Ferramentaria Moderna – Após período de altos e baixos, mercado de moldes encerra o ano com perspectivas positivas

O ano está chegando ao fim e talvez não deixe muitas saudades na indústria brasileira de moldes para peças plásticas, mas também não deverá ser lembrado como um ano ruim para esse setor. Foi, dizem representantes dessa indústria, um período marcado por altos e baixos, no qual seus negócios foram obviamente impactados pela baixa dinâmica da economia nacional. E termina com uma boa notícia: a quase certeza de que 2013 será um ano bem melhor.

Plástico, Ferramentaria Moderna - Após período de altos e baixos, mercado de moldes encerra o ano com perspectivas positivas

De maneira resumida, 2012 pode ser considerado um ano razoável para a indústria brasileira de moldes, como qualifica Alexandre Fix, presidente da Câmara Setorial de Ferramentarias e Modelações da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e diretor-presidente da empresa Polimold. O primeiro semestre, ele detalha, foi muito ruim para o setor, que conseguiu, porém, recuperação significativa na segunda metade do ano.

Na opinião de Fix, contribuiu para essa retomada o chamado “regime automotivo”, com o qual o governo federal busca agora estimular a indústria automobilística a incrementar a vertente nacional de sua produção. Expresso no Decreto 7.819, editado no início de outubro último, esse programa define, entre outros itens, diferenciação na taxação pelo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com base no maior ou no menor uso de insumos nacionais por parte das montadoras.

Na apuração dessa nacionalização, o programa considera não apenas as peças componentes dos automóveis, mas também as ferramentas usadas em sua produção. “Esse decreto é extremamente positivo para a ferramentaria nacional, que caso contrário acabaria”, elogia Fix.

A Abimaq, ele diz, participou do processo de elaboração desse regime automotivo e ajudou a dotá-lo de conquistas importantes, entre elas, além da própria inclusão das ferramentas utilizadas na fabricação das autopeças nos cálculos referentes ao seu teor nacional, aparece também a consideração dos investimentos em nacionalização feitos no decorrer deste ano como válidos para os cálculos tributários referentes a 2013, quando as novas normas passam a ter vigência plena.

Essas normas colocam os fabricantes brasileiros de moldes em posição mais favorável no universo da indústria automobilística. Os produtores de embalagens, por sua vez, prossegue Fix, no decorrer deste ano, mantiveram um ritmo satisfatório de desenvolvimento de negócios. De acordo com o dirigente, houve um aumento de consumo dos produtos usuários dessas embalagens pelas classes de menor poder aquisitivo. “Já a indústria da linha branca, embora vendendo mais pelos benefícios do IPI, não está tendo muitos lançamentos, e com isso não gera novos pedidos”, ele acrescenta.

A percepção de Fix sobre um primeiro semestre mais fraco e uma reação a partir da metade do ano é confirmada por Mari Lúcia Scolaro,

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Lima: empresa terá crescimento superior ao dos últimos anos

líder de vendas da Belga, que tem justamente na indústria automobilística um de seus principais segmentos de atuação (essa empresa atua ainda na área de linha branca e de equipamentos e máquinas agrícolas). Também como Fix, ela qualifica 2012 como um ano razoável.

Mas, de acordo com Mari Lúcia, embora os programas desenvolvidos pelo governo para estimular a indústria a produzir mais no Brasil tenham colaborado para a recuperação sentida no meio do ano, a conjuntura de demanda reduzida vigente no primeiro semestre não permitirá aumento muito significativo nos negócios da Belga no decorrer de 2012: durante o ano, ela afirma, comparativamente a 2011, o incremento nos negócios de sua empresa será mínimo.

Há, porém, quem qualifique 2012 como um ano muito bom, caso de Antonio Ribeiro de Lima, sócio e diretor comercial da Global Moldes Rematec, criada há pouco mais de seis anos, e que atua principalmente com moldes para sopro e injeção para embalagens. Sua empresa, ele conta, recebeu pedidos para projetos bastante significativos, especialmente no segmento PET.“Nos últimos três anos registramos crescimento médio anual de 13% e este ano podemos até superar esse índice”, alegra-se Lima.

Os números da expansão – Também a Btomec teve um bom ano, afirma Alan Migues Ayres, responsável pela área comercial no estado de São Paulo dessa fabricante sediada na cidade catarinense de Joinville, e presente de maneira mais intensa no mercado das embalagens (com moldes para peças multicomponentes, atende também outros segmentos, como a indústria automobilística).

Além de atender indústrias menos impactadas pelas dificuldades vividas este ano pela economia nacional – as de cosméticos, por exemplo –, a Btomec, conta Ayres, conquistou novos clientes nesse período. Também construiu moldes, segundo ele, antes produzidos apenas na Europa, como três sistemas de moldes bicomponentes que estão sendo agora entregues a uma empresa do mercado do oral care, cada um deles com 64 + 64 cavidades, peso de 7,5 toneladas e ciclos de nove segundos. “Ganhamos essa concorrência de uma empresa alemã”, comemora Ayres.

Também a Puma Automotive, como o próprio nome revela, uma empresa focada especificamente na indústria automobilística, registrou bom desempenho em 2012, diz Henrique João, diretor comercial da empresa. “Em nosso segmento, os moldes geralmente exigem algo entre 120 e 210 dias para a fabricação, e estamos participando de vários projetos que serão decididos ainda neste ano”, ele justifica. “Esperamos um crescimento de no mínimo 20%”, acrescenta João.

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Freitas aposta nos segmentos de higiene, limpeza e cosméticos

Jose Luis Freitas, gerente comercial da Moltec, trabalha com um índice menor: prevê para 2012 expansão de aproximadamente 10% no faturamento de sua empresa. O crescimento mais significativo, ele especifica, ocorrerá nos segmentos de higiene, limpeza e cosméticos. “Tivemos um primeiro trimestre apenas razoável, em razão de uma queda nos negócios de moldes de injeção. A partir do segundo trimestre, observamos aumento importante na injeção, que continuou durante o restante do ano”, detalha Freitas, cuja empresa produz também moldes para sopro.
Mas o índice de crescimento mais significativo é apresentado pela Moldit, que, de acordo com o diretor industrial José Teixeira, este ano dobrará seu faturamento (relativamente a 2011). Para justificar número tão impactante, ele conta que sua empresa, cujo maior cliente é a indústria automobilística, passou a atuar mais intensamente em outros mercados, como o mobiliário e as cadeiras para estádios (entre eles, estádios que estão sendo construídos para a Copa do Mundo).

Já o setor automotivo, complementa Teixeira, se este ano praticamente não gerou novos negócios, em 2013 deverá elevar significativamente sua demanda: “Já temos contratadas onze ferramentas para um novo modelo da Ford, e só isso já significa um negócio de R$ 4 milhões”, ele destaca.

Melhor mais à frente – De maneira aparentemente unânime, os representantes das empresas produtoras de moldes visualizam em 2013 um ano mais favorável para seu setor, seja pela perspectiva de maior aquecimento da economia nacional, seja por perceberem aumento na demanda por seus produtos. Atentas a essa possibilidade de aceleração do ritmo de realização de negócios, essas empresas já programam novos investimentos.

A Belga, por exemplo, está instalando uma máquina de fresamento com cinco eixos, de acordo com Mari Lúcia, “de excelente performance”. Segundo ela, no próximo ano a empresa deverá incrementar seus negócios em pelo menos 5%. “Estamos cotando muitos produtos para 2013”, ela diz. “Haverá muitos investimentos na linha automotiva”, complementa.

A Moldit, cujo quadro de colaboradores é atualmente composto por quarenta profissionais, registrará no próximo ano um incremento de faturamento de 20%, projeta Teixeira. A empresa, ele destaca, está instalando, para try-out, duas injetoras KraussMaffei: uma de 650 toneladas e outra de 1,3 mil toneladas. “Incluindo o galpão onde elas serão colocadas, isso significa um investimento de R$ 8 milhões”, relata.

Na Moltec, conta Freitas, os investimentos recentes incluíram a consolidação, no segmento da injeção, de tecnologias como sistema in mold closing, fabricação de moldes com 96 cavidades, e desenvolvimento de moldes para tampas com perfis complexos, além de um novo software de engenharia desenvolvido pela Siemens.

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Vendas de moldes para embalagens PET estão em alta

E também Freitas crê em desenvolvimento mais acentuado dos negócios da indústria brasileira de moldes no decorrer do próximo ano. “Como os moldes levam algum tempo para ficar pronto, as negociações são antecipadas. E, pelos projetos que estamos negociando, entre eles alguns pacotes bem significativos, tenho essa percepção de 2013 com um ano bom”, ele justifica.

Tal sensação é endossada por Lima, da Global Moldes Rematec: “Em 2013, não haverá eleições, estaremos nos aproximando da Copa, e os empresários deverão investir mais”, ele argumenta. Atualmente com cinquenta funcionários, a empresa, conta Lima, este ano instalou um novo centro de usinagem e um novo torno – praticamente duplicou sua capacidade de produção com esses equipamentos. E há cerca de três meses recebeu a certificação de gestão de qualidade ISO 9000. “A manutenção da qualidade é a chave para a manutenção da competitividade”, diz o sócio e diretor da empresa.

“Mercado mais estável” – Se for levado em conta apenas o início da vigência do novo regime de produção de automóveis no Brasil, no primeiro mês do próximo ano, já é possível conceber um cenário mais favorável para a indústria brasileira de moldes, crê Fix. Por enquanto, ele ressalva, não é possível prever de maneira muito precisa qual pode ser o crescimento do setor no próximo ano, ou se os efeitos das novas normas começarão a ser sentidos já a partir de janeiro. Mas, na opinião dele, esse regime automotivo terá impactos favoráveis no setor de ferramentaria já em 2013. E esses impactos devem ser ainda maiores nos próximos anos: “O setor automobilístico gera mais de 50% dos negócios do setor e muitas grandes montadoras hoje trazem moldes da Ásia; e, com o novo regime automotivo, será mais interessante usar moldes nacionais”, observa Fix.

Há importação de moldes produzidos também em países como Alemanha, Portugal, Canadá ou Estados Unidos. Sua própria empresa – a Polimold –, lembra Fix, às vezes envia câmaras quentes para esses países, para que eles venham já com os moldes montados. “Mas essa importação ocorre apenas em casos específicos e não chega a ser significativa, o que realmente compromete a indústria nacional é a concorrência asiática”, ele afirma.

Mas Fix também ressalta: só em um número muito reduzido de casos é necessário recorrer à importação de moldes europeus ou americanos, pois a indústria brasileira tem atualmente condições de atender à enorme maioria dos pedidos de seus clientes.

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Ferramenta para setor automotivo deverá impulsionar os negócios

Para confirmar essa tese, ele conta que a Abimaq examina os pedidos de empresas interessadas em importar moldes alegando não haver similares no Brasil (sendo verdadeira esta informação, é menor a alíquota de importação). Verifica então com seus associados se eles têm condições de atender a tais pedidos. Caso receba respostas positivas, a associação agenda reuniões entre os interessados nos moldes e os potenciais fornecedores brasileiros. “Na enorme maioria dos casos, percebe-se que as empresas brasileiras podem atender aos pedidos”, afirma Fix. “Mas a Abimaq não tem poder para decidir qual será a alíquota da importação. Ela encaminha essa informação ao governo, que tem esse poder”, ele ressalva.

Quanto aos moldes asiáticos, afirma Fix, embora a valorização do dólar perante o real e o aumento das alíquotas de importação do dólar tenham reduzido um pouco as disparidades entre ambos, eles ainda conseguem concorrer com os brasileiros com preços muito inferiores. “O custo Brasil é violento, e ainda hoje moldes asiáticos chegam aqui custando um terço dos nossos.”

Ao menos no segmento dos moldes para autopeças, concorda João, da Puma, prossegue intensa a concorrência chinesa. Sua empresa, ele conta, tem conseguido resultados positivos no confronto com essa importação com estratégias próprias: “Creio que o caminho ideal é produzir ferramentais diferenciados em relação a custos e à tecnologia, adequando constantemente o cenário das ferramentarias nacionais para o atendimento das exigências do mercado. Isso certamente fortalece e possibilita alguns diferenciais em relação ao voraz mercado chinês”, pondera João.

Mas, para ele, as políticas governamentais destinadas a ampliar a competitividade dos fabricantes brasileiros têm sido acertadas: “Tanto é que as montadoras já estão se instalando no Brasil; e até próximo da nossa região”, afirma João, referindo-se ao recente anúncio de construção de uma fábrica da BMW em Santa Catarina, estado sede de sua empresa.

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Fabricante prevê aumento da demanda de projetos para autos

A Puma, ele afirma, prepara-se para o possível aumento da demanda por seus serviços no próximo ano: “Adquirimos novos equipamentos com entrega programada para fevereiro de 2013, e estamos ampliando nossa estrutura física, hoje com 7,7 mil metros quadrados, para 8,2 mil metros quadrados”, ele relata.
A Btomec, diz Ayres, no ano passado instalou uma injetora Arburg, com 400 toneladas de força de fechamento e capacidade de produção de peças tricomponentes. Este ano, adquiriu dois centros de usinagem, dois sistemas de eletropenetração a frio e um sistema de penetração por erosão (todos da marca suíça Agie Charmilles).

Há aproximadamente seis meses, em parceria com uma empresa coreana que se instalou em Joinville, a Btomec também passou a oferecer a tecnologia in mold label, com a qual a aplicação dos rótulos ou de elementos decorativos ocorre simultaneamente à produção das peças pelos moldes. “Já estamos produzindo os primeiros moldes com essa tecnologia”, diz Ayres.

Ele afirma sentir-se cada dia mais confiante quando pensa no desenvolvimento do setor no próximo ano: “E essa confiança não vem apenas da possibilidade de melhora da economia nacional, mas também porque as empresas do setor estão se profissionalizando mais, achando seus nichos”, destaca Ayres.

Segundo ele, esse processo de especialização atualmente consolida-se mesmo em segmentos já específicos: por exemplo, na produção de moldes para embalagens – algumas empresas agora focam apenas os moldes com uma determinada quantidade máxima de cavidades, enquanto outras não se interessam por aqueles que não superem exatamente esse patamar que outras não têm interesse em ultrapassar. Resultado: “Dessa maneira, há menos concorrência predatória e mais estabilidade no mercado”, finaliza o profissional da Btomec.

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