FEIPLAR/FEIPUR 2010 – Lançamentos se apoiam em práticas sustentáveis

Plástico Moderno, FEIPLAR/FEIPUR 2010 - Lançamentos se apoiam em práticas sustentáveisOs polímeros termofixos ganharam maior versatilidade e podem ficar mais alinhados com as práticas de sustentabilidade. Isso acontece graças às novas matérias-primas e aos novos processos que estão sendo lançados e incorporados à produção em vários segmentos industriais. Essas foram as tônicas da Feiplar Composites e Feipur 2010, as maiores vitrines de fornecedores e transformadores que atuam nos segmentos de compósitos e poliuretanos nos mercados brasileiro e latino-americano, realizadas em São Paulo, de 10 a 12 de novembro, no Expo Center Norte.

Enquanto boa parte das inovações chega ao mercado para acelerar a produtividade e muitas aplicações já testadas entram na oferta das casas de sistemas, transformadores tradicionais também entram numa nova fase de produção mais sustentável, conciliando termofixos com termoplásticos.

Repleto de componentes para máquinas agrícolas, caminhões, ônibus e automóveis, em sua maior parte processados por vacuum forming, o estande da MVC, referência no desenvolvimento de soluções em manufaturados em compósitos, comprovou ser viável desenvolver novos projetos adotando parâmetros mais sustentáveis.

Assim, a versatilidade da produção por vacuum forming predominou em vários componentes expostos aos visitantes das feiras, como tetos de colheitadeiras de ABS (acrilonitrila, butadieno e estireno), cem por cento recicláveis, em para-choques dianteiros e traseiros em Noryl, resina termoplástica da Sabic, composta por blenda de polióxido de fenileno e polipropileno, em substituição aos polímeros reforçados com fibras de vidro, e também em para-lamas de ABS coextrudado com ASA e acrílico, e em painéis frontais de colheitadeiras em blendas de ABS com policarbonato (PC), todos passíveis de reciclagem, incluindo ainda tampas traseiras de ABS reciclável para ônibus, em substituição às fibras de vidro.

Plástico Moderno, FEIPLAR/FEIPUR 2010 - Lançamentos se apoiam em práticas sustentáveis
MVC produz peça pelo RTM Surface

Além de mais próxima da meta de gerar produtos totalmente recicláveis no futuro, outro mérito da empresa foi lançar um novo processo inovador denominado RTMS (Resin Transfer Molding Surface), que mescla termofixos injetados, reconhecidos por sua alta resistência mecânica com termoplásticos de alto acabamento superficial, com a finalidade de obter melhores resultados finais. “A nossa intenção é fabricar produtos unindo compósitos com termoplásticos, o que nos possibilitará eliminar pinturas e reduzir pesos em cerca de 10% e custos em torno de 20%”, afirmou Gilmar Lima, diretor-geral da MVC.

A originalidade do RTMS está no fato de que, pela primeira vez, conseguiu-se promover a adesão entre dois materiais completamente diferentes. Do contrário, isso só seria possível com a aplicação por spray de um gelcoat para depois aguardar a cura.

Ao todo, o processo RTMS se desenvolve em quatro etapas. A primeira corresponde à termoformagem de uma película de ABS acrílico. Na segunda, aplica-se uma camada de manta de fibra de vidro. Na terceira, é feito o fechamento do molde e, na quarta etapa, completa-se o processo, com a injeção da resina de poliéster.

Plástico Moderno, Gilmar Lima, Diretor-geral da MVC, FEIPLAR/FEIPUR 2010 - Lançamentos se apoiam em práticas sustentáveis
Lima aposta no uso cada vez maior de reforços de fontes renováveis

“A partir de 2011, toda a nossa produção por RTM Light, envolvendo para-choques, para-lamas, para-sóis, capôs de motores, tetos para caminhões, entre outros componentes, passará a ser realizada por RTM Surface”, antecipou Lima. Assim, das cem toneladas de matérias-primas processadas em média ao mês, o diretor calcula que 60% da produção deverá corresponder ao processamento de termoplásticos, enquanto os outros 40% ficarão com os termofixos. A preocupação de produzir em bases mais sustentáveis, segundo Lima, também levará a empresa a buscar e utilizar cada vez mais reforços de fontes renováveis e constituídos de fibras naturais.

Em fevereiro de 2011, o diretor da MVC e também presidente da Abmaco participará na França como conferencista convidado de seminário no qual apresentará o processo RTM Surface, para uma plateia formada por profissionais de mais de 150 países.

Plástico Moderno, Marco Antonio Fay, DIretor comercial de sistemas formulados da Dow Brasil, FEIPLAR/FEIPUR 2010 - Lançamentos se apoiam em práticas sustentáveis
Fay apresenta sistema de PU rígido com impacto zero à camada de ozônio

Novo sistema de PU para isolamento – A exposição de refrigerador no estande da Dow Brasil na Feipur também foi emblemática. Moderno e com design arrojado, o eletrodoméstico preconiza a nova tecnologia que permite produzir espumas para refrigeradores sem o uso do condenado agente expansor HCFC, responsável pela destruição da camada de ozônio e pelas bruscas alterações climáticas presenciadas em todo o planeta.

“O Brasil é signatário do protocolo de Montreal e, como tal, terá de restringir gradualmente as aplicações do HCFC, principalmente utilizado para a produção de espumas rígidas para isolamento de refrigeradores domésticos e industriais e nós temos a solução para atender a essa nova demanda, pois desenvolvemos um novo sistema de PU rígido para isolamento das estruturas dos componentes internos dos refrigeradores com zero impacto à camada de ozônio”, afirmou Marco Antonio Fay, diretor comercial de sistemas formulados da Dow Brasil.

A nova tecnologia consiste no sistema para a produção de espumas rígidas de poliuretano Voracor, formulado com agentes de expansão não-inflamáveis, não-agressivos à camada de ozônio e que não representam risco à produção. Os sistemas Voracor, constituídos de espumas rígidas de PU e poliisocianurato de alta performance, encontram também aplicações em isolamento térmico.

Com espumas rígidas de poliisocianurato de alto desempenho e resistência ao fogo, a empresa também lançou o sistema Voratherm, voltado à produção em linhas contínuas de painéis pré-moldados e com estrutura do tipo “sanduíche”, para emprego no setor da construção.

A empresa também utilizou a feira como plataforma de lançamento de espumas flexíveis de PU, superiores em conforto, frescor e durabilidade aos látices. Trata-se das espumas Fresh Comfort, de alta resiliência e destinadas aos mercados moveleiro e de travesseiros e colchões. Segundo informações da Dow Brasil, somente a indústria de colchões movimenta anualmente mais de R$ 2,6 bilhões no Brasil, sendo a maior parte desse mercado representada pelos colchões de espuma, que detêm 80% de participação.

As indústrias de petróleo e gás e suas instalações como poços de petróleo, plataformas, oleodutos, gasodutos, álcooldutos, unidades de regaseificação e refinarias também podem se beneficiar da nova linha de revestimentos térmicos de poliuretanos da família Hyperlast, em lançamento, e com produtos para tubulações offshore submetidas às altas temperaturas em águas profundas.

A empresa ainda anunciou a criação de novo centro de tecnologia e desenvolvimento de mercado especialmente para poliuretanos e sistemas formulados, que deverá ser inaugurado no interior paulista, na cidade de Jundiaí, em janeiro de 2011.

Com investimento de US$ 2 milhões, o novo centro contará com laboratório de 1.200 m², e oferecerá serviços de análises químicas e físico-químicas, caracterização de propriedades físicas, desenvolvimento de amostras e com área para avaliação de flamabilidade de espumas.

“O objetivo do novo centro de tecnologia será desenvolver soluções e formulações de poliuretanos personalizados para nossos clientes. O espaço conta com máquinas e equipamentos de última geração e, além disso, teremos um corpo técnico com profissionais experientes e focados nas tendências de mercado e tecnologias”, afirmou Fay.

PU com expansor ecológico – Abolir o uso de solventes clorados, como o cloreto de metileno, na fabricação de espumas flexíveis convencionais de poliuretano foi o propósito alcançado pela Purcom no mais novo desenvolvimento apresentado ao mercado durante a Feipur. No lugar do cloreto de metileno, a empresa fez uso de um agente expansor ecológico, denominado Ecomate, que não agride a camada de ozônio, nem contribui para a formação de gases de efeito estufa, poupando o meio ambiente.

Plástico Moderno, Giuseppe Santanchè, Diretor comercial da Purcom, FEIPLAR/FEIPUR 2010 - Lançamentos se apoiam em práticas sustentáveis
Santanchè pretende substituir o cloreto de metileno

As novas espumas de PU deverão beneficiar principalmente as aplicações em colchões e em estofamentos utilizados pelas indústrias moveleira e automotiva. O novo agente expansor utilizado na formulação do poliuretano é baseado na molécula de formiato de metila. A patente americana, da empresa Foam Supplies, é muito difundida nos Estados Unidos, principalmente em aplicações para isolamento térmico.

“A nossa expectativa é de substituir progressivamente o cloreto de metileno utilizado nessas aplicações e para o qual estimamos um consumo da ordem de 7 mil toneladas/ano atualmente no Brasil”, afirmou Giuseppe Santanchè, diretor comercial da Purcom.

Segundo ele, várias empresas já estão se interessando pelas novas espumas de PU, caracterizadas como de baixa densidade (a partir de 24 kg/m³) e amigáveis ao meio ambiente, e que podem atender tecnicamente a diferentes necessidades de suporte de cargas. Tais empresas estariam situadas tanto no mercado interno como no externo, principalmente nos países com os quais a Purcom já tem relações comerciais e mantém exportações, como Chile, Peru, Argentina, Paraguai, Colômbia e México.

Além do forte apelo ecológico, as novas espumas de PU, segundo estudos feitos pela empresa, apresentam propriedades superiores, principalmente quanto à textura mais aveludada e maciez, propiciando maior conforto aos usuários.

Para apoiar iniciativas e novos desenvolvimentos das indústrias, a empresa também deverá inaugurar um centro de pesquisas em poliuretano, com estrutura montada para atender a vários setores industriais, como automotivo, moveleiro, aplicações voltadas a isolamento termoacústico, eletroeletrônico, construção civil, construção naval, embalagens, calçados, entre outros.

“O mercado de espumas de PU poderá contar com um centro de desenvolvimento e pesquisa que vai permitir aos transformadores desenvolver, testar e viabilizar projetos, e novos produtos”, comentou o diretor.

A empresa deverá investir R$ 1,5 milhão nesse novo centro, cuja instalação também conta com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Entre os maquinários, o novo centro contará com aplicador de spray bicomponente de alta pressão, com injetora de alta pressão provida de cabeçote de limpeza mecânica e também com uma injetora de baixa pressão com misturador dinâmico.

Para viabilizar testes de desempenho, os clientes contarão com uma célula de espumação com batedor, caixa de expansão e laminadora de fita para corte, além de sistemas de injeção de espumas por froth, unidade de jateamento abrasivo, cabine de revestimento climatizada e um laboratório para ensaios físicos e químicos.

“Cada máquina será isolada numa cabine própria, o que significa que apenas a Purcom e o responsável pela ideia original terão acesso ao projeto a ser desenvolvido no novo centro”, informou o diretor. A partir de 2011, a empresa também pretende oferecer programas de qualificação mercadológica para técnicos e operadores envolvidos com as aplicações de sistemas de PU, diretamente para os clientes, ou por meio de convênios que deverão ser firmados com universidades e escolas técnicas.

Expansores para isolamento – A Solvay do Brasil, divisão fluorquímicos, destacou na Feipur as inúmeras vantagens das blendas Solkane 365/227, agentes de expansão considerados de terceira geração, que oferecem a menor condutividade térmica entre todos os produtos alternativos ao HCFC-141b, característica que torna o material especialmente indicado para a fabricação de espumas destinadas a isolamentos térmicos.

Além de não afetar a camada de ozônio, o produto não é inflamável e não amolece a matriz de PU, permitindo a fabricação de espumas com excelentes propriedades mecânicas e com alto nível de segurança.

Outra linha destacada pela empresa foi a Ixol, composta por diol poliéter alifático (Ixol M125), indicado para sistemas monocomponentes de PU e para espumas de poliisocianurato (PIR), e também por Ixol B251, destinado à fabricação de espumas rígidas para isolamento térmico. Ambos os materiais, segundo os técnicos da empresa, apresentam efeito permanente de retardância à chama, sendo especialmente indicados para as aplicações nas quais os requisitos de proteção ao fogo são elevados.

Adesivos inovadores – Inovação igualmente interessante apresentada na Feipur foi o adesivo bicomponente de poliuretano, denominado comercialmente por Araldite 2045, considerado de alto desempenho para a colagem de plásticos na indústria automotiva. Desenvolvido pela Huntsman, Advanced Materials, divisão que engloba especialidades da antiga Ciba e da Vantico, trata-se de adesivo estrutural da família Araldite, formada por diferentes tecnologias e bases químicas e que pode conter um ou dois componentes.

À base de resinas epóxis, uma das famílias de adesivos desenvolvidos pela empresa é recomendada para promover a adesão entre metais e materiais compostos de alta resistência química.

Quando formulados à base de metacrilatos, são considerados excelentes para a colagem de plásticos e FRP e tendo por base os poliuretanos são considerados flexíveis para materiais compostos e termoplásticos. Para todas essas variações, há aplicações especialmente recomendadas para as indústrias aeronáutica, automotiva, autopeças, eletroeletrônica, construção civil, entre outras.

Outro lançamento promovido pela Huntsman foi representado pelo sistema gelcoat para a fabricação de moldes de resinas epóxis, comercialmente denominado Araldite SW5200. “Trata-se de gelcoat para revestir as camadas de superfície dos moldes, capaz de suportar altas temperaturas, até 150ºC. “Foi concebido pensando em oferecer alternativa bem menos dispendiosa à construção de moldes para peças piloto e também para produções, sendo considerado uma grande inovação, pois antes esses sistemas apenas suportavam temperaturas entre 65ºC e 80ºC”, destacou Ronny Konrad, gerente de marketing da divisão Advanced Materials da Huntsman.

Ambos os produtos serão importados, mas contarão com estoques locais regulares. Em Taboão da Serra-SP, a empresa por enquanto continua focada na fabricação de resinas epóxis, agentes de cura para resinas epóxis, adesivos e polímeros epóxis para isolamentos elétricos.

Poliéster em base vegetal – Considerada pioneira na produção de químicos, como anidrido ftálico, bissulfeto de carbono, octanol e butanol, obtidos do álcool de cana-de-açúcar, a Elekeiroz lançou na Feiplar resinas de poliéster insaturado em base vegetal para a fabricação de materiais em compósitos. A nova linha de resinas de poliéster, batizada comercialmente por Biopoli, tem por base óleos vegetais de soja.

Plástico Moderno, FEIPLAR/FEIPUR 2010 - Lançamentos se apoiam em práticas sustentáveis
Para-choque de ônibus foi feito com nova resina Biopoli

Uma das primeiras peças produzidas por spray up com as resinas de poliéster Biopoli foram para-choques para ônibus. A aplicação comprovou ser possível conciliar bases produtivas mais sustentáveis com alta performance dos materiais.

“A nova linha Biopoli atende às demandas atuais de diversos segmentos industriais, como automotivo, construção civil, saneamento básico, esporte e lazer, náutico, naval, eletroeletrônico, entre outros, e temos, no momento, várias aplicações sendo testadas por clientes”, afirmou Carlos Alberto Samartine, gerente executivo da divisão resinas da Elekeiroz.

De fácil processamento, as novas resinas não exigem qualquer tipo de modificação nos processos produtivos, apresentam todas as características físico-químicas das resinas de poliéster convencionais em base mineral, como rigidez e durabilidade, podendo ser processadas por moldagens abertas e/ou fechadas.

Ao utilizar matérias-primas de fontes renováveis, como óleos de soja, e resinas termoplásticas recicladas, como o PET, as novas resinas propiciam ganhos econômicos decorrentes das novas composições. Entre as diferentes formulações, a linha Biopoli, a depender das aplicações, tem base ortoftálica, ortoftálica flexível, DCPD e isoftálica, havendo ainda opções em gel time e/ou com diferentes viscosidades.

Poliéster verde – Ao lançar a linha Envirolite, a Reichhold também passou a oferecer alternativas em resinas de poliéster insaturado, a fim de substituir parcialmente matérias-primas derivadas do petróleo por óleos vegetais renováveis ou produtos reciclados, sem comprometer as propriedades e o desempenho dos materiais.

Assim, as novas resinas verdes de poliéster insaturado apresentadas na Feiplar foram otimizadas para os processos de prensagem a quente, como SMC e BMC, pultrusão, infusão a vácuo e laminação, tanto manual como com pistola, para aplicações nas indústrias da construção civil, náutica e lazer, envolvendo a fabricação de banheiras, barcos e piscinas.

Plástico Moderno, FEIPLAR/FEIPUR 2010 - Lançamentos se apoiam em práticas sustentáveis
Resina verde é alternativa para fabricante de carro elétrico

Produzidas com óleos vegetais de soja, milho, linhaça, coco, canola ou colza, as resinas verdes da Reichhold deverão constituir a opção de escolha para a fabricação de carros elétricos da Obviol. Um exemplar dessa nova geração de carros elétricos, aliás, estava em exposição no estande e atraía a atenção dos visitantes da feira. O minicarro exposto, na cor verde escuro, modelo 828H, tratava-se, na realidade, de um híbrido, com carroceria produzida pela MVC.

A preocupação em reduzir o teor de estireno residual em reservatórios de água, conhecidos como caixas-d’água, também levou a empresa a desenvolver uma nova resina de poliéster insaturado. Trata-se da resina Polylite 33209-50, de baixa viscosidade e com altos sólidos, e que atende às exigências de toxidade da norma NBR 13210, referentes às migrações de estireno e diclorometano, caracterizando-se por ser uma resina de baixo teor de estireno residual e não-contaminante para os reservatórios de água para consumo.

A baixa viscosidade também é característica de outra nova resina de poliéster insaturado (Polylite 413), desenvolvida para utilização nos processos de infusão a vácuo e RTM, em aplicações voltadas à produção de barcos e pás eólicas, principalmente privilegiando o aspecto produtividade. Outra grande vantagem dessa nova resina, porém, é propiciar menor contração e baixo pico exotérmico, o que significa afastar o risco de deformação das peças.

No campo das pás eólicas em especial, a empresa há alguns anos vem expandindo seu leque de opções para contribuir para o incremento das aplicações, tendo por base a constatação de que cerca de 2/3 das turbinas eólicas ainda são produzidas com soluções de epóxi, enquanto apenas 1/3 delas, de poliéster insaturado.

Um sistema inovador de construção de moldes com contração próxima a zero também entrou no foco de atenção dos novos desenvolvimentos da Reichhold, culminando com a nova resina de poliéster insaturado (Polylite 33542-25). Segundo os técnicos da empresa, essa nova tecnologia permite reduzir em até 50% o tempo de fabricação de moldes em comparação com os sistemas convencionais, apresenta custo mais acessível e resulta em materiais de alta estabilidade dimensional, sem distorções superficiais, mais resistentes, e com maior tempo de vida útil.

Resina para saneamento – A importância de contribuir para as obras de saneamento tão necessárias à qualidade de vida no país também levou a empresa a desenvolver uma resina específica de poliéster insaturado para essas aplicações. Esse é o caso da nova resina Polylite PD 3535, destacada na Feiplar, e que reúne propriedades para atender às exigências mais severas de desempenho das tubulações empregadas para a condução de água, esgoto doméstico e até mesmo vinhaça.

Segundo os técnicos da empresa, as resinas para saneamento devem cumprir exigências cruciais relacionadas com alta resistência a ambientes aquosos ou com esgotos domésticos e alta temperatura de termodistorção para suportar as condições de estocagem. Um dos fortes atributos dessa nova resina é o seu alongamento de ruptura, superior a 3,5% e o HDT, maior que 80ºC, conferindo ao material adequação para uso em tubulações e tanques, acessórios reforçados com fibras de vidro, moldados em processos abertos (laminação manual ou com pistola) ou produzidos por filament winding.

Desenvolvimento igualmente interessante da empresa é a resina de poliéster insaturado (Polylite 32245-60) em base cem por cento DCPD (diciclopentadieno), concebida para a fabricação de mármores sintéticos. Trata-se de nova tecnologia que permite produzir com uma resina de baixa viscosidade e com alto teor de sólidos, facilitando a umectação das cargas minerais e a saída de bolhas do composto, permitindo aumentar a quantidade a ser adicionada de cargas, o que irá reduzir os custos dos produtos finais.

Entre as várias soluções inovadoras apresentadas pela empresa ainda se destacou a tecnologia solid surface, para a fabricação de tampos, pisos, bancadas, tanques, pias, lavatórios etc. para utilização em residências, hotéis, restaurantes, laboratórios farmacêuticos, hospitais e consultórios médicos. O material é compactado, aparentemente similar ao mármore e ao granito, mas apresenta, segundo a empresa, vantagens decorrentes de sua fácil processabilidade, reciclabilidade, alto acabamento superficial e, principalmente, não apresenta porosidades, sendo considerado atóxico e, portanto, capaz de evitar contaminações, proporcionando, assim, melhores condições de higiene, bem como alta resistência à água e a produtos químicos.

TPU à base de PPDI – Com sede em Li Shui, na China, a UPChem também se destacou na Feipur, trazendo novidades. A mais importante delas, denominada UPChem PPDI HPT-808, trata-se de um TPU à base de PPDI, considerado um poliuretano termoplástico de alta performance, uma inovação em âmbito mundial.

O TPU baseado no isocianato PPDI (p-fenileno diisocianato) se caracteriza por ter alta resistência à abrasão e baixa compressão a elevadas temperaturas, para aplicações de alto desempenho e diretas em processos de injeção, extrusão e calandragem de poliuretanos, TPU, tintas, vernizes e intermediários, contemplando os setores automotivo, alimentício, agricultura, de tintas e vernizes, entre outros.

Sistemas de espumas – A Arinos, divisão poliuretanos, destacou vários desenvolvimentos realizados em prol da área de sistemas de espumas de PU para atender os mercados de colchões, estofados, travesseiros, entre outras aplicações de espumas, com características diferenciadas. Tais desenvolvimentos abrangem espumas viscoelásticas, com densidades entre 40 kg/m³ e 80 kg/m³, para aplicações em colchões e travesseiros; espumas de alta resiliência, com densidades entre 30 kg/m³ e 60 kg/m³, para aplicações também em colchões, móveis para exportação, assentos e encostos automotivos e moveleiros, apoios para cabeça, bancos de motos etc.; espumas supersoft, com densidades entre 20 kg/m³ e 30 kg/m³, para aplicações em travesseiros; e ainda espumas de alto conforto, do tipo látex, com densidades entre 40 kg/m³ e 80 kg/m³, para aplicações em colchões e travesseiros especiais.

Peróxidos Eco Premium – A nova linha de peróxidos orgânicos da AkzoNobel, apresentada na Feiplar, foi concebida para promover a cura de resinas que serão processadas por BMC (Bulk Molding Compounding) e por SMC (Sheet Molding Compounding), utilizadas na fabricação de peças automotivas, antenas parabólicas, peças para aparelhos de micro-ondas, entre outras.

De acordo com técnicos da empresa, essa nova linha está em sintonia com os esforços da companhia em desenvolver produtos eco-premium, amigáveis ao meio ambiente, que já representam 20% da receita global da AkzoNobel, devendo corresponder até 2015 à fatia de 30% da receita global, segundo as metas previstas.

Os peróxidos mais destacados dessa linha são o Trigonox 42S, o Trigonox 117 e o Perkadox BTW50. Os dois primeiros não apresentam benzeno em sua formulação e também conferem maior velocidade de cura em processos a quente, enquanto o terceiro é um BPO em pasta, livre de ftalato.

Químicos e soluções – A empresa já tinha tradição no fornecimento de especialidades químicas para a fabricação de termofixos, como polióis, isocianatos, catalisadores, surfactantes, retardantes à chama etc., mas a partir deste ano, a M.Cassab também começou a fornecer sistemas de poliuretano a vários setores industriais.

“As casas de sistemas representam um mercado novo e em ascensão e no qual resolvemos ingressar oferecendo serviços para ajudar os clientes a formular e solucionar problemas”, afirmou Aloísio Sposito, gerente de produto da M.Cassab, divisão química industrial – PU.

Assim, em parceria com a Basf, Evonik, Invista, Lanxess, entre outras globais, a empresa passou a desenvolver em sua unidade de Osasco-SP dezenas de formulações para atender a diferentes mercados. A quantidade de soluções já testadas é grande e abrange peças para o setor automotivo, construção civil, indústria eletroeletrônica, entre outras.

Novidades em gelcoats – Resinas ecológicas, nova tecnologia em gelcoats premium e adesivos estruturais também foram incorporados à oferta da Ashland. A empresa, considerada uma das maiores fabricantes mundiais de resinas termofixas, participou da Feiplar destacando ao público resinas baseadas em fontes renováveis. Comercialmente batizada Envirez, essa família já está disponível nos Estados Unidos desde 2002, e chega, agora, ao Brasil, encontrando-se em fase final de testes.

“O setor automotivo desponta como potencial primeiro usuário em larga escala dessa família de resinas, principalmente as montadoras de veículos agrícolas”, considerou Andrew Beer, diretor da Ashland Performance Materials para a América do Sul.

Inovação igualmente interessante destacada pela empresa na feira foram os gelcoats premium da família Maxguard LE (low emission) que, tanto na Europa como nos Estados Unidos, tornaram-se referência no setor náutico, por garantir a repetibilidade das cores e a baixa emissão de estireno, avaliada como 50% menor quando comparada com as emissões de compostos orgânicos voláteis (voc) de produtos convencionais, além de apresentarem elevados índices de resistência às intempéries, alta proteção contra radiações ultravioleta e água salgada, hidrólise, corrosão e abrasão.

Os gelcoats da Ashland são constituídos por uma fina camada de resina de poliéster especialmente pigmentada que, aplicados em processos de fabricação por hand lay-up e spray-up, proporcionam superfície incomparável e resistente às intempéries.

No mercado brasileiro, os novos gelcoats premium estarão sob os encargos da pigmentação das empresas Redelease e Mastergel Compósitos, duas das distribuidoras da Ashland no país. Tal pigmentação será realizada por meio da tecnologia Instint Color Service. Trata-se de um pacote desenvolvido pela Ashland e formado por itens como gelcoat em base isoftálica com NPG, de alto desempenho, pigmentos especiais, equipamentos para a distribuição das cores, software de gerenciamento das cores, sistema de identificação de tonalidades e suporte técnico.

Além desses dois novos produtos, a empresa também inclui no portfólio para o mercado brasileiro os adesivos estruturais da família Pliogrip. Concebidos para a colagem de peças em compósitos em diversos substratos, serão comercializados pela Barracuda, distribuidora exclusiva da Ashland, que atua para o mercado náutico.

Pertencente ao grupo norte-americano Ashland Inc., a Ashland Performance Materials tem posição destacada entre os principais fabricantes de resinas de poliéster e éster-vinílicas. No Brasil, a empresa firmou joint-venture em 1999 com a Ara Química, fabricante de resinas de poliéster sediada em Araçariguama-SP. Tal parceria resultou na criação da Ara Ashland e ensejou o fornecimento de produtos especiais para o mercado local, como as resinas éster-vinílicas Derakane e Hetron, aplicadas mundialmente contra a corrosão. Em abril deste ano, ao adquirir a outra metade do controle da Ara Ashland, passou a denominar-se Ashland.

Especializada na fabricação de adesivos, primers e coatings à base de água, epóxi, acrílico e poliuretano, a Lord, subsidiária da norte-americana Lord Corporation, também participou da Feiplar, destacando a linha de adesivos estruturais que substituem com vantagens os sistemas tradicionais de fixação por solda, pregos, parafusos e rebites, sendo amplamente utilizados em barcos, casas e trailers.

O adesivo estrutural Lord Maxlok CM/MT40 é voltado às aplicações do setor náutico e possui tempo de manuseio desde 40 minutos até 60 minutos. Suas vantagens, segundo os técnicos da empresa, vão desde aceitar pintura e não oferecer pegajosidade (tack) até permitir o reposicionamento da peça antes da cura, facilitando eventuais correções. Por ter base acrílica, ainda resiste às operações em ambientes de elevada umidade e que sofrem intensa variação de temperatura.

Entre os destaques da empresa também foram apresentados os adesivos da família Lord Maxlok MX/LA. Baseados em acrílico bicomponente, foram desenvolvidos para aplicações críticas, exigindo elevados índices de resistência estrutural e alongamento, bem como alta capacidade para suportar impactos, torções e dilatações. Dessa família, três produtos se destinam ao setor automotivo, contando com diferentes tempos de manuseio, desde 3 minutos até 24 minutos.

O desmoldante Chemlease 258-R, específico para a fabricação de postes e tubos pelo processo de enrolamento filamentar também participou do rol das novidades da exposição. Produzido pela Chem-Trend, e com distribuição no Brasil exclusiva da Redelease, trata-se de um desmoldante amigável, uma vez que substitui o filme plástico colocado sobre o molde que é descartado após o uso.

A Redelease também lançou o PU Cleaner 201, com fórmula biodegradável, solúvel em água e isenta de clorados ou substâncias controladas e poluentes. Já a blenda de resinas Impergel, também produzida pela empresa, e concebida para a repintura de piscinas, embarcações e pisos de locais com grande fluxo de pessoas, dispõe de versão antiderrapante.

Entre as várias soluções em aditivos apresentadas nas feiras pela Polystell se destacaram o aditivo polimérico Polyadit 4938, o aditivo Polyumec 5752 – D10 e o aditivo Polyumec 5900. O primeiro, composto cem por cento de ativos, é isento de aminas, tem funções umectante e dispersante, e foi especialmente desenvolvido para gelcoats epóxi, podendo também ser utilizado em poliésteres e poliuretanos. O segundo é isento de solventes e foi desenvolvido com resinas vegetais, sendo indicado para as indústrias de laminação, e ainda apresenta alta capacidade de umectação de fibras e minimiza o odor do estireno. Já o terceiro atua como um redutor de viscosidade e se destina a pastas de pigmentos, melhorando a umectação, e reduzindo o tempo de processamento de moagem.

A Feiplar também serviu de plataforma de lançamento da linha de catalisadores de metil-etil-cetona Brasnox PF, apresentada pela Polinox, tradicional fabricante de peróxidos orgânicos e ceras desmoldantes, entre outras matérias-primas para compósitos. Os novos catalisadores são isentos de ftalatos e não promovem qualquer alteração de performance nos produtos.

As soluções ecologicamente corretas foram a preocupação de muitos expositores. A Artecola destacou a linha Ecofibra, composto para injeção, constituído de fibras vegetais de madeira, cana-de-açúcar e coco, formando placas para divisórias, estantes e placas termomoldáveis, para aplicações no setor automotivo, e também em laminações planas para fundos de armários, gavetas e embalagens.

Outra participação nas feiras foi da Poloplast, empresa da MVC, pertencente aos grupos Artecola e Marcopolo, especializada na fabricação de painéis em lâminas de compósitos de alto desempenho, que divulgou soluções em compósitos poliméricos reforçados com fibras de vidro e núcleos especiais para aplicações na construção civil.

No estande da Bandeirante/Brazmo, seu representante, a BYK divulgou inovações em aditivos para compósitos. Uma delas é o aditivo antiespumante para resinas éster-vinílicas (P 9928), que pode ser empregado com peróxidos convencionais, alcançando altas taxas de polimerização, e especialmente recomendado para gelcoats e aplicações que exigem requisitos anticorrosivos.

“Além de aditivos para compósitos, estamos promovendo também o lançamento de um aditivo para termoplásticos desenvolvido com nanopartículas inorgânicas”, informou Fenelon Chaves dos Santos, gerente de vendas da área de aditivos para plásticos da BYK.

Comercialmente denominado Nanobyk 3845, esse aditivo confere proteção de longa duração contra os raios UV, sem tirar a transparência de filmes de polietileno e polipropileno.

Tecnologias para injetar PU – A Cannon do Brasil, pertencente ao grupo Cannon, considerado líder mundial na fabricação de máquinas e sistemas de termoformagem e para a injeção de poliuretanos, também prestigiou a Feipur.

Com sede em Milão, na Itália, a empresa fabrica máquinas para os setores industrial, automotivo, refrigeração comercial e doméstica, construção civil, entre outros, fornecendo-as ao mercado brasileiro via importação direta e realizando na filial brasileira as atividades de comercialização, assessoria nas montagens e assistência técnica permanente.

Plástico Moderno, Guido Pelizzari, Diretor-geral da Cannon do Brasil, FEIPLAR/FEIPUR 2010 - Lançamentos se apoiam em práticas sustentáveis
Pelizzari: mercado brasileiro de PU está em crescimento

“O mercado brasileiro de PU está em crescimento e as empresas estão se interessando cada vez mais por tecnologias de injeção que apresentam maior grau de automação, como as fabricadas pela Cannon, que oferece máquinas especiais para diversos setores, além de tecnologias específicas, como para a produção de painéis isolantes com espessuras até 30 cm, considerada a mais moderna do mundo”, destacou Guido Pelizzari, diretor-geral da Cannon do Brasil.

Por intermédio da Cannon do Brasil, o mercado brasileiro também está conhecendo as aplicações mundiais mais recentes das resinas de diciclopentadieno (DCPD) processadas por injetoras da empresa e que se concentram principalmente no setor automotivo. Em reunião no estande da Cannon Brasil, Renato Ratz, da Sojitz do Brasil, filial do grupo japonês Sojitz e proprietária da Metton, dos Estados Unidos, fabricante das resinas de DCPD, informou que o material é fácil de processar, resultando em peças com alta qualidade no acabamento. Entre as inúmeras aplicações, ele destacou os painéis frontais para caminhões Iveco, apresentados no estande da Cannon, e produzidos pela Indústria Brasileira de Plástico, de Botucatu, no interior paulista.

Reforços de alto desempenho – A Owens Corning Composite Materials (OCV) destacou a nova geração de tecidos especiais para pás eólicas de alta performance. Denominada Ultrablade, essa nova geração permitirá maior versatilidade aos novos projetos e o desenvolvimento de pás com maior comprimento, a fim de contribuir para a maior eficiência e para a redução nos custos de geração da energia eólica.

Como principal fornecedor de fibras de vidro para pás de turbinas eólicas, a empresa também divulgou ao mercado as fibras E-CR Advantex, resistentes à corrosão, sem boro, destacando que o material é produzido em plataforma patenteada e com impacto ambiental reduzido.

Outra inovação recentemente lançada pela empresa, e que integra a família de reforços em fibras de vidro, foi desenvolvida para aplicações aeroespaciais. Trata-se de FliteStrand S. Apresentada na conferência e exposição realizadas pela Sociedade para o Desenvolvimento da Engenharia de Materiais e Processos, em Seattle, Washington, nos Estados Unidos, essa nova tecnologia vem atender às exigências de fabricação de materiais compósitos estruturais para aeronaves com menor peso e com consequente redução no consumo de combustíveis.

A Owens Corning ainda destacou durante a exposição a importância dos integrantes do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), no contexto mundial dos compósitos, e da própria empresa. “Atualmente, os quatro países são responsáveis por mais de um terço ou quase 35% da demanda total por compósitos existente no mundo”, comentou Ricardo A. M. Grizzo, gerente-geral da OCV para a América do Sul.

Com 37 fábricas instaladas em 15 países, a Owens Corning mantém hoje nove unidades industriais voltadas à produção de reforços e tecidos técnicos nos países do Bric.

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