Electrocut, da China, e os centros de usinagem Veker, fabricados em Taiwan. “Oferecemos máquinas de eletroerosão com três diferentes níveis tecnológicos”, revela Borgneth. Os mais simples têm controle numérico no eixo Z. Os de nível médio contam também com servomotores nos eixos x e y; os avançados, com controle numérico nos três eixos.

Uma novidade da empresa apresentada na feira Brasilplast, realizada no último mês de maio, em São Paulo, é a máquina de eletroerosão por penetração série AF 1100. Com tecnologia de fácil operação, monitor LCD de 15 polegadas e quatro eixos programáveis simultaneamente, opera com cinco funções: set up, erosão, adição, gráficos e diagnósticos. O CNC permite controlar quatro tipos de órbita (circular, quadrada, vetorial e poligonal) em dois modos (órbita livre e servocontrolada). Possui controle remoto completo para operação a curta distância.

Os centros de usinagem Veker são oferecidos em vários modelos, de três a cinco eixos, e em diferentes tamanhos, incluindo uma unidade de dupla coluna, voltada para a usinagem de peças de grandes portes. “São os casos das cavidades de ferramentas voltadas para a injeção dos para-choques de automóveis”, exemplifica. Para o diretor comercial, tem crescido a procura por centros de usinagem com maior tecnologia acoplada. “As ferramentarias de ponta estão saindo dos modelos convencionais, comprando os modelos de alta velocidade e maior produtividade, capazes de usinar materiais extremamente duros com acabamento de primeira linha”, explica.

A expectativa do grupo Bener é a de crescer 25% em relação a 2010. No ano passado, a expansão foi de 30%. O resultado de 2010 precisa ser relativizado, pois em 2009 o mercado sofreu os efeitos da crise mundial. “Queremos voltar ao nível que alcançamos em 2008, nosso melhor ano”, conta.

Para todos os gostos – A Alltech, com sede em Caxias do Sul-RS, nasceu em 2001 como empresa especializada em ferramentas. No ano de 2004, para aproveitar a experiência adquirida nesse mercado, foi criada a Alltech Máquinas, importadora de equipamentos da Europa e Ásia. Os destaques são os centros de usinagem da tchecoslovaca Trimill e das marcas taiwanesas Hartford e Gentiger.

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A empresa está apta a oferecer modelos de todos os preços. Os equipamentos da Trimill são os mais sofisticados e caros. Os asiáticos apresentam condições de compra mais acessíveis. Entre os modelos vendidos no Brasil, os mais procurados são o Hartford LG-1000 e o Gentiger GT 105. O LG-1000 vem equipado com comandos Mitsubishi ou Fanuc, usina peças com até 700 kg de peso e apresenta velocidade de corte de até dez metros por minuto. O GT 105, com comandos Siemens, Heidenhain ou Fanuc, opera com peças de até uma tonelada e tem velocidade de corte de até vinte metros por minuto.

“O mercado está aquecido como um todo”, diz Cardoso. As vendas do primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano passado, cresceram 20%. A expectativa para o segundo semestre é de um aumento de 15% em relação ao primeiro. A alta do faturamento se deve em boa parte à procura por produtos com maior tecnologia agregada. “As empresas estão investindo cada vez mais em equipamentos diferenciados, como os de cinco eixos”, conta. O diretor fala sobre uma novidade. “A Hartford lançou o modelo HSM-560, de 30 mil rotações por minuto, indicado para usinagens de alta velocidade.”

 

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