Máquinas e Equipamentos

FEIPLASTIC 2013 – Injetoras: Evento estimula a indústria a exibir novas tecnologias e recursos mais apurados

Renata Pachione
14 de junho de 2013
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    Esta será a terceira participação da BPS no evento. Estar presente em uma das mais importantes feiras do setor embute outro objetivo: a empresa prevê crescimento neste ano de 25%. Segundo Salmeron, a ideia é também aumentar sua participação no mercado de máquinas acima de 500 t. A BPS se autointitula a maior integradora de soluções em equipamentos asiáticos do Brasil. A empresa tem um centro de distribuição em Atibaia-SP.

    Seguindo a mesma toada, a Chen Hsong mostrará seus modelos equipados com servomotores para acionamento das bombas hidráulicas, cuja pretensão é diminuir em 40% o consumo de energia elétrica, em relação àqueles que funcionam com outro tipo de motorização. “O baixo consumo energético é um dos pontos mais importantes nos nossos desenvolvimentos”, avisa Luis Guerra, responsável pela representação da marca no Brasil. Com sede em Hong Kong, a Chen Hsong possui quatro unidades de produção na China e em Taiwan, com capacidade produtiva de mais de 16 mil máquinas.

    Além de apresentar este tipo de tecnologia, a fabricante tem outros objetivos na Feiplastic, onde terá um estande de 150 m². A ideia também será a de reforçar o seu nome no país, anunciando a abertura da Chen Hsong South America, sua filial brasileira. “Agora temos mais tranquilidade para começarmos a vender no Brasil e na América do Sul as nossas máquinas totalmente elétricas”, comentou Guerra. Segundo ele, esse é só o começo, pois a fabricante projeta para daqui a três anos estar entre os três principais fornecedores de máquinas do país.

    Híbrida avançará? – Muitos também são os indícios para a consolidação do modelo híbrido. A precisão, a velocidade e o investimento inicial, considerado razoável se comparado ao de uma elétrica, fazem os holofotes se voltarem para este tipo de tecnologia. Esse é o caso da máquina Netstal Elion, em exposição no estande da KraussMaffei Group, dentro da divisão Netstal.

    Especializada em máquinas especiais para ciclos rápidos e de altíssima precisão, a Netstal, aliás, prevê consolidar este tipo de máquina na feira. A proposta é apresentar aos visitantes recursos mais apurados para a injeção. “Mostraremos um exemplo claro de tecnologia empregada para aperfeiçoar a produção”, comunica Ítalo Zavaglia, gerente da Divisão Netstal. Ele se refere à produção de tampas de refrigerante, na qual a vedação interna da tampa é moldada durante a injeção, tornando possível que a peça saia picotada.

    Plástico Moderno, Kai Wender, Arburg, os transformadores devem preferir as híbridas

    Wender: os transformadores devem preferir as híbridas

    Para Wender, da Arburg, a indústria de embalagens de paredes finas também exemplifica os novos tempos vividos pela injeção. Se antes, este setor optava por máquinas com acionamento via acumulador (full accumulator), destinadas à fabricação de embalagens com características de injeção mais exigentes e com movimentos de maior complexidade, neste momento, ele antevê uma migração para os modelos híbridos. Segundo o diretor, uma injetora deste tipo com 320 t de força de fechamento, para produção de potes de sorvete, despende 0,47 kWh/kg, enquanto uma full accumulator, 0,97 kWh/kg. “O ganho é enorme, não só pela melhor produtividade da híbrida, mas também pela eficiência energética”, aponta.

    Aprimoramentos – A redução do consumo de energia elétrica continua na pauta dos projetistas de máquinas, e será novamente o mote dos expositores. O preço elevado cobrado por este insumo industrial traz impacto direto no custo de produção. Transformar mais kg/h com menor quantidade de kW/h é uma busca incessante, apesar de se tratar de um tema complexo e que envolve vários estágios da cadeia produtiva do plástico.

    Os fabricantes de máquinas investiram muito nos últimos anos na produção de injetoras eficientes energeticamente. E vão mostrar seu arsenal nesta edição da Feiplastic. Um exemplo ficará por conta da Engel do Brasil. Segundo seu diretor, Udo Löhken, a companhia traz em seu portfólio “máquinas de todos os tamanhos e tipos com uma das mais altas eficiências energéticas do mercado”. Em exposição, estarão duas injetoras totalmente elétricas e outras duas hidráulicas. Os projetos são sempre balizados pelo baixo consumo energético.

    A Haitian também reservou para a feira o lançamento da segunda geração de máquinas totalmente elétricas e aprimorou os modelos hidráulicos, tendo em vista a questão da redução do gasto energético. A empresa produz por ano três mil máquinas. A matriz está na China, mas existem unidades na Rússia, Alemanha, África do Sul, Vietnã e Brasil. Em São Roque-SP, a planta abriga modelos em estoque e itens para assistência técnica, além de infraestrutura para vendas. A fabricante mantém ainda centros de desenvolvimento e pesquisa na Europa e na China.

    Plástico Moderno, Udo Löhken, Engel do Brasil, programa do governo irá incentivar investimentos

    Löhken: programa do governo irá incentivar investimentos

    Há algum tempo, existe uma clara tendência de automatizar a produção de injeção. O interesse da Wittmann Battenfeld neste sentido é explícito. A companhia tem como foco a integração entre os periféricos e a máquina, para que eles trabalhem como uma única célula. Segundo Cardenal, da Wittmann Battenfeld do Brasil, o mercado caminha para esta direção, levando-se em conta, obviamente, o processo produtivo escolhido pelo cliente.

    Sim, é certo que há a necessidade de critérios, antes da adoção dos periféricos e dos manipuladores. Os expositores são unânimes neste quesito. Para Löhken, existe um nível de automação para cada tipo de produção. De qualquer maneira, os fabricantes de máquinas se esmeram para abastecer o mercado com aprimoramentos que eles alegam terem sido feitos sob medida para as aplicações do cliente – algo a conferir na Feiplastic. Segundo Salmeron, da BPS, uma injetora automatizada pode gerar uma eficiência 30% superior em comparação a um modelo sem automação, em razão da diminuição das paradas não programadas.

    No entanto, a transformação brasileira traz uma peculiaridade sobre a questão de investir ou não em automação. No país, muitas empresas produzem volumes pequenos, ou seja, a produção embute muita troca de moldes. “Assim sendo, vejo que ainda o caminho é longo para a automação no Brasil”, comenta Piazzo, da Milacron do Brasil.

    Balanço – A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), sob a chancela da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria de Plásticos, avaliou 2012 como ruim para os fabricantes de máquinas. Na Engel do Brasil, houve uma queda de cerca de 10% das vendas. Mas as projeções apontam para dias melhores, sobretudo por conta do Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores (Inovar-Auto). Essa medida adotada pelo governo federal tem a proposta de estimular investimentos da indústria automobilística nacional, ao conceder, por exemplo, benefícios em relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para as empresas que estimularem e investirem na inovação e em pesquisa e desenvolvimento dentro do país. “Tenho a expectativa de que esse programa possa alavancar o interesse dos transformadores em investir em novas tecnologias de injeção”, aponta Löhken.

    Para a Milacron do Brasil, 2012 também não deixou uma boa impressão, mas não se configurou como um dos piores períodos para a fabricante norte-americana. “Os projetos não foram muitos, mas tivemos algumas vitórias e vejo que 2013 será um ano muito melhor para o nosso segmento”, conclui Piazzo.

    Plástico Moderno, Hercules Piazzo, Milacron do Brasil, crescimento em relação a 2012

    Piazzo projeta para este ano crescimento em relação a 2012

    Para a fabricação nacional, as perspectivas também são otimistas. Em um breve retrospecto, 2011 foi um ano bom para a Romi, apesar de no segundo semestre a companhia ter registrado uma queda paulatina nas vendas, o que contribuiu para que o ano seguinte fosse marcado por índices abaixo do normal. “A carteira de 2012 demonstrou redução ao longo do primeiro semestre, mas, no segundo, ganhou solidez e melhorou a expectativa de retomada gradual das atividades para 2013”, diagnostica William dos Reis, diretor de máquinas para plástico da Romi.

    A estimativa tem relação direta com a prorrogação do PSI-Finame (Programa de Sustentação do Investimento) até dezembro deste ano, é claro. As taxas de juros abaixo da inflação estimulam, sobretudo, as empresas de médio e grande porte a investir. No entanto, independentemente da medida, a Romi prevê um aquecimento da demanda do segmento da construção civil. Não por acaso, apresentará o modelo EN 380 PVC, desenvolvido para injeção de peças de PVC rígido. Aliás, trata-se de um exemplo que confirma as apostas da fabricante no sistema de acionamento hidráulico por servomotor. “Há um misto de interesses não só pelas máquinas elétricas, mas também pelas máquinas com tecnologia de servobomba”, explica Reis.

    Com a tradição de estar presente em todas as edições da feira, esta fabricante nacional pretende com sua participação também reforçar a marca Romi-Sandretto no mercado mundial da injeção. Além, é claro, de mostrar seus novos desenvolvimentos. “Tradicionalmente, a Romi aguarda maio e junho para apresentar seus principais lançamentos do ano e surpreender o mercado”, conclui Reis.

    Plástico Moderno, William dos Reis, Romi, mercado tem interesse na tecnologia das servobomba

    Reis: mercado tem interesse na tecnologia das servobomba

    Planejado para impressionar, o estande da outra fabricante nacional, a Sandretto do Brasil, terá 450 m² e abrigará seis modelos de injetoras. “Teremos máquinas desde as convencionais até as elétricas, e todas com algum incremento”, anuncia o diretor comercial Antonio Lopes. O portfólio da Sandretto do Brasil, aliás, preza pela diversidade. São injetoras de 70 t a 450 t de força de fechamento (série Giusta), de 120 t a 195 t (HP), e de 600 t a 1.200 t (Mega). Além da série Meglio, de 240 t a 500 t, e da família Eco, formada por máquinas acionadas por servomotor. A fábrica de Americana-SP existe desde 2007, quando passou a ter o controle acionário do grupo Nardini. A saber: a empresa independe da indústria italiana Sandretto, adquirida pela Romi.

    O alto investimento na Feiplastic tem um porquê. Por tradição, o evento alavanca as vendas da fabricante. “Estamos aguardando a feira para termos estimativas sobre o ano”, comenta Lopes. De qualquer forma, 2013 deverá ser positivo, sobretudo se comparado a 2012, considerado fraco, quando o crescimento foi em torno de 20%, taxa abaixo de suas expectativas.

    Na época da então Brasilplast de 2011, o clima geral era de certa euforia, até porque o mercado se recuperava das baixas registradas em 2009. Nesta Feiplastic, a mudança não será só do nome. As expectativas dos fabricantes de injetoras são outras; o cenário mudou. Os investidores têm mirado os países da América do Sul com mais interesse e confiança. Além disso, como se sabe, trata-se de um dos maiores eventos do setor, realizado no país que será a sede da Olimpíada e da Copa do Mundo. Apesar de serem eventos isolados, de alguma forma, os fornecedores de máquinas esperam que o aquecimento da economia respingue na transformação nacional. Todo esse circo armado quer dizer alguma coisa; e diz: embute a promessa de maior visibilidade para o mercado brasileiro e um grande incentivo para o aumento das vendas de máquinas por aqui.



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