Ferramentaria Moderna: Dispositivos aceleram a troca de moldes e permitem ampliar a produtividade das injetoras

Plástico Moderno, Injetora Haitian com sistema de fixomoldes hidráulicos da Brasfixo
Injetora Haitian com sistema de fixomoldes hidráulicos da Brasfixo

Perseguir tempos menores para as trocas de moldes é uma decorrência natural da contínua busca pela elevação da produtividade dos processos de injeção. E mais fortemente ainda se impõe essa necessidade quando esses processos se destinam à fabricação de produtos de maior valor ou aqueles que, para atender nichos mercadológicos mais segmentados, são gerados em quantidades menores (e portanto requerem trocas mais frequentes).

No Brasil, dizem os profissionais dos provedores de tecnologias para troca e fixação de moldes, mesmo em uma empresa bem estruturada é comum tais trocas exigirem pelo menos uma hora, no caso de um molde de médio porte (e até várias horas, para moldes maiores, ou em empresas menos preparadas). Já é possível reduzir expressivamente esse tempo e, mesmo no mercado nacional, torna-se cada dia mais usual o apelo à sigla SMED (Single Minute Exchange of Die), designativa das trocas hoje factíveis – e reais em alguns transformadores –, feitas em menos de dez minutos.

Os tempos mais exíguos de trocas de moldes exigem, além de planejamento e treinamento dos profissionais, um conjunto de equipamentos entre os quais se destacam os multiconectores que com um único encaixe ligam ao sistema todos os pontos por onde passará a água destinada ao resfriamento dos moldes, e os fixadores hidráulicos, significativamente mais rápidos que aqueles dotados de parafusos que devem ser apertados manual e individualmente. Há também a opção das placas magnéticas, que se valem de força eletromagnética para dispensar qualquer tipo de garras ou presilhas, e tornam a troca um ato quase instantâneo, mas que ainda são alvos de alguns questionamentos.

De acordo com José Roberto Policastro, presidente da Brasfixo, da forma como são atualmente construídas essas placas podem ocasionar quedas de moldes. “Só este ano estivemos em oito empresas onde ocorreram acidentes com placas magnéticas importadas da Alemanha, Itália e China, e foi necessário adequar as máquinas para o sistema de fixomoldes hidráulicos”, comenta (fixomoldes hidráulicos é o nome com o qual ele nomeia os sistemas de fixação hidráulica da Brasfixo). Além disso, prossegue Policastro, elas exigem manutenção periódica – por exemplo, para a eliminação da ferrugem que se acumula sobre elas –, que muitas vezes precisa feita fora do Brasil.

A Brasfixo, diz Policastro, fornece placas magnéticas, mas elas ainda são pouco demandadas: “E isso não apenas por questão de custos, pois elas custam dez vezes mais que fixomoldes hidráulicos, e têm manutenção muito cara –, mas também pela confiabilidade”, ressalta.

Tais informações são, porém, refutadas por Elton Brito, coordenador de desenvolvimento do mercado plástico da Stäubli (empresa cujo portfólio para trocas de moldes inclui placas magnéticas, grampos hidráulicos de fixação, conectores, entre outros itens para moldes). Já ocorreram, ele reconhece, alguns acidentes com placas magnéticas, porém, além de poucos, eles aconteceram há vários anos e envolveram basicamente placas que, diferentemente daquelas fornecidas por sua empresa, não contam com sistemas de segurança e de gerenciamento das informações a elas relacionadas.

As placas da Stäubli, assegura Brito, além de altamente interativas, trazem consigo sistemas e protocolos de comunicação que disponibilizam todas as informações sobre quesitos como forças de magnetização, temperaturas, modo no qual está a máquina, entre outros. “Nunca houve uma queda com uma de nossas placas”, garante Brito, lembrando que, caso alguma de suas placas necessite de manutenção, a Stäubli mantém no Brasil tanto equipe quanto peças para realizar localmente a operação. “Também recomendamos o uso de antioxidantes”, acrescenta.

Vantagens das placas – A segurança das placas magnéticas é ressaltada também por Hercules Piazzo, diretor comercial da Hercx, empresa que representa no Brasil a fabricante de placas Magbo (além de outros equipamentos e produtos destinados à indústria do plástico, de marcas com Maguire, Mo.Di.Tec e Dyna Pure, entre outras). “Nossas placas possuem tecnologia magnética eletropermanente; ou seja, uma vez gerado o magnetismo não se desfaz, mesmo com a queda de energia elétrica na máquina ou na empresa. Para efetuar a desmagnetização é necessário reenergizar o sistema”, explica.

Plástico Moderno, Placas magnéticas eletropermanentes da Magbo não temem queda de energia
Placas magnéticas eletropermanentes da Magbo não temem queda de energia

As placas Magbo, prossegue Piazzo, contam ainda com dois sensores de proximidade instalados em ambos os lados, para detectar qualquer possível afastamento do molde e parar a máquina, caso constate um afastamento superior a 0,3 mm.

Na MC Componentes, o portfolio de produtos para troca de moldes não inclui placas magnéticas, mas tem engates de extração de moldes, engates rápidos e cabeçotes para acoplamento rápido. Emerson Camargo, diretor dessa empresa, qualifica como “apenas cultural” a desconfiança em relação à segurança de placas magnéticas, que seriam perfeitamente seguras. E, para ele, o uso dessa tecnologia se consolidará como realidade inexorável; porém, no Brasil, isso não acontecerá de forma imediata: “Essas placas ainda são caras para a realidade do país”, justifica Camargo.

A análise financeira do investimento em placas magnéticas deve levar em conta principalmente a relação entre custo e benefício, em vez do valor imediato do desembolso, recomenda Brito, da Stäubli. Afinal, ele pondera, com elas, pode-se pensar em reduzir para valores inferiores a dez minutos trocas que hoje podem exigir até duas horas. “É caro destinar algo entre R$ 50 mil a R$ 70 mil para isso? O investimento se paga em seis a oito meses”, argumenta. Além disso, complementa o profissional da Stäubli, elas propiciam vantagens adicionais, além de agilizar a troca: “Elas não exigem nenhuma padronização, como acontece com os grampos hidráulicos, que requerem placas traseiras dos moldes padronizadas”.

Piazzo, da Hercx, cita outros benefícios das placas magnéticas: “Elas mantêm as placas da injetora intactas, pois não há mais problemas com roscas espanadas nem grampos de fixação que caem sobre a máquina”, especifica. “Placas magnéticas também garantem perfeito contato entre as placas da máquina e do molde, melhorando a distribuição da força de fechamento da injetora no molde e a qualidade das peças, reduzindo os índices de manutenção do molde e da máquina”, acrescenta.

Placas magnéticas, ressalta Piazzo, permitem ainda melhor aproveitamento da área das placas da máquina: “Desta forma é possível trabalhar com moldes maiores em máquinas menores, pois o que limitará o tamanho do molde será a força de fechamento necessária e não a área onde estão os furos de fixação”, ele ressalta.

Fixadores diversos – Na Stäubli, além de placas magnéticas o portfólio de produtos para troca de moldes inclui, entre outros itens, manifolds para acoplamento simultâneo de até vinte pontos de água de refrigeração (dez entradas e dez saídas). “Temos também grampos hidráulicos; mas eles geram poluição – com os óleos, por exemplo –, e estão em desuso”, relata Brito.

Plástico Moderno, Previsão fornece fixadores hidráulicos e convencionais
Previsão fornece fixadores hidráulicos e convencionais

Já Policastro, da Brasfixo, vê inúmeras vantagens no sistema de fixadores hidráulicos que, diferentemente dos fixadores convencionais – apertados individualmente com chave catraca –, têm apenas uma trava mecânica acionada com um curto movimento manual, e assim elimina a maior parte do trabalho humano.

Com o sistema tradicional, exemplifica Policastro, uma injetora com mil toneladas de força de fechamento e um molde de 12 toneladas requerem algo entre dezesseis e vinte prendedores manuais, cada um dos quais exige de três a cinco minutos para ser ajustado. Ou seja: nesse caso são necessários algo entre 45 minutos e 1h15 para a fixação do molde. “Já um sistema de fixomolde hidráulico exige dois minutos para fixar e outros dois para soltar o molde”, ele compara.

Os fixadores hidráulicos da Brasfixo podem trabalhar com qualquer tipo de molde, sem necessidade de padronização das abas. “Mas temos também a opção para abas padronizadas, que reduz muito o set-up da troca”, relata Policastro. Porém, ele observa, apesar desses diferenciais favoráveis aos sistemas hidráulicos, ainda têm larga procura os sistemas convencionais, que exigem fixação manual e individual.

Plástico Moderno, Previsão fornece fixadores hidráulicos e convencionais
Previsão fornece fixadores hidráulicos e convencionais

Na verdade, fixadores convencionais ainda respondem pela maior parte das vendas, diz Sergio Leis, sócio-diretor da Previsão. “Mas cresce a demanda por fixadores hidráulicos: eles podem custar cerca de dez vezes mais que os convencionais, mas conseguem reduzir o tempo de troca em até 80%”, argumenta. Cada empresa, recomenda Leis, deve fazer sua própria avaliação da conveniência ou não de trocar fixadores convencionais por hidráulicos. Naquelas que trabalham com produtos de maior valor agregado – ou que trocam mais moldes –, essa substituição será provavelmente mais vantajosa.

Expande-se, atualmente, destaca Leis, o processo de modificação de injetoras nas quais a fixação era feita com rosca na placa para fixação através de um rasgo T (muitas vezes, com a colocação de uma sobreplaca que permite a fixação por sistemas hidráulicos). “Isso agiliza bastante o processo de troca de moldes”, diz o profissional da Previsão (empresa fabricante de fixadores convencionais e hidráulicos)

Plástico Moderno, Presilhas mecânicas Lenzkes têm regulagem automática
Presilhas mecânicas Lenzkes têm regulagem automática

Na MC Componentes, além de engates de extração de moldes, engates rápidos e cabeçotes para acoplamento rápido de fabricação própria, o portfólio inclui também engates mecânicos: nesse caso, da marca alemã Lenzkes. “Esses fixadores mecânicos têm regulagem automática e dispensam o ajuste para cada tipo de molde”, enfatiza Camargo. Segundo ele, é hoje possível notar grande mobilização das empresas no sentido de agilizar o set-up de suas injetoras. “Esse é um gargalo muito grande no processo de injeção: pode demorar várias horas, e isso já não cabe na atual realidade do mercado”, destaca.

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