Feiplastic 2013 – Resinas: Tecnologias mais amigáveis ao meio ambiente norteiam os novos desenvolvimentos dessa indústria

Plástico Moderno, Dow licencia uma solução inovadora para o mercado de embalagens flexíveis
Dow licencia uma solução inovadora para o mercado de embalagens flexíveis

A área da Feiplastic dedicada às matérias-primas reforçou o comprometimento do setor em ampliar a oferta dos produtos ditos sustentáveis, das commodities aos plásticos de engenharia. A propósito, os corredores dessa ala evidenciaram um bom momento para as resinas e compostos de engenharia, com diversas empresas apostando particularmente nas formulações baseadas nas poliamidas. Outro mercado em ascensão é o das borrachas termoplásticas, com investimentos dirigidos para as TPE’s.

Plástico Moderno, Dow licencia uma solução inovadora para o mercado de embalagens flexíveis
Dow licencia uma solução inovadora para o mercado de embalagens flexíveis

Como em edições anteriores, o estande da megapetroquímica brasileira Braskem sobressaia aos demais da feira em tamanho e imponência. A empresa permanece centrada nos desenvolvimentos de cunho ecológico, com grande foco nos seus polietilenos baseados em fontes renováveis (PEAD e PELBD), agora ampliados com nova família de resina de baixa densidade (PEBD). A previsão da fabricante é de incorporar esses novos grades ao seu portfólio em janeiro do próximo ano, com produção anual da ordem de 30 mil toneladas e baseada em duas opções de tecnologia, para a oferta de resinas com diferentes características e maior variedade de aplicações.

A Braskem também aproveitou a ocasião para divulgar os dados de emissão de gases de efeito estufa das resinas que produz e tornar pública a sua pegada de carbono, ou seja, o impacto ambiental de seus produtos. A análise considerou a extração da matéria-prima, seu transporte e o processo produtivo na empresa e foi realizada com a consultoria da multinacional ERM e auditada pela KPMG. A petroquímica comemorou os resultados, avaliados como melhores em relação aos equivalentes (total de emissões de gases de efeito estufa expresso em termos de equivalentes a dióxido de carbono) da indústria química na Europa e nos Estados Unidos. Para mencionar um exemplo, a emissão do PEBD da Braskem é de 1,31 tonelada de CO2e (equivalente) por tonelada de produto, enquanto nos EUA a média é 1,48 t de CO2e por tonelada de produto e na Europa de 2,10 t CO2e por tonelada de produto. Os dados divulgados pela empresa mostram uma pegada de 1,33 t de CO2e por tonelada para o polipropileno e 1,77 de CO2e por tonelada para o PVC. O estudo do PE verde ainda está sendo finalizado. “ Ele não emitiria, mas sim capturaria CO2”, afirmou o diretor de desenvolvimento sustentável, Jorge Soto.

O levantamento da Braskem mostra uma queda de 12,8% na intensidade de emissões de gases de efeito estufa em seu processo produtivo, entre 2008 e 2012. Baixou de 0,72 t para 0,63 t. Soto explicou que a redução foi alcançada, entre outras medidas, com o aumento na eficiência energética e o fechamento da fábrica de caprolactama.

Ainda com foco na minimização do impacto ambiental, a Braskem destacou em seu estande a linha Maxio, criada para diferenciar as resinas de seu portfólio com atributos diferenciados de sustentabilidade. Trata-se de produtos com uma ampla janela de processamento, que podem propiciar vários benefícios. Nicolai Duboc, gerente de desenvolvimento de mercado e engenharia de aplicação de PP, menciona o menor consumo energético com o processamento a temperaturas mais baixas, a redução no ciclo produtivo e ainda a diminuição no peso das peças, com o uso de menos matéria-prima, mantendo as suas propriedades (resistência mecânica, transparência etc.).

Esse grupo de resinas hoje engloba 12 grades de polipropileno e um de EVA, este lançado recentemente e desenhado especialmente para o setor calçadista (ver PM 460, fevereiro de 2013, pág. 41). Os principais mercados apontados pelo executivo para as variedades de PP são os de utilidades domésticas, de tampas, de termoformagem, de embalagens injetadas e de eletrodomésticos.

Reconhecida no mercado por seus polietilenos lineares de base octeno, a Dow apresentou uma nova família produzida com esses catalisadores, a Dowlex HMS, resultado de uma tecnologia que permite a criação de grades com estrutura molecular e propriedades diferenciadas; e ainda anunciou uma solução inovadora para o mercado de embalagens flexíveis de design diferenciado – o PackXpert.

A série Dowlex HMS engloba resinas desenhadas com características que, como informou Guilherme Dias, Latin America Marketing Manager Industrial & Consumer Packaging, permitem formulações mais ricas em polietileno linear e conferem maior estabilidade no processo de extrusão, sinônimo de maior produtividade. “O aumento é da ordem de 10% a 15% em relação à formulação elaborada com Dowlex convencional”, compara. Por conta da maior porcentagem de polietileno linear na mistura com o polietileno de baixa densidade convencional, o filme ganha também melhores propriedades mecânicas, ou a possibilidade de redução na sua espessura.

O gerente ressaltou que essa nova família ainda inclui melhores propriedades de termoencolhimento em comparação com os polietilenos lineares de base octeno convencionais. Essa característica, explicou, possibilita reduzir o teor de PEBD nas blendas formuladas para filmes termoencolhíveis. A família Dowlex HMS dispõe de três grades, dois para o mercado agrícola e um para filmes termoencolhíveis.

Uma parceria com a empresa americana Smart Bottle, detentora da tecnologia de produção, possibilitou à Dow oferecer ao mercado brasileiro uma solução diferenciada em embalagem flexível: o PacXpert. A Dow viabilizará a sua produção aos interessados, licenciando a tecnologia desse processo e fornecendo as resinas e adesivos (o material pode ser coextrudado ou laminado).

Trata-se de uma embalagem de alto valor agregado, na opinião de Dias, que carrega a proposta de oferecer aos segmentos de alimentos, PET food, tintas, vernizes e outros, também um design diferenciado. As possibilidades de tamanho variam entre 3, 6 e 18 litros. A Dow ainda firmou parcerias para proporcionar opções de impressão e unitização.

Muito conhecida no mercado brasileiro por seus plásticos de engenharia, a Sabic trocou os seus imensos estandes de outrora e recheados de aplicações desses materiais por uma versão bem modesta e com foco nas resinas commodities. A empresa da Arábia Saudita é uma produtora gigante de polietileno e polipropileno, destaques nesta edição da feira, como os grades PCG (Pharmaceutical Certified Grade) de polietileno de baixa densidade isentos de aditivos e certificados para a indústria farmacêutica, para diversas aplicações. Em polipropileno, a empresa apresentou os novos grades QR6701K, QR6731K e QR6711K de copolímero aleatório da linha Qrystal, especialmente desenhados para a injeção de peças de paredes finas. Segundo a fabricante, essas resinas possuem excelentes propriedades organolépticas e são apropriadas para contato com alimentos. O polímero incorpora um agente clareador de nova geração, que proporciona elevadas propriedades ópticas.

Plástico Moderno, Curti reforça os negócios com reciclagem e compostos de PA 6
Curti reforça os negócios com reciclagem e compostos de PA 6

Poliamidas em alta – O velho e bom náilon exibe saúde e fôlego de sobra para manter em alta as diversificadas formulações baseadas nas suas muitas variedades. Já incorporada ao grupo Solvay, a Rhodia manteve sua marca independente no estande. O diretor para as Américas da área global de negócios plásticos de engenharia do grupo Solvay, Marcus Curti, informou que a integração das duas empresas chegou também ao espaço físico. Estarão juntas em São Bernardo do Campo-SP, onde já se localiza a Rhodia. Curti acredita que a união reverterá em melhorias no suporte aos clientes e promoverá a sinergia nas equipes de vendas.

Com os investimentos consolidados na expansão de capacidade de compostagem, esse nome reconhecido mundialmente como uma tradicional fabricante de PA 6.6 (a Rhodia comemorou na feira 60 anos da marca Technyl), agora, concentra esforços para tornar-se forte também como fornecedora de compostos de PA 6. Curti estima que só a última aquisição em maquinário, uma extrusora mega compounder com capacidade de 2.200 quilos/hora, processa em torno de 1.500 toneladas mensais de formulações. O investimento elevou a capacidade industrial em São Bernardo do Campo em 15%. Ele não revela números exatos, mas informa que as instalações para compostagem superam 50 mil toneladas ao ano, endereçadas aos mercados da América Latina. “Hoje, o grande desafio da indústria é buscar produtividade e competitividade.” É nesse sentido que a empresa planeja ser reconhecida também no campo das PAs 6.

As suas preocupações ainda passam pelo quesito sustentabilidade, ponto de apoio da principal novidade da Rhodia na feira: o Technyl Eco, aplicação criada no país a partir de poliamida 6.6 reciclada, obtida por meio de um processo exclusivo de reciclagem química criado pela Rhodia, com o aproveitamento de resíduos industriais de PA e de fios têxteis. “Orientamos nossos clientes na reutilização do material, para o seu reaproveitamento no processo”, explicou Curti.

Plástico Moderno, Coletor de admissão da Magneti Marelli carrega PA 6.6 reciclado
Coletor de admissão da Magneti Marelli carrega PA 6.6 reciclado

Ele comenta que o processo assegura ao material reciclado excelentes propriedades mecânicas, sem perda nas características térmicas. Fato que possibilita o uso do Technyl Eco em peças com exigências de alto desempenho, com a vantagem adicional de contribuir para uma redução significativa de CO2 equivalente, da ordem de 70%, bem como diminuição de 76% no consumo de energia, em comparação ao composto virgem.

O setor automotivo foi o primeiro a se beneficiar da linha Eco, em um coletor de admissão de ar, peça de elevada exigência técnica, um desenvolvimento entre a Rhodia e a Magneti Marelli, produtora de sistemas e componentes de alta tecnologia para veículos. Já homologada nessa aplicação, a resina ecológica ainda cai bem na produção de diversas outras autopeças.

A ala da Solvay privilegiou os polímeros especiais, de forte potencial de crescimento no país. Alexandre Guimarães ainda participou da Feiplastic como gerente de vendas e marketing da área global de negócios Specialty Polymers para a América do Sul, mas despede-se do cargo para encarar novos desafios no campo das poliamidas.

O amplo portfólio de especialidades esteve representado no estande com uma grande diversidade de aplicações, com a crescente substituição do metal, vidro e outros materiais pelos polímeros de alto desempenho. Uma das inovações demonstradas no evento foi um triângulo Bender, um dispositivo de apoio e posicionamento para cirurgia ortopédica. Desenvolvida em polifenilssulfona (PPSU), a peça pesa apenas quatro quilos e proporciona outras vantagens em relação ao atual suporte feito de espuma de borracha e metal, mais caro e difícil de manipular. A alternativa moldada em plástico de alto desempenho é ajustável, autoclavável e radiotransparente na utilização de raios-x.

Para o segmento industrial, a Solvay anunciou a introdução de um novo grade na linha Halar, um polímero de alta performance para revestimentos de superfícies, preventivo contra agentes corrosivos. Também se trata de uma opção para substituir as soluções metálicas, como aço inox e outras ligas especiais.

Claro que o setor automotivo também se encontra na lista. Para essa indústria, a Solvay destacou diversas formulações que atendem aplicações de desgaste por abrasão e às temperaturas mais elevadas. Grades novos de poliftalamida (PPA), comercializadas sob a marca Amodel, suportam temperaturas de 220oC por milhares de horas, atendendo a validações de sistemas de turbocompressores automotivos.

De volta às poliamidas, a UBE Latin America, subsidiária do grupo japonês UBE, desenvolveu uma nova tecnologia de processamento para o náilon 12, denominada Ecobesta, para estruturas multicamadas (até cinco), com aplicação especial em tubos de combustíveis para carros e caminhões. “Essa estrutura foi criada para dar uma folga ao problema de abastecimento do mercado da poliamida 12”, propõe o executivo de vendas e marketing da filial brasileira, Carlos Catarozzo. Segundo explicou, o naílon 12 compõe o exterior e o interior da estrutura, conferindo resistência a produtos químicos na área externa e ainda à pressão, em seu interior. O miolo pode ser recheado com náilon 6/12, náilon 6 e novamente náilon 6/12. A economia de custos na produção dos tubos pode chegar até 40%, nos cálculos do executivo.

A UBE participa da lista seleta de produtores de PA 12 e Catarozzo atribui à tecnologia exclusiva da empresa grande vantagem competitiva no processo de polimerização, traduzida em ampliação significativa de capacidade produtiva. “Esse aumento de capacidade coloca a UBE em uma posição estratégica de atendimento da demanda mundial, visto que outros grandes players estão com suas produções estranguladas e o mercado tem ficado desassistido”, declarou.

Outra novidade da empresa tem por endereço o mercado de embalagens flexíveis. Catarozzo informou que a tecnologia embutida na nova linha FDX, de copolímeros ou homopolímeros, confere às resinas melhores atributos de transparência e contribui para a redução do efeito curling (enrolamento do filme). Ele detalhou que a distribuição homogênea do aditivo é o diferencial desses produtos.

A família de terpolímeros (PA6/PA6.6/PA12), lançadas no país há dois anos, na edição de 2011 da feira, cresceu. Ela ganhou neste ano novo produto destinado à termoformagem, com o diferencial de possibilitar a produção de embalagens mais profundas, com até 95 mm, contra 70 mm dos homopolímeros tradicionais, com benefícios de transparência superior, sem efeito leitoso, e alta resistência. “Mesmo nos copolímeros, a profundidade máxima conseguida é de 85 mm contra os 95 mm do Terpalex”, compara. As embalagens termoformadas com esse novo material também podem ter atmosfera modificada.

Esse lançamento embute ainda outras vantagens: a distribuição uniforme do material nos cantos da embalagem, evitando o stress e possível ruptura; e possibilidade de operação com temperaturas de termoformagem mais baixas (80oC contra 110oC), sinônimo de menor consumo energético – uma das grandes solicitações atuais da indústria em geral. O terpolímero sobressai por um conjunto de propriedades, englobando alta transparência e resistência à punctura, maior termoencolhimento em comparação aos copolímeros, e ainda baixa temperatura de fusão (sinônimo de maior eficiência energética), entre outras.

Plástico Moderno, Duto de ar soprado com PA 4.6 da DSM
Duto de ar soprado com PA 4.6 da DSM

Desenhada para o segmento de sopro, a nova PA 10204I completou o cardápio de novidades da UBE. O produto chega ao mercado para agregar melhores propriedades às embalagens de agroquímicos. Catarozzo assegurou tratar-se de um material sem similar no mercado nacional, desenvolvido com a proposta de substituir o EVOH na estrutura convencional adotada atualmente por esse segmento, com a promessa de aumento significativo de barreira a gases. “O produto possui resistência mecânica superior ao EVOH e a PA cumpre, até além, tanto a função mecânica como de barreira.”

Dedicada às especialidades em poliamidas, a DSM anunciou com pompa e circunstância a primeira PA 4.6 resistente a altas temperaturas e projetada para dutos de ar moldados pelo processo de sopro. Trata-se do grade OCD 2305 BM, de família de nome bem sugestivo, Stanyl Diablo, constituída de polímeros resistentes ao envelhecimento térmico. Cientista da empresa, Dr. Emile Homsi, VP Research and Technology, explicou que essa tecnologia Diablo, desenvolvida pela DSM, é sinônimo de maior índice de cristalização, elevada resistência à temperatura e menor absorção de umidade. Em comparação aos dutos de ar em metal ou em polissulfeto de fenileno (PPS), a nova PA 4.6 suporta temperaturas contínuas de até 230oC e ainda confere peso inferior às peças. A Volkswagen é a primeira montadora a adotar o novo produto.

Plástico Moderno, PA 6.6 da Invista oferece melhor processabilidade
PA 6.6 da Invista oferece melhor processabilidade

A DSM também reforçou o cardápio de biopolímeros baseados em fontes renováveis disponíveis no país. Como outras fornecedoras para a indústria automotiva, a empresa quer contribuir para a redução dos índices de carbono dos veículos. Com 70% de óleo de mamona em sua composição, o EcoPaXX, uma poliamida 4.10 de cadeia polimérica longa, possui baixa absorção de umidade e alto ponto de fusão, devido à alta taxa de cristalização. De acordo com Homsi, as propriedades dessa resina superam as da PA 6 convencional.

Com altas resistências térmica, química e mecânica, o produto compõe a tampa do motor do Mercedes Benz Classe A, em um composto com fibra de vidro e partículas minerais, e contribui para diminuir 40% os índices de carbono do veículo em relação a outras coberturas de motor. A peça pesa só 1,32 kg e resiste a temperaturas contínuas de 200oC, com picos breves de 235oC.

Em sua primeira aparição na feira, a DSM aproveitou para exibir seu extenso portfólio que ainda inclui copoliésteres elastoméricos, de operação sob faixa ampla de temperatura (-45oC até 105oC); família de poliamidas 6 com destaque um grade de alto fluxo (80% melhor em relação à PA 6 convencional); e copolímeros de PA 6/6.6, entre outros produtos.

Sediada nos Estados Unidos e reconhecida como uma das maiores fabricantes mundiais de náilon 6.6, a Invista não foge à regra e também corre atrás das novas oportunidades criadas pela indústria automotiva. A empresa, que produz no país, por meio de empresas terceirizadas, formulações com base no seu náilon 6.6, aproveitou o evento para lançar resinas com melhor processabilidade e boas propriedades mecânicas que carregam a proposta de oferecer à produção de peças automotivas maior flexibilidade nos projetos. Segundo a empresa, essa nova linha de poliamidas confere melhor superfície às peças, exige menores pressões de injeção e reduz os tempos de ciclo.

Plástico Moderno, Scheurell aposta alto nos plásticos de alto desempenho
Scheurell aposta alto nos plásticos de alto desempenho

Nova fábrica – Com o projeto bem adiantado, a planta de compostos de poliamidas (6, 6.6 e copoliamidas) e de PBT da Lanxess, em Porto Feliz-SP, deve estrear sua produção, de capacidade instalada da ordem de 20 mil toneladas anuais, em janeiro do próximo ano. A empresa vem apostando alto no mercado de plásticos de alto desempenho e um bom exemplo apontado pelo gerente geral dessa área, Andreas M. Scheurell, é um front end desenvolvido todo ele em PA 6 altamente reforçada, sem nenhuma sustentação de chapas metálicas. Mesmo com o elevado teor de fibra de vidro (60%), a peça é muito leve, possui elevadas propriedades mecânicas e alta fluidez, o que possibilita paredes bem finas. Nas regiões sujeitas a tensões mais baixas, pode chegar a apenas 1,8 mm.

Por conta das exigências de menores emissões nos automóveis, o que pede maior leveza, um dos principais focos para os seus plásticos de alto desempenho, destacados na Feiplastic, é essa indústria. O diretor da Lanxess demonstrou ainda outra opção em front end, de tecnologia híbrida, desenvolvida pela empresa e atualmente utilizada no mercado europeu. A parte superior da peça é composta de PA6 reforçada com 30% de fibra de vidro e metal, e a inferior, de chapas de compósitos de PA 6. “Pode reduzir o peso entre 10% e até 40%, dependendo do desenho”, comentou Scheurell.

Nas chapas, a matriz é a poliamida 6, e o reforço, fibras contínuas, combinando alta resistência e rigidez com baixa densidade. Empregada na fabricação de partes estruturais leves e de alta resistência, essa tecnologia se aplica ainda em outros componentes automotivos, como caixa de pedal e pedais de freio.

O negócio promissor nos compostos de plásticos de engenharia também animou a A. Schulman a expandir suas instalações dedicadas a tais operações. Razão pela qual a empresa anunciou a sua transferência da atual unidade na capital paulista, onde produz masterbatches, para Sumaré-SP. Além de ocupar área mais ampla também terá à disposição uma logística melhor, na opinião do diretor geral no país, Arnoldo Hernández. “Esta planta nova receberá investimentos em laboratório, voltado para o desenvolvimento local, mas baseado na tecnologia hoje centralizada na Bélgica, Alemanha e Estados Unidos”, relatou.

Plástico Moderno, Lanxess apresenta um front end todo feito de PA 6 altamente reforçadaA área de Sumaré comporta espaço para, no futuro, como planeja o gerente geral, transferir também para lá a sua unidade de Americana-SP. Nesta e em Contagem-MG a empresa produz pós especiais para rotomoldagem.

De olho no potencial de crescimento dos compostos de poliamida, a NZ Cooperpolymer, de São Roque-SP, conhecida no mercado por suas formulações baseadas em resinas recicladas, divulgou a ampliação de seu portfólio. Sergio Sartori, do departamento comercial, explicou tratar-se de novo composto elaborado com poliamida 6 virgem, disponível em três opções de viscosidade, para atender aos mercados de injeção (2.7), extrusão de monofilamentos e injeção de peças com requisitos de elevada resistência (3.0-3.2), e extrusão de embalagens, tubos, tarugos e chapas (4.0-4.2). A linha de produtos com base em reciclados tem maior foco em plásticos de engenharia, com formulações de PA 6, PA 6.6, PA 11 e PA 12, poliacetais homo e copolímeros, policarbonato, PBT, ASA e ABS, mas também inclui as commodities polietileno e polipropileno.

E por falar em reciclados, Maike Santos, da Recyclean Drypol, reforçou o fato de a empresa oferecer com exclusividade ao mercado serviços de remoção de serigrafia em frascos moídos e também em termoformados de polietileno e de polipropileno. A empresa dispõe de instalações com capacidade da ordem de 400 toneladas mensais e inclui em suas operações a granulação de pós-industriais oriundos da transformação e ainda injeção de pré-formas de PET reciclado, destinadas ao sopro de embalagens para produtos de limpeza.

Há três anos no mercado de compostos como produtora independente, a Krisoll, sediada em Mauá-SP, compareceu à feira como formuladora especializada em PA 6 e PA 6.6. O diretor comercial da empresa é um velho conhecido do mercado, Aurélio Giovanni Mosca, por muito tempo executivo dos negócios de PA da Mazzaferro, hoje nas mãos da Basf. A produção, da ordem de 250 toneladas mensais, compõe receitas especiais, combinando mesmo diversos reforços em um só produto.

Exposição setorizada – A DuPont repetiu a dose do evento anterior e repartiu sua mostra por divisões de negócios, mas desta vez exibiu produtos já consolidados no mercado. A prioridade no evento foram as palestras técnicas, direcionadas para os seus diversos negócios de atuação: embalagens, automotivos, eletroeletrônicos e consumo, entre outros.

Não à toa, a empresa copiou em seu estande o conceito do seu Centro de Inovação, instalado em Paulínia-SP. Inaugurado no ano passado, o espaço foi planejado para estimular atividades de colaboração entre a empresa, clientes, acadêmicos e representantes de organizações civis e governamentais. A proposta na feira foi a de conduzir as atividades do centro aos visitantes, com discussões sobre inovações específicas para o mercado de plástico.

Também a Bayer setorizou seu estande, onde apresentou suas unidades de negócios policarbonatos, poliuretanos e coatings & adesivos; e também o projeto EcoCommercial Building, rede de fornecedores capitaneada pela empresa para a construção de edifícios sustentáveis. Os holofotes se posicionaram sobre as famílias de policarbonato, em homenagem aos 60 anos do polímero, criado, em 1953, por um funcionário da Bayer – Dr. Hermann Schnell –, e que revolucionou diversos segmentos da indústria.

A Basf igualmente buscou a segmentação para interagir com o público e demonstrar a sua ampla gama de resinas e soluções, a maioria já consolidada no mercado. Como boa parte da indústria, nos últimos anos, a empresa vem dispendendo energias no cultivo de produtos com selo ecológico. Por essa razão, as novidades da expositora favorecem o setor de embalagens, como o lançamento de grades dos biopolímeros da família Ecovio, uma blenda de poliéster compostável (série Ecoflex) com ácido polilático, até então disponível apenas para o mercado de extrusão.

As novas formulações, o Ecovio T2308 e Ecovio IS 1335, se endereçam particularmente à termoformagem, o primeiro; e injeção, o segundo. Com propriedades mecânicas semelhantes às do PET amorfo, o T 2308 difere do material de termoformagem convencional por seu alto conteúdo de fonte renovável (o ácido polilático) e compostabilidade. Segundo a fabricante, o polímero propicia a moldagem de peças nem muito rígidas nem quebradiças. Um balanço de propriedades confere ao produto acabado, tais como bandejas e copos termoformados, entre outros, suficiente resistência ao impacto a baixas temperaturas. Como resultado, as embalagens não sofrem avarias durante o transporte e armazenagem. Segundo a Basf, a janela de processamento do Ecovio T, entre 80oC e 120oC, é bastante ampla em relação a outros plásticos. Além de translúcido, o material pode ser selado com filmes protetores.

Desenhado para o processo de injeção, em especial embalagens com a proposta de destinação à compostagem, o Ecovio IS1335 pode ser processado em moldes de uma só ou de múltiplas cavidades, com ou sem câmara quente. Com fluxo moderado, boa rigidez e dimensionamento estável em temperaturas de até 55oC, o biopolímero é indicado para peças injetadas de paredes finas, complexas e de alta qualidade. Pode ser decorado com rotulagem direta no molde (in mold label).

Atuante tanto no ramo dos polímeros como de aditivos, a Evonik seguiu igualmente o caminho de representar no estande suas várias áreas de negócios. No campo das resinas, a novidade ficou por conta do grade de acrílico (PMMA) Acrylite Hi-Gloss na cor black piano, caracterizado por seu altíssimo brilho e excelente resistência a intempéries. Essa linha de polímeros se endereça particularmente a aplicações não transparentes (revestimento de colunas, retrovisores, peças de painel etc.) na indústria automotiva. A empresa destacou ainda materiais de alta resistência térmica, como a polimetilmetacrilimida, com disponibilidade de grades que alcançam até 170oC de Vicat.

Com a proposta de aliviar o peso dos veículos, a empresa oferece às montadoras a linha Acrylite Automotive Glazing para substituição dos vidros nos automóveis. Além de propriedades acústicas, elevada transparência e resistência às intempéries, o produto promete redução no peso das janelas em até 50% em relação ao vidro.

Na linha de plásticos de alto desempenho, a Evonik levou para a feira novo grade de poliéter-éter-cetona (PEEK) com melhor perfil de fadiga sob esforço dinâmico, além da elevada resistência ao impacto. O polímero possui alta viscosidade e pode ser injetado ou extrudado. Também apresentou novos grades de poliamida 12, especialmente desenvolvidas para atender às demandas do mercado de petróleo e gás.

Plástico Moderno, Aplicações com TPE atraem fábrica da PolyOne para o país
Aplicações com TPE atraem fábrica da PolyOne para o país

Novos negócios – Depois da aquisição há dois anos da Uniplen, distribuidora de resinas e produtora de compostos de engenharia, a PolyOne escolheu o ambiente da Feiplastic para comunicar ao mercado sua decisão de instalar uma nova fábrica com tecnologia de ponta para produzir elastômeros termoplásticos (TPE), por intermédio da PolyOne GLS Termoplastic Elastomers, que se considera líder global em soluções customizadas de alto desempenho nesse campo.

Pelo cronograma, as operações da nova fábrica começam já neste mês de junho, no site da empresa, em Diadema-SP. O diretor global de marketing da GLS, Charles Page, prestigiou a feira, mas preferiu não revelar volumes de produção. Ele apenas garantiu que a capacidade instalada de TPE será suficiente para abastecer o mercado doméstico e ainda atender à demanda de outros países da América do Sul. “Nossa diversidade de produtos nos situa como a única empresa que fornece várias soluções para uma mesma peça”, enfatizou. Segundo explicou, são formulações customizadas. “Desenhamos uma solução específica para cada cliente.”

Há vários mercados na mira dele, dentre os quais a indústria de consumo, de cuidados pessoais, médica-hospitalar, de embalagens e, claro, peças automotivas. Entre os muitos pontos a favor de operar a nova fábrica no país, as novas estruturas locais irão conferir maior flexibilidade e opções de customização de TPE, além de acelerar o atendimento ao cliente.

O leque de opções em elastômeros termoplásticos se abre ainda mais com o anúncio do grupo M.Cassab de uma parceria com a fabricante turca Elastron Kimya. O gerente de unidade de negócios da divisão química industrial, Aloísio Spósito, comemorou a parceria, que atribui à M.Cassab a distribuição dos produtos da Elastron com exclusividade no país: TPE’s, baseadas em SEBS (estireno-etileno-butadieno-estireno) e TPV’s (misturas de EPDM e polipropileno). Ainda constam do cardápio compostos poliolefínicos (TPO’s), elastômeros termoplásticos olefínicos, com formulações baseadas em poliolefinas.

Com atuação mais focada na distribuição de plásticos de engenharia, a Belsul incluiu um novo produto em seu portfólio: TDI (di-isocinato de tolueno), matéria-prima para a produção de poliuretano, adquirido de fornecedores da Coréia e da França. O gerente de negócios, Francisco Duarte, revelou expectativas de transformar o TDI em um dos carros-chefes da empresa neste ano, com atuação especialmente no mercado de espumas flexíveis. A empresa inaugurou recentemente um Centro de Distribuição em área de 5 mil m2 em Quatro Barras-PR, próximo ao porto de Paranaguá, o que elevou a capacidade de armazenamento de 1.500 toneladas mensais para 8 mil toneladas/mês.

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