Feiplastic 2013 – Máquinas: Exposição marca uma nova era de investimentos para a produção de bens de capital

Plástico Moderno, Feiplastic 2013 - Máquinas: Exposição marca uma nova era de investimentos para a produção de bens de capitalOs fornecedores de máquinas e equipamentos prometem causar sensação entre os visitantes da Feiplastic. Fabricantes nacionais e importadores comparecem em peso e mostram muitas novidades. Estima-se que 60% das empresas presentes na mostra estejam ligadas à produção de bens de capital. A expectativa é a de aproveitar a realização do maior evento da indústria do plástico no Hemisfério Sul para fazer muitos contatos com possíveis compradores e fortalecer laços com clientes antigos.

A feira deste ano tem sido vista pelos expositores como marco de recuperação. Bem que o setor precisa. As vendas, no ano passado, foram para lá de decepcionantes, com queda de faturamento de 27% em relação ao exercício anterior. As coisas começaram a melhorar. “Os empresários do setor estão otimistas. O primeiro trimestre foi muito bom, a carteira de pedidos de algumas fábricas já é bastante extensa e acreditamos que este ritmo deverá ser mantido até o final do ano”, analisa Wilson Miguel Carnevalli, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico da Abimaq e presidente da fabricante de extrusoras Carnevalli.

O dirigente salienta a importância da nova fase da exposição, até a edição anterior chamada de Brasilplast. “A feira foi concebida para trazer maior visibilidade aos diversos setores da indústria plástica nacional e internacional.” A proposta está apoiada sobre pilares estratégicos, dividindo expositores e atividades paralelas em três categorias: negócios, sustentabilidade e tecnologia. Rodadas de negócios, criadas pelo programa Think Plastic Brazil, da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), visam a estimular as exportações de produtos transformados. O dirigente também demonstra otimismo com a K-2013, feira que será realizada este ano na Alemanha. “Com esses dois eventos, esperamos finalizar o ano com crescimento maior que o índice de 1,5% previsto anteriormente.”

Números – De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), as vendas para a indústria de plástico ficaram na casa dos R$ 725 milhões em 2012, queda de 27% em relação a 2011. As exportações representaram aproximadamente R$ 80 milhões, 18% a menos que em 2011. O nível de utilização da capacidade instalada da indústria de equipamentos caiu 30%, ficando em 63%. As importações somaram US$ 670 milhões de dólares, aumento de 24% em relação a 2011. Até o fechamento desta edição não existiam resultados relativos ao desenvolvimento dos negócios no ano de 2013.

A explicação para os resultados negativos se baseia em alguns aspectos. No biênio 2010/11, as vendas foram consideradas muito positivas e a indústria de transformação renovou sua infraestrutura. No ano passado, o crescimento da economia deixou a desejar. Com capacidade ociosa, muitos compradores colocaram nas gavetas os projetos de ampliação. A crise internacional, em especial as de alguns países europeus, aumentou a insegurança entre os investidores.

Os resultados começaram a mudar de rumo no último quadrimestre. A melhora é creditada ao Programa de Sustentação do Investimento (PSI), criado pelo governo federal em 2009, ação do BNDES destinada a facilitar os investimentos em atividades produtivas. Algumas condições especiais desse programa, previstas para acabar em 31/08 passado, foram prorrogadas. Além disso, foram criadas novas linhas de crédito, com redução de juros para financiamentos voltados para a aquisição de equipamentos nacionais. Eles eram de 5,5% ao ano. Até o final de 2012, caíram para 2,5%. Até o próximo dia 30 de junho estão na casa dos 3,5%. Depois dessa data, o percentual deve sofrer acréscimo.

O resultado dos fabricantes voltados para a indústria do plástico ficou bem aquém do obtido pela indústria de base como um todo. De acordo com a Abimaq, o faturamento bruto do setor recuou 3% no acumulado do ano de 2012, ficando na casa dos R$ 79,99 bilhões. O dado positivo do estudo ficou por conta da queda do déficit comercial, que no ano passado recuou pela primeira vez desde 2004, quando o setor deixou de ser superavitário. O déficit fechou o ano em US$ 16,82 bilhões, com recuo de 5,9% em relação ao registrado em 2011. A desvalorização do real perante o dólar e as facilidades dadas pelo PSI tornaram os produtos nacionais mais competitivos.

O nível de utilização da capacidade instalada da indústria de base fechou 2012 com patamar médio mensal de 75,6%. Os resultados do primeiro bimestre de 2013 não entusiasmaram. No acumulado de janeiro e fevereiro, o faturamento chegou a R$ 11,23 bilhões, com queda de 7,6% em relação ao mesmo período do ano passado. A Abimaq espera crescimento do setor próximo dos 5% em 2013.

Plástico Moderno, Alexandre Fix, Abimaq, as ferramentarias investem em aprimoramentos constantemente
Fix: as ferramentarias investem em aprimoramentos constantemente

Moldes – Não existem dados oficiais. Sabe-se, no entanto, ser grande o número de ferramentarias ativas no país, talvez mais de mil. Na sua grande maioria, elas são de porte pequeno, com menos de dez funcionários. Poucas são as que possuem time próximo de cem colaboradores. Com esse perfil, as empresas do setor não têm fôlego para participar da Feiplastic, cujos preços dos espaços comercializados são motivos de queixas até para grandes corporações. Alexandre Fix, presidente da Câmara Setorial de Ferramentaria e Modelações da Abimaq, lembra que o fenômeno é internacional. “A pequena participação se verifica na maioria das feiras mundo afora, são empresas de pequeno ou médio porte que se alimentam de poucos clientes.”

Os profissionais das ferramentarias presentes na exposição, no entanto, terão muito para ver. Fabricantes de porta-moldes e outros componentes padronizados, câmaras quentes e itens úteis para o segmento de moldes sempre montam estandes. “Os fornecedores precisam de um grande número de clientes”, justifica o dirigente. Fix não acredita em grandes novidades. “Essas empresas investem na evolução de seus produtos de forma contínua, não aguardam mais as feiras para lançamentos.”

As vendas este ano estão melhores em relação às de 2012, em especial as destinadas ao setor automotivo. O ano é visto com otimismo. Um aspecto colabora com esse sentimento. As ferramentarias foram incluídas no Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores, o Inovar-Auto, decretado pelo governo federal no último mês de outubro. O principal objetivo do programa é incentivar a indústria automobilística e suas fornecedoras a produzirem veículos mais competitivos perante os modelos importados. São oferecidas vantagens fiscais às montadoras que investirem na nacionalização dos modelos.

Outro motivo merece comemoração. Há dois anos houve aumento da alíquota de importação de moldes de injeção de plástico de 14% para 30%, estratégia que continua em prática. Um benefício pode ajudar o segmento em curto ou médio prazo. Estão em andamento conversas com o governo federal para a instalação do programa Pró-Ferramentaria, voltado para o financiamento pelo BNDES das empresas do ramo interessadas em investir em suas linhas de produção.

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