Ferramentaria moderna: Desempenho mais alto dos moldes

Demanda automotiva cresce e exige desempenho mais alto dos moldes e canais quentes

A informação é unânime entre alguns dos principais fornecedores de câmaras quentes do Brasil: as vendas desses componentes dos moldes de injeção vivem bom momento, não há queixas sobre o ritmo das encomendas.

Entre os fornecedores podemos citar Polimold, Tecnoserv, Yudo e Husky.

A situação só não é perfeita pelo grande aumento verificado no custo do aço desde o surgimento da pandemia.

O aço é a principal matéria-prima usada para a confecção do produto e existem reclamações de que o fenômeno causa redução na rentabilidade dos itens comercializados.

Algumas são as principais explicações para a demanda aquecida.

A primeira resulta dos problemas internacionais de logística e aumento abusivo no valor fretes.

A questão gerou dificuldades para a importação de moldes, em especial dos chineses, e tornou as ferramentarias brasileiras mais competitivas.

A indústria automobilística tirou da gaveta os projetos de pelo menos quatro novos modelos de automóveis.

Esse investimento está em processo inicial e colabora com o setor de ferramentaria.

Outro aspecto muito importante se concentra na eficiência das câmaras quentes, quase indispensáveis na confecção dos moldes.

Com elas é possível produzir peças sem os indesejáveis “galhos”, o que proporciona menor consumo de resinas, ciclos de produção mais curtos e economia de energia.

Hoje, a não ser em casos muito específicos, como os de moldes fabricados para baixa produção de peças, por exemplo, todas as ferramentas contam com câmaras quentes.

O cenário é distinto do de duas décadas atrás, quando os preços desses componentes eram bem mais elevados e seu uso era mais restrito.

Com a popularização do uso, vieram o aumento da escala de produção e custos mais amigáveis.

Em paralelo, houve grande progresso na tecnologia e o desempenho das câmaras quentes proporciona aos transformadores resultados cada vez mais positivos.

Sistemas valvulados – As câmaras quentes são projetadas caso a caso, cada uma para atender as características do molde ao qual serão incorporadas.

O coração de componente é o manifold, cuja função é distribuir e conduzir o material plástico que vem do canhão da máquina injetora até as cavidades do molde.

Ele é aquecido por resistências elétricas reguladas por controladores de temperatura externos para garantir que o material plástico se mantenha nas condições ideais de operação até a finalização do preenchimento do molde.

Com as câmaras quentes convencionais, a vazão do plástico nos bicos de entrada do material nas cavidades dos moldes é constante.

Nos últimos anos vêm ganhando força os sistemas valvulados, nos quais nos bicos por onde sai o material são instaladas agulhas móveis, capazes de controlar a vazão da matéria-prima que irá preencher o molde.

A técnica proporciona maior eficiência aos ciclos de injeção com ganhos de produtividade, qualidade estética e economia de energia.

Os movimentos das agulhas são coordenados por êmbolos acionados por circuitos pneumáticos, hidráulicos ou a partir de servoválvulas.

No Brasil, em quase 90% dos casos, de acordo com os especialistas, são usados os êmbolos com acionamento pneumático, de menor custo, mais fáceis de serem instalados e limpos.

O uso dos circuitos hidráulicos se restringe a um menor número de aplicações, quase sempre voltadas para a fabricação de peças de grande porte – com o óleo é possível obter pressões consideravelmente maiores do que com o ar.

O acionamento dos êmbolos feito por meio de servoválvulas é o mais eficiente, permite melhor controle dos movimentos das agulhas dos bicos.

Ele surgiu na Europa há cerca de três anos e no Brasil seu uso é incipiente, embora a tecnologia venha ganhando adeptos.

A popularização, por enquanto, esbarra em seu preço mais elevado, mas a percepção é de que a a solução tem tudo para ganhar mais espaço no mercado.

Os acionamentos dos movimentos dos sistemas valvulados podem se dar por dispositivos externos ao molde.

Nas injetoras mais modernas oferecidas no mercado, desenhadas a partir de projetos que permitem movimentos simultâneos, existem controles programáveis de alta tecnologia, capazes de enviar os comandos de abertura e fechamento dos bicos direto para as ferramentas.

Em algumas aplicações, os sistemas valvulados se tornaram quase imprescindíveis.

É o caso da fabricação de peças de grande porte, como painéis de automóveis ou para-choques, onde a aparência precisa ser desprovida de defeitos.

Os moldes que produzem peças com distribuição de massas muito diferentes, caso, por exemplo, dos baldes injetados ao mesmo tempo com suas tampas, é outro exemplo.

Com eles os ciclos podem se encerrar com a fabricação das duas peças de forma simultânea.

A possibilidade de contar com maior diâmetro de entrada do material reduz o tempo de injeção e é valiosa na produção de peças com paredes finas produzidas em ciclos rápidos, como tampas, potes de embalagens, talheres e copos descartáveis.

A mesma característica é útil na produção de embalagens fabricadas com a tecnologia in mold label, pois reduz a possibilidade de os bicos por onde passam os materiais danificarem etiquetas e deixarem marcas.

O controle da vazão também se mostra quase indispensável em peças feitas com matérias-primas enriquecidas com grandes quantidades de fibras.

Qualquer que seja a aplicação, o sistema valvulado ainda oferece vantagens adicionais para lá de importantes.

Como as peças são injetadas pelos bicos de forma sequencial, as injetoras utilizadas podem trabalhar em regimes de menor pressão.

Em outras palavras, podem ser transformadas em injetoras com menor força de fechamento, com custos de produção mais baixos – esse fator só não pode ser levado em consideração se o tamanho do molde for maior do que o tolerado pela máquina.

Fabricantes nacionais – Um bom número de fornecedores atua no mercado de câmaras quentes, entre eles algumas empresas brasileiras.

Plástico Moderno, Fix: cresce a demanda técnica para peças complexas
Fix: cresce a demanda técnica para peças complexas

“O mercado brasileiro está de razoável para bom, mas nós estamos obtendo ótimos resultados com as exportações. Estamos vendendo câmaras quentes para Europa, Estados Unidos e Ásia”, informa Alexandre Fix, presidente da Polimold, maior fabricante nacional.

Ele explica que, no Brasil, as vendas estão positivas para todos os segmentos industriais e destaca as montadoras, que passaram por séria crise nos últimos anos.

“As vendas para as montadoras melhoraram, vários projetos de lançamentos automobilísticos estão em processos iniciais”. (Veja reportagem sobre plásticos nos automóveis nesta edição)

Por outro lado, ele aponta como obstáculo o recrudescimento da concorrência no mercado, a partir da postura comercial agressiva adotada pelas empresas internacionais que atuam por aqui.

“Trocamos parte do nosso parque de máquinas e vamos investir ainda mais na compra de equipamentos mais eficientes”.

A estratégia é fazer tudo o que for necessário para aumentar a competitividade da empresa.

Ferramentaria moderna: Desempenho mais alto dos moldes ©QD Foto: Divulgação
Sistemas de câmaras quentes fabricados pela Polimold

Agenor Gualberto, gerente de desenvolvimento de câmaras quentes da Polimold, explica que a empresa atende a vários mercados e conta em seu portfólio com linhas com características distintas, das convencionais às dotadas com sistemas valvulados, indicadas para diferentes nichos.

Entre elas, um dos destaques vai para a série Infinity, cujo projeto é bastante indicado para peças mais técnicas, como as encontradas na indústria automobilística, por exemplo.

Outro destaque vai para a linha Multiplic, apropriada para moldes de múltiplas cavidades, como os usados pela indústria de embalagens, entre outras indicações.

As câmaras quentes equipadas com sistemas valvulados oferecidos pela Polimold têm os movimentos controlados por sistemas pneumáticos e hidráulicos.

Ferramentaria moderna: Desempenho mais alto dos moldes ©QD Foto: Divulgação
Gualberto: linha Infinity é indicada para peças técnicas

“Esses dois sistemas atendem a 99% do mercado nacional”, garante Gualberto.

“As vendas estão boas, a perspectiva é de crescer em relação ao ano passado”, informa Wilson Teixeira, diretor técnico da Tecnoserv, empresa nacional fornecedora de produtos para moldes de injeção.

A empresa, no passado parceira da fabricante internacional Mastip, nacionalizou totalmente a produção de câmaras quentes, agora fornecidas com marca própria.

O diretor se queixa do valor das matérias-primas, o que reduz a rentabilidade dos produtos oferecidos.

“Os clientes não aceitam o repasse total do aumento dos nossos custos”, lamenta.

A Tecnoserv oferece vários modelos de câmaras quentes, convencionais ou valvulados, para injeção horizontal ou vertical.

No caso dos valvulados, os movimentos dos êmbolos são movidos por sistemas pneumáticos ou hidráulicos.

Elas trabalham em moldes que processam todos os tipos de materiais, inclusive os que utilizam altos teores de cargas.

Como surpresa positiva, Teixeira aponta os investimentos feitos pela indústria automobilística.

“Várias montadoras planejam lançar novos modelos”.

Outro destaque vai para o mercado de embalagens, para o qual a empresa oferece câmaras quentes com múltiplas cavidades. Um nicho apontado como promissor é o de stackmolds.

Fabricantes internacionais – Empresas de outros países com fábricas no Brasil e bom nível de nacionalização de peças estão bem atuantes.

A Yudo, de origem sul-coreana e fabricação local, comemora os resultados que vem obtendo por aqui.

Ferramentaria moderna: Desempenho mais alto dos moldes ©QD Foto: Divulgação
Lourenço: difusão em estado sólido acelera troca de cores

“Estamos no Brasil há sete anos e em 2022 devemos manter nosso ritmo de crescimento anual de 20%”, resume João Paulo Lourenço, diretor geral para a América do Sul.

Com esse desempenho, Lourenço garante que a empresa tem conquistado share no mercado junto às concorrentes.

“Nossas perspectivas para os próximos dois anos são muito boas”.

A indústria automobilística, um dos clientes preferenciais da empresa, aparece como principal motivo do otimismo.

“As montadoras preparam o lançamento de pelo menos quatro novos carros”.

Os fornecedores de itens de linha branca também são citados como promissores, assim como o segmento de embalagens.

A empresa está entre as que oferecem câmaras quentes dotadas com sistemas valvulados movidos por servoválvulas.

A grande novidade da empresa nessa tecnologia foi o lançamento recente de um sistema valvulado com servomotor ecológico, o Yudrive ECO, que vem pré-programado com três velocidades de abertura da agulha.

Ferramentaria moderna: Desempenho mais alto dos moldes ©QD Foto: Divulgação
Yudrive ECO permite economizar até 90% da energia

Para Lourenço, a novidade será um “divisor de águas”.

“Ela permite economia de até 90% de energia sem aumento de preço para o cliente, sem necessidade de equipamento de controle e com possibilidades de processo muito mais amplas”.

O diretor também destaca a tecnologia diffusion bonding aplicada na construção dos manifolds, que utiliza soldagem por difusão em estado sólido para unir os metais. Para ele, a solução assegura o equilíbrio no balanceamento do sistema.

“É excelente opção para peças feitas em moldes que mudam de cor. Temos um cliente que demorava oito horas para trocar de cor com o sistema convencional e que, com a técnica, reduziu a operação para menos de cinco minutos”.

A multinacional de origem canadense Husky foi fundada em 1953 e se tornou conhecida fornecedora de serviços e equipamentos para injeção como injetoras, moldes e câmaras quentes, entre outros.

“Nossas câmaras quentes estão disponíveis em versões de bico térmico e com agulha valvulada, ambos otimizados para a peça e aplicação específica de cada cliente”, informa Felipe Souza, gerente de contas.

De acordo com o executivo, a empresa tem apresentado crescimento significativo no mercado brasileiro.

“Isso possibilitou a contratação de mais engenheiros e técnicos de campo locais; estamos nos preparando para um 2023 de muitas novidades”.

No nicho de sistemas valvulados, a empresa oferece componentes com agulhas acionadas por ar comprimido, pistões hidráulicos e servomotores com opções de acionamento individual ou simultâneo sincronizado com agulhas conectadas à placa flutuante Husky UltraSync.

Outra opção é o sistema Ultra Helix.

“Ele tem as agulhas valvuladas com pelo menos três pontos de apoio em seu diâmetro pouco antes do gate da cavidade”.

De acordo com o gerente, a técnica proporciona alinhamento perfeito da agulha com o furo de passagem reduzindo o desgaste do conjunto de maneira significativa.

“Algumas aplicações no mundo já chegaram a 53 milhões de ciclos sem que houvesse a necessidade de troca do inserto da cavidade ou da agulha valvulada”.

Souza também afirma que a Husky tem a melhor solução para prevenção de weepage, nome dado ao retorno do plástico pela agulha, invadindo o pistão, problema gerador de paradas desnecessárias de máquinas.

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