Economia

Feiplastic 2015 – Máquinas: Energia e mão de obra mais caras estimulam a renovar parque de transformação

Jose Paulo Sant Anna
25 de junho de 2015
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    O ajuste prevê, por um lado, cortes de despesas, que pode significar a redução de investimentos em obras públicas, medida redutora do crescimento da economia. Por outro lado, há ações voltadas para o aumento das receitas do governo. Essa necessidade, por exemplo, explica a correção dos preços da energia elétrica, que no início do ano ocorreram em nível bastante acima da inflação. Some-se a essas medidas de caráter recessivo, a forte repercussão dos problemas de corrupção divulgados pela mídia, geradora de grande desconfiança de parte da população em relação à classe política.

    Com esse clima, não são poucos empresários que se sentem inseguros em investir na modernização ou ampliação de suas linhas de produção. No caso do setor da transformação do plástico, já abalado pelos resultados pífios alcançados no ano passado, essa falta de confiança gera muito desconforto.

    Vale lembrar: em 2014 a produção total de transformados plásticos no Brasil caiu 2,7%. O volume de produção ficou próximo das 6,3 milhões de toneladas, movimentando em torno de R$ 67,4 bilhões. A indústria de base também sofreu muito no ano passado. Não são divulgados pela Abimaq dados apenas das máquinas para plásticos. Levando-se em conta o faturamento da venda de bens de capital nacionais, em 2014 o faturamento foi de R$ 71,19 bilhões, valor 13,7% inferior ao do exercício anterior.

    “Não sabemos exatamente qual será o formato final desse ajuste econômico, mas se todas as medidas anunciadas forem aprovadas e colocadas em prática, poderemos esperar um desânimo muito grande entre os empresários em relação a novos investimentos para este ano”, resume com desânimo o presidente da câmara setorial de máquinas para plástico.

    O fator dólar – A indústria brasileira como um todo sofreu bastante com o real valorizado nos últimos anos. No universo do plástico, os resultados alcançados confirmam a afirmação. No ano passado entraram no Brasil 778 mil toneladas de peças plásticas, número 6% superior ao de 2013. Em dinheiro, esse valor representou US$ 3,96 bilhões, 3% a mais do que no exercício anterior. Para ter ideia da evolução das exportações ano a ano, em 2007, foram importadas 411 mil toneladas, que custaram US$ 1,83 bilhão. Os números são da Abiplast.

    Em contrapartida, as exportações caíram. Em 2014, foram vendidas 238 mil toneladas para outros países, contra 246 mil em 2013. O valor arrecadado no ano passado ficou na casa do US$ 1,38 bilhão, contra US$ 1,39 bilhão no exercício anterior. A tendência de baixa também tem sido constante. Em 2007, por exemplo, exportamos 333 mil toneladas. A arrecadação na época foi de US$ 1,18 bilhão. O valor médio do dólar usado para se chegar a esses números foi de R$ 2,33, valor considerado muito baixo pelos empresários nacionais.

    Nesse aspecto, o ano de 2015 começou com uma revolução. No primeiro trimestre a cotação da moeda norte-americana subiu em torno de 40%, chegando a ultrapassar em determinados momentos a casa dos R$ 3,30. Analistas preveem que ela deva se estabilizar nos próximos meses entre R$ 3,10 e R$ 3,20. Os reflexos dessa mudança brusca ainda são difíceis de serem calculados pelo setor de máquinas e equipamentos para transformação do plástico. Entre eles, os mais prejudicados com o dólar barato foram os fabricantes de injetoras, vítimas de concorrência muito forte por parte da indústria chinesa.

    A Abimaq não informa os números exclusivos para o setor. Os resultados totais da balança comercial da indústria de base na última década, no entanto, dão nítida ideia de como as importações vêm atrapalhando os fabricantes nacionais. Em 2014, as compras de equipamentos internacionais chegaram à casa dos US$ 28,67 bilhões, contra exportações de US$ 13,40 bilhões. Dez anos antes, em 2004, a balança comercial era muito mais equilibrada. Foram exportados naquele ano US$ 6,84 bilhões e importados US$ 6,83 bilhões.

    Para Paulucci, a valorização do dólar é positiva para as empresas exportadoras. O dirigente acredita, porém, que a disparada da moeda norte-americana precisa ser avaliada com cuidado. O fenômeno pode ajudar no incremento das exportações, ainda mais se a demanda interna se mostrar pouco atraente. Realizar vendas para outros países, no entanto, não é operação que possa ser feita de uma hora para outra. São necessárias negociações exaustivas e, conforme o caso, adaptação dos equipamentos fabricados aqui para as normas dos países aos quais eles serão destinados.

    Outras dificuldades aparecem pelo caminho. “Não podemos formular preços baseados em taxas que variam mais de 2% para cima ou para baixo, em um único dia, corremos o risco de grandes prejuízos. Há que se estabilizar o câmbio”. A inflação é outra pedra no sapato. “É um incômodo, um flagelo a nos ameaçar. Grande parte do que seria recomposição de margens com o câmbio atual foi corroída pela inflação dos últimos meses”.

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    Máquinas ativas – Os principais fabricantes nacionais de equipamentos para plásticos sempre marcam presença na exposição. Entre os dirigentes dessas empresas, muitos avaliam o contexto atual de forma bastante similar à do líder empresarial do setor. William dos Reis, diretor da unidade de negócios de máquinas para plásticos da Romi, fabricante para lá de tradicional de injetoras e sopradoras, é um deles. “As vendas de máquinas para plásticos no Brasil estão abaixo do esperado, reflexo do baixo desempenho econômico do país”, avalia.

    Para Reis, as medidas econômicas tem encarecido o crédito e fazem com que os empresários estejam muito mais cautelosos na hora de realizar qualquer investimento. Apesar do cenário tanto desanimador, ele não acha tudo perdido. “Há muitas empresas apostando e investindo em competitividade, renovando seu parque fabril com máquinas mais modernas, rápidas e econômicas”. O dirigente não revela números relativos às vendas, mas afirma que a empresa tem participado de diversos projetos voltados para proporcionar aos clientes ganhos significativos em economia de energia e aumento de precisão e produtividade.



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