Ferramentaria moderna – Componentes e acessórios para moldes vendem mais e fabricantes ampliam capacidades produtivas

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Peças para moldes com selo Tecnoserv

Os fornecedores de componentes e acessórios para moldes de injeção de plástico vivem momentos auspiciosos. O aquecimento da economia brasileira verificado desde o final da crise mundial de 2009 impulsionou as vendas a patamares para lá de satisfatórios. Graças ao bom desempenho, algumas das principais empresas do setor aproveitam para realizar investimentos e ampliar a capacidade de suas linhas de produção. Entre as boas notícias, um aspecto incomoda. O esforço feito pelo governo para combater a inflação, com medidas como aumento dos juros e restrição ao crédito, pretende esfriar um pouco o ritmo do crescimento. O setor torce para que tal arrefecimento não prejudique o nível positivo dos negócios alcançado nos últimos meses. Entre as empresas do ramo, podem ser citadas Polimold, Tecnoserv, MDL Danly e Três-S.

Vale lembrar as diferenças entre componentes e acessórios para moldes. Os componentes são itens obrigatórios para o funcionamento das matrizes. Entre eles, podem ser citados buchas, colunas, pinos extratores e molas. Já os acessórios, são imprescindíveis em algumas aplicações; em outras, não são aproveitados. Nessa categoria se enquadram peças como puxadores de placas, válvulas de ar para extração, engates, gavetas e outros.

Alguns aspectos merecem ser mencionados para explicar o desempenho positivo deste segmento. O aumento do poder aquisitivo da população vem em primeiro lugar. A classe média ganhou milhões de novos integrantes, aumentaram as vendas dos mais variados produtos, de alimentos a automóveis. De olho no aumento da demanda, a indústria aposta em lançamentos. Aumentam as encomendas de moldes para os mais distintos segmentos econômicos, casos, por exemplo, das indústrias alimentícias, de construção civil, móveis, eletroeletrônicos e automobilística, entre outras. Quanto maior o número de moldes produzidos, maior a procura por componentes e acessórios. Não por acaso, alguns especialistas estimam que os índices de capacidade ociosa das ferramentarias estão muito baixos. O fenômeno é raro nas últimas décadas.

Em tempo: quanto mais a economia estiver aquecida, mais os transformadores colocam suas matrizes para trabalhar. Aumenta a procura por componentes e acessórios usados nas operações de manutenção, nicho importante de mercado para os fornecedores. Por falar em reposição, outro aspecto a favor do setor é o crescente uso de padronizados. Há alguns anos, quando havia necessidade de substituição, os transformadores ou ferramentarias com frequência faziam internamente peças como buchas, colunas e outras. Com a evolução do uso dos porta-moldes, as peças com medidas estabelecidas de forma prévia passaram a integrar as matrizes com maior constância. Quando é necessária uma troca, comprar peças pré-fabricadas oferece ganho de tempo e quase sempre sai mais barato.

Uma ameaça vem da Ásia. Nos últimos anos, a importação de moldes chineses vem incomodando as ferramentarias nacionais. A economia aquecida tem minimizado o problema. Para os representantes da indústria brasileira, uma boa nova, obtida no início do ano. Depois de muitas negociações entre entidades empresariais e representantes do governo, foi publicada no Diário Oficial da União em 18 de fevereiro uma norma que aumentou a alíquota de importação dos moldes de 14% para 30%. A medida entrou em vigor no dia 1º de março e foi bastante comemorada. Com a decisão, as matrizes made in Brazil ficaram com preços mais próximos dos internacionais. Os asiáticos, no entanto, apresentam vantagem importante. Eles conseguem atender aos pedidos de encomendas em prazos muito reduzidos. Mais um motivo a favor do uso de padronizados.

Plástico Moderno, Wilson Teixeira, Diretor técnico da Tecnoserv, Ferramentaria moderna - Componentes e acessórios para moldes vendem mais e fabricantes ampliam capacidades produtivas
O crescimento do setor anima Teixeira, que comemora resultados

Milhares de itens – A Tecnoserv, de Diadema, é um nome tradicional no segmento de moldes de injeção. Além de ser conhecida como fornecedora de porta-moldes, a empresa fabrica buchas, colunas, pinos extratores e molas, entre outras peças. Em paralelo, representa no Brasil algumas empresas internacionais voltadas para o segmento, entre as quais a marca alemã Strack Normalien, dona de catálogo recheado com nada menos que 80 mil itens voltados para ferramentarias e transformadores. Para Wilson Teixeira, diretor técnico, o nicho de mercado de componentes e acessórios tem apresentado excelente desempenho já há algum tempo. “Para nós, nos últimos cinco anos, tem aumentado entre 9% e 10% ao ano”, revela. No primeiro semestre, os resultados foram ainda mais compensadores. “No primeiro semestre devemos ter crescido entre 14% e 15%”, comemora.

Para ele, tal evolução se deve em boa parte à concorrência promovida pelos asiáticos. As ferramentarias brasileiras, de olho na competitividade, estão aderindo à padronização. Elas precisam estar atentas para reduzir custos e atender às encomendas com maior agilidade. “Com a taxa de importação mais elevada, o custo dos moldes mais simples chineses ficou mais próximo do custo dos brasileiros. Mas os chineses oferecem prazos de entrega bem mais rápidos”, justifica. Esta necessidade já foi incorporada ao dia a dia dos profissionais do ramo, que na hora de desenvolver um projeto entram nos sites dos fornecedores e aproveitam as peças com medidas já existentes. Essa preocupação também agrada aos transformadores, preocupados com as agruras comuns nos momentos de manutenção. “Se uma peça do molde quebra na linha de produção, sua substituição tem que ser muito rápida para a injetora não ficar parada. Por isso, é interessante ter na ferramenta itens encontrados em prateleiras”, justifica.

Não por acaso, a Tecnoserv possui um bom número de peças em estoque. “Quando recebo um pedido preciso atender de forma rápida”, diz. Teixeira destaca alguns itens importados da Strack Normalien que fazem sucesso na Europa e agora começam a ser observados com maior atenção pelos clientes brasileiros. Um desses acessórios é uma peça cujo nome pode ser traduzido como “macho retrátil”. Ela é indicada para ajudar na extração de peças com geometria complicada, caso, por exemplo, das tampas de garrafas com roscas. “O uso do mecanismo pode reduzir os tempos dos ciclos de injeção em pelo menos 60%”, garante. A Tecnoserv, por enquanto, não conta com essas peças em estoque. “Atendemos às encomendas em um prazo entre um mês e 45 dias.”

Novidades à vista – A Polimold, empresa brasileira com destaque no mercado de porta-moldes e outros itens padronizados, vê o nicho de componentes e acessórios com especial atenção. “Nossa história sempre foi atrelada a uma ampla linha de componentes, estamos sempre empenhados em oferecer soluções completas para nossos clientes”, afirma o gerente de vendas Maurício Brunelli. O executivo não revela números.

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Pinos extratores e molas são campeões de vendas, diz Brunelli

Mas dá uma dica sobre o desempenho das vendas. “Esse mercado anda atrelado ao de moldes”, revela. A frase significa bons negócios. Afinal, ele reconhece o momento aquecido do mercado. Para ele, nos primeiros meses desse ano, as ferramentarias estão com de 70% a 80% de ocupação de suas capacidades.

A linha oferecida pela Polimold é bem completa. “Sem dúvida nenhuma, os pinos extratores e molas são os campeões de vendas, seguidos pelas colunas e buchas, datadores, travas de gaveta, retentores e corrediças, entre outras peças”, diz. Além de fornecer os itens mais procurados, existe a preocupação constante de desenvolver novidades. “Estamos finalizando os testes de uma nova linha voltada para os usuários mais exigentes”, afirma. As novidades são voltadas em especial para os moldes com tecnologia de ponta usados em linhas voltadas para elevadas produções. Devem chegar ao mercado em breve.

Brunelli acredita que o aumento de interesse por peças padronizadas é uma boa notícia para os participantes do segmento. “Esses produtos vêm gradativamente ganhando espaço”, diz. O gerente, no entanto, vê bom potencial de crescimento. “Ainda há muito a ‘educar’ o mercado”, avalia. Para ele, a empresa, sempre que aparece uma oportunidade, tem por hábito procurar esclarecer os clientes sobre os benefícios e as vantagens das peças disponíveis em prateleiras. Muitos potenciais compradores não se conscientizaram do menor custo e dos prazos de entrega mais vantajosos.

Tamanhos especiais – A MDL-Danly, empresa brasileira com fábricas na capital paulista e em Sorocaba-SP, além de fábricas no México, Estados Unidos e França, é especializada em porta-moldes para injeção de plásticos e bases de estampos. Todos os componentes que utiliza em seus produtos e fornece para os clientes mundo afora são produzidos na planta de Sorocaba, onde a empresa conta com cerca de 300 colaboradores e tem trabalhado em três turnos.

A empresa oferece um diferencial importante em relação aos seus concorrentes. Ela possui máquinas de usinagem de aço de grande porte. São os casos, por exemplo, de um centro de usinagem vertical CNC capaz de usinar peças com dimensões de 3 m x 1,5 m por 0,5 m e de uma furadora CNC que permite furos de até dois metros de profundidade com diâmetros de até 32 mm. Com essa estrutura, além de peças padronizadas normalmente encontradas no mercado, está capacitada a atender às encomendas especiais para ferramentarias ou transformadores que trabalham com peças de grande porte, casos, por exemplo, de para-choques ou de painéis para automóveis.

“O ano de 2010 foi muito bom, crescemos 40%”, revela Estevam Horvate, gerente comercial. Em 2011, no entanto, os negócios esfriaram. “De fevereiro para cá houve um declínio de 10% a 15% em relação ao mesmo período do ano passado. Mas acreditamos que no segundo semestre o nível das vendas pode ser retomado”, avalia. Uma das preocupações da empresa para fazer frente à demanda dos clientes tem sido investir em softwares para sofisticar os equipamentos instalados nas linhas de produção. “A informática avança em uma velocidade muito grande e precisamos estar prontos para trabalhar com os recursos atualizados”, explica.

Horvate lamenta a entrada significativa de moldes importados nos últimos anos. A cotação baixa do dólar é o “vilão” para que isso ocorra. A qualidade dos produtos asiáticos, no entanto, é uma vantagem da indústria nacional. “Quando é necessário fabricar componentes com medidas rigorosas não vale a pena trazer moldes de fora. Há um risco grande de ele não funcionar a contento”, diz. O gerente se orgulha da qualidade do trabalho realizado na MDL-Danly. “Valorizamos a produção de peças que exigem tolerâncias apertadas, conseguimos um ajuste muito afinado entre pino e bucha. Esse é um segredo mantido pela nossa empresa há anos”, orgulha-se.

Investimentos – Com sede em Guarulhos, a Três-S está no mercado há mais de meio século. Ela nasceu como fabricante de componentes para moldes, peças como molas, punções, pinos extratores, buchas e dezenas de outros produtos. Há seis anos, passou a ser fornecedora de porta-moldes. Na última edição da Brasilplast, feira realizada em São Paulo no último mês de maio, a Três-S anunciou que passa a ser representante no mercado brasileiro da Volastic, empresa tailandesa especializada em câmaras quentes. A vocação inicial da empresa, no entanto, não foi esquecida. A Três-S oferece aos clientes milhares de combinações de tamanhos de peças. Entre as mais vendidas, estão colunas e buchas. A empresa também atende às encomendas de peças fora do padrão. “Para esse tipo de encomenda, os preços e os prazos são diferenciados”, ressalta o gerente comercial Claudir Sandro Mori.

Plástico Moderno, Claudir Sandro Mori, Gerente comercial, Ferramentaria moderna - Componentes e acessórios para moldes vendem mais e fabricantes ampliam capacidades produtivas
Mori espera repetir o ótimo desempenho do ano passado

Mori não sabe definir o quanto o mercado de componentes representa no faturamento da empresa. Mas garante que é valor significativo. O executivo avalia o atual momento das vendas como extremamente aquecido. O desempenho da empresa tem sido expressivo. “No ano passado crescemos mais de 30%.” Os primeiros meses de 2011 foram positivos, apesar de um arrefecimento no segundo trimestre. “O mercado deu uma acalmada nos últimos três meses, mas em julho os negócios voltaram a se aquecer.

Estamos esperando um grande crescimento este ano, repetindo o resultado do ano passado”, informa. A demanda pediu investimentos. “Estamos adquirindo mais máquinas de usinagem para elevar a nossa capacidade de produção.”

 

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