Feiplastic 2013: Feira deixa uma boa impressão e inspira projeções positivas

Plástico Moderno, Feiplastic 2013O bom movimento durante a Feiplastic agradou a maioria dos expositores, particularmente no setor de máquinas e equipamentos, com indicativos de retomada dos investimentos na cadeia do plástico. Nas contas da Reed Exhibitions Alcantara Machado, cerca de 70 mil pessoas percorreram os corredores dos Pavilhões do Anhembi a fim de comparar produtos e conferir as novidades das 1.402 marcas presentes no local, número pouco acima da edição anterior (1.390), com equilíbrio entre produtos nacionais (766 marcas) e internacionais (636). Ao grupo se juntaram 144 novas empresas contabilizadas pela Reed.

Plástico Moderno, Feiplastic 2013Além das vendas realizadas durante a feira, uma boa parcela dos participantes projeta um significativo volume de negócios prospectados no evento, com promessas de uma produção fechada, no mínimo, até o final do ano. Pesquisas da organizadora apontam que foram concretizados na própria feira negócios da ordem de R$ 43 milhões, somados os números informados por expositores e os gerados no Projeto Comprador, promovido pelo Programa Think Plastic Brazil.

Essas rodadas de negócios, a propósito, superaram as de 2011. Neste ano, o programa contou com a participação de 31 empresas brasileiras e oito estrangeiras, e promoveu 107 reuniões (contra 29, 6 e 81, nessa ordem, do encontro anterior) com compradores do Peru, Equador, Estados Unidos, Guatemala, México e Colômbia. Além de uma expectativa de gerar negócios da ordem de US$ 6,850 milhões, nos próximos doze meses, o Projeto Comprador ainda concretizou uma parceria na feira, de US$ 35 mil.

Plástico Moderno, Feiplastic 2013O grande desafio da mostra deste ano, o da mudança do nome e de como a nova marca seria recepcionada no exterior, foi superado, na opinião da diretora Liliane Bortoluci. “Quintuplicamos a quantidade de parceiros internacionais para a divulgação do evento”, explicou. “E a internacionalização da Reed favorece muito a disseminação da informação”, completou.

Problemas antigos – Mesmo satisfeitos com os resultados, diversos participantes ainda pedem soluções para algumas dificuldades persistentes, como as filas de “visitantes profissionais”, vulgo sacoleiros, que são aquelas pessoas que se aglomeram nos estandes à cata de “brindes”. Entra feira, sai feira, e elas persistem. Nem a medida adotada pela Reed com o propósito de resolver a questão, o ingresso a R$ 55,00 para quem chegava aos portões sem convite, os evitou. “Estamos trabalhando em nosso banco de dados para refinar o cadastro e diminuir a quantidade de catadores, mas os expositores também precisam colaborar”, defendeu-se Liliane Bortoluci, diretora da feira, repassando parte da responsabilidade a eles, que recebem uma alta cota de convites e os distribuem de acordo com seus critérios.

Plástico Moderno, Feiplastic 2013Ela ainda questiona se os empresários estariam dispostos a medidas radicais, como acabar com os convites gratuitos. “Vale a pena precificar com um elevado valor toda entrada para barrar visitantes não qualificados?”, questiona. Uma seleção do gênero também deixaria o evento com uma aparência de vazio. “Reduziria muito a visitação.” Estudantes, que encontram na feira um terreno fértil de aprendizado, também seriam barrados, ou ficariam restritos, com a imposição de um alto custo para sua entrada.

Sem produto para distribuir, não haveria filas. Os expositores, porém, não querem operar suas máquinas em vazio. Compreensível, uma máquina com fabricação real chama muito mais a atenção do cliente. E a Reed não deu conta de recolher toda a produção gerada no Anhembi (e nem os expositores têm como estocar tantas peças em seus estandes, daí porque eles também as distribuem), para posterior encaminhamento a instituições de caridade. “Muitas empresas aderiram à operação de reciclagem no meio da feira, e não conseguimos atender à demanda”, explicou Liliane, feliz pela adesão, ainda que tardia.

Outro motivo de reclamação de muitos expositores vem de longa data: o alto custo do metro quadrado da feira. A diretora concorda que os valores são mesmo elevados, mas os justifica, pelo fato de quase tudo no Anhembi ser terceirizado, com muitos custos fixos. “Mas também tem outra diferença em relação ao exterior, a opção por estandes mais suntuosos”, cutuca. Aliás, teve quem reclamasse da promotora do evento, pois ela alegou falta de espaço para estandes maiores, sendo que havia várias áreas vazias. “São espaços pagos por empresas que desistiram de montar os estandes”, explica Liliane.

Alguns também se queixaram da falta de flexibilidade no calendário da Reed. Lamentaram a coincidência de exibição da Feiplastic com a Chinaplas, pois, além de perderem a oportunidade de conferir a megafeira asiática, eles também deixaram de receber a visita de diversos clientes, que preferiram viajar ao outro continente. Liliane informa estar tentando, com a SP Turis, administradora do Parque do Anhembi e do Autódromo de Interlagos, conciliar o calendário de feiras com eventos internacionais, inclusive com a corrida de Fórmula Indy, que acontece também nos meses de maio e ocupa os arredores do Anhembi.

Plástico Moderno, Feiplastic 2013A transformação – O presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico, José Ricardo Roriz Coelho, aproveitou a ocasião da feira para divulgar os números do setor, que prevê um crescimento perto de zero para este ano, apesar de uma expectativa de alta entre 3% e 4% na demanda por transformados plásticos. “A concorrência com os importados está dramática e são eles que devem absorver essa alta”, lamentou.

Segundo Roriz, os três primeiros meses do ano foram bons, apontando uma recuperação. De janeiro a março, a produção de transformados plásticos cresceu 2,6%, de acordo com os registros da Abiplast, e foi puxada em especial pelos bons desempenhos dos setores automotivos e de embalagens. Ainda impulsionados pelo Finame-PSI, os transformadores foram às compras e, segundo levantamento da sua entidade de classe, investiram R$ 623 milhões, 48% mais que no primeiro trimestre de 2012. “O setor se animou e investiu na substituição de máquinas por outras mais produtivas”, disse Roriz, “mas o desempenho de abril frustrou muito”, completou. E os ânimos arrefeceram…

No cômputo do primeiro trimestre do ano, as exportações da indústria de plástico brasileira encolheram 8% em faturamento (ficaram em US$ 304 milhões) sobre o mesmo período de 2012, enquanto as importações adensaram 7% e somaram US$ 902 milhões. Resultado: a balança comercial do setor continua no prejuízo, um déficit 15% maior na faixa de tempo avaliada, totalizando US$ 598 milhões. Em peso, o país exportou só 56 mil toneladas de transformados plásticos, contra 177 mil toneladas importadas. Um déficit de 121 mil toneladas.

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