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Feira entra na onda da economia circular – Prévia K 2019

Marcelo Furtado
14 de outubro de 2019
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    Plástico Moderno - Feira entra na onda da economia circular - K 2019

    Em vez de ir pelo caminho do confronto, rebatendo os cada vez mais frequentes ataques ao plástico, como por exemplo o que o associa à poluição dos oceanos, a próxima edição da maior feira mundial da área, a K 2019, de Dusseldorf, na Alemanha, entre 16 e 23 de outubro, vai enveredar pelo caminho da solução. O tema central do evento será a economia circular: uma tentativa de unificar o espírito dos mais 3.200 expositores de 60 países, divididos pelos 175 mil m² da Messe Dusseldorf, em torno do crescimento econômico sem prejuízo do meio ambiente, que no caso da indústria de plástico significa principalmente a reciclagem.

    A ideia dos organizadores é convidar os aguardados 200 mil visitantes, de todas as partes do mundo, a perceberem as várias soluções de reaproveitamento de materiais apresentadas pelos principais fornecedores de resinas, aditivos, máquinas, acessórios e equipamentos que a cada três anos marcam presença em Dusseldorf.

    A raiz da contribuição da indústria para a economia circular, segundo texto de apresentação da feira, seria a possibilidade de matérias-primas valiosas poderem ser processadas no fim de sua vida útil e reusadas para criar um novo produto, em um ciclo infinito. Nesse movimento virtuoso, embora alguns materiais tenham limitações de reaproveitamento, vários outros poderiam contribuir para reduzir o uso de matérias-primas virgens petroquímicas.

    A preocupação da K em destacar a economia circular também serve como sinal de que a indústria está antenada com várias iniciativas globais, tanto de governos como do setor privado, para aproveitar os benefícios do plástico sem agravar o cenário ambiental, já que o consumo tende a continuar a crescer nos próximos anos.

    Barreiras na Europa – Na União Europeia, no começo do ano foram aprovadas várias medidas de restrição pelo Parlamento Europeu e de obrigatoriedade de ações de reciclagem. Para começar, manufaturados de plástico descartáveis que tenham alternativas em outros materiais, facilmente disponíveis e acessíveis em preço, precisarão ser banidos entre os países-membros. Nesse campo, a proibição será aplicável a cotonetes, talheres, pratos, agitadores de bebidas, canudinhos e hastes plásticas para balões de plástico. Para a União Europeia, a implementação dessa proposta objetiva evitar danos ao meio ambiente que custariam 22 bilhões de euros até 2030 e quer evitar a emissão de 3,4 milhões de toneladas equivalentes de CO2.

    Há várias outras ações que o parlamento europeu está recomendando a seus membros. As embalagens descartáveis feitas de plástico só serão autorizadas no mercado se as respetivas tampas se mantiverem agarradas à embalagem. Países precisarão implementar programas de coleta seletiva para recolher pelo menos 90% das garrafas de plástico até 2025, por exemplo, através de sistema de restituição de depósitos, incentivando que se use 25% de plástico reciclado nas garrafas a partir de 2025. Já em 2030, esse índice precisará chegar a 30% de material reciclado.

    Muito dessas ações, para a União Europeia, são para conter o lixo marinho. Apenas os produtos de plásticos descartáveis e também os utilizados em pescarias representam, em conjunto, por volta de 70% do lixo marinho. Com as determinações, a comunidade determina que os países criem seus objetivos nacionais de redução de uso de plásticos, disponibilizando produtos alternativos nos pontos de venda ou garantindo que canudinhos, talheres e outros artefatos não sejam dados de graça para os consumidores.

    A verdade é que, além da Europa, as ações governamentais, sociais e da iniciativa privada contra o plástico se espalham pelo mundo. Também a China tem um plano de metas para cinco anos tendo a economia circular como objetivo e outros grandes países, como Índia e Indonésia, declararam “guerra” contra a poluição do plástico. Além disso, grandes companhias, como Coca Cola, Kraft Heinz, Ikea e Adidas, se comprometeram publicamente a aumentar a proporção de plásticos reciclados em seus produtos ou embalagens. Há casos até como o da Chinese Gree Electric Appliances, uma das maiores produtoras de eletrodomésticos da China, que prometeu fazer seus produtos apenas com materiais totalmente recicláveis.

    A organização da K garante que a feira será profícua em mostrar soluções para colaborar com as metas de economia circular, principalmente em tecnologias e sistemas para facilitar e promover a reciclagem, como pode ser observado em alguns produtos que serão mostrados a seguir na prévia elaborada por Plástico Moderno.

    A colaboração com o tema, inclusive, se dará também nas palestras no congresso, como no fórum especialmente dedicado ao tema pela Associação de Fabricantes de Máquinas e Equipamentos da Alemanha (VDMA) – o VDMA Circular Economy Forum. Também nas entradas da feira haverá sistema para indicar aos visitantes os destaques para o tema espalhados pelos imensos pavilhões da K.

    Também é considerado “tópico quente” da feira a indústria 4.0, com a interconectividade digital descendo ao chão de fábrica, para tornar a produção inteligente. Haverá várias tecnologias, principalmente entre os grandes fabricantes de máquinas, mostrando essas possibilidades. Outro tema com promessa recorrente é a chamada integração de sistemas, que visa criar materiais poliméricos para aplicações específicas, principalmente com sistemas de impressão 3D e outros processos digitais.



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