Resinas e Aditivos: Petróleo mais barato ajuda indústria de Plástico

Petróleo mais barato ajuda indústria a recuperar margens e dólar caro barra importados - Feiplastic

Depois dos resultados magros obtidos em 2014, um ano com melhor desempenho será muito bem-vindo pelos fabricantes nacionais de resinas plásticas e aditivos.

E a elevação do dólar perante o real poderá, obviamente, colaborar com a obtenção desse melhor desempenho.

Mas o êxito da fórmula de desenvolvimento de negócios elaborada por essa indústria dependerá também dos efeitos de fatores talvez menos compatíveis com a mistura; entre eles, o preço internacional do petróleo, e do seu derivado que constitui a principal matéria-prima do setor no Brasil: a nafta.

Plástico Moderno, Fátima Giovanna Coviello Ferreira, diretora de Economia e Estatística da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) Fátima: consumo de plásticos continua muito baixo no país
Fátima: consumo de plásticos continua muito baixo no país

“A queda desses preços, principalmente da nafta, cujo preço caiu ainda mais que o do petróleo, pode significar ganho adicional de produtividade, com impactos ainda difíceis de mensurar, para os produtores de outros países”,

observa Fátima Giovanna Coviello Ferreira, diretora de Economia e Estatística da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química).

Conjugando em sua análise tanto esses fatores relacionados à valorização do dólar e aos preços internacionais das matérias-primas, quanto a dinâmica atualmente complexa e pouco aquecida da economia nacional, Fátima prevê:

“A conjuntura cambial pode até permitir aos fabricantes nacionais de resinas algum ganho de share no confronto com a importação, mas de maneira geral não deve haver este ano um aumento do consumo de resinas pela indústria brasileira”.

Resinas e Aditivos

O primeiro bimestre deste ano, aponta a diretora da Abiquim, já apresentou resultados “muito ruins”, não apenas para os produtores de resinas, mas para toda a indústria química nacional que nesse período, comparativamente ao primeiro bimestre de 2014, apresentou recuos de 1,68% e 4,75%, respectivamente, na produção e nas vendas internas de produtos químicos de uso industrial.

“As resinas acompanham esse contexto”, diz Fátima.

Plástico Moderno, Gonçalves: participação das resinas importadas está caindo
Gonçalves: participação das resinas importadas está caindo

Laercio Goncalves, presidente da Adirplast (Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas e Bobinas Plásticas e Afins), também projeta redução da participação da importação no montante de resinas consumido no Brasil em 2015.

Para ele, equacionada dentro de alguns limites, a importação pode ser até saudável para o setor, pois estimula a concorrência.

“Mas vínhamos perdendo muito mercado para os importados, surgiram até empresas que nem têm a importação de resinas como base de sua atividade, mas que começaram a importar aproveitando o câmbio muito favorável”, comenta.

De acordo com Gonçalves, computando-se apenas os volumes comercializados pelos distribuidores, deverá haver este ano incremento de aproximadamente 9% na venda de resinas no mercado brasileiro.

Esse índice, ele ressalta, provém de estudo encomendado por sua entidade à consultoria MaxiQuim.

Segundo esse estudo, no ano passado as distribuidoras colocaram no mercado cerca de 408 mil toneladas de resinas, contra 380 mil toneladas en 2013; com isso, atenderam 8,3% da demanda, cabendo outros 64,2% às vendas diretas e o restante à importação.

E, na opinião de Gonçalves, “2015 será muito parecido com o ano passado”.

Há, nota o presidente da Adirplast, queda na demanda por resinas destinadas a produtos de setores como indústria automobilística e construção; mas, simultaneamente, existe a possibilidade maior movimentação em segmentos focados no consumo imediato, como alimentação e utilidades domésticas.

Primeiramente, porque neles o plástico amplia seu espaço como substituto de outras matérias-primas (por exemplo, nas embalagens de alimentos e de tintas).

Paralelamente, porque alguns segmentos da indústria brasileira terão certo alívio em sua disputa com produtos importados prontos.

Caso do setor de vestuário, quase sempre embalado em plástico. “A compra de roupas no exterior estava muito intensa, e agora diminuirá; com isso, o mercado de filmes, por exemplo, já registra algum crescimento”, especifica Gonçalves.

O crédito mais escasso, ele prossegue, deve dificultar ainda mais a importação, que tem como diferencial desfavorável também a necessidade de prazos maiores do que as compras no mercado interno, e sempre são mais problemáticos em uma conjuntura na qual a taxa cambial pode variar muito rapidamente.

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Já em 2014, diz o presidente da Adirplast, a participação das resinas importadas nos negócios dos distribuidores foi reduzida em cerca de 3% (comparativamente ao ano anterior).

“Com a alta do dólar haverá uma diminuição da atuação dos importadores que não estiverem bem estruturados”, calcula. “Considerando tanto fatores como o câmbio e preço internacional do petróleo, vejo a resina brasileira hoje mais competitiva.”

Pensando em prazos maiores, parece hoje difícil projetar cenários para a indústria brasileira de resinas, até porque, como aponta Fátima, da Abiquim, ainda não foi assinado o novo contrato de fornecimento de nafta da Petrobras para a Braskem (hoje a única fornecedora nacional de algumas das principais resinas termoplásticas, como PE, PP e PVC.

Na opinião de Fátima, a assinatura desse contrato deve se inserir em uma política de sustentabilidade a longo prazo da petroquímica nacional, e assim incluir itens como garantia de entrega e preço competitivo, entre outros.

“E quando falo em preço competitivo falo em preços de países produtores de matéria-prima: o Brasil, já um produtor importante dessa matéria-prima, e tem potencial para ser ainda muito mais relevante”, destaca a diretora da Abiquim.

Plástico Moderno, Elisangela Melo, gerente de vendas da Cromex bens duráveis vão sofrer mais que os de consumo
Elisangela: bens duráveis vão sofrer mais que os de consumo

Luz no fim do túnel

Enquanto na indústria de resinas as perspectivas se mostram ainda indefinidas – mas nem de longe róseas –, entre os fornecedores de masterbaches, aditivos e pigmentos é possível ouvir previsões e análises que, se não chegam a ser eufóricas, também não parecem pessimistas.

São porém projeções suficientemente criteriosas para considerarem a possibilidade de cenários bastante distintos.

Líder do mercado nacional de masterbaches, a Cromex, por exemplo, trabalha este ano com uma faixa de possíveis índices de expansão que vai da manutenção dos mesmos volumes de negócios realizados em 2014 a algo próximo a 15% de expansão.

“Sabemos que não deveremos ter nenhuma retração, esperamos no mínimo resultado parecido com o do ano passado, ou até superior, mesmo que com crescimento tímido em setores maduros, como extrusão de filmes, bobinas e embalagens flexíveis de alimentos”, detalha Elisangela Melo, gerente de vendas da Cromex.

Ela percebe maiores oportunidades de realização de negócios nos setores provedores de produtos de consumo mais massivo – como alimentos e brinquedos –, cujos integrantes serão favorecidos pela atual conjuntura cambial.

Plásticos de Engenharia

“Já os segmentos como indústria automotiva, linha branca, e todas as aplicações para plásticos de engenharia, devem ser os mais afetados”, ressalva a gerente da Cromex.

Plástico Moderno, Fábio Fazolim projeta crescimento de 15% nas vendas deste ano
Fazolim projeta crescimento de 15% nas vendas deste ano

Mas há também fornecedores de masterbatches e aditivos onde a certeza de crescimento no decorrer deste ano parece bem estabelecida; caso da Cristal Master:

“Prevemos para este ano um incremento de negócios de pelo menos 15%”, diz Fábio Fazolim, gerente comercial da empresa sediada na cidade catarinense de Joinville.

“O ano com certeza ainda será complicado, no mínimo até junho. Esperamos para depois disso o melhor equacionamento da situação política do país, que atualmente impacta muito a atividade econômica, e com isso os negócios seguirão em ritmo mais favorável”, acrescenta.

No primeiro trimestre deste ano, afirma Fazolim, comparativamente ao mesmo período de 2014, a Cristal Master já registrou expansão de 8% em suas vendas.

“Esse crescimento não se deveu à maior atividade de um ou outro segmento, mas a uma atuação mais intensa de nossa parte”, diz.

“Também contratamos representantes para algumas regiões, e isso vem ajudando a incrementar nossos negócios”, complementa.

 

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Na Macroplast, informa a diretora Karin Braun, o crescimento no primeiro trimestre sobre o mesmo período de 2014 chegou a 10%.

Plástico Moderno, Karin Braun - Macroplast : aumento de negócios com aditivos deve ser mais intenso
Karin: aumento de negócios com aditivos deve ser mais intenso

E esse índice, acredita Karin, deve se manter no decorrer de todo o ano.

“No segmento dos aditivos, ele pode ser ainda maior”, destaca. Aditivos, informa Karin, respondem atualmente por cerca de 10% do faturamento da Macroplast: “Este ano até ampliamos nossa equipe de aditivos, com mais um vendedor técnico e um assistente técnico”, comenta.

Roberto Clauss, diretor-presidente da ProColor, não revela números, mas afirma estar “bastante otimista” quando avalia as perspectivas colocadas para sua empresa no decorrer deste ano.

Ele também percebe crescente interesse por aditivos, especialmente na fabricação de produtos de alto rendimento, como brinquedos e eletroeletrônicos, entre outros.

“Um aditivo nosso hoje muito bem aceito é o clarificante, que dá um tom de maior transparência ao plástico e vem sendo usado em setores como cosméticos, entre outros”, especifica Clauss.

Plástico Moderno, Roberto Clauss, diretor-presidente da ProColor masterbatch precisa seguir a realidade do cliente
Clauss: masterbatch precisa seguir a realidade do cliente

Além de aumentar a produtividade, os aditivos, salienta o diretor da Procolor, ajudam a adequar um masterbatch à realidade do cliente:

um fabricante de produtos de menor valor, por exemplo, pode requerer um masterbatch menos espesso – cujo preço também é menor –, e essa característica pode ser obtida pelo uso de um aditivo.

“A ProColor tem tradição de produtos puros e de qualidade, mas hoje olha também para essa realidade de clientes que necessitam de produtos de menor valor”, diz Clauss.

 

Plástico Moderno, Feiplastic 2015 - Resinas & Aditivos: Petróleo mais barato ajuda indústria a recuperar margens e dólar caro barra importados

Soluções em alta

Produtos aptos a tornar mais produtivos os processos de transformação de plásticos estão hoje entre os aditivos mais demandados pela indústria do plástico.

Entre eles, incluem-se os chamados hiperdispersantes, capazes, entre outras coisas, de reduzir o tempo de preparação dos compostos.

Tais aditivos, diz Daniel Aranon, vendedor técnico da distribuidora Braschemical, são alvos de demanda crescente.

“Alguns clientes que não usavam aditivos na dispersão começam a buscar essa alternativa para reduzir tempos e aumentar o rendimento dos pigmentos”, relata.

Cresce também, complementa o profissional da Braschemical, o interesse por pigmentos de segurança, com os quais, por meio de marcação invisível é possível certificar as origens de embalagens de produtos industriais e assim assegurar que empresas idôneas não sejam responsabilizadas por descartes irregulares feitos por concorrentes.

Este ano, projeta Aranon, os negócios da Braschemical devem manter relativa estabilidade (relativamente a 2014).

Haverá, ele detalha, dificuldades maiores em setores como a indústria automobilística e potencial mais elevado de desenvolvimento de negócios nas indústrias focadas no consumo de não duráveis, como cosméticos e itens de higiene.

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Mas mesmo nesse mercado do consumo de massa ocorrerão mudanças, decorrentes da busca por produtos menos sofisticados.

“Essas alterações no comportamento do consumidor sempre fazem com que as empresas saiam de sua zona de conforto e abram oportunidades para novos desenvolvimentos: por exemplo, a troca de pigmentos de alumínio por perolados com efeito metálico semelhante”, observa Aranon.

Na Cromex – que este ano comemora quatro décadas de existência

Uma das apostas para o desenvolvimento dos negócios no decorrer deste ano é a linha de produtos para ráfia RF, cujos produtos incluem masterbatch branco e compostos de carga.

“Essa linha permite alta aplicação sem comprometer as propriedades das fibras, pelo contrário, seus produtos até ajudam a melhorar algumas propriedades, como o arraste de água”, diz Elisangela.

“Também é hoje muito bem aceita nosso linha Microcolor, de compostos líquidos, que começa a ser usada em outras aplicações, além das embalagens PET, por exemplo, em caixaria”, comenta.

Circunstâncias ambíguas

A crescente demanda por aditivos parece sinalizar a continuidade do movimento, apontado já há algum tempo, de fortalecimento no mercado das chamadas especialidades, capazes de agregar características particulares aos produtos e aos processos de seus usuários.

Há, obviamente, essa busca por soluções diferenciadas; mas para Karin, da Macroplast, no mercado nacional ela por enquanto se manifesta mais incisivamente nos discursos das empresas do setor, em detrimento de suas práticas, que na maior parte dos casos ainda privilegiam as soluções commoditizadas.

A própria Karin justifica essa prevalência das commodities, lembrando ser a maior parte das empresas transformadoras de plásticos ainda de pequeno porte, sendo também restritas as exigências de qualidade direcionadas por elas às matérias-primas.

Além disso, ela prossegue, a atual conjuntura da indústria nacional torna extremamente difícil a tentativa de adotar soluções diferenciadas.

“Nós, empresários da indústria, deveríamos estar discutindo novos projetos, aplicações, tecnologia; mas estamos literalmente tentando sobreviver a ataques de todos os lados: aumento de energia elétrica, instabilidade cambial, leis trabalhistas retrógradas, corrupção, inflação”, argumenta Karin.

 

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Essa conjuntura, aliás, é tão complexa que a própria desvalorização do real, em uma primeira análise favorável à indústria nacional, também encarece as matérias-primas dos fabricantes de masterbatches e aditivos, cujos preços são fundamentados no dólar.

E, por ser difícil repassar esse aumento de custos aos preços nesse momento de demanda inibida, essas empresas têm sua lucratividade afetada.

“Creio que com o dólar cotado em cerca de R$ 2,80 teríamos uma situação mais favorável, para nós e para os transformadores, que precisam enfrentar a concorrência dos importados”, destaca Fazolim, da Cristal Master.

Fazolim também cita o aumento dos preços da energia como fator adicional de redução das margens das empresas do setor, nas quais esse insumo tem participação relevante nas suas matrizes de custos

(até porque as extrusoras utilizadas por eles consomem cargas elevadas de eletricidade).

“O que podemos fazer nesse momento é estudar formas de redução do consumo desse insumo: por exemplo, analisando quais máquinas devem operar e quais devem ser desligadas nos momentos de pico, quando a tarifa é mais elevada”, diz o diretor da Master Plastic.

No ano passado, lembra-se Fazolim, a Masterplastic inaugurou uma planta produtiva em Itupeva-SP.

Também por isso, a participação na Feiplastic se torna ainda mais relevante para a empresa, anteriormente mais conhecida no Sul do país. “A presença nessa feira colabora para ampliar nossa presença em outras regiões brasileiras”, finaliza.

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