Máquinas: Ferramentarias buscam novos nichos

E demanda automotiva avança lentamente - Feiplastic 2015

O ano de 2015 não começou promissor para todo o setor de bens de capital e não foi diferente para a ferramentaria e modelação”.

A frase é de Henry Goffaux, presidente da Câmara Setorial de Máquinas Ferramentas e Sistemas Integrados de Manufatura da Abimaq.

O dirigente divide os moldes para plástico em duas categorias principais, a dos técnico/industriais e a de produtos para consumo.

“O primeiro vive a mesma crise da indústria em geral, com queda de aproximadamente 17% em relação a 2013, e o segundo com queda menor, ao redor de 5%”.

Desempenho à parte, a participação das ferramentarias brasileiras na principal feira do plástico do Hemisfério Sul deve ser tímida.

Não é fenômeno verificado apenas em épocas de vacas magras.

Mercado bastante pulverizado, formado em sua grande maioria por empresas de pequeno porte, conta com número reduzido de representantes brasileiros com capital e interesse em adquirir estandes.

Mas sempre existem honrosas exceções.

Em compensação, a presença dos principais fornecedores de componentes para moldes costuma ser expressiva.

Para os interessados, não faltam estandes de fabricantes de porta moldes, câmaras quentes, controladores de temperaturas e todos os demais itens necessários para a produção de ferramentas.

Nomes bastante conhecidos do mercado montam seus estandes.

Para Goffaux, a expectativa não foge do normal.

“Sabemos que as ferramentarias passaram nos últimos anos pela sua pior crise desde sua criação no Brasil e é normal que não possam investir em feiras”.

Apesar da ausência, o dirigente acredita ser importante participar de todo evento de negócios ligados ao setor. “Elas geram expectativas positivas e otimistas”.

A Feiplastic e a Feimafe, que acontecem em maio, são vistas como oportunidades. “Muitas empresas fecham negócios, vários clientes esperam estas ocasiões para investir”, disse.

O diretor da associação espera reverter esse histórico a partir da Feiplastic de 2017.

“A Abimaq está fazendo inúmeras gestões em prol das ferramentarias nacionais, para que elas possam se sanear, voltar a investir e crescer”.

Ele lembra que só a demanda do setor automotivo prevista para o futuro próximo pode representar a duplicação da atual capacidade instalada.

“A Anfavea fez recentemente uma proposta ao Governo Federal no sentido de apoiar e fortalecer o setor, com apoio comercial e financeiro das montadoras. A iniciativa é boa e a Abimaq apoia”.

A ideia das montadoras é apoiar o setor usando as vantagens fiscais dadas às verbas de pesquisa e desenvolvimento previstas pelo projeto Inovar-Auto.

As tratativas estão sendo negociadas com o governo federal.

Plástico Moderno, Sistema valvulado Facility, da Polimold
Sistema valvulado Facility, da Polimold

A desvalorização do dólar frente ao real pode ajudar. O dirigente, no entanto, avalia o fenômeno com ressalvas.

“O dólar não é a única moeda que afeta nossa economia. É certo que ele se valorizou de forma expressiva, mas outras moedas igualmente importantes, como o euro, também se desvalorizaram em relação ao dólar. Os produtos europeus continuam atrativos”, avaliou.

Para ele, a recuperação não virá da noite para o dia apenas com as variações cambiais. “A moeda é só um dos componentes.

A reindustrialização vai tomar tempo e necessita de política industrial ampla, que privilegie toda a cadeia produtiva, das matérias-primas ao produto final”.

Plástico Moderno, Porta-moldes e controladores de temperatura compactos, da Polimold
Porta-moldes e controladores de temperatura compactos, da Polimold

“Até que nem tão feio assim” – No Brasil, não existem dados confiáveis sobre o desempenho do setor de moldes.

Na ausência de tais informações, um termômetro considerado confiável pelos especialistas é a venda de porta-moldes.

Para alguns dos principais nomes do segmento, a situação aparenta estar na contramão das expectativas mais sombrias.

As vendas efetuadas no primeiro trimestre são consideradas bastante positivas.

Um exemplo ocorre com a Polimold, marca pioneira e bastante conhecida do setor.

Além de porta-moldes, a empresa comercializa câmaras quentes, todos os componentes usados nos moldes e controladores de temperatura.

“Para nós, o mercado de moldes não está ruim, estamos contra a maré”, afirma Alexandre Fix, presidente da empresa.

Com a autoridade de um dos nomes mais conhecidos do setor, ex-presidente durante muitos anos da câmara setorial voltada para moldes da Abimaq, ele garante que os negócios vão bem também para a concorrência.

“Não é só o caso da Polimold, converso com muitas empresas e a maioria se mostra feliz com o cenário atual. Até a inadimplência diminuiu”. Alguns percalços continuam a atrapalhar. Caso, por exemplo, da baixa rentabilidade.

Fix se mostra cauteloso em relação à manutenção dos bons resultados durante o restante do ano. “As notícias apresentadas pela imprensa sobre economia não são animadoras”.

Para ele, o momento positivo deve ser creditado à valorização do dólar.

“Acho que os clientes estão assustados, preocupados em comprar matrizes de outros países”, afirmou.

Plástico Moderno, Porta-moldes e controladores de temperatura compactos, da Polimold
Porta-moldes e controladores de temperatura compactos, da Polimold

Outro aspecto positivo se encontra na movimentação da indústria automobilística.

“Existem projetos que estão saindo das gavetas”.

O dólar alto também representa oportunidade para incrementar as exportações.

Ponto para a Polimold, empresa com boa participação no mercado externo.

“O aumento das exportações não acontece em curto prazo, para fechar um contrato é necessária muita negociação”, ressalta.

O presidente da Polimold acredita ser a Feiplastic bom motivo para que o clima se mantenha nos próximos meses.

“O número de visitantes sempre é grande. Mesmo que os clientes não comprem, eles aparecem, conversam, as empresas novas têm oportunidade de conhecer nossos produtos”.

No evento, a empresa promete mostrar toda sua gama de produtos.

No caso de porta-moldes, serão mostradas as vantagens do uso de componentes padrões e divulgado o novo site da empresa, onde o projetista poderá fazer o download de diversos itens, inclusive porta-moldes de duas ou três placas.

Outro destaque será um sistema de câmara quente de 128 vias com hot half, com capacidade para injetar até 80 mil peças por hora.

Também será mostrado o sistema valvulado Facility, ideal para peças de grande porte que exigem injeção valvulada sequencial, a nova bucha Single valvulada, agora em corpo único, e a linha de controladores de temperatura Mini Smart.

O pessimismo passa longe da Tecnoserv, fabricante de porta-moldes e outros itens, e representante no Brasil de marcas internacionais de câmaras quentes e outros produtos para ferramentarias.

“O ano passado foi melhor do que 2013, que não havia sido ruim. E esse ano está bom, estamos com bastante serviço, nossa linha de produção de porta-moldes está lotada”, informa Wilson Teixeira, diretor técnico.

Plástico Moderno, Controlador de temperatura com touch screen, da Tecnoserv
Controlador de temperatura com touch screen, da Tecnoserv

As variações do câmbio são apontadas como importantes para os resultados positivos. “Importar ficou mais difícil”.

Para exemplificar, o dirigente dá como exemplo sua própria empresa.

A Tecnoserv comercializa no Brasil as câmaras quentes da neozelandesa Mastip.

Antes a empresa trazia o produto completo. “Com o dólar alto decidimos passar a fabricar alguns manifolds por aqui”.

Teixeira não se mostra muito entusiasmado com o incremento nas vendas proporcionado pela Feiplastic.

“Participamos para manter nosso nome no mercado. Acho nossa presença positiva, mas nada de espetacular”, resume.

Toda linha será divulgada aos visitantes. Entre as novidades, novo modelo de controlador de temperatura, com função de sincronia no aquecimento e desaquecimento, tela touch screen e outros aperfeiçoamentos.

O controlador é fabricado no exterior por uma empresa cujo nome é mantido em sigilo.

Outras novidades, como chaves de fim de curso e câmaras quentes com bicos dotados de roscas também serão expostas.

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