Ferramentaria Moderna – catarinenses apostam em moldes de alta complexidade e tempo recorde de execução para ganhar competitividade

Planejamento e Controle da Produção (PCP), abrangendo todas as etapas de fabricação – esquadrejamento, desbaste, furações, tratamento térmico, retífica, acabamento, eletroerosão, polimento, montagem e ajuste –, que poderão seguir um padrão único”, ensinou o especialista. Com isso, é possível diminuir o tempo necessário à construção de um molde e de programação do PCP.

Gilberto Paulo Zluhan, diretor de serviços de engenharia da Sociedade Educacional de Santa Catarina (Sociesc), Ferramentaria Moderna - catarinenses apostam em moldes de alta complexidade e tempo recorde de execução para ganhar competitividade
Zluhan sugere procedimentos para construir mais rápido os moldes

Outro procedimento que ajuda bastante a ganhar tempo e agiliza a fabricação dos moldes, muito utilizado fora do país, é automatizar as operações de fixação de peças e de ferramentas de usinagem. “Ao construir um molde, 50% do tempo é usado para arrancar cavacos, e os outros 50% são consumidos nas preparações, nos chamados pré-sets das peças e ferramentas; porém, ao se realizar os pré-sets fora da máquina de usinagem CNC, em nova célula de trabalho, criada especialmente para promover as fixações das ferramentas, consegue-se agilizar a produção e atender a várias máquinas de usinagem”, ensinou Zluhan.

Contudo, pode-se colher avanços na produção, implementando-se trocas automáticas de ferramentas, utilizando-se um só programa CNC. Na sequência, é recomendável criar uma nova célula de trabalho, dedicada às preparações pré-set, para, num terceiro momento, promover-se a troca das peças (cavidades machos e fêmeas, gavetas, pinças etc.), por meio de robôs e paletes.

Ao implementar as duas primeiras medidas, a ferramentaria já conseguirá aumentar em 25% a produtividade; e, na terceira, alcançará mais 15%, o que significa que, em vez de ter apenas 50% do tempo disponível para arrancar cavacos, poderá fazê-lo durante 90% do tempo, segundo cálculos do especialista.

As ferramentarias também podem se tornar ainda mais produtivas e competitivas ao empregar sistemas CAD em 3D. “A ferramentaria que pretende obter ganho de produtividade tem de abolir o uso de sistemas em 2D, podendo, com isso, reduzir o tempo de projeto de quatro semanas para duas semanas”, recomendou o diretor.

Segundo ele, as ferramentarias brasileiras consomem atualmente, em média, 90 dias para a construção de moldes. Os prazos já foram mais longos – anos atrás, demandavam, em média, 120 dias –, mas continuam sendo um ponto fraco das empresas brasileiras, representando grande barreira à sua competitividade. No entanto, é possível virar o jogo, executandose moldes no prazo de 60 dias e, com isso, segundo acredita Zluhan, toda a demanda por moldes existente no Brasil poderá ser atendida por ferramentarias nacionais.

“Se conseguirmos construir moldes em 60 dias, venceremos a concorrência da China, e todos os setores que requerem moldes passarão a contratá-los localmente, porque só em frete um molde importado leva um mês até chegar ao Brasil”, avaliou o diretor.

Panorama é preocupante, mas registra avanços – Incentivos tributários para montadoras fabricarem veículos localmente e com maior percentual de conteúdo nacional constam das possibilidades acenadas pelo Plano Brasil Maior, recentemente delineado pelo governo federal, com o objetivo de fortalecer a indústria nacional. Segundo os especialistas, sua implementação deverá propiciar efeitos positivos para a produção local de moldes.

Segundo ele, tais níveis de automação e de organização das tarefas ainda não são adotados pela maior parte das ferramentarias brasileiras, mas, se fossem empregados, poderiam resultar em uma produtividade mais alta das empresas.

Plástico, Christian Dihlmann, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Ferramentais (Abinfer), Ferramentaria Moderna - catarinenses apostam em moldes de alta complexidade e tempo recorde de execução para ganhar competitividade
Christian Dihlmann: Dihlmann lamenta o alto índice de fechamento de ferramentarias

Por outro lado, Christian Dihlmann, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Ferramentais (Abinfer), entidade criada há um ano e mantida por 40 associados, não revela otimismo ao analisar o panorama das ferramentarias brasileiras. “Cerca de 30% das ferramentarias fecharam suas portas nos últimos anos”, informou. De um universo de 1.600, contadas no Brasil pela Abinfer, 480 desistiram de operar.

Só em Joinville, 80 ferramentarias de pequeno porte interromperam suas atividades e foram se dedicar a outros ramos. E, atualmente, o nível de ocupação no polo de moldes de Joinville, medido pela Abinfer, é considerado preocupante, pois está em torno de 70%.

O polo de Joinville convive com situações díspares, pois, enquanto algumas ferramentarias estão abarrotadas de pedidos para atender até os primeiros meses de 2013, outras tiveram de demitir até 40% do quadro de funcionários nos últimos doze meses.

“Pela discrepância dos impostos cobrados no Brasil, o preço do quilo do aço, um P-20, pago pelas ferramentarias está em torno de US$ 5, enquanto que, na Alemanha, pagase pela mesma matéria-prima o equivalente a US$ 2,30 e, na China, US$ 1,20”, comparou Dihlmann.

De acordo com o presidente da Abinfer, todos os setores estão sob risco, não apenas o metal-mecânico. “O comércio internacional é fundamental e necessário, entretanto, é preciso haver igualdade nas relações comerciais, pois não é possível concorrermos sob regras desiguais. Assim, vamos buscar, em todos os níveis da gestão pública e privada, a melhoria da nossa competitividade. Sabemos que temos muitas lições a fazer, mas os governos precisam reorganizar muitas das atuais regras, como abortar a importação de moldes usados.”

Segundo dados apurados pela entidade, o Brasil importa cerca de US$ 500 milhões em ferramentais ao ano e, de acordo com estimativas, pelo menos 40% desse montante corresponde às atividades de importação de moldes usados.

Outro ponto de defesa da Abinfer é regulamentar o comércio exterior no setor de ferramentais, por exemplo, exigindo responsabilidade técnica aos moldes importados. “As ferramentarias nacionais são monitoradas pelo Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea) e seus conselhos regionais, que exigem, com base em lei federal, a anotação de responsabilidade técnica (ART), cabendo ao profissional (engenheiro ou técnico mecânico) assinar termo de responsabilidade pelos produtos fabricados aqui. Entretanto, um ferramental importado está livre dessa exigência, o que representa um risco muito grande perante a ocorrência de falhas técnicas nos moldes.”

Prosseguindo em sua análise, Dihlmann apontou outra questão importante: a necessidade de reduzir ou eliminar a cobrança de impostos sobre bens de capital. Em qualquer país desenvolvido, os impostos sobre a venda de máquinas são mínimos, ou inexistem. A revisão da legislação trabalhista, no sentido de desonerar a folha, é outro ponto sob ataque da Abinfer, pois traria grandes benefícios à competitividade. Por fim, as reformas fiscal e tributária complementam o conjunto de ações que representam as saídas para o futuro.

No âmbito da capacitação profissional, um dos mais recentes avanços alcançados em prol do setor de ferramentais no país está na estruturação de institutos de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) em moldes; e cujo suporte será dado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

“Vamos montar em conjunto com o Senai em sete estados brasileiros (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Bahia, Minas Gerais e Amazonas) institutos de P&D para capacitar mão de obra, contando com uma verba de R$ 3 bilhões para a implementação de vários projetos de inovação e de tecnologia”, informou.

A iniciativa, consubstanciada no Programa Senai de Apoio à Competitividade da Indústria, irá contemplar unidades do sistema com a criação dos seguintes institutos de tecnologia: Senai de Inovação em Micromanufatura (São Paulo), Instituto Senai de Metalmecânica com atuação em Microusinagem (Joinville-SC), Instituto Senai de Inovação em Tecnologias a Laser (Florianópolis-SC), Instituto Senai de Inovação em Conformação e Soldagem (Salvador-BA), Instituto Senai de Tecnologia em Metalmecânica, Inovação em Metalurgia e Ligas Especiais (Belo Horizonte-MG), Instituto Senai de Inovação em Soluções Integradas em Metalmecânica e Polímeros (São Leopoldo-RS), Instituto Senai de Tecnologia em Metalmecânica (Maringá-PR) e Instituto Senai de Inovação em Microeletrônica (Manaus-AM).

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