FEIPLASTIC 2013 – Extrusoras: Momento favorável para a reativação das vendas incita a indústria a inovar

Química e Derivados, FEIPLASTIC 2013 - Extrusoras: Momento favorável para a reativação das vendas incita a indústria a inovar

A venda de uma extrusora tem lá suas semelhanças com o casamento. O primeiro encontro é o início de tudo. Depois vem o período do namoro, em que as duas partes conversam e se conhecem em detalhes. A união, ou melhor, a compra é o final feliz da história. Assim como o barzinho é um local bastante apropriado para duas pessoas se conhecerem, as feiras são excelentes para as partes envolvidas no negócio fazerem o primeiro contato. Para os fornecedores e clientes já casados, a feira é ótima opção para fortalecer os laços do relacionamento.

Com o espírito dos conquistadores, os fabricantes e importadores de extrusoras são unânimes. Eles vão participar da Feiplastic com o objetivo de conhecer possíveis clientes e agradar os compradores habituais. Para eles, é difícil bater o martelo de uma venda durante a realização da exposição. O espírito é iniciar o diálogo, que pode vir a dar frutos algum tempo depois. As conversas podem demorar pouco, nos casos de “amor à primeira vista”, ou levar longos meses de noivado.

Empresas especializadas em máquinas para perfis, tubos ou filmes prometem seduzir os visitantes com novidades. Vários modelos chegam ao mercado. Outros, já comercializados, trazem aperfeiçoamentos. Todos os avanços são direcionados para atender a uma eterna demanda do mercado: máquinas cada vez mais produtivas e econômicas. Um destaque exclusivo desta edição fica para a chegada de máquinas nacionais indicadas para uma aplicação bastante promissora para os transformadores de plásticos, a fabricação de telhas de PVC.

A participação na Feiplastic tem sido apontada pelos expositores como uma ótima oportunidade para confirmar a recuperação das vendas. Depois de um início no ano passado próximo do desastroso, as vendas começaram a melhorar em setembro. A data coincide com a criação, por parte do governo federal, de linhas de crédito lançadas pelo BNDES destinadas a financiar a aquisição de bens de capital fabricados no Brasil. Os juros cobrados até o próximo mês de junho são de 3,5%, aquém dos 5,5% normalmente adotados. No segundo semestre, eles devem aumentar.

Para alguns, o final do ano foi tão bom que a capacidade instalada está comprometida por um bom período para atender aos pedidos. Para outros, as vendas não foram tão positivas. De qualquer forma, todos se mostram otimistas. Que sejam celebrados muitos casamentos.

Exceção – Recuperação não é uma palavra adequada para exprimir o sentimento da Carnevalli em relação à sua participação na Feiplastic. A empresa, uma das mais tradicionais do país no nicho de filmes, não se queixa do resultado obtido no ano passado. De acordo com a direção da casa, as metas foram atingidas, com crescimento superior a 30%. A evolução das vendas acompanhou a do mercado. Depois de um início de ano fraco, elas se recuperaram com vigor no segundo semestre, em especial depois do pacote de facilidades no financiamento do BNDES.

“As feiras de negócios abrem oportunidades para a captação de novos clientes, vendas e parcerias”, lembra Wilson Carnevalli, presidente da empresa. Hora de demonstrar a preocupação em se adaptar à exigência dos clientes, de oferecer novas tecnologias, como melhor controle da espessura dos filmes, roscas com geometrias avançadas, sistemas eletrônicos de ponta e outras técnicas que garantam produtividade, facilidade de operação e redução do consumo de energia.

Presença constante em todas as edições da feira, a Carnevalli promete seguir a estratégia adotada ao longo dos anos, a de ocupar espaço de destaque. A maior atração será um modelo Polaris Plus para três camadas (2.500 mm), dotado com vários itens de tecnologia avançada. Entre os destaques do modelo se encontra o anel de ar automático com regulagem de altura, voltado para calibrar a espessura de forma automática. “Ele permite considerável aumento da produção e qualidade ótica do filme.” A máquina produz até 700 kg/h.

Outros modelos poderão ser conferidos. Entre eles, um menor da Polaris Plus de três camadas (1.600 mm), apontado como de excelente relação custo/benefício. Também estará exposta uma unidade do carro-chefe da empresa, a máquina Polaris Plus 65, com rosca de diâmetro de 65 mm e capacidade de produção de até 250 kg/h. Uma extrusora E 40, para produção de filmes estreitos, dos tipos tubulares, fundo estrela ou em folhas, completa a exposição.

Química e Derivados, Paulo Leal, pelo menos até julho a demanda estará aquecida
Leal: pelo menos até julho a demanda estará aquecida

Mudança de astral – O ano começou em clima de alto-astral na Rulli-Standard, outro nome muito conhecido entre os fabricantes nacionais de extrusoras. A empresa oferece equipamentos para filmes rígidos e flexíveis, com roscas de diâmetros entre 50 mm e 150 mm. “Estou muito otimista, o primeiro trimestre foi muito bom”, comemora o diretor comercial Paulo Leal.

As perspectivas até julho são ótimas. “Muitos transformadores estão pensando em investir e querem aproveitar os juros reduzidos oferecidos pelo BNDES até julho. Os negócios devem continuar aquecidos”, analisa. O bom momento contrasta com os vividos no ano passado. “Foi um dos piores anos para a venda de equipamentos. O simples fato de se falar em crise fez os empresários cancelarem investimentos”, lembra sem qualquer saudade.

Para o diretor comercial, a Feiplastic se apresenta como reforço nessa injeção de ânimo. A Rulli-Standard vai repetir a estratégia adotada em outras edições da feira. Quando o visitante demonstrar interesse, ela irá transportá-lo até sua fábrica, onde ele poderá conhecer in loco as linhas de produção e maiores detalhes sobre o funcionamento dos equipamentos. “Essa tática é muito bacana. Os que vieram até a fábrica foram os industriais interessados em comprar, atingimos o nosso público-alvo com precisão”, conta.

Na feira, os interessados podem conferir três equipamentos. A maior atração é um modelo para filmes de três camadas, projetado para produção de 400 kg/h. A novidade da máquina é a presença de um anel de ar, capaz de permitir alto rendimento. “Ele melhora o desempenho, faz a máquina atingir o máximo da capacidade produtiva”, garante.

Parceria com chineses – A Extrusão Brasil, fabricante de máquinas para os mercados de perfis, tubos e laminados, é uma das representantes comerciais da chinesa Polytech, que tem feito sucesso no incipiente segmento nacional de telhas de PVC. Com a colaboração tecnológica da parceira asiática, a empresa lança na Feiplastic um equipamento para esse nicho. “Ele é fabricado no Brasil, mas tem algumas peças importadas”, informa o diretor comercial Leonardo Rocha Borges. Outra atração é a máquina de dupla rosca contrarrotante 67, que será exposta com design totalmente reestilizado. Apesar da nova aparência, o equipamento mantém suas características mecânicas anteriores.

“A máquina para telhas tem grande potencial. Temos recebido muitas consultas”, conta Borges. Para quem considera estranho o fato de a Extrusão Brasil representar no mercado a futura concorrente, um esclarecimento. A estratégia prevê oferecer alternativa aos compradores. “Quem tem dinheiro na mão pode escolher o equipamento chinês a um preço competitivo. Quem optar pelo financiamento da máquina, ao adquirir um modelo nacional, conta com as vantagens oferecidas pelo BNDES”, resume.

O equipamento para telhas, de grande porte, conta com características distintas das demais extrusoras oferecidas pela Extrusão Brasil. Seu funcionamento não exige tanta precisão das medidas das peças fabricadas. O fato de trabalhar com formulação diferenciada do PVC, bastante enriquecida com carbonato de cálcio, preocupa mais. Por ser muito corrosivo, o aditivo requer cuidados especiais da empresa na hora de construir alguns de seus componentes.

“Os resultados que vamos obter na feira são meio imprevisíveis, mas vamos com a ideia de vender bastante”, diz Borges ao analisar o espírito com que a empresa vai participar da mostra. Ele reconhece ser difícil realizar negócios durante o evento, mas espera por contatos que em um futuro breve resultem em vendas. Em relação às vendas de 2013, a expectativa é positiva. “Os resultados do primeiro trimestre nem se comparam com os do ano passado. Para os fabricantes de máquinas, 2012 foi muito ruim.”

Química e Derivados, Chrystalino Filho revela interesse no setor de telhas de PVC
Filho revela interesse no setor de telhas de PVC

Durante e após – A Bausano, empresa de origem italiana com fábrica no Brasil desde o início do século, marca presença no evento. “Vamos dividir o estande com a Primac, fabricante de periféricos para extrusão”, informa Chrystalino Branco Filho, diretor comercial. Dessa forma, os visitantes vão poder conferir no estande linhas completas de extrusão.

A empresa vai mostrar um lançamento e anunciar outro. Explica-se. Na mostra, comparece a extrusora MD 75, novidade para os nichos de tubos, forros e perfis. Sua capacidade é de 450 kg/h. “A empresa trabalhava com os modelos MD 72, de menor capacidade, e MD 90, de maior capacidade. As duas máquinas não conseguiam atender os interessados, por isso pensamos em uma máquina intermediária”, explica. Com o lançamento, a empresa passa a atender os clientes de forma mais competitiva.

O anúncio previsto para a exposição é o de uma máquina voltada para o promissor mercado de telhas de PVC. O equipamento está em fase final de desenvolvimento e deve chegar ao mercado dentro de noventa dias. “Estamos fazendo os testes finais”, revela. Não é de hoje que a Bausano está de olho nesse segmento. “Pensamos em lançar um modelo para esse mercado há dois anos.” O objetivo é competir com os chineses e com outros fabricantes nacionais que começam a atuar nesse nicho. Para tanto, promete soluções diferenciadas. “Queremos oferecer tecnologia capaz de superar algumas dificuldades hoje presentes na operação.”

Com as novidades, a Bausano pretende melhorar ainda mais o bom desempenho das vendas verificado no início do ano. “O mês de janeiro foi muito bom, em fevereiro houve uma queda e em março sentimos nova melhora. Acredito que os resultados serão bem melhores do que os do ano passado.” A previsão não é tão boa quanto parece à primeira vista. A comparação com o ano passado tem uma ressalva. “Em 2012, os negócios estiveram longe de atingir a meta preestabelecida, o ano fechou com resultados piores do que os do exercício anterior.”

O segmento da construção civil é o principal cliente da empresa. A melhor fatia do bolo vem da venda de modelos para forros e perfis, que respondem por 50% do faturamento. Outros 30% são obtidos no nicho de tubos. Por essas e por outras, a aproximação da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos anima. “Acreditamos na realização de várias obras com a ocorrência desses eventos.”

Pero Vaz de Caminha – Em se plantando, tudo dá. A frase proferida por Pero Vaz de Caminha na célebre carta que escreveu para o reino de Portugal para contar a façanha do descobrimento do Brasil ajuda a entender o pensamento de Enrico Miotto, presidente da Miotto, tradicional fabricante de máquinas para tubos, perfis e laminados, sobre a participação da empresa na Feiplastic.

Ao fazer contatos na feira, são lançadas sementes para futuras negociações. Cultivadas, nem sempre dão frutos de imediato. Mas podem permitir futuras colheitas, mesmo que elas ocorram depois de um longo período. “Fizemos contato com uma empresa da América do Sul na Brasilplast, há quatro anos. Recentemente, seus dirigentes trouxeram o folheto que pegaram na época e vieram conversar conosco para fechar negócio”, exemplifica. Esse é um caso extremo, é lógico. Às vezes tudo se define em quatro meses, às vezes em um ano. “As coisas no nosso ramo ocorrem assim.” É necessário um período de maturação, os clientes estudam a tecnologia aplicada nos equipamentos, avaliam o que precisam e, quando sentem segurança, partem para o investimento.

Para atrair a clientela, a Miotto mostra em seu estande uma máquina de 11 toneladas, com capacidade de produção de até 1.500 kg/h. “Ela é destinada a empresas de grande porte, talvez seja a maior máquina do gênero já construída no Brasil.” Seu preço estimado é de R$ 1,5 milhão. Máquinas menores também terão vez. Entre elas, uma lançada no ano passado, indicada para laboratórios e escolas de ensino superior. Trata-se de modelo 3 por 1, voltada para a produção de grânulos, tubetes ou fitas.

De acordo com o presidente, os negócios para a empresa só começaram a aquecer depois da Páscoa. “O ano começou meio lento, mas agora está a todo vapor, a 120 por hora”, comemora. Em relação ao mesmo período do ano passado, o desempenho melhorou muito. Está certo que em 2012 os resultados foram pífios. “Este ano esperamos crescer 50%”, calcula.

Sempre presente – Nem só de fabricantes nacionais vive o segmento na Feiplastic. Representantes de marcas internacionais marcam presença e prometem competir de igual para igual com a indústria brasileira. Um exemplo ocorre com a BY Engenharia, responsável desde 1999 pela comercialização de máquinas da norte-americana Davis-Standard. A marca conta com modelos sofisticados indicados para todos os nichos de mercado. A empresa também divulga todos os periféricos oferecidos pela fabricante para linhas de extrusão.

“Sempre participamos do evento, não faltamos a nenhum”, ressalta o diretor de vendas e marketing Marco Antonio Gianese. Para ele, a presença tem caráter bem institucional. Repetindo o que disseram todos os entrevistados, ele espera angariar novos contatos e fortalecer os antigos. E, é lógico, alavancar o desempenho das vendas. “Este ano estamos com expectativas melhores. O ano passado foi difícil.” Além dos problemas comuns às empresas brasileiras, a BY precisa enfrentar o protecionismo presente em algumas iniciativas do governo. “A taxação dos importados passou de 14% para 25%”, lembra. Para piorar, houve a valorização do dólar e o financiamento “amigável” do BNDES para as máquinas nacionais.

Para enfrentar as dificuldades, a empresa lança novo modelo, desenhado para atender às especificidades do mercado brasileiro e indicado para os transformadores de embalagens flexíveis. Produz filmes com a tecnologia extrusion coating, amplamente utilizada nos Estados Unidos e na Europa. “No Brasil são usados os laminados à base de solventes, que não são muito ecológicos”, diz. Essa propriedade pode facilitar a entrada do equipamento por aqui. O diretor conta com a mudança de cultura por parte dos transformadores, pressionados a adotar soluções amigáveis à natureza.

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